Aurélio Figueiredo (Brasil, 1854-1916)
óleo sobre tela
Museu de Arte de Belém
Aqui no Brasil nós nos preocupamos em subir um degrau à meia noite, pular ondas no mar, fazer um desejo jogando sobre o ombro o caroço da primeira cereja do ano. Sementes de uvas, de romãs e muitas outras frutas são guardadas para trazer dinheiro e sorte.
Na Europa do Norte, Alemanha, Áustria, Escandinávia, França, Inglaterra, Irlanda outros símbolos de boa sorte foram e são usados até hoje, nos cartões de boas festas, nos desejos de prosperidade. Eles incluem porcos, símbolo da abundância, trevos de quatro folhas, ferradura, joaninhas e cogumelos vermelhos de bolinhas brancas [amanita muscaria] em geral, mas nem sempre acompanhados de elfos.
Em seguida, alguns postais antigos para vocês conhecerem essas novas maneiras de desejar boa sorte, ainda hoje usadas nesses países.
Com ou sem cogumelos da sorte, aqui fica, antecipadamente o desejo de um bom 2015 para todos!
Estação Júlio Prestes, São Paulo, 2013
Carlos Eduardo Zornoff (Brasil, 1959)
óleo sobre tela, 70 x 100 cm
Avenida Paulista com Rua Pamplona, 2004
Eduardo Cambuí Figueiredo Jr (Brasil, contemporâneo)
óleo sobre tela, 150 x 60 cm
Odylo Costa Filho
Veste o terno mais velho, e vai-te embora.
Atravessa o quintal e pula o muro.
E entre morte do luar e a luz da aurora
parte na antemanhã, ainda no escuro.
Bebe as velhas fachadas, as cidades
que a água penetra, ameiga e acaricia;
e nelas o sinal de outras idades
gosto de vinho velho em novo dia.
Quando cessar a febre das viagens
e cansares de tudo — das paisagens,
de ignotas gentes e de virgens praias —
volta aos brejos natais. Arma tua rede
em pleno campo. E mata tua sede
de pureza nas grandes sapucaias.
Em: Boca da noite, Odylo Costa Filho, Rio de Janeiro, Salamandra: 1979, p. 58
NB: na opinião leiga da Peregrina um dos mais belos sonetos do século XX.