Abrem-se os lírios, poesia de Alice de Paula Morais

8 05 2012

Florista

Manoel Costa (Brasil, 1943)

óleo sobre tela, 45 x 60 cm

Abrem-se os lírios

Alice de Paula Freitas

É mês de maio… na fria noite

Bailam felenas, tontas, pelo ar…

Brincam as folhas ao leve açoite

Das brisas mansas, sob o luar…

Fosforescentes, de vaga-lumes

Passa entre as silvas o leve bando…

No ar se esgarçam vagos perfumes

De rosas brancas se desfolhando…

Escuta… os ruídos que vêm da mata

Baixinho ferem nossos ouvidos…

Grilos que cantam a serenata

Em semibreves… em sustenidos…

Suspira a noite… plácida, a lua,

Lividamente, vaga no além…

Tão linda e branca, brilhante e nua…

… E as magnólias que inveja têm!

Desce a neblina… a curva serra

Seu alvo manto toda branqueia!

É mês de maio… Na minha terra

Abrem-se os lírios à lua cheia!

Alice de Paula Morais (SP 1908-?)  Nasceu em Ilhabela. Professora.

Obras:

Folhas ao vento, poesia

Poemas do outono, poesia, 1969

Rumo ao poente, poesia, 1979

 





Quadrinha para o Dia das Mães

7 05 2012

O conto de fadas, mãe e filho, ilustração autoria desconhecida.

Neste domingo de maio,

A ti, querida Mãezinha,

Ofereço com ternura,

Esta singela quadrinha.

(Walter Nieble de Freitas)

 





Quadrinha infantil do burrinho

6 05 2012

Ilustração Maurício de Sousa.

Ao burro, nossa homenagem

Pelo seu grande valor;

Ajuda o homem do campo,

É forte trabalhador.

(Walter Nieble de Freitas)





Abriu em versos o seu coração, poema de Zalina Rolim, homenagem ao Dia das Mães

5 05 2012

Mãe e filhos no jardim, 1928

René Brimstead

Para House & Garden, Julho de 1928.

Abriu em versos o seu coração

Zalina Rolim

Venha do céu o melindroso Anjinho

— Maravilha de graça e de inocência

De nosso lar a flor e da existência

O rescendente laço de carinho.

Venha do céu na doce refulgência

De um sorriso de Deus ao nosso ninho…

Criatura gentil, meigo entezinho,

Do eterno Bem a misteriosa essência.

Venha… e com ele o resplendor da graça

Que — avezinha ideal — passa e perpassa

E acende em nosso olhar doce lampejo…

Venha… e com ele a vaga de ternura

Que o coração dos pais funde e mistura

Na deliciosa música do beijo.

Em: 232 Poetas Paulistas, antologia de Pedro de Alcântara Worms, Rio de Janeiro, Conquista:1968

Maria Zalina Rolim Xavier de Toledo — nasceu em Botucatu (SP), em 20 de julho de 1869.

Professora alfabetizadora transferiu-se com a família para São Paulo em 1893.

Educadora, entre 1896 e 1897, exerceu o cargo de vice-inspetora, do Jardim da Infância anexo à Escola Normal Caetano de Campos, em São Paulo.

Escreveu para diversas revistas femininas e jornais como A Mensageira, O Itapetininga, Correio Paulistano e A Província de São Paulo.

Faleceu em São Paulo, em 24 de junho de 1961.

Obras:

1893 – O coração

1897 – Livro das Crianças

1903 – Livro da saudade (organizado nesta data para publicação póstuma)





Quadrinha da mamãe

3 05 2012

Dia das mães, ilustração de Jessie Willcox Smith.

Quanta bondade e ternura

O teu coração encerra;

Mamãezinha és para mim

O anjo bom desta terra!

(Walter Nieble de Freitas)





Quadrinha infantil do bom livro

29 04 2012

Cascão lendo na cama, ilustração Maurício de Sousa.

Eu encontro nos bons livros

O guia certo e seguro,

Que ilumina a minha vida

e prepara o meu futuro.

(Walter Nieble de Freitas)





Os lírios, poema de Henriqueta Lisboa

24 04 2012

Primavera, s/d

Adelson do Prado (Brasil, 1944)

óleo sobre tela, 72 x 72 cm

Os lírios

Henriqueta Lisboa

Certa madrugada fria

irei de cabelos soltos

ver como crescem os lírios.

Quero saber como crescem

simples e belos — perfeitos! —

ao abandono dos campos.

Antes que o sol apareça,

neblina rompe neblina

com vestes brancas, irei.

