São três os magos do Natal, antigos cartões postais no Dia de Reis

3 01 2013

3 REIS MAGOS 5-834x1232

Os Reis Magos foram e são um dos mais belos temas encontrados nas artes plásticas.  Na época da Renascença italiana foi frequentemente pintado como uma grande procissão em que os mecenas das artes eram representados como membros das caravanas acompanhando os magos.  Já conversamos sobre os Reis Magos e os doze dias do Natal, aqui mesmo no blog, em 2009, na postagem titulada Hoje, Dia de Reis, o 12º dia de Natal.


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Foi na Espanha moderna que encontrei o maior número de representações dos Reis Magos na escultura artesanal, nas artes folclóricas, digamos assim. Cheguei a ter uma pequena coleção de Reis Magos, trazidos a cada vez que volto à Espanha.

3 reis  CIRCA 1900Cartão c. 1900.

Muito associado, como deveria ser mesmo, às cenas da Natividade, a visita dos Reis toma características próprias de acordo com a região do mundo que a representa. Vejam abaixo que em alguns países europeus eles são frequentemente representados, nos cartões de Natal, como crianças.  Não sei a razão, talvez peças de teatro religiosas, como autos?.

3 REIS MAGOS em procissãoCartão de Natal, EUA, sem data.

Hoje, pelo menos aqui no Brasil, perdemos muito da importância do Dia de Reis, pelo menos no nosso folclore.  Está havendo há décadas uma mistura total das festividades que já não têm mais requisitos específicos para a data.  O nosso nordeste, onde grande parte da tradição dos reisados [a palavra vem do Dia de Reis] ainda existe, já não limita suas cantigas e suas danças a essa data ou à essa época.  Semelhantemente as festas juninas já não acontecem mais em junho, e sua celebrações podem ocorrer até agosto, enquanto as características roupas caipiras adquiriram, hoje, um ar carnavalesco, com muitas lantejoulas e paetês.

–  è

3 REIS AFRICA

Este é o único cartão de Natal que tenho em que todos os personagens são representados por negros.   É um cartão de Natal africano.   Não acredito que seja raro, mas nas minhas imagens é fora do comum.

3 REIS MAGOS EM SEUS CAMELOS

Algumas vezes a Estrela de Natal toma a forma de uma cruz, como se fosse uma prefiguração do sacrifício do Recem-nascido.

3 REIS ra-hyvaa-joulua

Na Europa do Norte  há muitas representações dos Reis Magos como crianças, como neste cartão da Finlândia. 

3 REIS MAGOS, CARTÃO NATAL CHECOCartão Checo, 1955.

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Só pelas linhas alongadas já dá para saber que estamos olhando para um cartão de Natal dos anos 60 do século XX.

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Seis de Janeiro, Dia de Reis foi sempre bastante comemorado na minha infância.  Havia duas razões: o dia santo — acreditam que já foi feriado nacional?  Pois, também era data de aniversário de um de meus tios.  Enquanto minha avó morou conosco era celebrado com um grande almoço em família.  E depois do almoço, passadas algumas horas comíamos então o Bolo de Reis.  Já escrevi aqui no blog sobre esse bolo [Bolo de Reis ] que tinhas prendas dentro que previam o futuro.

3 REIS, FRÖHLICHE WEIHNACHTENCartão de Natal alemão.

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3 REIS

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3 reis criançasCartão de Max Nauta (Alemanha, 1896-1957)

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Descobrindo Machado de Assis, texto de Marques Rebelo

2 01 2013

Belmmiro de Almeida, (brasil 1858-1935) Amuada,oleosobremadeira,33x41, pontilhista, museu mariano procópio, mg

Amuada, s/d

Belmiro de Almeida (Brasil, 1858-1935)

óleo sobre madeira, 33 x 41

Museu Mariano Procópio, MG

“23 de junho [1939]

Meu primeiro contato com Machado de Assis data do mês que passei com Mimi e Florzinha, quando Roberto, ainda em colo de ama, não fora entregue aos cuidados das tias. Depois de vários adiamentos, papai resolvera limpar a casa, fazer alguns retoques no telhado e no forro, reformar o banheiro  — estava bastante maltratada.

