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Refeição em família, ilustração de Avelino Guedes.
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A água , o suco de frutas,
O leite, os refrigerantes
São as melhores bebidas
Para os jovens estudantes.
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(Walter Nieble de Freitas)
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Refeição em família, ilustração de Avelino Guedes.–
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A água , o suco de frutas,
O leite, os refrigerantes
São as melhores bebidas
Para os jovens estudantes.
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(Walter Nieble de Freitas)
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Cecília Meireles
Na chácara do Chico Bolacha,
o que se procura
nunca se acha!
Quando chove muito,
o Chico brinca de barco,
porque a chácara vira charco.
Quando não chove nada,
Chico trabalha com a enxada
e logo se machuca
e fica de mão inchada.
Por isso, com o Chico Bolacha
o que se procura
nunca se acha!
Dizem que a chácara do Chico
só tem mesmo chuchu
e um cachorro coxo
que se chama Caxambu.
Outras coisas ninguém procura,
porque não acha,
coitado do Chico Bolacha!
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Cecília Benevides de Carvalho Meireles (RJ 1901 – RJ 1964) poeta brasileira, professora e jornalista brasileira.
Obras:
Espectros, 1919
Criança, meu amor, 1923
Nunca mais…, 1924
Poema dos Poemas, 1923
Baladas para El-Rei, 1925
O Espírito Vitorioso, 1935
Viagem, 1939
Vaga Música, 1942
Poetas Novos de Portugal, 1944
Mar Absoluto, 1945
Rute e Alberto, 1945
Rui — Pequena História de uma Grande Vida, 1948
Retrato Natural, 1949
Problemas de Literatura Infantil, 1950
Amor em Leonoreta, 1952
12 Noturnos de Holanda e o Aeronauta, 1952
Romanceiro da Inconfidência, 1953
Poemas Escritos na Índia, 1953
Batuque, 1953
Pequeno Oratório de Santa Clara, 1955
Pistóia, Cemitério Militar Brasileiro, 1955
Panorama Folclórico de Açores, 1955
Canções, 1956
Giroflê, Giroflá, 1956
Romance de Santa Cecília, 1957
A Bíblia na Literatura Brasileira, 1957
A Rosa, 1957
Obra Poética,1958
Metal Rosicler, 1960
Antologia Poética, 1963
História de bem-te-vis, 1963
Solombra, 1963
Ou Isto ou Aquilo, 1964
Escolha o Seu Sonho, 1964
Crônica Trovada da Cidade de San Sebastian do Rio de Janeiro, 1965
O Menino Atrasado, 1966
Poésie (versão francesa), 1967
Obra em Prosa – 6 Volumes – Rio de Janeiro, 1998
Inscrição na areia
Doze noturnos de holanda e o aeronauta 1952
Motivo
Canção
1º motivo da rosa
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Nunca estamos satisfeitos
com aquilo que alcançamos.
Queremos o que não temos,
o que temos desprezamos.
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(Luís Carlos Rohan)
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Chico Bento lê à noite. Ilustração Maurício de Sousa.–
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Nas páginas de um bom livro,
Há mais luz e ensinamento
Do que em todas as estrelas
Que brilham no firmamento.
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(Walter Nieble de Freitas)
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Tomás Santa Rosa ( Brasil, 1909-1956)
óleo sobre tela
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Rachel Jardim
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Santa Rosa morreu na Índia, um país onde a morte é considerada um acidente natural, ou apenas uma pequena pausa. Ele, tão plantado na vida, buscando-a sempre, persistentemente, em tudo o que fazia.
Nesta ocasião apareceu o seu retrato nos jornais – rosto redondo, óculos, nenhum cabelo, cigarro constantemente pendurado na boca. Era um tipo arredondado, sem arestas, sem ossos à vista. Carregado de humanidade, alguém para se levar para casa, sentar no sofá e deixar falar.
