João e Maria, poesia infantil de Martins D’Alvarez

12 07 2008

 

JOÃO E MARIA

 

João e Maria,

todos os dias.

saíam cedo

pelos caminhos.

Maria em busca

de borboletas,

João à procura

de passarinhos.

Porém um dia

João e Maria

atrás dos bichos

tanto correram,

que não souberam

voltar pra casa;

viram, chorando,

que se perderam.

E os dois, rezando

pediram a Deus

que os conduzisse

para seus pais,

que eles juravam

com borboletas

e passarinhos

não mexer mais.

E Deus, ouvindo-os,

mandou que um anjo

a casa os guiasse

pelos caminhos.

E os dois meninos

não mais mexeram

com as borboletas

e os passarinhos.

 

 

Martins D’Alvarez  ( 1904 – ?)

 

Poema no livro: Leituras Infantis, Theobaldo Miranda Santos, Agir: 1962, Rio de Janeiro

  

 

Martins D’Alvarez                                                         

 

 

Nasceu na cidade de Barbalha, Estado do Ceara, em 14 de setembro de 1904.

Filho de Antonio Martins de Jesus a de Antonia Leite da Cruz Martins. Fez

os estudos primarios na sua cidade natal, os secundários, no Liceu do Ceara.

Formou-se em Odontologia.. Transferiu desde o ano de 1938 a sua residência

para o Rio de Janeiro, onde exerceu, além de atividades na imprensa, atividades

no magistério superior.

Livros publicados:

“A Ronda das horas verdes”, 1930 (versos).

“Quarta-feira de cinzas”, 1932 (novela).

Menção honrosa da Academia Brasileira de Letras.

“Vitral”, 1934 (Poemas).

“0 Norte Canta”, 1941 (poesia popular).

“No Mundo da Lua”, 1942 (poesia para crianças).
 
 Outros poemas de Martins d’Alvarez neste blog:

 

 

 

 

 





João Bolinha virou gente: Apresentação – Vicente Guimarães

8 07 2008

 

 

João Bolina não quer estudar  -- Ilustração de Rodolfo

João Bolinha não quer estudar -- Ilustração de Rodolfo

APRESENTAÇÃO

 

Sabem quem eu sou?  João Bolinha,

Boneco desengonçado;

Com quem brincar eu não tinha.

Pois vivia desprezado.

 

Entre a turma tagarela

Era um boneco prudente;

Um dia, que coisa bela!

Com a luz do sol, virei gente.

 

De boneco de bolinha

Passei a ser um menino,

Mudou-se toda, todinha

A rota do meu destino.

 

Terei lucrado ou perdido?

Não posso lhe responder:

Depois de o livro ter lido,

Tudo você vai saber.

 

Que lhe sirva de lição

Esta simples vida minha;

Eis o que, de coração,

Lhe deseja o João Bolinha.

 

 

João Bolinha virou gente, Vicente Guimarães (Vovô Felício), Editora Minerva: s/d,  Rio de Janeiro, página 5.

 

 

 

 

 

 

 

Ilustração:  Rodolfo, Rio de Janeiro

 

Vicente de Paulo Guimarães ( MG 1906-1981) Poeta, contista, biógrafo, jornalista, autor de Literatura Infanto-Juvenil (1979), funcionário público, educador, membro da Academia Brasileira de Literatura (1980), prêmio Monteiro Lobato -ABL (1977).

 

 





É fácil escrever para crianças?

3 07 2008
Um idéia brilhante, Walt Disney!

Um idéia brilhante! Ilustração, Walt Disney

Desde o sucesso da série Harry Potter, de JK Rowling que o mercado de livros infantis parece ter esquentado nos EUA apesar dos livreiros naquele país estarem com as vendas de livros infantis estacionadas há três anos.   Mas poucos aspirantes a escritores do gênero reconhecem esta situação.  E acreditam que para eles milhões e milhões de dólares estão só à sua espera.  O caminho seria as idéias que tiveram para histórias infantis.  Foi como se de repente centenas de pessoas se lembrassem de que havia um nicho ainda não explorado.   A procura por editoras especializadas no gênero aumentou, mas com um mercado sem expansão é difícil para um autor conseguir publicar seus livros.  Só os menos avisados acreditam que publicar um livro para crianças deve ser muito fácil.

 

Autores que já são conhecidos, autores que lutaram muito para que seus livros fossem publicados,  se encontram hoje entediados, saturados mesmo com o número de pessoas que lhes contata, dizendo terem uma ótima idéia para um livro infantil.