Pintada a óleo, a óleo devia ser repintada, mas como cheiro de óleo envenena, durante a pintura não poderia continuar habitada. Houve uma distribuição de domicílios. Papai e mamãe foram para a casa de Ataliba, Mariquinhas carregou Emanuel para Magé, eu e Madalena ficamos na casa das primas, que era na Boca do Mato. A novidade foi excitante. Navegadores de primeira viagem, sentíamo-nos à deriva – e o casarão suburbano, com comida, hábitos, móveis, decoração, conversas e linguagem diferentes, com outra paisagem, outra luz, outro cheiro e calor, era um cosmos que se abria em mil e mil descobrimentos fascinantes.

Mimi era leitora inveterada e, de pouco dormir, chegava a romper madrugadas com livros na mão, livros dos quais, por não ignorar os meus pendores livrescos, contava-me depois os enredos com o mais lato seguimento e minudência. Se eu gostava, lia o livro, o que resultava em longas e posteriores conversações nas quais a boa prima não se dava conta, em absoluto, da nossa diferença de idade e com suma sisudez, manejando pincenê como uma batuta, aceitava ou rebatia os meus balbuciantes argumentos literários, o que de resto me envaidecia.

E foi assim que travei conhecimento com o mestre. Ela havia devorado Helena numa noite e no outro dia estava com a sensibilidade em polvorosa – é o melhor livro dele, dizia, e narrou-me todo o entrecho depois do almoço, na fresca e ensombrada varanda, que ladeava a casa em toda a sua longitude e que até o meio tinha uma tecedura de guaco, cujas virtudes expectorantes, sob a forma de chá ou de balas, eram amplamente recomendadas e exploradas.

Solicitei o romance, mas a verdade é que achei decepcionante, transmiti minha impressão, Mimi repisou o seu entusiasmo, e não pensei mais no autor.

Um ou dois anos mais tarde, passava eu para aquilo que no colégio se chamava o curso adiantado de português, isto é, o curso ao termo do qual era tirado o exame final dessa matéria. Para leitura e análise tínhamos uma grossa antologia de pífio papel, mas se houve livro que eu amasse, foi este. As amostras que trazia davam logo para gostar ou detestar. Foi nele que li “O Plesbicito”, de Artur de Azevedo, incorporando-o imediatamente à minha perene simpatia. Foi nele que amei Maupassant, por causa do “Adereço de esmeraldas”, amor que foi diminuindo como tempo até se mudar em desinteresse, desinteresse de que escaparam as curtas páginas de “Ao luar”, sim de que escaparam as curtas páginas de “Ao luar”.  Foi nele que Schiller me arrepiou com o episódio da luva e Coppée me emocionou como os vícios daquele capitão reformado, a primeira ficção francesa em que eu encontrava uma referência ao Brasil. Foi nele também que li um trecho de Dickens, “O jantar de Toby”, jantar de tripas numa noite glacial, jantar de pobre, trazido pela filhinha, maravilhosa revelação, pois a alegria de Toby me impressionou tanto que eu quis sem demora conhecer o romance por inteiro. Foi nele que aprendi a detestar Garcia Redondo, Pedro Rabelo, Coelho Neto, Alcides Maia, Macedo e tantos outros. Foi nele que, afinal, encontrei o meu Machado.  Vinha em pedaços como fatias de um grande bolo, grande e saboroso.  Fui comendo deliciado: aquele admirável trecho do fanático por brigas de galo, o do pesadelo em que o diabo tira libras de um saco para por em outro, o episódio da ponta do nariz, a célebre volta aos tempos, cavalgada às avessas, imorredouro retrocesso, e, principalmente, o famoso jantar da família Brás Cubas, ágape a que iria assistir, coberto de vergonha, numerosos similares. E o que não pude acreditar mui prontamente foi que houvesse relação entre o padeiro desses nacos surpreendentes e o confeiteiro de Helena de tão chocha  e açucarada memória. E atirei-me ao manjar inteiro, começando pelas Memórias Póstumas de Brás Cubas. Daí para Quincas Borba, depois para Dom Casmurro, quando fiquei para toda a vida apaixonado por Capitu, paixão que só se igualaria com a provocada por Vidinha, a gargalhante mulatinha dos lundus. Quando cheguei aos contos – “Conto de escola”, “Uns braços”, “O diplomático”, “Uma senhora”, “Missa do galo”, “Capítulo de chapéus”, “Ideias de canário” – quando cheguei aos contos alumbramento de que Antônio Ramos compartilhava, senti que formavam um trilho ideal, caminho único encimado por uma estrela, estrela guiadora, bem diversa daquelas,  indiferentes às lagrimas e aos risos, que o mal-aventurado Rubião pedia à bela Sofia que fitasse”.

