Quadrinha da boa alimentação

24 10 2011

Refeição em família, ilustração de Avelino Guedes.

A água , o suco de frutas,

O leite, os refrigerantes

São as melhores bebidas

Para os jovens estudantes.

(Walter Nieble de Freitas)





A chácara do Chico Bolacha — poesia infantil de Cecília Meireles

23 10 2011

A chácara do Chico Bolacha

Cecília Meireles

Na chácara do Chico Bolacha,
o que se procura
nunca se acha!

Quando chove muito,
o Chico brinca de barco,
porque a chácara vira charco.

Quando não chove nada,
Chico trabalha com a enxada
e logo se machuca
e fica de mão inchada.

Por isso, com o Chico Bolacha
o que se procura
nunca se acha!

Dizem que a chácara do Chico
só tem mesmo chuchu
e um cachorro coxo
que se chama Caxambu.

Outras coisas ninguém procura,
porque não acha,
coitado do Chico Bolacha!

Cecília Benevides de Carvalho Meireles (RJ 1901 – RJ 1964) poeta brasileira, professora e jornalista brasileira.

Obras:

Espectros, 1919

Criança, meu amor, 1923

Nunca mais…, 1924

Poema dos Poemas, 1923

Baladas para El-Rei, 1925

O Espírito Vitorioso, 1935

Viagem, 1939

Vaga Música, 1942

Poetas Novos de Portugal, 1944

Mar Absoluto, 1945

Rute e Alberto, 1945

Rui — Pequena História de uma Grande Vida, 1948

Retrato Natural, 1949

Problemas de Literatura Infantil, 1950

Amor em Leonoreta, 1952

12 Noturnos de Holanda e o Aeronauta, 1952

Romanceiro da Inconfidência, 1953

Poemas Escritos na Índia, 1953

Batuque, 1953

Pequeno Oratório de Santa Clara, 1955

Pistóia, Cemitério Militar Brasileiro, 1955

Panorama Folclórico de Açores, 1955

Canções, 1956

Giroflê, Giroflá, 1956

Romance de Santa Cecília, 1957

A Bíblia na Literatura Brasileira, 1957

A Rosa, 1957

Obra Poética,1958

Metal Rosicler, 1960

Antologia Poética, 1963

História de bem-te-vis, 1963

Solombra, 1963

Ou Isto ou Aquilo, 1964

Escolha o Seu Sonho, 1964

Crônica Trovada da Cidade de San Sebastian do Rio de Janeiro, 1965

O Menino Atrasado, 1966

Poésie (versão francesa), 1967

Obra em Prosa – 6 Volumes – Rio de Janeiro, 1998

Inscrição na areia

Doze noturnos de holanda e o aeronauta 1952

Motivo

Canção

1º motivo da rosa





Quadrinha da satisfação

23 10 2011

Nunca estamos satisfeitos

com aquilo que alcançamos.

Queremos o que não temos,

o que temos desprezamos.

(Luís Carlos Rohan)





Quadrinha infantil de um bom livro

22 10 2011

Chico Bento lê à noite.  Ilustração Maurício de Sousa.

Nas páginas de um bom livro,

Há mais luz e ensinamento

Do que em todas as estrelas

Que brilham no firmamento.

(Walter Nieble de Freitas)





Vinheta de memória do pintor Tomás Santa Rosa — por Rachel Jardim

21 10 2011

Meninos, 1946

Tomás Santa Rosa ( Brasil, 1909-1956)

óleo sobre tela

Santa Rosa

Rachel Jardim

Santa Rosa morreu na Índia, um país onde a morte é considerada um acidente natural, ou apenas uma pequena pausa.  Ele, tão plantado na vida, buscando-a sempre, persistentemente, em tudo o que fazia.

Nesta ocasião apareceu o seu retrato nos jornais – rosto redondo, óculos, nenhum cabelo, cigarro constantemente pendurado na boca.  Era um tipo arredondado, sem arestas, sem ossos à vista.  Carregado de humanidade, alguém para se levar para casa, sentar no sofá e deixar falar.

Por essa época, literatura estava muito fora das minhas cogitações. Mas aquela estranha morte na Índia me deixou muitos dias abalada.  Não combinava com ele, tampouco parecia destinado a qualquer tipo de tragédia.  Sua integração à nossa paisagem era total.  Como pois aceitar aquela morte num mundo tão diferente?

