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Pescaria, gravura no estilo Art Deco, dos anos 20-30, autor desconhecido.
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Nesta vida tão inquieta,
o meu consolo é pescar.
Sou pescadora-poeta
que pesca versos no mar!
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(Gislaine Canales)
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Nesta vida tão inquieta,
o meu consolo é pescar.
Sou pescadora-poeta
que pesca versos no mar!
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(Gislaine Canales)
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Em muitas ocasiões,
só somos bons elementos
porque certas intenções
não passam de pensamentos.
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(José Lucas de Barros)
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Lendo no bosque, s/d
Ferdinand Heilbuth ( França, 1828-1889)
aquarela sobre papel com detalhes em guache, 24 x 33cm
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Machado de Assis
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Ai, por Deus, por vida minha!
Gosto de ti — gosto tanto
Dessa tua travessura
Que não dera o meu encanto,
Que não dera o meu gostar,
Nem por estrelas do céu,
Nem por estrelas do mar!
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Alma toda de quimeras
Que acordou no paraíso
Vinda do leito de Deus;
E que rivais de teus olhos
Só tens dois olhoos — os teus!
Pareces mesmo criança
Que só vive e se alimenta
De luz, amor e esperança.
Ave sem medo à tormenta
Que salta e palpita e ri;
Não sabes como, não sabes,
As travessas primaveras
Assentam tão bem em ti!
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Assentam sim, como as asas
Assentam no beija-flor;
Como o delírio dos beijos
Em uma noite de amor;
Como no véu que se agita
De beleza adormecida
A brisa mole e sentida!
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Foi por ver-te assim — travessa
Que eu pus a minha esperança
No imaginar de criança
Dessa formosa cabeça…
Foi por ver-te assim. — Que os sonhos
Eu sei como os tem, eu sei,
Puros, lindos e risonhos,
Um coração novo e calmo
Onde a lei do amor — é lei;
Foi por ver-te assim, que eu venho
por em ti as fantasias
De meus peregrinos dias,
Como a esperança no céu;
Em ti só, que és tão louquinha,
Em ti só por vida minha!
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(1859)
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Em: O Espelho: revista semanal de literatura, modas, indústria e artes [ edição fac-similar] (1859-1860) Rio de Janeiro, MEC: 2008.
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Carro velho, meu amor,
dá trabalho: além de feio,
no morro, falta motor;
na ladeira… falta freio!
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( José Ouverney)
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Bandeira do Brasil, 1995
Regina Mello ( MG, Brasil, 1959)
Módulos de madeira, pintados em acrílica
250 x 160 cm
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Aclamado pelo povo,
Deodoro, com destemor,
Dando vivas à República,
Destronou o Imperador.
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(Walter Nieble de Freitas)
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Saltando apenas num pé,
negrinho, maroto e arteiro,
o saci nada mais é
que o capeta brasileiro!
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(Carolina Ramos)
Floresta, ilustração de Marcel Marlier, 1953.–
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A devastação das matas
Constitui um grande mal
Que pode levar ao caos
A nossa Terra Natal.
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(Walter Nieble de Freitas)
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Augusto Frederico Schmidt
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É a hora de esconder o bico
Entre as penas e adormecer.
É a hora de ficar quieto,
De mergulhar o bico entre as asas
E deixar que sopre
O vento fresco do sono.
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É a hora em que as sombras leves
Amadurecem as coisas do mundo,
Em que nos céus desmaiados
Sobem as últimas palpitações
E o fumo da terra.
É a hora da breve doçura.
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Quando as árvores, as flores e os pássaros
Principiam a envolver-se na imobilidade
– – – – E no silêncio…
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Em: Eu te direi as grandes palavras: poemas escolhidos e versos inéditos, Augusto Frederico Schmidt, Rio de Janeiro, José Aguillar:1975.
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Augusto Frederico Schmidt (RJ 1906 – RJ 1965) viveu e estudou na Suíça dos 8 aos 10 anos e, ainda adolescente, começou a trabalhar no comércio do Rio, primeiro como balconista da famosa livraria Garnier e, em seguida, caixeiro viajante. Em 1931, fundou a Editora Schmidt. Colaborou com os jornais O Globo, Correio da Manhã e A Tarde.
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Passarinhos no ninho, cartão postal, Alemanha, década 1920.–
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Eu sei porque o passarinho
canta gostoso e se inflama:
– É que ele tem no seu ninho
uma família que o ama!
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( A. A. de Assis)
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O ideal republicano,
Por todo o Brasil sonhado,
Foi a Quinze de Novembro
Afinal realizado.
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(Walter Nieble de Freitas)