Irei no maior sigilo

para que ninguém perceba

contendo a respiração.

Sobre a terra muito fria

dobrando meus frios joelhos

farei perguntas à terra.

Depois de ouvir-lhe o segredo

deitada por entre lírios

adormecerei tranquila.

Em: Nova Lírica, Henriqueta Lisboa, Belo Horizonte, Imprensa Oficial: 1971.

Henriqueta Lisboa (MG 1901- MG 1985), poeta mineira. Escritora, ensaísta,  tradutora professora de literatura,  Com Enternecimento (1929), recebeu o Prêmio Olavo Bilac de Poesia da Academia Brasileira de Letras.  Em 1984, recebeu o Prêmio Machado de Assis da Academia Brasileira de Letras pelo conjunto de sua obra.

Obras:

Fogo-fátuo (1925)

Enternecimento (1929)

Velário (1936)

Prisioneira da noite (1941)

O menino poeta (1943)

A face lívida (1945) — à memória de Mário de Andrade, falecido nesse ano

Flor da morte (1949)

Madrinha Lua (1952)

Azul profundo (1955);

Lírica (1958)

Montanha viva (1959)

Além da imagem (1963)

Nova Lírica ((1971)

Belo Horizonte bem querer (1972)

O alvo humano (1973)

Reverberações (1976)

Miradouro e outros poemas (1976)

Celebração dos elementos: água, ar, fogo, terra (1977)

Pousada do ser (1982)

Poesia Geral (1985), reunião de poemas selecionados pela autora do conjunto de toda a obra, publicada uma semana após o seu falecimento.

 





A Camões — soneto de Manuel Bandeira

22 04 2012

 

Mosteiro de Batalha, Portugal, *

Azulejaria portuguesa

A Camões

Manuel Bandeira

Quando nalma pesar de tua raça

A névoa da apagada e vil tristeza,

Busque ela sempre a glória que não passa,

Em teu poema de heroísmo e de beleza.

Gênio purificado na desgraça,

Te resumiste em ti toda a grandeza:

Poeta e soldado… Em ti brilhou sem jaça

O amor da grande pátria portuguesa.

E enquanto o fero canto ecoar na mente

Da estirpe  que em perigos sublimados

Plantou a cruz em cada continente,

Não morrerá, sem poetas nem soldados,

A língua que cantaste rudemente

As armas e os barões assinalados.

Em:  Bandeira, antologia poética, Manuel Bandeira, Rio de Janeiro, Sabiá:1961, 5ª edição.

* Escolhi uma representação do Mosteiro de Batalha, em Portugal por ser uma das obras arquitetônicas que conheço de maior impacto. É realmente um monumento extraordinário.  Infelizmente desconheço alguma pintura de pintor português que represente esse local ou até mesmo detalhes desse local.





Dia de Tiradentes, 21 de abril, quadrinhas para uso escolar

20 04 2012

Liberdade ainda que tardia…

Dia de Tiradentes

quadrinhas para comemorar o Dia de Tiradentes

Por ter sido descoberto

Por Pedro Alvares Cabral,

O Brasil, caros colegas,

Pertenceu a Portugal.

Ouvi dizer que homens bravos.

Chefiados por Tiradentes,

Receberam nesse tempo,

O nome de inconfidentes.

Os nossos inconfidentes

Nutriam um ideal:

Desejavam separar

O Brasil de Portugal.

Joaquim Silvério dos Reis

Traiu os inconfidentes,

Destruindo dessa forma,

O sonho de Tiradentes.

No dia Vinte-e-Um de Abril,

Sob vivas estridentes,

Foi, no Rio de Janeiro,

Enforcado Tiradentes.

O exemplo que Tiradentes

Nos deu a Vinte-e-um de Abril

É a página mais linda

Da História do Brasil.

Quadrinhas para uso escolar de Walter Nieble de Freitas.





Cabral, poema de Raquel Naveira

19 04 2012

Cabral

(a Pedro Álavares Cabral)

Cabral,

Navegador,

Bom soldado,

Cristão,

Leal,

Chefe ideal

Da esquadra de Portugal.

Partiram as treze naus,

Semanas e semanas no oceano,

Com medo de dragões,

Serpentes aladas

Que brotavam dos sonhos maus.

As caravelas ligeiras

Singravam os mares,

Uma sumira;

De repente, algas marinhas,

Aves nos ares,

De terra à vista,

O sinal.

Em: Casa e Castelo, Raquel Naveira, São Paulo, Escrituras: 2002, [Poemas dos livros Casa de Tecla e Senhora].