Por essa época, literatura estava muito fora das minhas cogitações. Mas aquela estranha morte na Índia me deixou muitos dias abalada. Não combinava com ele, tampouco parecia destinado a qualquer tipo de tragédia. Sua integração à nossa paisagem era total. Como pois aceitar aquela morte num mundo tão diferente?
Uma vez, ilustrou um conto meu. A ilustração era muito melhor do que o conto. Dera a ele uma dimensão que não tinha. Quando vi a ilustração pensei: era assim que eu queria ter escrito. Eu falava numa chuva translúcida. Ele fez uma chuva translúcida.
Pelos idos de 40 fui parar, não sei como, no seu atelier. Sentei-me num caixote. Livros e quadros por toda parte. Maquetes para cenários. Ele nem desconfiava que eu era a moça, de quem, alguns anos antes, tinha ilustrado um conto. Nada lhe disse.
Tirei da estante o Romancero Gitano, de Garcia Lorca.
— Que tipo lorquiano, você é – disse-me. – Por dentro e por fora.
Eu ri e concordei. Leu-me uns versos do Romancero e depois me disse:
— Olhe, não quer posar para mim? Faria de você um retrato lorquiano.
Olhei para os seus quadros na parede. Não havia quase figuras. Uma nítida atmosfera da época, a visão de beleza da época. Ninguém retratou tão bem o espírito a sensibilidade da década.
Pensei – posarei. E combinei aparecer no dia seguinte. Não o vi mais.
Tão importante. Tão humano, sua arte impregnada de vida. Perdi o retrato, mas guardei sua imagem. Lembro-me dele totalmente – voz, gestos, riso, modulações, terno, sapato. Pouca gente permaneceu tanto dentro de mim. Foi curto o instante, mas tão permanente. Não pintou meu retrato, mas o dele pintou-se em mim.
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Em: Os anos 40 de Rachel Jardim, Rio de Janeiro, José Olympio: 1973
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Avião, ilustração de Hergé de revista das Aventuras de Tintin.–
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Num aparelho a explosão,
Mais pesado do que o ar,
Alberto Santos Dumont
Foi o primeiro a voar.
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(Walter Nieble de Freitas)
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Ilustração Maurício de Sousa.–
A primavera opulenta,
Mostrando tudo que é cor,
Uma palheta aparenta
De algum notável pintor!
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(Ivone Taglialegna Prado)
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Ilustração: autor desconhecido.–
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Muita gente que tem casa
rica e de bela aparência,
muitas vezes não tem lar,
mas apenas residência.
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(Heribaldo B. Barroso)
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Ilustração: Rosas, por Len Steckler, década de 1970.–
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Walter Waeny Júnior
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Floriu, um dia, uma rosa
Sobre o rio; e vendo-a, rara,
Ele, de alma ambiciosa,
Refletiu-a na água clara.
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E tanto ele refletiu
Sua efígie encantadora,
Que a rosa não resistiu
E o rio a levou embora.
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Porém, adiante, encontrei-a,
Não mais perfumada e bela:
O rio a lançou na areia
E foi embora sem ela.
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Em: 232 poetas paulistanos – antologia — Pedro de Alcântara Worms, Rio de Janeiro, Conquista:1968
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Walter Weany Júnior nasceu em São Vicente em 1924. Usou psudôniomo : Guilherme Guimarães. Contador, funcionário do Banco do Brasil, escritor, poeta e trovador de renome.
Obras:
Ao todo tem 89 obras publicadas, entre elas:
Sonetos esparsos, poesia, 1947
Rei Destronado, poesias, 1950
A Juventude, poesias, 1950
Nascer do Sol, poesias, 1950
O Walthalla, poesias, 1951
Aforismo, 1955
Pensamentos, 1957
Walkyria, poesias, 1950
O Condor, poesia, 1975
Mulher, trovas, sextilhas e traduções, 1990
Ouro e Azul, poesias, 1992
Trovas Escolhidas, 1995
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O astronauta que flutua
muito tem a lamentar:
quanto mais perto da lua
mais distante do luar.
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(Nei Garcez)