Clássica descrição de personagem: Joaquim Manuel de Macedo

18 01 2021

Melancolia — [Série] 2010

Vik Muniz (Brasil, 1961)

digital C print, 180 x 227 mm

“Finos cabelos que de louros na infância se tinham ido de ano em ano tornando castanhos até se avizinharem da cor preta na juventude, belos e suaves olhos pardos e de langor natural e brando, rosto de um longo oval e de branco puríssimo sem a mais leve insinuação rósea nas faces, nariz um pouco aquilino, graciosa curva nos lábios, dentes formosos, orelhas pequenas e transparentes, queixo terminando demasiadamente agudo, pescoço alto e delgado, estatura média, corpo franzino e magro, cintura delicadíssima, braços mal torneados e menos grossos do que podiam ser de harmonia com o talho, mão e pés de mimosa perfeição; mais melancolia do que viveza nos modos, organização franca e exageradamente nervosa, imaginação inflamável, sande fraca, educação desvelada, e alma de anjo, tal era a princesa da casa e  rainha da festa.”

Em: Um noivo à duas noivas, Joaquim Manuel de Macedo, Rio de Janeiro, Garnier: 1879, TomoI, pp. 9-10





Em casa: Geneviève Dael

17 01 2021

À luz da lua

Geneviève Dael (França, 1947)

óleo sobre tela, 41 x 27 cm

 





Flores para um sábado perfeito!

16 01 2021

 Vaso com flores 

Francisco Manna (Itália, Brasil, 1879- 1943)

óleo sobre madeira,  33 x 40 cm





Rio de Janeiro: uma joia tropical

15 01 2021

Chegada da Pesca em Paquetá, RJ

Pedro Bruno (Brasil, 1888-1949)

óleo s madeira, 35 x 38 cm





Trova do ciúmes

14 01 2021

Morena de olhos castanhos,

teu encanto é a minha pena;

quem dera que olhos estranhos

te achassem feia, morena!     

 

(Bastos Tigre)





Hoje é dia de feira: frutas e legumes frescos!

13 01 2021

Natureza morta, 1974

Carlos Leão (Brasil, 1906-1983)

Óleo sobre tela – 38×46 cm





Despedida, poesia de Maria Braga Horta

11 01 2021

À luz de lampião, 1890

Harriet Backler (Noruega 1845-1932)

óleo sobre tela, 55 x 66 cm

 

Despedida

 

Maria Braga Horta

 

Não levarei comigo nada meu

nem de ninguém.

Devolvo a todos o quinhão da vida

que viveram comigo e por mim

e os liberto

do ritual das flores no jazigo

que nada mais (depois) contém

que os vestígios de um corpo

que em verdade jamais me pertenceu.

 

 

Simples sombra (invisível) chegarei

diante do espelho

em que foi o meu tempo refletido

e inserido em gradações de forma e cores.

 

 

Do que era teu em mim –

separados os lados –

sepultarás o morto.

 

 

O vivo ficará perdido

nos teus olhos

procurando o infinito.

 

Em: Caminho de Estrelas, Maria Braga Horta, São Paulo,  Massao Ohno Editor: 1996, p. 122





Hoje é dia de feira: frutas e legumes frescos!

6 01 2021

Natureza morta

Inês Spuras (Brasil, contemporânea)

óleo sobre tela,  50 x 40 cm





Picasso e Lichtenstein

5 01 2021

Mulher com chapéu de flores, 1963

Roy Lichtenstein (EUA, 1923 -1997)

Magna* sobre tela, 127 x 101 cm

Coleção Particular

 

 

Oscar Wilde é autor da frase, “A imitação é a forma mais sincera de adulação que a mediocridade pode render à excelência” [“Imitation is the sincerest form of flattery that mediocrity can pay to greatness.”].  A cópia, e com ela a reinterpretação de uma obra de arte, é tradição nas escolas de belas artes, modo de se aprender técnica, uso de cores, composição, resolução do espaço observando os grandes mestres. Para pintores, por exemplo, há também a possibilidade de verem-se encaixados na tradição de um mestre.  Desde os tempos nas guildas que aprende-se a pintar, a fazer a mistura de pigmentos, a usar diferentes pinceis ou técnicas.  Ninguém poderia exercer a profissão de pintor se não tivesse passado alguns anos como aprendiz de algum mestre, reconhecido pela guilda. 

Para nós apreciadores das artes plásticas é sempre interessante ver que obras de arte foram escolhidas por um artista para serem copiadas.  Às vezes é surpreendente as conexões entre artistas de diferentes gerações.

 

Dora Maar com gato, 1941

Pablo Picasso (Espanha, 1881-1973)

óleo sobre tela, 128 x 95 cm

 

Roy Litchenstein, artista americano trabalhando na segunda metade do século passado, escolheu algumas obras de Pablo Picasso.   Mulher com chapéu de flores, 1963, é baseado no retrato Dora Maar com gato, 1941, por Pablo Picasso como vemos acima e abaixo:

 

Outra tela de Lichenstein baseada em Picasso é Reflexões no Interior com moça desenhando, 1990, que reconfigura a tela de Picasso de 1935, Interior com moça desenhando.

Reflexões no Interior com moça lendo, 1990

Roy Lichtenstein (EUA, 1923 -1997)

Magna* sobre tela, 191 x 274 cm

The Broad, Los Angeles

 

 

Interior com moça desenhando, 1935

Pablo Picasso (Espanha, 1881 – 1973)

óleo sobre tela, 130 x 195 cm

MOMA, Nova York

 

São as Reflexões, dele, Lichenstein sobre a tela de Picasso?  Ou estaria ele assumindo que a moça desenhando está na verdade fazendo um autorretrato olhando para sua imagem num espelho, na tela de Picasso?  A interpretação está aberta ao espectador.

Mais curioso ainda, é ver Mulher da Argel, 1963 momento em que Roy Lichenstein fez uma releitura da obra de Picasso, Mulher da Argel, 1954, obra (uma série de quinze telas) que já era releitura do quadro de Delacroix Mulheres da Argel em seu apartamento, 1834.

Mulher da Argélia, 1963

Roy Lichtenstein (EUA, 1923 -1997)

óleo sobre tela, 203 x 172 cm

The Broad, Los Angeles

Mulheres da Argélia, 1954

Pablo Picasso (Espanha, 1881 – 1973)

óleo sobre tela, 114  x 196 cm

 

 

Mulheres da Argel em seu apartamento, 1834

Eugène Delacroix (França, 1798 – 1963)

óleo sobre tela, 180 x 229 cm

Louvre





Lembrança, poesia de Wilson W. Rodrigues

4 01 2021
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Lembrança

 

Wilson W. Rodrigues

 

Das três tristezas que tenho

uma foi lágrima só,

a outra foi leve gemido

e a última desfez-se em pó.

 

Das três alegrias que tenho

uma foi sorriso vão,

a outra foi manso gorjeio

e a última foi ilusão.

 

Das três saudades que tenho

uma bem cedo murchou,

a outra durou muito pouco

e a última foi que ficou.

 

Em: Bahia Flor: poemas, Wilson W. Rodrigues, Rio de Janeiro, Editora Publicitan: 1949, p. 113