Trova do presente do sogro

20 08 2014

 

presentes, gravatas, Ruth Eastman, Judge magazine, dez 1929Ilustração Ruth Eastman, capa da revista Judge (EUA), dezembro de 1929.

 

Deu-lhe o sogro uma gravata…

— E sua emoção foi tanta

que casou antes da data,

sentindo um nó na garganta!…

 

(Manuel de Oliveira Costa)





Adaptações sem limites, um conto

10 08 2014

Republico. Original publicado em 2009. Esta é uma das muitas memórias de família. Um Feliz DIA DOS PAIS a todos os pais que passam por aqui. Que seus filhos tenham boas lembranças do tempo passado juntos!

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ciência Tudo pela ciência, ilustração de Walt Disney.

 

 

ADAPTAÇÕES SEM LIMITES

 

de  Ladyce West

 

Na minha adolescência, eu sempre me encabulava de ser vista no carro de meu pai.  Só convidava minhas amigas para uma carona, se me visse forçada.  Tinha receio do que poderia revelar a meu respeito ou a respeito de meu pai.  

 Nosso carro era um híbrido pode-se dizer de um tanque da Segunda Guerra Mundial com um carro passeio.  Combinação possível graças ao gênio inventivo de meu pai, um cientista.  Esse ornitorrinco do mundo dos carros poderia ter sido encontrado numa história em quadrinhos de ficção científica.  Meu pai foi um típico homem dedicado à ciência, cujo abundante e rebelde cabelo grisalho espelhava suas ruminações.   Sua notória falta de atenção era conseqüência de uma mente em ebulição,  resolvendo problemas diversos, enquanto seu carro, o nosso carro, era a prova concreta dos…

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Rio de Janeiro a caminho dos 450 anos!

11 07 2014

 

 

 

Carlos H Sorensen (1928-2008), Morro da Favela,1994, encaustica sobre tela 40x50 cmMorro da Favela, 1994

Carlos Sorensen (Brasil,1928-2008)

encáustica sobre tela, 40 x 50 cm





Copa 2014, no coração de todos

24 06 2014

 

 

 

cybele varela,(Brasil 1943) oh happy day,Oh Happy day!

Cybele Varela (Brasil, 1943)

www.cybelevarela.com





Dia 6: Azul, desafio da escrita, #PHpoemaday

6 06 2014

 

 

Old_guitarist_chicagoO velho violeiro, 1904

Pablo Picasso (Espanha, 1881-1973)

óleo sobre tela, 122 x 82 cm

The Art Institute, Chicago

 

Tema: Azul

 

Azul o quê?

Não sou fã da cor azul.
Só no céu.
De preferência como pano de fundo
De uma frondosa bananeira,
De uma grande mangueira,
De pitangueiras e jabuticabeiras.
Por trás de uma montanha,
Enquadrando a paisagem bucólica,
Ou contrastando com um flamboyant.
Não há rosas azuis. Nem tulipas.
Nem comidas, nem bebidas.
Fruta tropical não se passa por azul.
Nem o mirtilo que é roxo e europeu.
A baleia azul, não o é…
Tampouco é o “blue cheese”.
Azul para mim é uma cor triste.
Não sou a única.
Picasso triste é azul.
No Irã é a cor do luto.
É a cor do nada, na televisão…
Indefinível, precisa de companhia para existir:
Azul-bebê, azul- turquesa, azul-marinho, azul-celeste, azul-anil,
Azul cobalto, azul-ardósia, azul-petróleo, azul-aço, azul-cadete,
Azul-pólvora, azul meia-noite, azul-furtivo, azul da Pérsia.
Em inglês, significa tristeza.
Are you feeling blue?
Não. Não estou deprimida”, respondo.
Estou verde e amarela…

©Ladyce West, Rio de Janeiro, 2014

 

 

 





Dia 5: Pela sua janela hoje, desafio da escrita, #PHpoemaday

5 06 2014

 

 

Burle-Marx2

Sem título, 1941
Roberto Burle Marx (Brasil, 1909-1994)
óleo sobre tela
Coleção Roberto Marinho

 

