Trova da chuva fina

15 07 2024
Ilustração:  Maria Pia Franzoni (Itália,1907-1978)

A garoa é ouro fino

das arcas celestiais

que desce em fluido divino

na terra dos cafezais …

(Durval Mendonça)





Estação, poema de José do Carmo Francisco

11 07 2024

Ferrovia

Dario Mecatti (Itália-Brasil, 1909-1976)

óleo sobre tela, 49 x 61 cm

 

 

 

Estação

 

José do Carmo Francisco

 

Um comboio que partisse

Sem sair da estação

No lado esquerdo da linha

Transporte dum coração

 

Um comboio que chegasse

Na ânsia de não saber

Qual janela  escolhida

No trânsito desta mulher

 

Afinal sombra, um modelo

Visto apenas de passagem

O comboio não se deteve

Não era minha viagem

 

Afinal pó de um momento

Registrado num poema

Se o comboio esteve aqui

Era o mesmo do cinema

 

Em: As emboscadas do esquecimento, José do Carmo Francisco, Santarém, Ed. O Mirante:1999, p.40





Carpe Diem, poema de Mário Faustino

4 07 2024

Jovem lendo, 2008

Jose van Gool (Holanda, 1945)

óleo sobre tela

 

 

 

Carpe Diem

 

Mário Faustino

 

 

 

Que faço deste dia, que me adora?

Pegá-lo pela cauda, antes da hora

Vermelha de furtar-se ao meu festim?

Ou colocá-lo em música, em palavra,

Ou gravá-lo na pedra, que o sol lavra?

Força é guardá-lo em mim, que um dia assim

Tremenda noite deixa se ela ao leito

Da noite precedente o leva, feito

Escravo dessa fêmea a quem fugira

Por mim, por minha voz e minha lira.

 

 

(Mas já de sombras vejo que se cobre

Tão surdo ao sonho de ficar — tão nobre.

Já nele a luz da lua — a morte — mora,

De traição foi feito: vai-se embora.)

 

[27/7/1954]

 

 

 

Em: O homem e sua hora e outros poemas, Mário Faustino, org. Maria Eugênia Boaventura, São Paulo, Companhia das Letras: 2009, p.195





Resenha: Versos e Vibrações de Júlia Cortines

29 06 2024

Jovem lendo

Pietro Scoppetta (Itália,1863-1920)

óleo sobre tela , 75 x 38 cm

 

Não conhecia Júlia Cortines. Fiquei encantada. Sou leitora assídua de poesia brasileira e de outros países em língua portuguesa. Júlia Cortines me surpreendeu. Tive vontade de decorar todos os seus sonetos! De grande sensibilidade. Vale a pena conhecer. Li e baixei da internet. A introdução de Lucio Miranda também vale a pena ler.

Tive vontade de ter escrito alguns de seus poemas, ainda que usem de palavras mais século XIX do que usamos hoje. Suas poesias sobre a natureza e sobre o amor perdido, valem a leitura e se quisermos até mesmo uma olhadinha no dicionário, ainda que não seja essencial.

 

Livro: Versos e Vibrações, (1894) Júlia Cortines, com prólogo de Lucio de Mendonça, Academia Brasileira de Letras, Rio de Janeiro, 2010

 

 





Trova do poeta

14 06 2024

Bendito seja o poeta

que na leveza do verso

enfeita, acalanta, aquieta

toda a angústia do universo.

(Vera Vargas)





Uma poesia por dia… Venha ver…

13 06 2024
Você ainda não conhece o meu canal no Instagram? Vá lá… Temos pelo menos UMA POESIA POR DIA!
 
 
@escritora.ladycewest





Trova dos olhos

7 06 2024

Não sei que mais me fascina,

que mais me traz entre abrolhos:

se os olhos dessa menina,

se as meninas desses olhos!

(Belmiro Braga)





Flor, poema de Maria Dinorah

24 05 2024
Ilustração de Nellie Benson, 1910
 
 
Flor

 

Maria Dinorah

 

Menina das brancas asas,

dó, ré, mi, fá, sol, lá, si,

quando passas pelas casas,

canta a rua e o céu sorri.

Tanto encanto há no seu jeito

feito de campo e açucena,

que as águas dançam no leito

enquanto a lua te acena.

Um anjo morre de inveja,

um astro morre de amor

ao ver-te cor de cereja,

tingindo o mundo de cor.

Menina, tão menininha,

nem sabes que és uma flor!





Dia a dia…

18 05 2024

ENCONTRO DE ESCRITORES –  Aqui estou eu, o poeta e letrista paulista José Mauro e a encantadora Aninha na porta Livraria Argumento, no Leblon, depois de um delicioso jantar no Café Severino.  Foi uma das noites mais agradáveis que passei nos últimos tempos, que espero poder repetir em breve.  José Mauro tem diversas letras de músicas em seu portfólio assim como alguns prêmios.





Trova do destino

16 05 2024
Ilustração, Clarence Coles Phillips (EUA, 1880-1927)

 

 

 

Ao beijar a tua mão,

que o destino não me deu,

tenho a estranha sensação

de estar roubando o que é meu.

 

(Durval Mendonça)