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Jardim, ilustração de Ethel Blains, capa da Revista House & Garden, Abril 1921.
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Jardim, ilustração de Ethel Blains, capa da Revista House & Garden, Abril 1921.–
Galo, ilustração de livro, sem autoria, 1890.–
A serenata de um galo
vai, de quebrada em quebrada,
e de intervalo a intervalo,
acordando a madrugada!
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(Sebastião Paiva)
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Menino segurando pipa, 2005
David Ricci (Brasil, contemporâneo)
óleo sobre tela, 60 x 40 cm
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Carlos Chiacchio
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Certa vez, era noite de luar,
Havia vento
A valer.
Bom para empinar
Meu papagaio oblongo de espavento.
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Se havia vento, que importava a noite.
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Era só dependurar
Longo,a lanterna acesa a todo o açoite
Do vento, e soltar
Meu papagaio oblongo, num momento.
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Dito e feito.
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Mas, ao peso da lanterna, não subia
O invento,
Senão a curtos vôos, de jeito
Que toda gente via
Com certo espanto aquela luz ao vento:
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“Vai destelhar as casa com tamanho arrojo…
“Vai pegar fogo em tudo, e o sobressalto
“E o incêndio semear daquele bojo….”
Era, esse, o tom geral da gritaria.
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Mas de repente,
Meu lindo papagaio
Brilha, de súbito, como um raio,
A bailar ziguezagueando pela altura,
Muito acima do clamor de toda a gente,
Meu alado sonho de papel luzente,
Alto, a voar, muito alto…
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Até perder de rumo…
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Até a chama apagar…
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Até tornar-se em fumo…
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Em: Encantos literários: antologia, Deomira Stefani, São Paulo, Ática:s/d
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Carlos Chiacchio ( Januária, MG 1884 – Salvador, BA, 1947) jornalista, orador, poeta, cronista, crítico literário, membro do IGH-BA, Academia de Letras da Bahia, foi o chefe e animador do grupo modernista na Bahia, em 1928, em torno da revista Arco & Flecha (1928-1929). Estudou no colégio Spencer em Salvador, cidade onde mais tarde também se formou em medicina.
Obras:
A Dor, 1910
A Margem de uma polêmica, 1914
Biocrítica, 1941
Canto de marcha, 1942
Cronologia de Rui, 1949
Euclides da Cunha, 1940
Infância, poesia, 1938
Modernistas e Ultramodernistas, 1951
Os grifos, 1923
Paginário de Roberto Correia, 1945
Presciliano Silva, 1927
Primavera, 1910, 1941
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Livro bom é como o trigo:
hóstia branca, pão dourado
Na solidão, é o amigo
que vem dormir ao teu lado…
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(Eloy Maria de Oliveira Fardo)
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Ana Maria Machado
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Siri
não ri
em serviço.
Se troca a casca
vira ouriço
procura concha,
busca uma toca e,
sumiço.
Não dá mole por aí.
Pra não virar sopa
faz boca
de siri.
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Em: Sinais do Mar, Ana Maria Machado, São Paulo, Cosac Naify: 2009 , 1ª edição.
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Conheço um tipo de fome
Que não se farta de pão:
Fome de amor — eis o nome
Da fome do coração.
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(Aparício Fernandes)
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Amadeu Luciano Lorenzato (Brasil, 1900-1995)
óleo sobre eucatex, 48 x 36 cm
Coleção Particular
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Maurílio Leite
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Quando o sol nasce em pompa radioso
De luz banhando o universo inteiro,
O girassol desperta no canteiro
Para seguir-lhe o rastro luminoso.
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E fica assim, à terra preso e em gozo,
Apesar da distância o rotineiro,
Corola aberta ao beijos do luzeiro,
Cada vez mais distante e mais formoso.
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Comparo o girassol à nossa lida;
Cada vez a distância é mais sentida
No infinito do espaço em que vivemos.
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Vivo sempre a seguir-te em pensamento,
Não poder alcançar-te é o meu tormento.
Sou como a flor… tu és meu sol … Giremos.
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* Este soneto foi musicado pelo autor.
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Em: Panorama da poesia norte-riograndense, coletado por Rômulo C. Wanderley, Rio de Janeiro, Edições do Val: 1965, introdução Luiz da Câmara Cascudo.
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Maurílio Leite (RN 1904- RJ 1939) nasceu em Natal, no Rio Grande do Norte em 1904. Foi aluno do Grupo Escolar Augusto Severo, e depois do Ateneu Norte-Riograndense e da Escola de Comércio de Natal. Desde o curso primário demonstrou vocação para a música e para a poesia. Mudou-se para o Rio de Janeiro onde continuou compondo versos e músicas, aproveitando temas folclóricos e líricos. Percorreu o Brasil como musicista e compositor. Morreu subitamente em 1939, no Rio de Janeiro, após executar uma das Polonaises de Chopin. Em 1942, seus restos mortais foram trasladados para o Cemitério do Alecrim em Natal.
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Abraço, ilustração Arthur Sarnoff.–
Para abraçar-te, menina,
meu anseio é tão profundo,
que a distância de uma esquina
parece uma volta ao mundo.
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(José Lucas de Barros)
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Cebolinha abre o bico… Ilustração de Maurício de Sousa.–
“Homem que é homem, não chora!”
— Obedeci, sem defesas.
Pergunto: o que faço agora
com tantas lágrimas presas?
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(Newton Meyer Azevedo)
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Rezando, ilustração anericana, Coby, década de 1970.–
Instante de um doce infindo,
aquele depois da prece,
quando a criança, sorrindo,
beija a boneca e adormece…
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(Amadeu Fontana Lindo)