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Chuva, ilustração Taro Semba.
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Chuva fina, eu te bendigo;
com teu jeito de tristeza,
és a alegria do trigo,
que põe fartura na mesa.
–
(Jaci Pacheco)
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Chuva, ilustração Taro Semba.–
Chuva fina, eu te bendigo;
com teu jeito de tristeza,
és a alegria do trigo,
que põe fartura na mesa.
–
(Jaci Pacheco)
Ilustração, desconheço a autoria.
– “Não há mãe melhor que a minha”
diz a filha à mamãezinha.
E a mãe, sorrindo: – “Filhinha,
melhor que a tua era a minha”…
(Lia Pederneiras de Faria)
Ilustração de Frederick Richardson, 1975.
Tão pequenino e, no entanto,
traduz o amor mais profundo;
que nome existe, mais santo,
do que o teu, mãe, neste mundo?
(Cecília Cerqueira Cavalcanti)
Ilustração de Frank Xavier Leyendecker.
Maria Thereza de Andrade Silva
Veio da noite, em voo palpitante,
Perder-se na quietude desta sala.
Num bailado letal e delirante,
Cresta na luz as asas cor de opala.
Voa; já nada enxerga o olhar faiscante.
Ama a luz, e essa luz há de queimá-la.
E, enquanto houver calor, estranha amante,
É cega e embriagada está… Deixá-la!…
Mas brandamente a luz se extingue, e morre…
— Que novo ardor as asas lhe percorre,
Para que dance ainda, alucinada!
Deixá-la. É cega! Que lhe importa a chama?
Inda sente o calor perdido, e ama,
E voa em torno à lâmpada apagada!
Em: É primavera … escuta. de Maria Thereza de Andrade Silva, Rio de Janeiro:1949, p. 93
Ilustração de Walter Crane.
Ó minha mãe! em meus cantos,
num grato e eterno estribilho,
bendigo a Deus que, entre tantos,
me escolheu para teu filho!
(J.G. de Araújo Jorge)
Ilustração de moda, assinatura ilegível, 1930 (França).
Mamãe, boa mamãezinha,
Deus a proteja e abençoe;
mãezinha, minha rainha,
se sou ingrata, perdoe!
(Maria Guiomar Galvão Coelho Leal)
Ilustração de Elizabeth Tyler Wolcott.
Teu dia, Mãe, se reveste
dos remorsos que chorei:
pelo muito que me deste
pelo pouco que te dei.
(Roberto Medeiros)
Ilustração Capa da Revista Good Housekeeping, junho de 1928.
Alceu Maynard de Araújo [Almayara]
Quando o dia rompe
Vermelho e risonho,
Meu doce sonho
Se interrompe,
— Acordo pensando em você, mamãezinha.
Quando o dia some
Na linha azul do horizonte,
Antes que a treva desponte,
Só me lembro de um nome
E é o doce nome de você, mamãezinha.
Quando o dia já dorme,
Eu genuflexo, sozinho,
Digo bem baixinho
Na minha solidão enorme:
— Penso só em você, mamãezinha.
De noite ou de dia,
A todo momento,
Quer no sofrimento,
No prazer ou na alegria,
Sempre eu penso em você, mamãezinha.
Em: 232 Poetas Paulistas:antologia, ed. e col. Pedro de Alcântara Worms, São Paulo, Conquista: 1968, p. 368-9
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Ilustração John Whitcomb.-–
Inveja, grave pecado,
maléfico, perigoso;
fazendo grande o invejado
torna pequeno o invejoso.
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(Marília Fairbanks Maciel)
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Ilustração de Tito Corbella.–
Por querer abrir caminhos
segui à risca esta lei:
fui retirando os espinhos
das rosas todas que dei!…
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(Maria Helena O. Costa)