Lidos em julho!

4 08 2025

 

 

Esse foi um mês de muitas leituras inacabadas.  Da capa ao fim foram só quatro livros.  Mesmo o que levou nota ZERO, foi lido até o fim – algumas palavras sobre ele já foram colocadas aqui no blog.  Dois livros se destacam: Orbital, resenha seguirá em breve e A ordem do tempo, que não é ficção, mas física, colocarei uma pequena nota ainda esta semana aqui no blog. E vamos em frente…  O próximo mês deve trazer mais títulos que se encontram a meio caminho, no momento.  Uma obra com demolição paredes, troca de piso, de um vizinho, tem feito a leitura difícil aqui em casa.  Desculpas?  rs… não tanto, é difícil mesmo. 





A flor e a fonte, poesia de Vicente de Carvalho

4 08 2025

Jovem grega próximo à fonte, 1850

Jean-Baptiste Camille Corot (França, 1796-1875)

óleo sobre tela, 55 x 39 cm

Louvre

 

A flor e a fonte

 

Vicente de Carvalho

 

“Deixa-me, fonte!” Dizia
A flor, tonta de terror.
E a fonte, sonora e fria
Cantava, levando a flor.

“Deixa-me, deixa-me, fonte!”
Dizia a flor a chorar:
“Eu fui nascida no monte…
“Não me leves para o mar.”

E a fonte, rápida e fria,
Com um sussurro zombador,
Por sobre a areia corria,
Corria levando a flor.

“Ai, balanços do meu galho,
“Balanços do berço meu;
“Ai, claras gotas de orvalho
“Caídas do azul do céu!…”

Chorava a flor, e gemia,
Branca, branca de terror.
E a fonte, sonora e fria,
Rolava, levando a flor.

“Adeus, sombra das ramadas,
“Cantigas do rouxinol;
“Ai, festa das madrugadas,
“Doçuras do pôr do sol;

“Carícias das brisas leves
“Que abrem rasgões de luar…
“Fonte, fonte, não me leves,
“Não me leves para o mar!”

*

As correntezas da vida
E os restos do meu amor
Resvalam numa descida
Como a da fonte e da flor….

 

Em: Rosa, Rosa de Amor, 1902

         





Trova do pai

3 08 2025
Ilustração de  George L. Rapp (1878-1942)

 

 

Num retrato amarelado,

a saudade em mim se deu.

Ontem tinha o pai ao lado

Sem ele, hoje, o pai sou eu.

 

(José Feldman)





Trova do pai brincando

2 08 2025

 

Toda criança constrói

um mundo feliz, sem medo.

Foste, pai, o meu herói

do meu mundo de brinquedo.

 

(Nilci Guimarães)





Flash!

1 08 2025

Os poetas Emílio Moura e Carlos Drummond de Andrade, andando na rua, 1932.





Trova do pai

1 08 2025
“Só nós dois1” ilustração de Harry Anderson (1906 – 1996)

 

 

Amigo está sempre a fim

de amparar, se a gente cai;

eu tive um amigo assim:

– esse amigo era meu pai!

 

(Albertina Moreira Pedro)





Na Mantiqueira, poesia de João Guimarães Rosa

31 07 2025

Paisagem Primaveril em São Conrado, RJ

Pedro Bruno (Brasil,1888-1949)

óleo sobre madeira, 32 X 41cm

 

 

Na Mantiqueira

 

João Guimarães Rosa 

 

Por entre as ameias da cordilheira

dormida,

a lua se esgueira,

como um lótus branco

na serra de dorso de um crocodilo,

brincando de esconder.

Dá para o alto um arranco,

repentino,

de balão sem lastro.

E sobe, mais clara que as outras luas,

quase um sol frio,

redonda, esvaindo-se, derramando,

esfarelando luz pelos rasgões,

do bojo farpeado nas pontas da montanha.

 

 

Em: Magma, primeiro livro de João Guimarães Rosa, 1936, premiado em concurso pela Academia Brasileira de Letras, mas só publicado seis décadas mais tarde: em 1996, pela Nova Fronteira.





O brasileiro: Eça de Queirós, duas definições

29 07 2025

Recebe o afeto que se encerra, Ordem e Progresso

J. Carlos (Brasil, 1884-1950)

aquarela e nanquim sobre papel, 40 x 33 cm

 

 

“Porque, enfim, o que é o Brasileiro? É simplesmente a expansão do Português.”

 

Eça de Queirós

 

“O Brasileiro é o Português – dilatado pelo calor.”

 

Eça de Queirós

 

Ambas as definições do ‘brasileiro’ vêm da publicação, Uma campanha alegre, um apanhado de crônicas publicadas em dois tomos nos anos de 1890-1891.





Trova do orgulho do pai

28 07 2025
Ilustração, Jessie Willcox Smith.

 

 

Discreta, naturalmente,

minha ternura se trai,

ante um tiquinho de gente

que me chama de “Papai”!

 

(Cesídio Ambrogi)





Dia a dia…

28 07 2025

 

 

Hoje foi dia de me encontrar com o pessoal do grupo de leitura Preciosa, que tem direção de Rose Nobre. Na berlinda estava o livro da moda, O colibri.  Eu já o havia lido e não reli para o encontro.  Foi interessante perceber que as passagens de que me lembrava eram totalmente diferentes das passagens que mais marcaram outros leitores.  E por qualquer razão, parecia que tínhamos visto passarinho verde, porque nos rimos muito nesse encontro.  Como sempre um prazer.