Quadrinhas dos nossos pedidos

17 01 2013

lista

Monica faz uma lista de pedidos, ilustração Maurício de Sousa.

Se Deus sempre deferisse
tudo o que lhe suplicamos,
veríamos a tolice
do que tanto desejamos.

(Manoelita Amorim Meyer)





Quadrinha da alvorada

16 01 2013

galo, canto do galo, ils Caroline YoungO canto do galo, ilustração de Caroline Young.

O galo canta e desperta

a festiva passarada,

que deixa o morno dos ninhos

para saudar a alvorada.

(Manuel Lins Caldas) [psed. Daslak]





Quadrinha dos mexericos

15 01 2013

segredinhos, eloise wilkinSegredinhos, ilustração de Eloise Wilkin.

Quer chova, quer brilhe o sol,
comentam-na os mexericos.
Não importa ao rouxinol
o pio dos tico-ticos!…

(Sudra Vana)





Quadrinha do entendimento

14 01 2013

casal enamorado

Não tenho o nome do ilustrador, mas o estilo lembra Clarence Coles Phillips, a verificar.

Nem escrito, nem falado,
porém fácil de entender,
é o silêncio do recado
que um olhar sabe dizer.

(Sebas Sundfeld)





Quadrinha da colcha de retalhos

13 01 2013

COSTURA FruitGardenAndHome1923-04a

Ilustração: capa da revista Fruit, Home & Garden, de abril de 1923 (EUA).

Numa colcha de retalhos
costurei nossas lembranças
e alinhavei os atalhos
com a linha da esperança.

(Alice Cristina Velho Brandão)





A flor, poema de Afonso Louzada

12 01 2013

20120923gogh-60

Vaso com oleandro e livros, 1888

Vincent van Gogh (Holanda,1853-1890)

óleo sobre tela 60 x 73 cm

Metropolitan Museum, Nova York

A flor

Afonso Louzada

Talvez marcando o poema, em livro antigo,

encontrei uma flor já ressequida.

Velha história de amor… penso comigo,

pondo-me a ler a página esquecida.

Quem à flor nesse livro deu abrigo,

quem sabe? procurou tê-la escondida –

do amor sentindo o grande abraço amigo,

para a própria saudade comovida.

E o que ficou daquele amor profundo?

Talvez agora, já não resta nada

De tudo que era sonho e que era vida.

Sob o silêncio lúgubre do mundo,

Apenas essa flor abandonada –

marcando a velha página esquecida.

Em: Sonetos, Afonso Louzada, Rio de Janeiro, 1956, 2ª edição aumentada.





Quadrinha do bem viver

10 01 2013

cantando, menino,

Sem dar chance ao desatino,
quando a dor te atormentar,
tenta torcer o destino
cantando, em vez de chorar!

(Ulysses de Carvalho Junior)





Quadrinha das estrelas

9 01 2013

céu estrelado Elisabeth Montgomery

Ilustração de Elizabeth Montgomery.

No refulgir de uma estrela

há dois pontos principais:

do sonhador que quer vê-la

e do que não sonha mais.

(José Augusto Fernandes)





A cantiga que cantavas, poesia infantil de Tasso da Silveira

8 01 2013

musica no jardim, 1918Ilustração publicada em 1918.

A cantiga que cantavas

Tasso da Silveira

A cantiga que cantavas

não tinha acompanhamento

nem de nenhum instrumento

nem de outra voz, nem de vento,

nem de água em murmúrio vão.

Subia pura na noite.

Subia serenamente

fresca, simples, inocente,

para os astros, para a lua,

no seio da solidão.

Afora o canto que entoavas,

tudo era recolhimento

no vasto e perdido mundo.

Tudo era êxtase profundo.

Ao teu canto claro e lento,

tudo era deslumbramento.

Não havia voz de vento,

nem água em murmúrio vão.

Teu canto, no vasto mundo,

não tinha acompanhamento.

Em: Antologia de poemas para a infância, vários autores, Rio de Janeiro, Ediouro:2004

Tasso Azevedo da Silveira ( Brasil, 1895 – 1968) advogado e  escritor. Um dos fundadores da Revista Fanal que circulou de 1911 a 1913.  Pertenceu ao movimento de vanguarda literária no Paraná.

Obras:

A igreja silenciosa, 1911

Fio d’água, poesia, 1918

A alma heróica dos homens, poesia, 1924

Alegria criadora: 1922-1925, ensaios, 1928

As imagens acesas, poesia, 1928

Alegorias do homem novo

Canto do Cristo do Corcovado, poesia, 1931

Canto absoluto, 1940

Discurso ao povo infiel

Cantos do campo de batalha, poesia, 1945

Contemplação do eterno, poesia, 1952

Canções a Curitiba, poesia, 1955

Puro canto, poesia, 1956

Regresso à origem, poesia, 1960

Poemas de antes, poesia, s/d

As mãos e o espírito, teatro, 1957





Quadrinha do amanhecer

7 01 2013

manhã de sol 4Ilustração de Maurício de Sousa.

Quando a noite vai embora,

a aurora vem, de mansinho,

despertando fauna e flora

na mata e no ribeirinho.

(Marcos Medeiros)