Tema de hoje: Pela sua janela hoje

 

Por minha janela hoje

Por minha janela hoje vejo o mundo passar.
Por ela, entrou a pena branca de um pássaro em voo,
e a brisa fria que me esfriou as orelhas.
Da minha janela ouço o soluço da araponga na mata;
o zumbido de um jato nos céus; e no buriti, a arruaça dos maracanãs inquietos.
O mangueiral em flor anuncia um verão saboroso,
enquanto a névoa no horizonte lembra os dias curtos de inverno.
Por minha janela, hoje, entrou a réstia de sol com que esquentei minhas mãos,
e o perfume do jasmim que plantamos juntos no portão.
Por ela, vejo que as abelhas continuam na lida,
e os colibris dançam com as flores mais vistosas.
A relva orvalhada me colore de esperança.
No beiral, as lagartixas tomam banho de sol.
Hoje, por minha janela, espero.
Espero por você que não mandou notícias.
Espero por você, enquanto vejo o mundo passar.

©Ladyce West, Rio de Janeiro, 2014.





Cuidado, quebra! Tigela persa, século X

4 06 2014

 

 

77494855_pTigela, Irã, Nishapur, século X
Cerâmica, pintada e esmaltada, 8,89 x 18,42cm.
The Nasli M. Heeramaneck Collection
Los Angeles County Museum of Art (LACMA)





Alguns favoritos do desafio de escrita, Dia 1 — #PHpoemaday

2 06 2014

 

 

Uli Fritz(Alemanha, 1958), gü liest, 40x80 cm, acryl auf leinwand.www.ulrike-fritz.deBoa leitura

Uli Fritz (Alemanha, 1958)

acrílica sobre tela, 49 x 80 cm

www.ulrike-fritz.de

 

Autorretrato

Victória Albuquerque

 

Sou uma forma nominal,
Não aceito conjunção,
Mas aceito a condição
De manter os pés no chão
Se depois
Puder voar.
Sou forma nominal
Mas não tenho forma
Nem cor, ou traço
Sou nominal,
Mas não sou nome,
Tampouco.
Sou gesto, sou voz,
Sou mente.
Substantivo abstrato,
Inconsequente.
Nem forma, nem nominal,
Transparente.

 

Falso Enigma

Vinicius E. C. Dias

 

Ao reabrir meus olhos,
Levanto-me ainda um pouco ontem.
Dirijo-me ao mesmo banheiro,
Ao mesmo espelho,
Mas me encontro outrem
Hoje.
Espero algum tempo,
Pois se ele não traz compreensão,
Ao menos diminui a tensão
De saber-se desconhecido.
Sorrio então ironicamente.
O espelho retribui:
Mente.
Eu sou meu autorretrato.

 

Auto retrato

Juliane Gamboa

 

Eu temporal

de todas as multidões
de todas as gerações
de todas as rebeliões
de todo caos natural
e de todo equilíbrio consequente:

eu.

eu indeterminada
eu intermediária
eu atrasada
eu encharcada

a vida vem me pedindo
e o tempo vem me podando

é ele que venta na espreita
que faz de mim voo e me ajeita
que me canta, me acerta, me enfeita
e me prepara pra outra estação





Curso de História da Arte Moderna em 8 encontros

28 04 2014

 

 

 

belo-rosto-de-mulher-mme matisse

 Henri Matisse (França, 1869-1954) Retrato de Mme Matisse, 1905, óleo sobre tela, 40 x 32 cm,  Museu Estadual de Arte, Copenhagen, Dinamarca.

História da Arte Moderna em 8 encontros!

 

Muita gente vai hoje à Europa ou aos Estados Unidos e gostaria de ter uma melhor ideia do que deveria ver nos museus internacionais.

Esta é uma boa oportunidade de saber as razões dessas visitas.

Historiadora da arte: Ladyce West 

peregrinacultural.wordpress.com

 

Arte europeia de 1863 a 1945 — evolução dos principais movimentos artísticos: impressionismo, pós-impressionismo, expressionismo, fauvismo, cubismo, dadaísmo, surrealismo.

