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Chico Bento prepara o terreno, ilustração Maurício de Sousa.
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Cabe ao nosso agricultor
A obrigação de saber
Que deve reflorestar,
Se quiser sobreviver.
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(Walter Nieble de Freitas)
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Chico Bento prepara o terreno, ilustração Maurício de Sousa.–
Cabe ao nosso agricultor
A obrigação de saber
Que deve reflorestar,
Se quiser sobreviver.
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(Walter Nieble de Freitas)
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Natureza morta com tinteiro, s/d
José Ferraz de Almeida Júnior (Brasil, 1850-1899)
óleo sobre tela, 38 x 51 cm
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Lindolfo Gomes
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Amo-te, ó minha Língua Portuguesa,
Doce, maviosa, rica e feiticeira,
De todas do universo és a primeira,
Que nenhuma haverá de mais beleza.
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Do carme expressional da Natureza
Em ti ressoa a sinfonia inteira…
E, transplantada à terra brasileira,
Mais formosa ficaste com certeza.
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Vingaram de teu tronco outros renovos,
Do esplendor destas matas no conchego…
És Bíblia de três raças e dois povos…
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Resumes num vocábulo um poema:
Saudade, flor das plagas do Mondego,
Mais saudosa na pátria de Iracema!
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Em: 232 Poetas Paulistas: antologia, ed. e seleção Pedro de Alcântara Worms, Rio de Janeiro, Conquista:1968.
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Lindolfo Eduardo Gomes (SP 1875 – RJ 1953) Poeta, Jornalista, contista, ensaísta, folclorista, professor e teatrólogo. Passou sua juventudo em Resende, no estado do RJ, mudando-se mais tarde para Juiz de Fora, MG, onde passou grande parte da sua vida profissional tendo redigido para os jornais O Pharol, Jornal do Commercio, Diário do Povo, Diário Mercantil, revista Marília, entre outros.
Obras:
Folclore e Tradições do Brasil, 1915
Contos Populares Brasileiros, 1918
Nihil novi, 1927
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São tantas encruzilhadas!…
Por isso eu me perco assim,
ao trafegar nas estradas
que existem…dentro de mim!…
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(Newton Vieira)
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Para firmar o comércio
Das Índias e Portugal,
Uma esquadra foi entregue
A Pedro Álvares Cabral.
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Eram treze embarcações
Com brancas velas de pano
Que iriam concretizar
Velho sonho lusitano.
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Ao chegar às costas da África,
Cabral ordenou que a frota
Desviasse das calmarias
Que estavam em sua rota.
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Assim procedeu a esquadra,
Para a Vinte e Dois de Abril
Chegar nesta linda terra
Hoje chamada Brasil.
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Esse fato aconteceu
No ano de mil e quinhentos:
Um grande feito na História
Dos grandes descobrimentos.
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Walter Nieble de Freitas
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Em: 1000 Quadrinhas Escolares, Walter Nieble de Freitas, São Paulo, Editora Difusora Cultural: 1965.
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Uma bela reflexão, s/d
Nicholaas van der Waay (Holanda, 1855-1936)
óleo sobre tela
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A saudade é simplesmente
Um claro espelho encantado;
mira-se nele o presente
e ele reflete o passado.
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(Geralda Armond)
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Ilustração Magret Boriss.–
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Henriqueta Lisboa
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— Menino, vem para dentro,
Olha a chuva lá na serra,
Olha como vem o vento!
— Ah! Como a chuva é bonita
E como o vento é valente!
— Não sejas doido, menino,
Esse vento te carrega,
Essa chuva te derrete!
— Eu não sou feito de açúcar
Para derreter na chuva.
Eu tenho força nas pernas
Para lutar contra o vento!
E enquanto o vento soprava
E enquanto a chuva caía,
Que nem um pinto molhado,
Teimoso como ele só:
— Gosto de chuva com vento,
Gosto de vento com chuva!
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Henriqueta Lisboa (MG 1901- MG 1985), poeta mineira. Escritora, ensaísta, tradutora professora de literatura, Com Enternecimento (1929), recebeu o Prêmio Olavo Bilac de Poesia da Academia Brasileira de Letras. Em 1984, recebeu o Prêmio Machado de Assis da Academia Brasileira de Letras pelo conjunto de sua obra.
Obras:
Fogo-fátuo (1925)
Enternecimento (1929)
Velário (1936)
Prisioneira da noite (1941)
O menino poeta (1943)
A face lívida (1945) — à memória de Mário de Andrade, falecido nesse ano
Flor da morte (1949)
Madrinha Lua (1952)
Azul profundo (1955);
Lírica (1958)
Montanha viva (1959)
Além da imagem (1963)
Nova Lírica ((1971)
Belo Horizonte bem querer (1972)
O alvo humano (1973)
Reverberações (1976)
Miradouro e outros poemas (1976)
Celebração dos elementos: água, ar, fogo, terra (1977)
Pousada do ser (1982)
Poesia Geral (1985), reunião de poemas selecionados pela autora do conjunto de toda a obra, publicada uma semana após o seu falecimento.
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Mulher lendo, s/d
Mary Azarian (EUA, contemporânea)
xilogravura policromada
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P. Carlos de Araújo
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Desconfio da biblioteca organizada
os livros encadernados
arrumados competentemente
enfileirados como soldados em ordem-unida
vestindo uniforme de gala
de belas letras douradas
ou alto-relevo.
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Meus livros são caprichosos
e também ciumentos.
Gostam de brincar
de esconde-esconde
dentro das estantes.
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Meus livros são bagunçados.
Me ajudam quando os procuro;
mas, às vezes, se escondem
em meio aos papéis
no fundo das gavetas
no recesso dos armários,
desaparecem sem deixar vestígio
e assim ficam dias e dias
até que se cansam da brincadeira
e me procuram alegremente
dando-me todas as informações.
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Em: O inimigo oculto, P. Carlos de Araújo, Rio de Janeiro, Ed. Gávea: 1988.
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É assim mesmo meu filho,
aqui no mundo há de tudo:
alfaiate maltrapilho
e barbeiro cabeludo…
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(Lauro Cataldi)
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Docemente equilibrada,
ia a lua pelos ares,
qual linda concha embalada
pela corrente dos mares.
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(Gonçalves Dias)
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Maria da Graça Almeida
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Pipipipipipoquinha…
que chuvinha mais gostosa!
Corro logo pra cozinha,
nem disfarço… sou gulosa!
Pipipipipipoquinha…
grita o milho da pipoca!
Quente é o fundo da panela,
óleo ardente o sufoca.
Esfriando na janela,
já branquinho e com sabor,
o grãozinho da panela
transformou-se numa flor!
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Maria da Graça Almeida (Pindorama, SP)– escritora, poetisa, professora, pedagoga, formada em Educação Artística. Do portal de Maria Petronilho.