Quadrinha da erosão

24 03 2012

Chico Bento prepara o terreno, ilustração Maurício de Sousa.

Cabe ao nosso agricultor

A obrigação de saber

Que deve reflorestar,

Se quiser sobreviver.

(Walter Nieble de Freitas)





Língua Portuguesa — soneto de Lindolfo Gomes

24 03 2012

Natureza morta com tinteiro, s/d

José Ferraz de Almeida Júnior (Brasil, 1850-1899)

óleo sobre tela, 38 x 51 cm

Língua Portuguesa

Lindolfo Gomes

Amo-te, ó minha Língua Portuguesa,

Doce, maviosa, rica e feiticeira,

De todas do universo és a primeira,

Que nenhuma haverá de mais beleza.

Do carme expressional da Natureza

Em ti ressoa a sinfonia inteira…

E, transplantada à terra brasileira,

Mais formosa ficaste com certeza.

Vingaram de teu tronco outros renovos,

Do esplendor destas matas no conchego…

És Bíblia de três raças e dois povos…

Resumes num vocábulo um poema:

Saudade, flor das plagas do Mondego,

Mais saudosa na pátria de Iracema!

Em: 232 Poetas Paulistas: antologia, ed. e seleção Pedro de Alcântara Worms, Rio de Janeiro, Conquista:1968.

Lindolfo Eduardo Gomes (SP 1875 – RJ 1953) Poeta, Jornalista, contista, ensaísta, folclorista, professor e teatrólogo.  Passou sua juventudo em Resende, no estado do  RJ, mudando-se mais tarde para Juiz de Fora, MG, onde passou grande parte da sua vida profissional tendo redigido para os jornais O Pharol, Jornal do Commercio, Diário do Povo, Diário Mercantil, revista Marília, entre outros.

Obras:

Folclore e Tradições do Brasil, 1915

Contos Populares Brasileiros, 1918

Nihil novi, 1927





Quadrinha das nossas escolhas

23 03 2012

São tantas encruzilhadas!…

Por isso eu me perco assim,

ao trafegar nas estradas

que existem…dentro de mim!…

 –

(Newton Vieira)





Quadrinhas contando o Descobrimento do Brasil — uso escolar

22 03 2012

Para firmar o comércio

Das Índias e Portugal,

Uma esquadra foi entregue

A Pedro Álvares Cabral.

Eram treze embarcações

Com brancas velas de pano

Que iriam concretizar

Velho sonho lusitano.

Ao chegar às costas da África,

Cabral ordenou que a frota

Desviasse das calmarias

Que estavam em sua rota.

Assim procedeu a esquadra,

Para a Vinte e Dois de Abril

Chegar nesta linda terra

Hoje chamada Brasil.

Esse fato aconteceu

No ano de mil e quinhentos:

Um grande feito na História

Dos grandes descobrimentos.

Walter Nieble de Freitas

Em: 1000 Quadrinhas Escolares, Walter Nieble de Freitas, São Paulo, Editora Difusora Cultural: 1965.





Quadrinha sobre a saudade

21 03 2012

Uma bela reflexão, s/d

Nicholaas van der Waay (Holanda, 1855-1936)

óleo sobre tela

A saudade é simplesmente

Um claro espelho encantado;

mira-se nele o presente

e ele reflete o passado.

(Geralda Armond)





Poesia infantil: Tempestade, de Henriqueta Lisboa

19 03 2012

Ilustração Magret Boriss.

Tempestade

Henriqueta Lisboa

— Menino, vem para dentro,

Olha a chuva lá na serra,

Olha como vem o vento!

—  Ah! Como a chuva é bonita

E como o vento é valente!

—  Não sejas doido, menino,

Esse vento te carrega,

Essa chuva te derrete!

— Eu não sou feito de açúcar

Para derreter na chuva.

Eu tenho força nas pernas

Para lutar contra o vento!

E enquanto o vento soprava

E enquanto a chuva caía,

Que nem um pinto molhado,

Teimoso como ele só:

— Gosto de chuva com vento,

Gosto de vento com chuva!

Henriqueta Lisboa (MG 1901- MG 1985), poeta mineira. Escritora, ensaísta,  tradutora professora de literatura,  Com Enternecimento (1929), recebeu o Prêmio Olavo Bilac de Poesia da Academia Brasileira de Letras.  Em 1984, recebeu o Prêmio Machado de Assis da Academia Brasileira de Letras pelo conjunto de sua obra.

Obras:

Fogo-fátuo (1925)

Enternecimento (1929)

Velário (1936)

Prisioneira da noite (1941)

O menino poeta (1943)

A face lívida (1945) — à memória de Mário de Andrade, falecido nesse ano

Flor da morte (1949)

Madrinha Lua (1952)

Azul profundo (1955);

Lírica (1958)

Montanha viva (1959)

Além da imagem (1963)

Nova Lírica ((1971)

Belo Horizonte bem querer (1972)

O alvo humano (1973)

Reverberações (1976)

Miradouro e outros poemas (1976)

Celebração dos elementos: água, ar, fogo, terra (1977)

Pousada do ser (1982)

Poesia Geral (1985), reunião de poemas selecionados pela autora do conjunto de toda a obra, publicada uma semana após o seu falecimento.





Biblioteca, poema de P. Carlos de Araújo

18 03 2012

Mulher lendo, s/d

Mary Azarian (EUA, contemporânea)

xilogravura policromada

Biblioteca

P. Carlos de Araújo

Desconfio da biblioteca organizada

os livros encadernados

arrumados competentemente

enfileirados como soldados em ordem-unida

vestindo uniforme de gala

de belas letras douradas

ou alto-relevo.

Meus livros são caprichosos

e também ciumentos.

Gostam de brincar

de esconde-esconde

dentro das estantes.

Meus livros são bagunçados.

Me ajudam quando os procuro;

mas, às vezes, se escondem

em meio aos papéis

no fundo das gavetas

no recesso dos armários,

desaparecem sem deixar vestígio

e assim ficam dias e dias

até que se cansam da brincadeira

e me procuram alegremente

dando-me todas as informações.

Em: O inimigo oculto, P. Carlos de Araújo, Rio de Janeiro, Ed. Gávea: 1988.





Quadrinha da lição do pai

18 03 2012

Ilustração Patricia Storms.

É assim mesmo meu filho,

aqui no mundo há de tudo:

alfaiate maltrapilho

e barbeiro cabeludo…

(Lauro Cataldi)





Quadrinha da lua

16 03 2012

Docemente equilibrada,

ia a lua pelos ares,

qual linda concha embalada

pela corrente dos mares.

(Gonçalves Dias)





Pipoca, poesia infantil de Maria da Graça Almeida

15 03 2012

Magali tem um sonho de pipoca.  Ilustração, Maurício de Sousa.

Pipoca

Maria da Graça Almeida

Pipipipipipoquinha…
que chuvinha mais gostosa!
Corro logo pra cozinha,
nem disfarço… sou gulosa!

Pipipipipipoquinha…
grita o milho da pipoca!
Quente é o fundo da panela,
óleo ardente o sufoca.

Esfriando na janela,
já branquinho e com sabor,
o grãozinho da panela
transformou-se numa flor!

www.recantodasletras.com.br

Maria da Graça Almeida (Pindorama, SP)– escritora, poetisa, professora, pedagoga, formada em Educação Artística.  Do portal de Maria Petronilho.