Quadrinha do homem feio

11 11 2013
cozinheiro, Dan AndreasenCozinheiro, ilustração de Dan Andreasen.

Você me chamou de feio,

sou feio mas sou dengoso,

também o tempero é feio

mas faz o prato gostoso.

(autoria desconhecida)





Quadrinha da primavera

4 11 2013

flores, levamos estas, ilus  B. Midderigh Bokhorst,Flores, ilustração de B. Midderigh Bokhorst.

Só não ama a Primavera,

nem lhe vê a luz e a cor,

quem nada mais considera

nem acredita no amor.

(Alberto Fernando Bastos)





Quadrinha da despedida

31 10 2013

trem passando pela fazendaIlustração, autoria desconhecida.

Lenços brancos, acenando,

para a Maria Fumaça,

que vão, também retirando

o “cisco” que o olhar embaça!

(Therezinha Radetic)





Trova da liberdade

29 10 2013

Liberdade, Emiliano PonziIlustração, Emiliano Ponzi.

Liberdade é conviver

com sua própria razão,

sem a niguém ofender,

nem magoar o coração.

(Durval Lobo)

Em: O sabiá dos sabiás: homenagem ao 1º centenário de nascimento de Adelmar Tavares, Academia Brasileira de Trova, Rio de Janeiro, 1988, p. 42





Quadrinha da lágrima

25 10 2013

romance, Robert FawcettIlustração Robert Fawcett.

São gêmeos o riso e o pranto,

em doce-amargo torpor,

porque a lágrima vem tanto

no prazer como na dor…

(Venturelli Sobrinho)

 

 





A lágrima, poesia de Carmen Freire, Baronesa de Mamanguape

21 10 2013

Antônio Rocco,Pensativa,ost,. 50 x 60 cmPensativa

Antônio Rocco (Itália, 1880 – Brasil, 1944)

óleo sobre tela, 50 x 60 cm

A lágrima

Carmen Freire

Nascida na ternura ou na tristeza

Límpida gota dos orvalhos d’alma

Tu, lágrima saudosa, muda e calma,

Que força enorme tens nessa fraqueza?

Possuis mais que o poder da realeza,

Quando és filha da dor que o pranto acalma,

E, qual gota de orvalho em verde palma

À pálpebra chorosa ficas presa!

Estrela da saudade, flor de neve,

Que o vento da tristeza faz  brotar,

Amo o teu brilho nessa luz tão breve

De breve globo teu… imenso mar

Cujos fundos arcanos não se atreve

Nem se atreveu ninguém jamais sondar!

Em: Poetas cariocas em 400 anos, selecionados por Frederico Trotta, Rio de Janeiro, Editora Vecchi: 1965, pp. 176-177 —

Carmen Freire, Baronesa de Mamanguape, nasceu no Rio de Janeiro em 1855. “De família de poucos recursos, aos 13 anos torna-se Baronesa de Mamanguape, pelo casamento com o senador e latifundiário Barão Flávio Clementino da Silva Freire. Faleceu em 1891, quase ao mesmo tempo que o marido, depois de uma rápida enfermidade.

“Espírito de grande versatilidade e atraída pela literatura e artes, Carmen Freire se notabilizou pelas famosas tertúlias poéticas, realizadas em seu palacete, com a presença de literatos do tempo: Olavo Bilac, Guimarães Passos, Paula Ney, Coelho Neto, Aluísio Azevedo, Pardal Mallet, Rodolfo Amoedo...”  [para mais informações veja: Dicionário crítico de escritoras brasileiras 1711-2001, Nelly Novaes Coelho, São Paulo, Editora Escrituras: 2002]

Obras:

Visões e sombras, 1897, poesia (póstuma)





Quadrinha da vida passando

18 10 2013

jovem lendo Joseph Christian LeyendeckerJovem lendo,ilustração de Joseph Christian Leyendecker.

Ante a investida do mar,

no seu vaivém tão constante,

penso na vida a passar,

um vai-sem vem incessante.

(Margarida Ottoni)





O elefantinho, poesia infantil de Vinícius de Moraes

14 10 2013

elefante na janelaDesconheço a autoria dessa ilustração.  Se você conhece o autor, me diga. Obrigada.

O elefantinho

Vinicius de Moraes

Onde vais, elefantinho

Correndo pelo caminho

Assim tão desconsolado?

Andas perdido, bichinho

Espetaste o pé no espinho

Que sentes, pobre coitado?

– Estou com um medo danado

Encontrei um passarinho!

Em: A arca de Noé:poemas infantis, Vinícius de Moraes, Companhia das Letrinhas, São Paulo:1991





Quadrinha da humildade

13 10 2013

desculpaDona Cebola pede desculpas ao Seu Cebola, ilustração de Maurício de Sousa.

Quem não cultiva a humildade

dentro do seu coração

por orgulho ou por vaidade

não sabe pedir perdão.

(José Augusto Fernandes)





Subúrbio, poema de Martins D’Alvarez

9 10 2013

Paisagem de subúrbio, 1930

Emiliano Di Cavalcanti  (Brasil, 1897-1976)

óleo sobre tela

Subúrbio

Martins D’Alvarez

Subúrbio…

Fim da cidade!…

Em frente fica a Estação,

ostentando na fachada

a tabuleta pintada

com nome e quilometragem

do rincão.

Por trás da estação,

há casas

e mato

e casas

e mato…

Ruas tortas, mutiladas…

Praças que se arrependeram…

Lá no alto, a capela branca…

E mato, cercas, buracos,

alguns becos sem destino;

boteco da Dona Guida…

Tudo cheio de menino.

De vez em quando,

bufando,

passa o trem pela estação.

Esse trem para o subúrbio

representa o coração,

a vida, no movimento

dos que vêm

e dos que vão.

Mas, o subúrbio é cardíaco,

o trem só anda atrasado,

daí o pobre coitado

sofrer da circulação.

De madrugada e de noite

é que o subúrbio desperta,

o casario se alegra,

não se vê rua deserta,

chove gente em toda parte,

ruge-ruge…

Vaivém.

E há quem acorde bem cedo

pra na birosca do Alfredo

castigar um mata-bicho

antes de tomar o trem.

Durante o dia,

marasmo,

pasmaceira,

fuxicada,

da turma desocupada

que não se foi pro batente.

Mexericos de comadres

que exibem secretamente

as nódoas da roupa-suja

guardadas por muita gente.

Só nos domingos de folga,

o subúrbio pega fogo…

Há de tudo para todos:

missa pra quem é de missa,

jogo pra quem é de jogo…

Há batida com feijoada,

dança, namoro, pelada,

briga, tragédia, conflito

que leva gente ao distrito

e, às vezes, não leva nada.

Subúrbio, fim de caminho…

Começo de outra jornada!

Em: Poesia do cotidiano, Martins D’Alvarez, Rio de Janeiro, Edições Clã: 1977.