
Retrato de uma jovem mulher
Cagnaccio di San Pietro
Cognome de Natalino Bentivoglio Scarpa, (Itália, 1897-1946)
óleo
Coleção Particular

Retrato de uma jovem mulher
Cagnaccio di San Pietro
Cognome de Natalino Bentivoglio Scarpa, (Itália, 1897-1946)
óleo
Coleção Particular
Ilustração Al Parker, 1959.
“Pensei que em toda minha vida ninguém havia me amado total e desesperadamente. Ah, houve um tempo em que acreditei que Stefan Cheval gostava de mim dessa maneira — sim, o famoso e polêmico Stefan Cheval. Mas isso foi há séculos, pouco antes daquele congressista de pele rosada ter declarado que suas pinturas eram “obscenas e antiamericanas”. Minha opinião? Para ser absolutamente sincera, eu achava que a série de Stefan Liberdade de Escolha, era dramática e clichê. Vocês sabem do que estou falando: os guaches retratando a bandeira americana misturada com bois e vacas, cães mortos por eutanásia, monitores de computador — ou será que eram aparelhos de TV naquela época? Em todo caso, pilhas e pilhas de excessos para mostrar o desperdício imoral. O vermelho da bandeira era cor de sangue, o azul era berrante e o branco da cor de “esperma ejaculado”, de acordo com a descrição do próprio Stefan. Ele sem dúvida não era nenhum Jasper Johns. Entretanto, depois que a obra de Stefan foi execrada, ela foi clamorosamente defendida por grupos de direitos humanos pela ACLU, pelos departamentos de arte das melhores universidades americanas e por todos aqueles tipos liberais defensores das liberdades civis. Permitam-me dizer, foram eles que atribuíram à obra mensagens grandiosas que Stefan jamais havia pretendido. Eles viram as complexidades das camadas significativas, viram como certos valores e estilos de vida eram considerados mais importantes do que outros, e como nós, os americanos, precisávamos do choque da feiúra para reconhecer nossos valores e responsabilidades. Os regatos [SIC] de esperma eram especialmente citados como representativos da fome de prazer incontrolável que nos levava à desordem e à proliferação. Tempos depois, a desordem se referia ao aquecimento global e à proliferação de armas nucleares. Foi assim que aconteceu dele se tornar famoso. Os preços subiram. O simples mortal virou um ícone. Alguns anos mais tarde até igrejas e escolas tinham pôsteres e cartões-postais de seus temas mais apreciados e as galerias franqueadas dos grandes centros turísticos logo criaram um negócio lucrativo vendendo suas serigrafias de edição limitada, junto com gravuras de Dali, Neiman e Kincade.”
Em: As redes da ilusão, Amy Tan, tradução Ana Deiró, Rio de Janeiro, Rocco: 2008, pp: 26-27.
I got music
Ana Goldberger (Brasil, 1947)
acrílica sobre tela, 70 x 70cm
Paisagem urbana do Rio de Janeiro, 1957
João Baptista de Paula Fonseca (Brasil, 1889 -1960)
óleo sobre tela, 50 x 60 cm
Novembro: Ela desapareceu, ilustração de Derek Nobbs
Emil Cioran
Emil Cioran (1911-1995)
Legumes e caldeirão
Aldo Bonadei (Brasil, 1906 – 1974)
Óleo Sobre Placa, 38 x 52 cm
Igreja do Rocio, Paranaguá, 1930
Alfredo Andersen (Noruega/Brasil, 1860 – 1935)
óleo sobre tela, 75 x 53 cm
Contos de fadas para bebê, 2007
Alexander Levchenkov (Rússia, 1977)
óleo sobre tela, 50 x 70 cm
Águas-vivas sobre azul-anil
Eli Halpin (GB, contemporânea)
Em 1925, Evelyn Waugh, ainda desconhecido, sentiu-se entusiasmado com a perspectiva de trabalhar em Pisa, na Itália como secretário do escritor e tradutor Charles Kenneth Scott Moncrief, que estava naquela época envolvido com a tradução da obra de Marcel Proust, À procura do tempo perdido, cujos primeiros dois volumes já haviam sido publicados. Certo de que seria escolhido para a posição, Evelyn Waugh demitiu-se do trabalho como professor na Arnold House, um colégio para meninos no país de Gales. Nesse meio tempo, ele havia mandado os primeiros capítulos de um livro que escrevia para o escritor Harold Acton [Sir Harold Mario Mitchell Acton] para que lhe desse sua opinião. Acton não se mostrou entusiasmado. Muito pelo contrário, reagiu de maneira bastante fria à proposta de Waugh, que ao perceber a reação do amigo de longa data, que, em parte, dizem ter inspirado o personagem ‘Anthony Blanche’ da obra Memórias de Brideshead, publicada anos mais tarde, Waugh prontamente queimou todo o manuscrito.
Logo depois de ter deixado sua posição na Arnold House, Evelyn Waugh soube que a posição de secretário de Moncrief não iria se concretizar. Essas duas derrotas, para quem estava tão certo de sucesso, foram suficientes para que Waugh entrasse em depressão e considerasse seriamente o suicídio. É através de suas recordações que sabemos que ele levou a ideia do suicídio a sério. Escreveu uma carta de adeus, foi à praia e deixando suas roupas embrulhadas junto com a carta, dirigiu-se ao mar com o objetivo de se afogar. Eis que, já imerso na água, vencendo as ondas, é atacado por águas-vivas. A dor e o desconforto foram tais, que ele voltou imediatamente para a areia, desistindo do plano.
E a literatura inglesa deve às águas-vivas a descoberta de um de seus grandes escritores do século XX.
Paisagem, 1920
Arthur Timótheo da Costa (Brasil, 1882 – 1922)
óleo sobre eucatex, 33 x 26 cm