 

 

Quintas-feiras das 18:00 às 20:00 horas

Início: 8 de maio de 2014  [duração  9 semanas]

por causa do feriado nacional de Corpus Christi, dia 19 de junho

Local: Auditório Helena Lodi, VOZ PLENA
Rua Djalma Ulrich 154, 5º andar, esq. N. Sra. de Copacabana, Copacabana, Rio de Janeiro

Informações e inscrições, contato aqui, através do blog, ou do Facebook

Vagas limitadas

 





O renascimento dos “Pelicanos”

26 04 2014

Gwen Meyerson Woman In Pink Reading Original pink Painting by Gwen MeyersonMulher de cor de rosa lendo no parque

Gwen Meyerson (EUA, contemporânea)

www.gwenmeyerson.com

 

Não há dúvida que na Europa o livro de bolso foi elevado a um nível muito mais alto do que o atingido cá pelas nossas bandas.  Não só na variedade do conteúdo, no cuidado com as traduções e na excelência da encadernação os livros de bolso europeus derrubam as aspirações de qualquer selo brasileiro semelhante. Tanto na França quanto na Inglaterra os livros de bolso sempre foram das melhores fontes de conhecimento. Quando eu estudava aqui no Brasil na Alliance Française foram os livros de bolso, depois dos primeiros anos básicos do aprendizado da língua, que me levaram a conhecer os grandes nomes da literatura francesa, do teatro, da poesia e até mesmo de qualquer outro assunto através dos diversos selos existentes naquele país.  Muitos desses livros tenho até hoje comigo, fáceis que são de empacotar e repletos o suficiente de conteúdo para que eu não considere descartá-los.

Quando saí do Brasil para os Estados Unidos fui apresentada então às coleções de origem inglesa que já dominavam o mercado americano. A seleção de textos clássicos da Penguin trago comigo até hoje. Não sei quantos volumes tenho em casa desse selo.  São muitos, forram uma pequena parede com seus dorsos negros, são organizados por assunto e época.  O selo foi  responsável pela minha familiaridade com os clássicos gregos e romanos, com os textos dos pensadores medievais e renascentistas, enfim, por todo aquele conhecimento necessário para qualquer curso superior sério nas ciências humanas.  Se hoje meu conhecimento tem falhas — e muitas — não se deve certamente nem à falta de acesso aos textos originais, nem à precariedade dessas publicações, mas exclusivamente à minha inabilidade de digerir o conteúdo.

Pelican books

Além dos Penguins, tenho, em menor número é verdade, volumes do selo Pelican da mesma companhia. O selo ajuda qualquer um a destrinchar assuntos complexos de diversas áreas de conhecimento: psicologia, história, antropologia, sociologia e assim por diante.  Enquanto os Penguins são a fonte original, por exemplo, Platão, Juvenal, Catarina de Pisano; os Pelicans teriam grandes autores sobre esses originais.  A combinação dos dois selos daria e dá uma educação completa, autodidata, de qualidade.  O uso de textos originais é essencial na história da arte, por isso mesmo a minha tendência a ter mais Penguins do que Pelicans.  Mas confesso que eu não havia me dado conta de que o selo Pelican havia deixado de ser produzido desde os anos 80. Talvez os meus interesses tenham me levado a outras áreas.  Levamos muitas vidas através da vida e a cada etapa novas necessidades se impõem. As minhas últimas não incluíram os Pelicans.

Portanto, hoje quando li no jornal inglês The Guardian a respeito da volta do selo Pelican às livrarias fiquei simultaneamente surpresa e feliz. Surpresa de ter sido apresentada à sua morte e decadência, que eu não havia percebido e feliz por saber que ele volta às prateleiras.  Eu me surpreendi também com a fidelidade dos meus sentimentos.  Em marketing sou o exemplo ideal do consumidor satisfeito — objetivo a que todas as companhias aspiram — tenho confiança no produto, lealdade e ainda faço o meu boca a boca como nesta postagem. Mas acredito que as boas coisas devem ser difundidas e se possível permanecer no nosso dia a dia.  Certamente é uma notícia esperançosa a respeito da educação. Você só precisa saber inglês.  Mas hoje, quem não sabe?