Quadrinha do meu jardim

6 02 2013

jardim, portão, Ethel Blains ,House and Garden 1921-04Jardim, ilustração de Ethel Blains, capa da Revista House & Garden, Abril 1921.

Melhor entretenimento
não existe para mim:
é ver, a cada momento,
mais flores no meu jardim!
(Giva da Rocha)




Quadrinha do canto do galo

5 02 2013

 

galo, ilustração de livro, sem autoria, 1890Galo, ilustração de livro, sem autoria, 1890.

A serenata de um galo
vai, de quebrada em quebrada,
e de intervalo a intervalo,
acordando a madrugada!

(Sebastião Paiva)





Papagaio de papel, poesia infantil de Carlos Chiacchio

4 02 2013

David Ricci, Segurando Pipa esperando o vento, 2005, ost, 60x 40cm

Menino segurando pipa, 2005

David Ricci (Brasil, contemporâneo)

óleo sobre tela, 60 x 40 cm

Papagaio de papel

Carlos Chiacchio

Certa vez, era noite de luar,

Havia vento

A valer.

Bom para empinar

Meu papagaio oblongo de espavento.

Se havia vento, que importava a noite.

Era só dependurar

Longo,a lanterna acesa a todo o açoite

Do vento, e soltar

Meu papagaio oblongo, num momento.

Dito e feito.

Mas, ao peso da lanterna, não subia

O invento,

Senão a curtos vôos, de jeito

Que toda gente via

Com certo espanto aquela luz ao vento:

“Vai destelhar as casa  com tamanho arrojo…

“Vai pegar fogo em tudo, e o sobressalto

“E o incêndio semear daquele bojo….”

Era, esse, o tom geral da gritaria.

Mas de repente,

Meu lindo papagaio

Brilha, de súbito, como um raio,

A bailar ziguezagueando pela altura,

Muito acima do clamor de toda a gente,

Meu alado sonho de papel luzente,

Alto, a voar, muito alto…

Até perder de rumo…

Até a chama apagar…

Até tornar-se em fumo…

Em: Encantos literários: antologia, Deomira Stefani, São Paulo, Ática:s/d

carlos-chiacchio1

Carlos Chiacchio ( Januária, MG 1884 – Salvador, BA, 1947)  jornalista, orador, poeta, cronista, crítico literário, membro do IGH-BA, Academia de Letras da Bahia, foi o chefe e animador do grupo modernista na Bahia, em 1928, em torno da revista Arco & Flecha (1928-1929).  Estudou no colégio Spencer em Salvador, cidade onde mais tarde também se formou em medicina.

Obras:

A Dor, 1910

A Margem de uma polêmica, 1914

Biocrítica, 1941

Canto de marcha, 1942

Cronologia de Rui, 1949

Euclides da Cunha, 1940

Infância, poesia, 1938

Modernistas e Ultramodernistas, 1951

Os grifos, 1923

Paginário de Roberto Correia, 1945

Presciliano Silva, 1927

Primavera, 1910, 1941





Quadrinha do bom livro

2 02 2013

Lendo na cama, livro, John Gannam

Ilustração John Gannam, para propaganda de lençóis, década de 1950.

Livro bom é como o trigo:
hóstia branca, pão dourado
Na solidão, é o amigo
que vem dormir ao teu lado…

(Eloy Maria de Oliveira Fardo)





Siri, poesia infantil de Ana Maria Machado

1 02 2013

caranguejo 1

 

Siri

Ana Maria Machado

Siri
não ri
em serviço.

Se troca a casca
vira ouriço
procura concha,
busca uma toca e,
sumiço.

Não dá mole por aí.
Pra não virar sopa
faz boca
de siri.

Em: Sinais do Mar, Ana Maria Machado, São Paulo, Cosac Naify: 2009 , 1ª edição.





Quadrinha da fome do coração

29 01 2013

Menina pronta para come, ilustração de agnes richardson, cartão postal

“Um pouco de tudo, por favor”, cartão postal, ilustração de Agnes Richardson (Inglaterra, 1880-1954)

Conheço um tipo de fome

Que não se farta de pão:

Fome de amor — eis o nome

Da fome do coração.

(Aparício Fernandes)





O girassol, poema de Maurílio Leite

27 01 2013

Lorenzato – Girassóis--ose - 1979 - 48x36 cmGirassóis, 1979

Amadeu Luciano Lorenzato (Brasil, 1900-1995)

óleo sobre eucatex, 48 x 36 cm

Coleção Particular

O Girassol *

Maurílio Leite

Quando o sol nasce em pompa radioso

De luz banhando o universo inteiro,

O girassol desperta no canteiro

Para seguir-lhe o rastro luminoso.

E fica assim, à terra preso e em gozo,

Apesar da distância o rotineiro,

Corola aberta ao beijos do luzeiro,

Cada vez mais distante e mais formoso.

Comparo o girassol à nossa lida;

Cada vez a distância é mais sentida

No infinito do espaço em que vivemos.

Vivo sempre a seguir-te em pensamento,

Não poder alcançar-te é o meu tormento.

Sou como a flor… tu és meu sol … Giremos.

* Este soneto foi musicado pelo autor.

Em: Panorama da poesia norte-riograndense, coletado por Rômulo C. Wanderley, Rio de Janeiro, Edições do Val: 1965, introdução Luiz da Câmara Cascudo.

Maurílio Leite (RN 1904- RJ 1939)  nasceu em Natal, no Rio Grande do Norte em 1904.  Foi aluno do Grupo Escolar Augusto Severo, e depois do Ateneu Norte-Riograndense e da Escola de Comércio de Natal.  Desde o curso primário demonstrou vocação para a música e para a poesia.  Mudou-se para o Rio de Janeiro onde continuou compondo versos e músicas, aproveitando temas folclóricos e líricos.  Percorreu o Brasil como musicista e compositor.  Morreu subitamente em 1939, no Rio de Janeiro, após  executar uma das Polonaises de Chopin. Em 1942, seus restos mortais foram trasladados para o Cemitério do Alecrim em Natal.





Quadrinha do nosso abraço

26 01 2013

abraço, amor, arthur sarnoffAbraço, ilustração Arthur Sarnoff.

Para abraçar-te, menina,

meu anseio é tão profundo,

que a distância de uma esquina

parece uma volta ao mundo.

(José Lucas de Barros)





Quadrinha das lágrimas

23 01 2013

choro 32Cebolinha abre o bico…  Ilustração de Maurício de Sousa.

Homem que é homem, não chora!

— Obedeci, sem defesas.

Pergunto: o que faço agora

com tantas lágrimas presas?

(Newton Meyer Azevedo)





Quadrinha da criança dormindo

21 01 2013

rezando antes de dormir coby, 70sRezando, ilustração anericana,  Coby, década de 1970.

Instante de um doce infindo,
aquele depois da prece,
quando a criança, sorrindo,
beija a boneca e adormece…

(Amadeu Fontana Lindo)