Uma vez, ilustrou um conto meu.  A ilustração era muito melhor do que o conto.  Dera a ele uma dimensão que não tinha.  Quando vi a ilustração pensei: era assim que eu queria ter escrito.  Eu falava numa chuva translúcida.  Ele fez uma chuva translúcida.

Pelos idos de 40 fui parar, não sei como, no seu atelier.  Sentei-me num caixote.  Livros e quadros por toda parte.  Maquetes para cenários.  Ele nem desconfiava que eu era a moça, de quem, alguns anos antes, tinha ilustrado um conto.  Nada lhe disse.

Tirei da estante o Romancero Gitano, de Garcia Lorca.

— Que tipo lorquiano,  você é – disse-me.  – Por dentro e por fora.

Eu ri e concordei.  Leu-me uns versos do Romancero e depois me disse:

— Olhe, não quer posar para mim?  Faria de você um retrato lorquiano.

Olhei para os seus quadros na parede.  Não havia quase figuras.  Uma nítida atmosfera da época, a visão de beleza da época. Ninguém retratou tão bem o espírito a sensibilidade da década.

Pensei –  posarei.  E combinei aparecer no dia seguinte.  Não o vi mais.

Tão importante.  Tão humano, sua arte impregnada de vida.  Perdi o retrato, mas guardei sua imagem.  Lembro-me dele totalmente – voz, gestos, riso, modulações, terno, sapato.  Pouca gente permaneceu tanto dentro de mim.  Foi curto o instante, mas tão permanente.  Não pintou meu retrato, mas o dele pintou-se em mim.

Em: Os anos 40 de Rachel Jardim, Rio de Janeiro, José Olympio: 1973





Quadrinha de Santos Dumont

21 10 2011

Avião, ilustração de Hergé de revista das Aventuras de Tintin.

Num aparelho a explosão,

Mais pesado do que o ar,

Alberto Santos Dumont

Foi o primeiro a voar.

(Walter Nieble de Freitas)





Quadrinha da primavera colorida

20 10 2011

Ilustração Maurício de Sousa.

A primavera opulenta,

Mostrando tudo que é cor,

Uma palheta aparenta

De algum notável pintor!

(Ivone Taglialegna Prado)





Quadrinha da aparência

19 10 2011

Ilustração: autor desconhecido.

Muita gente que tem casa

rica e de bela aparência,

muitas vezes não tem lar,

mas apenas residência.

(Heribaldo B. Barroso)

 





O feitiço de amor, poema de Walter Waeny Júnior

18 10 2011

Ilustração: Rosas, por Len Steckler, década de 1970.

O feitiço de amor

Walter Waeny Júnior

Floriu, um dia, uma rosa

Sobre o rio; e vendo-a, rara,

Ele, de alma ambiciosa,

Refletiu-a na água clara.

E tanto ele refletiu

Sua efígie encantadora,

Que a rosa não resistiu

E o rio a levou embora.

Porém, adiante, encontrei-a,

Não mais perfumada e bela:

O rio a lançou na areia

E foi embora sem ela.

Em: 232 poetas paulistanos – antologia — Pedro de Alcântara Worms, Rio de Janeiro, Conquista:1968

Walter Weany Júnior nasceu em São Vicente em 1924.  Usou psudôniomo : Guilherme Guimarães.  Contador, funcionário do Banco do Brasil, escritor, poeta e trovador de renome.

Obras:

Ao todo tem 89 obras publicadas, entre elas:

Sonetos esparsos, poesia, 1947

Rei Destronado, poesias, 1950

A Juventude, poesias, 1950

Nascer do Sol, poesias, 1950

O Walthalla, poesias, 1951

Aforismo, 1955

Pensamentos, 1957

Walkyria, poesias, 1950

O Condor, poesia, 1975

Mulher, trovas, sextilhas e traduções, 1990

Ouro e Azul, poesias, 1992

Trovas Escolhidas, 1995





Quadrinha do Astronauta

18 10 2011

Ilustração, desconheço a autoria.

O astronauta que flutua

muito tem a lamentar:

quanto mais perto da lua     

mais distante do luar.

(Nei Garcez)