 

Baseado nestes dados entedemos bem a anedota recontada há quase um ano, em setembro de 2007, na revista Ed Magazine: the magazine of the Harvard School of Education.  Num artigo sobre a popularidade dos livros infantis, e  o número de autores em potencial que surgiu,  Mary Tamer menciona a ocasião em que Bill Roorbach,  conhecido autor infantil, do livro Big Bend,  foi abordado por um neurocirurgião que havia acabado de assistir a uma palestra que o escritor dera no estado de Maine.  O neurocirurgião, muito feliz de poder se encontrar com um escritor de sucesso, assim que congratulou Bill Roorbach disse:  Foi sensacional ouvir  sua palestra.  Planejo no momento tirar uma licença de seis meses e escrever um livro infantil.”   Após um breve pausa, Roobarch respondeu:  Mas isto é tão estranho, eu também estava pensando em tirar seis meses de licença, para me tornar um neurocirurgião. 

 

Não é fácil escrever um livro.  E só porque o livro é para crianças, e nós contamos histórias para nossos filhos, netos, sobrinhos e vizinhos, não quer dizer que saibamos escrever um livro que interesse e faça a imaginação dos pequerruchos se engajar.  Crianças e adolescentes são freqüentemente mais exigentes do que imaginamos.

 

 





Ernest Hemingway um favorito das americanas

1 07 2008

 

Uma pesquisa em 2002 pelo National Endowment for the Arts, descobriu que nos EUA 80%  dos leitores de ficção são mulheres.  E que as mulheres lêem mais que os homens em todos os gêneros com exceção de história e de biografia.  Nestes dois gêneros os homens ultrapassam as mulheres.  No entanto, mais meninos leram a série de livros do Harry Potter  de J. K. Rowling do que meninas. 

 

Estes números não significam que mulheres só lêem o que é chamado chick-lit ou seja literatura para mulherezinhas.  Não, não, não…  Ernest Hemingway está entre os escritores de ficção mais lidos por mulheres.

 

Um dado interessante também encontrado pela mesma pesquisa é que mulheres compreendem o maior numero de bloguistas sobre leitura e literatura.  Uma diferença mais ressaltada ainda quando consideramos que os velhos e respeitados papas da crítica literária e da literatura são em sua maioria homens.

 

Uma mulher nos EUA lê em média nove livros por anos.  Um homem menos que a metade: quatro.  

Madame Min prepara o jantar. Walt Disney.





Passarinhos — um poema de Zalina Rolim

1 07 2008

paisagem

 

A um passarinho que andava

Cantando pelo jardim,

Foi perguntar Elisinha

  Quem é que te cuida assim?

 

Onde achas doce alimento,

Coisas nutritivas, sãs?

— Tenho bichinhos gostosos

Figos, laranjas, romãs.

 

— E quando estás fatigado,

Onde é que vais descansar?

— Qual de nós não tem seu ninho?

Nosso ninho é o nosso lar.

 

— E sede não sentes nunca?

— Tenho rio e ribeirão,

E gotinhas de sereno,

Que as folhas verdes me dão.

 

— E no inverno não te falta

Agasalho contra o frio?

— Tenho penas que me cobrem,

Tenho agasalho macio.

 

— E quando não há bichinhos,

Grãos e frutinhas não há?

— Há uma boa criancinha

Que pão e alpiste me dá.

 

 

Passarinhos, de Zalina Rolim  (Brasil, 1869-1961)

 

 

Zalina Rolim

Maria Zalina Rolim Xavier de Toledo nasceu em Botucatu (SP), em 20 de julho de 1869.
Professora alfabetizadora, transferiu-se com a família para São Paulo em 1893.
Educadora, entre 1896 e 1897, exerceu o cargo de vice-inspetora, do Jardim da Infância anexo à Escola Normal Caetano de Campos, em São Paulo.
Escreveu para diversas revistas femininas e jornais como A Mensageira, O Itapetininga, Correio Paulistano e A Província de São Paulo.
Faleceu em São Paulo, em 24 de junho de 1961.

Obras:

1893 – O coração
1897 – Livro das Crianças
1903 – Livro da saudade (organizado nesta data para publicação póstuma)

 

 

 





A casa de Dona Rata — poema de Sérgio Capparelli

24 06 2008

Caulus, ilustração poema Dona Rata

 

Na casa de Dona Rata,

tem uma enorme goteira.

Quando chove, ninguém dorme,

acordado, a noite inteira.

A goteira é tão grande

que molha a sala e a cozinha,

quarto, banheiro, despensa

e mais de vinte ratinhas.

Dona Rata contratou

um ratão para o conserto:

— De que adianta eu subir,

se o telhado não tem jeito?

Não tem jeito, seu Ratão

explique então esse caso.

— Sua casa, dona Rata,

não tem telha nem telhado.

 Ilustração de CAULUS. 

Do livro: Boi da Cara Preta, autoria de Sérgio Capparelli, Porto Alegre:LP&M, 1998. 27ª edição.

Caulus, (MG) desenhista humorístico; ingressou na Marinha Mercante, Rio de Janeiro, mas desistiu da carreira militar e resolveu se dedicar ao desenho. Via os filmes e depois desenhava.Tornou-se desenhista exclusivamente urbano. Apresenta cenas de seus desenhos de humor e de cidades.