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Ninho, ilustração dos anos 60, sem autoria.
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Que venham chuva e calor,
que os ventos desçam ou subam,
pois ninhos feitos de amor
tempestades não derrubam…
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(Ademar Macedo)
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Que venham chuva e calor,
que os ventos desçam ou subam,
pois ninhos feitos de amor
tempestades não derrubam…
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(Ademar Macedo)
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Qual imagem, na redoma,
que sem a fé jamais cura,
de nada vale um diploma
sem o primor da cultura.
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(Alberto Fernando Bastos)
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A vida é barco sem remos
em mar sombrio a vagar.
Vamos nele e não sabemos
a que porto vamos dar.
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(Álvaro Faria)
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O suspiro é na verdade
um mensageiro cansado
que vai cheio de saudade
correndo atrás do passado.
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(Antônio Bittencourt)
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Liberdade é conviver
com sua própria razão,
sem a ninguém ofender,
nem magoar o coração.
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(Durval Lobo)
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Meu beijo é bem diferente
dos beijos que os outros dão:
eles beijam, simplesmente,
eu… beijo, com o coração.
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(Rômulo Cavalcante Mota)
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Murucututu
Chico Martins (Brasil, contemporâneo)
aquarela
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Wilson W. Rodrigues
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Aquele ruflar agitado de asas acordava todos na floresta, fosse noite escura, fosse noite estrelada, fosse noite de lua.
A corujinha, curiosa, perguntava:
— Que é que ele vai fazer, mamãe?
A Coruja-mãe, anideando-a sob as asas, respondia sempre:
— Dorme, filhinha.
Na perambeira, Gavião-mirim espigava a cabecinha para vê-lo passar, mas o Gavião puxava o filho para o buraco:
— Deixa de ser metediço.
Mais adiante o Murucututuzinho, assustado, também indagava:
— Para onde ele vai tão depressa?
E o velho Murucututu:
— Cala a boca, netinho.
Lá para a Serra, o Araguari-menino, abandonado pelos pais, sempre o via passar voando. E como não tinha ninguém para perguntar, numa madrugada gritou para o viajante noturno:
— Passarinho que voas tanto e todas as noites passas por aqui, para onde vais tão ligeiro e tão feliz?
E o Sem-Fim respondeu:
— Vou buscar o Sol. Vou buscar o Sol.
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Em: Contos do Rei Sol, Wilson W. Rodrigues, Rio de Janeiro, Estado da Guanabara, Editora Torre, s/d; ilustrado por Percy Lau.
Wilson Woodrow Rodrigues (Brasil, 1916) Nasceu em Salvador, BA. Foi poeta, folclorista e jornalista, escritor e professor.
Obras:
A caveirinha do preá, Arca ed.: s/d, Rio de Janeiro
Desnovelando, Arca ed., s/d, Rio de Janeiro
O galo da campina, Arca ed,: s/d, Rio de Janeiro
O pintainho, Arca ed.: s/d, Rio de Janeiro
Por que a onça ficou pintada, Arca ed:s/d, Rio de Janeiro
A rãzinha, Arca ed:s/d, Rio de Janeiro
Três potes, Arca ed:s/d, Rio de Janeiro
O bicho-folha, Arca ed:s/d, Rio de Janeiro
A carapuça vermelha, Arca ed:s/d, Rio de Janeiro
Bahia flor, 1948 (poesias)
Folclore Coreográfico do Brasil, 1953
Contos, s/d
Contos do Rei-sol, s/d
Contos dos caminhos, s/d
Pai João, 1952
Lendas do Brasil, s/d
Sombra de Deus, s/d
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Noite fria… e, em minha rua,
tantos sonhos idealizo,
que vou pisando na lua
em cada poça que piso!
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(Edmar Japiassú Maia)
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Soldadinho de chumbo, s/d
Marysia Portinari ( Brasil, 1937)
óleo sobre tela, 30 x 20 cm
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Manuel Bandeira
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Bão balalão,
Senhor capitão.
Tirai este peso
Do meu coração.
Não é de tristeza,
Não é de aflição:
É só de esperança,
Senhor capitão!
A leve esperança,
A aérea esperança…
Aérea, pois não!
Peso mais pesado
Não existe não.
Ah, livrai-me dele,
Senhor capitão!
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Em: Manuel Bandeira Antologia Poética, Rio de Janeiro, Livraria José Olympio:1978, 10ª edição
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Seja qual for o quinhão,
há sempre quem o bendiga;
a migalha do seu pão
é um banquete pra formiga.
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(Ney Damasceno)