Natureza, Campinas, SP, 1940
Campos Ayres (Brasil, 1881 – 1944)
óleo sobre tela, 35 x 27 cm
Natureza, Campinas, SP, 1940
Campos Ayres (Brasil, 1881 – 1944)
óleo sobre tela, 35 x 27 cm
Ilustração anônima, década 1960
No porto dos meus anseios
esperanças são navios,
que de manhã partem cheios
e à tarde voltam vazios…
(Orlando Brito)
Vaso de flores, 1990
Newton Mesquita (Brasil, 1949)
serigrafia, tiragem de 100, 50x70cm
Charlotte lendo
Christine Hartman (EUA, contemporânea)
óleo sobre tela
Vista do Morro da Viúva, 1888
Joaquim José da França Júnior (Brasil, 1838-1890)
óleo sobre tela, 67 x 97 cm
MNBA, Rio de Janeiro

Jovem cigana [Zingarella], 1612
Nicolas Cordier (França, 1567 – 1612)
Mármores branco e cinza, bronze, 140 cm de altura
Galeria Borghese, Roma

Retrato de Lidiya Brodskaya, esposa do pintor, 1948
Fyodor Pavlovich Reshetnikov (Rússia, 1906-1988)
óleo sobre tela
Montaigne

Jardim com palmeiras, s/d
Iracema Orosco Freire (Brasil, século XX)
óleo sobre madeira, 26 x 39 cm
Olegário Mariano
Choveu tanto esta tarde
Que as árvores estão pingando de contentes.
As crianças pobres, em grande alarde,
Molham os pés nas poças reluzentes.
A alegria da luz ainda não veio toda.
Mas há raios de sol brincando nos rosais.
As crianças cantam fazendo roda,
Fazendo roda como tangarás:
“Chuva com sol!
Casa a raposa com o rouxinol.”
De repente, no céu desfraldado em bandeira,
Quase ao alcance da nossa mão,
O Arco-da-Velha abre na tarde brasileira
A cauda em sete cores, de pavão.
Em: Toda uma vida de poesia — poesias completas, Olegário Mariano, Rio de Janeiro, José Olympio: 1957, volume 1 (1911-1931), p. 277.
Natureza morta
Waldemar Curt Freysleben (Brasil, 1899 – 1970)
óleo sobre tela, 54 x 65 cm
Vista da Ponte de Sèvres, 1908
Henri Rousseau [Le Douanier] (França, 1844 – 1910)
óleo sobre tela, 81 x 100 cm
Museu Pushkin, Moscou
Altos voos e quedas livres é um ensaio dividido em três partes. Aborda paixão, amor, perda, morte e luto — sentimentos universais. Além disso, dá raro vislumbre sobre a maneira do autor pensar, organizar assuntos e interesses. Até que nos surpreendemos porque de um material distinto, sem conexão aparente, sub-repticiamente entra no assunto principal da obra: o luto pela morte da mulher amada. Inicialmente a narrativa não parece contínua. Stacatto. Somos apresentados a fatos, a histórias sobre balonismo. De balões passamos ao uso da fotografia no século XIX. Assuntos que parecem não ter nada em comum. Finalmente entramos na terceira e última parte, quando tudo díspar coalesce numa meditação sobre o luto, o processo do luto que o escritor atravessa depois da morte de sua esposa, companheira de vida inteira.
“Processo de luto. Parece um conceito claro e sólido. Mas é um termo fluido, escorregadio, metafórico. Às vezes passivo, um período de espera pelo desaparecimento do tempo e da dor.; às vezes ativo, uma atenção consciente à morte, e à perda, e à pessoa amada…”[113]

Cada pessoa trata da perda de um ente querido à sua maneira. É uma emoção particular, vivenciada solitariamente, impossível de ser comunicada ou dividida. No entanto, é universal, poderosa, toma o corpo e a alma, os sentimentos do ser humano. Compreende-se sua complexidade quando a testemunhamos, como neste ensaio, simultaneamente triste, quase sempre romântico, e desde o início provocativo. Este é um texto que requer reflexão, no início, lá no nível sonhador, do éter e seus balões, até o nível da terra, lugar onde vivenciamos nossas dores.
Luto é um sentimento que todos entendem. Faz parte da condição humana. A dor da morte de um ser amado é experiência que não se deseja a ninguém mas que vivenciada é devastadora. Há diversas obras literárias dedicadas ao assunto Enquanto agonizo de William Faulkner; O ano do pensamento mágico de Joan Didion são duas das de que me lembro agora. Altos voos e quedas livres toma agora um lugar entre elas, estará entre as mais belas, mais sentidas, mais reveladoras no complexo caminho dos sentimentos do amante que sobrevive.
Julian Barnes
Lembrar de quão vulnerável é a vida humana é essencial. Só assim podemos nos dedicar a realmente viver o momento. Julian Barnes mostra o amor em todas as suas facetas e a falta que o ente querido faz para quem ama. Não deixe de ler. Belíssima obra.
NOTA: este blog não está associado a qualquer editora ou livraria, não recebe livros nem qualquer incentivo para a promoção de livros.
