Quadrinha da poeta

21 11 2011

Pescaria, gravura no estilo Art Deco, dos anos 20-30, autor desconhecido.

Nesta vida tão inquieta,

o meu consolo é pescar.

Sou pescadora-poeta

que pesca versos no mar!

(Gislaine Canales)





Quadrinha dos pensamentos

17 11 2011

Pensando, ilustração Maurício de Sousa.

Em muitas ocasiões,

só somos bons elementos

porque certas intenções                     

não passam de pensamentos.

(José Lucas de Barros)





Travessa, poema de Machado de Assis

16 11 2011

Lendo no bosque, s/d

Ferdinand Heilbuth ( França, 1828-1889)

aquarela sobre papel com detalhes em guache, 24 x 33cm

Travessa

Machado de Assis

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Ai, por Deus, por vida minha!

Gosto de ti — gosto tanto

Dessa tua travessura

Que não dera o meu encanto,

Que não dera o meu gostar,

Nem por estrelas do céu,

Nem por estrelas do mar!

Alma toda de quimeras

Que acordou no paraíso

Vinda do leito de Deus;

E que rivais de teus olhos

Só tens dois olhoos — os teus!

Pareces mesmo criança

Que só vive e se alimenta

De luz, amor e esperança.

Ave sem medo à tormenta

Que salta e palpita e ri;

Não sabes como, não sabes,

As travessas primaveras

Assentam tão bem em ti!

Assentam sim, como as asas

Assentam no beija-flor;

Como o delírio dos beijos

Em uma noite de amor;

Como no véu que se agita

De beleza adormecida

A brisa mole e sentida!

Foi por ver-te assim —  travessa

Que eu pus a minha esperança

No imaginar de criança

Dessa formosa cabeça…

Foi por ver-te assim. — Que os sonhos

Eu sei como os tem, eu sei,

Puros, lindos e risonhos,

Um coração novo e calmo

Onde a lei do amor — é lei;

Foi por ver-te assim, que eu venho

por em ti as fantasias

De meus peregrinos dias,

Como a esperança no céu;

Em ti só, que és tão louquinha,

Em ti só por vida minha!

…………………………………………………….

(1859)

Em: O Espelho: revista semanal de literatura, modas, indústria e artes [ edição fac-similar] (1859-1860) Rio de Janeiro, MEC: 2008.





Trova do carro velho

16 11 2011

Cartão postal de Margret Boriss, anos 20 do século XX.

Carro velho, meu amor,

dá trabalho: além de feio,

no morro, falta motor;

na ladeira… falta freio!

( José Ouverney)





Quadrinha infantil comemorando a República

15 11 2011

Bandeira do Brasil, 1995

Regina Mello ( MG, Brasil, 1959)

Módulos de madeira, pintados em acrílica

250 x 160 cm

www.reginamello.xpg.com.br

Aclamado pelo povo,

Deodoro, com destemor,

Dando vivas à República,

Destronou o Imperador.

(Walter Nieble de Freitas)





Quadrinha do saci-pererê

14 11 2011

Chico Bento pensa no Saci-pererê, ilustração Maurício de Sousa.

Saltando apenas num pé,

negrinho, maroto e arteiro,

o saci nada mais é

que o capeta brasileiro!

(Carolina Ramos)





Quadrinha infantil sobre a floresta

13 11 2011
Floresta, ilustração de Marcel Marlier, 1953.

A devastação das matas

Constitui um grande mal

Que pode levar ao caos

A nossa Terra Natal.

(Walter Nieble de Freitas)





É a hora de esconder o bico, poesia de Augusto Frederico Schmidt

12 11 2011

É a hora de esconder o bico

Augusto Frederico Schmidt

É a hora de esconder o bico

Entre as penas e adormecer.

É a hora de ficar quieto,

De mergulhar o bico entre as asas

E deixar que sopre

O vento fresco do sono.

É a hora em que as sombras leves

Amadurecem as coisas do mundo,

Em que nos céus desmaiados

Sobem as últimas palpitações

E o fumo da terra.

É a hora da breve doçura.

Quando as árvores, as flores e os pássaros

Principiam a envolver-se na imobilidade

– – –  –  E no silêncio…

Em: Eu te direi as grandes palavras: poemas escolhidos e versos inéditos, Augusto Frederico Schmidt, Rio de Janeiro, José Aguillar:1975.

Augusto Frederico Schmidt  (RJ 1906 – RJ 1965) viveu e estudou na Suíça dos 8 aos 10 anos e, ainda adolescente, começou a trabalhar no comércio do Rio, primeiro como balconista da famosa livraria Garnier e, em seguida, caixeiro viajante. Em 1931, fundou a Editora Schmidt.  Colaborou com os jornais O Globo, Correio da Manhã e A Tarde.





Trova do amor da família

12 11 2011

Passarinhos no ninho, cartão postal, Alemanha, década 1920.

Eu sei porque o passarinho

canta gostoso e se inflama:

– É que ele tem no seu ninho

uma família que o ama!


( A. A. de Assis)





Quadrinha do Dia da República

11 11 2011

Bandeira provisória do Brasil de 1889.

O ideal republicano,

Por todo o Brasil sonhado,

Foi a Quinze de Novembro

Afinal realizado.

(Walter Nieble de Freitas)