Clube de leitura em Rio das Ostras!

5 06 2017

 

 

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Trova do coração

24 05 2017

 

 

Walter M Baumhofer 3.jpgIlustração de Walter M. Baumhofer.

 

 

O coração de quem ama

é misterioso e profundo:

Tem o calor de uma chama

e a imensidade de um mundo!

 

(José Nogueira da Costa)





Trova do sorriso

21 05 2017

 

 

sorria,John AthertonSorria, ilustração de John Atherton, 1948, capa, Saturday Evening Post.

 

 

O sorriso é flor de sebe,

perfume de resedá.

Anima a quem o recebe,

embeleza a quem o dá.

 

(Nair Starling)





Trova do dinheiro

19 05 2017

 

 

ganhar quantoTio Patinhas quer saber quanto vai ganhar, © Estúdios Disney.

 

 

Conhecida e ingênua farsa.

Quem fala mal do dinheiro,

regra geral, nem disfarça…

Corre atrás dele primeiro!

 

(Nair Starling)





Escola de samba, poema de P. Carlos de Araújo

18 05 2017

Baile, s/d

Menase Vaidergorn (Brasil, 1927)

óleo sobre tela, 40 x 60 cm

 

Escola de Samba

P. Carlos e Araújo

Ginga marota

no passo do samba

aí bateria

segura a cuíca

aperta o pandeiro.

Corpos pulando

bamboleando na ponta do pé.

Parada no ar, meia volta,

o couro come.

Cabrocha assanhada

que pula pro lado

e pula pra frente

teu corpo balança

no ritmo quente.

O dia inteiro

trabalhou no tanque

mas de noite é rainha

puxa o passo na quadra,

seus pés, tão rápidos,

não se vêem.

Só poeira

mistura de ginga e suor.

O corpo quente

cabelos soltos

braços polidos

sorriso livre

avermelhado

dentadura branca

saia de chita

pompons azuis.

Depois, a chuva

pancada forte

vendaval

correrias

coreto vazio

cuíca no chão.

Em: O inimigo oculto, P. Carlos de Araújo, Rio de Janeiro, Ed. Gávea: 1988.





Trova do teu mistério

15 05 2017

 

 

namoricos

Envolto neste mistério,

fico, assim, me perguntando

se brincas, falando sério,

ou falas sério, brincando…

 

(Roberto Medeiros)

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Trova das mãos

10 05 2017

 

Bird-Hand-Victorian-GraphicsFairy

 

Mãos falam! … Todos entendem

o seu idioma calado

e até as feras compreendem

a doce fala do agrado.

 

(Heribaldo Gerbasi)

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O ideal de nhonhô, texto de França Júnior

9 05 2017

 

 

Timotheo da Costa, Menino, ostMenino

Arthur Timótheo da Costa (Brasil, 1882-1923)

óleo sobre madeira

 

 

O ideal de nhonhô

 

França Júnior

 

“Eu era pequeno e rechonchudo, como uma bola. O nariz escondia-se-me entre as bochechas e não havia mostrado ainda essa tendência para disparar pela cara, como aconteceu mais tarde. Pediam-me beijos e diziam, segurando-me no queixo: “Que menino bonito!”  — Não se riam, a gente daquele tempo não era lá das mais exigentes. O meu ideal, em ser republicano, era o da liberdade sem limites. No dia em que o grito de: férias! ecoava quatro cantos do colégio, uma sensação inexprimível se apoderava de todo o meu ser.  Férias! Nessa palavra mágica não se encerrava só a ausência de palmatória e o abandono dos livros, mas principalmente a roça com todos os seus prazeres e encantos. Quinze dias a correr pelos campos, a perseguir como um louco as borboletas azuis, virar cambalhotas na relva, adormecer extenuado à sombra do arvoredo, tudo isto bulia-me por tal forma com o sistema nervoso que eu sentia comichões em todo o corpo e não podia estar cinco minutos sem dizer: “Chi! Que belo! Vamos amanhã! Tomara que fosse hoje já! Trá la´lá, lá li, li!”

 

[Exemplo de narrativa com retrato]

Em: Flor do Lácio, [antologia]  Cleófano Lopes de Oliveira, São Paulo, Saraiva: 1964; 7ª edição. (Explicação de textos e Guia de Composição Literária para uso dos cursos normais e secundário) p. 234.

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O clube de leitura de M. Perdu, Nina George

8 05 2017

 

 

Women in a Cafe 1924 oil painting by Pietro Marussig,Mulheres num café, 1924

Pietro Marussig (Itália, 1879 – 1937)

Óleo sobre  tela

Museo del Novecento. Milão

 

 

“Perdu havia organizado um clube de leitura para Madame Bomme e as viúvas da rue Montagnard, que quase nunca recebiam a visita de filhos e netos e já definhavam diante da televisão. Elas amavam livros, mas, além disso, a literatura era uma desculpa para a saírem de casa e se dedicarem à degustação de licores adocicados.

A maioria das senhoras escolhia obras eróticas. Perdu lhes entregava os livros disfarçados com sobrecapas de títulos mais discretos: Flora dos alpes, para A vida sexual de Catherine M., padrões de tricô provençal para O amante, de Duras, receitas de geleia de York para Delta de Vênus de Anaïs Nin. As degustadoras de licores eram gratas pelo disfarce — no fim das contas, as viúvas conheciam seus parentes, que viam a leitura como um hobby excêntrico de pessoas esnobes demais para ver televisão, e a literatura erótica como algo bizarro para senhoras com mais de sessenta.

No entanto, nenhum andador bloqueou seu caminho.”

 

Em: A livraria mágica de Paris, Nina George, Rio de Janeiro, Record: 2016, tradução de Petê Rissatti, página 45.





Imagem de leitura — Philip Howe

4 05 2017

 

 

Howe, Philip, (EUA) Livros de arte, ostLivros de arte

Philip Howe (EUA, contemporâneo)

óleo sobre tela