Marinheiro, poema de Ladyce West

14 01 2026

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Capa da Revista Judge, de junho de 1925, com ilustração de Ruth Eastman.
Marinheiro

Ladyce West

Sou marinheiro de muitos mares,
De vários pares, de poucos lares,
De rumo impreciso,
De longos caminhos.
Redemoinhos…
Sou marinheiro de muitas águas
E poucas mágoas.
Destino traçado
Nas sombras das vagas
Em promessas pagas
No fluxo do amor

©Ladyce West, Rio de Janeiro, 2014

(Poesia escolhida e publicada no Desafio da Poesia de 2014, e esquecida na gaveta até hoje. Rs…)

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Limbo, poema de Mara Senna

13 01 2026

Natureza morta com pães, 1969

Johannes Hendrick Eversen (Holanda, 1906-1995)

óleo sobre tela, 41 x 61 cm

 

 

Limbo

 

Mara Senna

 

 

Pão dormido vira pedra.

Amor também.

Se achas que não,

explica-me, então.

Deve haver algum lugar

para onde vão

as histórias de amor

sem continuação.

 

 

Em: Ensaios da tarde.  Ribeirão Preto, SP: Editora Coruja, 2012. 





Trova da margarida

9 01 2026

 

Margarida vai passando
no seu traje original.
Pensa que está abafando,
parece um pavão real…

 

(Anônima, folclore nacional, cantiga de roda)





Trova dos olhos negros

2 01 2026
Ilustração de Jon Whitcomb (EUA, 1906-1988)

 

 

Os teus olhos, pretos, pretos,

são como a noite cerrada…

Mesmo pretos, como são,

sem eles, não vejo nada.

 

(Trova anônima)





A minha terra natal, poesia de Helena Lellis de Andrade

10 12 2025

Paisagem mineira

Armínio Pascual (Brasil, 1920 – 2006)

óleo sobre eucatex, 30 x 40 cm

A minha terra natal

 

Helena Lellis de Andrade

 

Há montanhas azuladas
E campinas verdejantes
Um rio murmurante
De águas sempre a rolar

Há coqueiros, altaneiros
Sapatinhos e ipês
Há prédios altos, vistosos
Há choupanas de sapé

Há uma cruz no alto do morro
Com capelas pra rezar
Lembram passos dolorosos
De Jesus a se imolar

Há no lindo azul do céu
Brancas nuvens a passar
Estrelas brilham, cintilam
Nas noites claras de luar

Há estradas, automóveis
Trens, bondes e oficinas
Há sirenes e buzinas
Há coisas intermináveis

Há carrilhões, afinados
Tocando ao meio dia
Rezando as Ave Marias
Chorando para os finados

Não é brilhante nem ouro
Mas vale mais que tesouro
É a imagem milagrosa
Da nossa padroeira
A Senhora Aparecida
Do Brasil tão querida
Das Graças a medianeira

Há carrilhões, afinados
Tocando ao meio dia
Rezando as Ave Marias

 

(29 de julho 1952)





Eu sou tal qual o Parnaíba, soneto de Da Costa e Silva

8 12 2025

Paisagem com rio

Antenor Finatti (Brasil, 1923)

óleo sobre tela,  64 x 83 cm

 

 

 

Eu sou tal qual o Parnaíba

 

Da Costa e Silva

 

Eu sou tal qual o Parnaíba: existe

Dentro em meu ser uma tristeza inata,

Igual, talvez, à que no rio assiste

Ao refletir as árvores, na mata…

 

O seu destino em retratar consiste,

Porém o rio tudo o que retrata,

De alegre que era, vai tornando triste,

No fluido espelho móvel de ouro e prata…

 

Parece até que o rio tem saudade

Como eu, que também sou desta maneira.

Saudoso e triste em plena mocidade.

 

Dá-se em mim o fenômeno sombrio

Da refração das árvores da beira

Na superfície trêmula do rio…





O homem e sua morte, poesia de Sávio Soares de Sousa

1 12 2025
Ilustração de Yan Nascimbene.

 

 

O homem e sua morte

 

Sávio Soares de Sousa

 

Foi minha morte que nasceu comigo.

Trago-a em mim, circulando nas artérias,

latente em cada célula, no fundo

tranquilo de minha alma resignada.

 

Em verdade, nasceu com a minha sombra,

ou é, talvez, a própria sombra incôngrua,

com que diuturnamente me confundo,

ao meio-dia, sobre o chão da estrada.

 

Sou igual aos demais, de igual destino.

Pouco me importa o prazo destas férias,

nem me inquieta a imutável companhia,

 

que de mim nunca mais se apartará:

no instante em que, sem luz, se suma a sombra,

comigo a minha morte morrerá.





Vida besta, Carlos Drummond de Andrade

29 11 2025
Ilustração de Igor Medvedev. 

 

 

Um homem vai devagar.
Um cachorro vai devagar.
Um burro vai devagar.
Devagar… as janelas olham.

Eta vida besta, meu Deus.

 


Carlos Drummond de Andrade, Alguma Poesia





Trova dos amigos

26 11 2025
Pato Donald faz amigos, ilustração Walt Disney.

 

Para mantê-los me empenho,     

porque penso sempre assim:

tendo os amigos que tenho,

eu nem preciso de mim!

 

(Izo Goldman)





O livro, poesia infantil de Helena Pinto Vieira

7 11 2025

 

 

O livro

 

Helena Pinto Vieira

 

Os Livros eu sei que são

como portas encantadas

que nos levam a lindas terras

onde moram anões e fadas.

 

Lugares longe e tão belos

onde eu não podia ir

mas agora, com essa porta

é só ter cuidado e abrir.