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Monica faz uma lista de pedidos, ilustração Maurício de Sousa.
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Se Deus sempre deferisse
tudo o que lhe suplicamos,
veríamos a tolice
do que tanto desejamos.
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(Manoelita Amorim Meyer)
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Se Deus sempre deferisse
tudo o que lhe suplicamos,
veríamos a tolice
do que tanto desejamos.
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(Manoelita Amorim Meyer)
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O canto do galo, ilustração de Caroline Young.–
O galo canta e desperta
a festiva passarada,
que deixa o morno dos ninhos
para saudar a alvorada.
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(Manuel Lins Caldas) [psed. Daslak]
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Segredinhos, ilustração de Eloise Wilkin.–
Quer chova, quer brilhe o sol,
comentam-na os mexericos.
Não importa ao rouxinol
o pio dos tico-ticos!…
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(Sudra Vana)
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Nem escrito, nem falado,
porém fácil de entender,
é o silêncio do recado
que um olhar sabe dizer.
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(Sebas Sundfeld)
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Numa colcha de retalhos
costurei nossas lembranças
e alinhavei os atalhos
com a linha da esperança.
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(Alice Cristina Velho Brandão)
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Vaso com oleandro e livros, 1888
Vincent van Gogh (Holanda,1853-1890)
óleo sobre tela 60 x 73 cm
Metropolitan Museum, Nova York
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Afonso Louzada
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Talvez marcando o poema, em livro antigo,
encontrei uma flor já ressequida.
Velha história de amor… penso comigo,
pondo-me a ler a página esquecida.
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Quem à flor nesse livro deu abrigo,
quem sabe? procurou tê-la escondida –
do amor sentindo o grande abraço amigo,
para a própria saudade comovida.
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E o que ficou daquele amor profundo?
Talvez agora, já não resta nada
De tudo que era sonho e que era vida.
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Sob o silêncio lúgubre do mundo,
Apenas essa flor abandonada –
marcando a velha página esquecida.
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Em: Sonetos, Afonso Louzada, Rio de Janeiro, 1956, 2ª edição aumentada.
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Sem dar chance ao desatino,
quando a dor te atormentar,
tenta torcer o destino
cantando, em vez de chorar!
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(Ulysses de Carvalho Junior)
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No refulgir de uma estrela
há dois pontos principais:
do sonhador que quer vê-la
e do que não sonha mais.
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(José Augusto Fernandes)
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Ilustração publicada em 1918.–
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Tasso da Silveira
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A cantiga que cantavas
não tinha acompanhamento
nem de nenhum instrumento
nem de outra voz, nem de vento,
nem de água em murmúrio vão.
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Subia pura na noite.
Subia serenamente
fresca, simples, inocente,
para os astros, para a lua,
no seio da solidão.
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Afora o canto que entoavas,
tudo era recolhimento
no vasto e perdido mundo.
Tudo era êxtase profundo.
Ao teu canto claro e lento,
tudo era deslumbramento.
Não havia voz de vento,
nem água em murmúrio vão.
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Teu canto, no vasto mundo,
não tinha acompanhamento.
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Em: Antologia de poemas para a infância, vários autores, Rio de Janeiro, Ediouro:2004
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Tasso Azevedo da Silveira ( Brasil, 1895 – 1968) advogado e escritor. Um dos fundadores da Revista Fanal que circulou de 1911 a 1913. Pertenceu ao movimento de vanguarda literária no Paraná.
Obras:
A igreja silenciosa, 1911
Fio d’água, poesia, 1918
A alma heróica dos homens, poesia, 1924
Alegria criadora: 1922-1925, ensaios, 1928
As imagens acesas, poesia, 1928
Alegorias do homem novo
Canto do Cristo do Corcovado, poesia, 1931
Canto absoluto, 1940
Discurso ao povo infiel
Cantos do campo de batalha, poesia, 1945
Contemplação do eterno, poesia, 1952
Canções a Curitiba, poesia, 1955
Puro canto, poesia, 1956
Regresso à origem, poesia, 1960
Poemas de antes, poesia, s/d
As mãos e o espírito, teatro, 1957
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Ilustração de Maurício de Sousa.–
Quando a noite vai embora,
a aurora vem, de mansinho,
despertando fauna e flora
na mata e no ribeirinho.
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(Marcos Medeiros)