Em: A mudança, Marques Rebelo, 2º volume de O Espelho Partido, São Paulo, Martins: 1962





Trova [Quadrinha] sobre o jasmim

2 01 2013
primavera John Newton Howitt, Hollands, may1929Ilustração de John Newton Howitt, para a capa da Revista Holland’s de maio de 1929.

Eu fico pasmo, por certo,
vendo Deus, perfeito assim,
esquecer o cofre aberto
do perfume do jasmim…

(Lacy José Raymundi)





Recomendações de Ano Novo

1 01 2013

???????????????????????????????Gansolino faz a lista de ingredientes, ilustração Walt Disney.

Recebi num email de uma sobrinha muito querida esta lista de ingredientes para um 2013 feliz.  Achei que ela era boa e que se você ainda quer fazer algo para transformar o ano que começa hoje, leia a lista abaixo e tire as suas ideias.  Bom proveito!

PARA TER UM FELIZ 2013

 

1.  Beba muita água;

2.  Coma mais o que nasce em árvores e plantas, e menos comida produzida em fábricas;

3.  Viva com os 3 E’s: Energia, Entusiasmo e Empatia;

4.  Arranje tempo para orar;

5.  Faça atividades que ative seu cérebro;

6.  Leia mais livros do que leu em 2012;

7.  Sente-se em silêncio pelo menos 10 minutos por dia;

8.  Durma 8 horas por dia;

9.  Faça caminhadas de 20-60 minutos por dia;

10. Evite ficar nervoso. Em situações de estresse, experimente bocejar e espreguiçar;

 

Personalidade:

 

11.  Não compare a sua vida a dos outros. Ninguém faz ideia de como é a caminhada dos outros;

12.  Não tenha pensamentos negativos ou coisas de que não tenha controle;

13.  Não se exceda. Mantenha-se nos seus limites;

14.  Não se torne demasiadamente sério;

15.  Não desperdice a sua energia preciosa em fofocas;

16.  Sonhe mais;

17.  Inveja é uma perda de tempo. Tem tudo que necessita….

18.  Esqueça questões do passado. Não lembre seu parceiro dos seus erros do passado. Isso destruirá a sua felicidade presente;

19.  A vida é curta demais para odiar alguém. Não odeie.

20.  Faça as pazes com o seu passado para não estragar o seu presente;

21.  Ninguém comanda a sua felicidade a não ser você;

22.  Tenha consciência que a vida é uma escola e que está nela para aprender. Problemas são apenas parte, que aparecem e se desvanecem como uma aula de álgebra, mas as lições que aprende, perduram uma vida inteira;

23.  Sorria e gargalhe mais;

24.  Não necessite ganhar todas as discussões. Aceite também a discordância;

 

Sociedade:

 

25.  Entre mais em contato com sua família;

26.  Dê algo de bom aos outros diariamente;

27.  Perdoe a todos por tudo;

28.  Passe tempo com pessoas acima de 70 anos e abaixo de 6;

29.  Tente fazer sorrir pelo menos três pessoas por dia;

30.  Não te diz respeito o que os outros pensam de você;

31.  O seu trabalho não tomará conta de você quando estiver doente. Os seus amigos o farão. Mantém contato com eles.

 

Vida:

 

32.  Faça o que é correto;

33.  Desfaça-se do que não é útil, bonito ou alegre;

34.  DEUS cura tudo;

35.  Por muito boa ou má que a situação seja, ela mudará;

36.  Não interessa como se sinta, levante, se arrume e apareça;

37.  O melhor ainda está para vir;

38.  Quando acordar vivo de manhã, agradeça a DEUS pela graça;

39.  Mantenha seu coração sempre feliz.


Por último:

Tenha um feliz 2013, repleto de paz, amor, saúde e sucesso!!!!
 




O Natal em poucas palavras — Charles N. Barnard

24 12 2012

Cartão Postal.

“A árvore de Natal perfeita?  Todas as árvores de Natal são perfeitas!”

Charles N. Barnard





Chuva sobre a cidade, poema de Lêdo Ivo

23 12 2012

chuva um dia deUm dia de chuva, ilustração: ignoro a autoria.

A chuva sobre a cidade

Lêdo Ivo

Chove sobre a cidade

e a chuva inunda o asfalto, difunde o desastre e o desencontro

e procura abater as palmeiras que do fim da tarde

queriam apenas — graça plena — as estrelas.

Os trovões reboam, espantando os pássaros

que vieram refugiar-se no meu quarto.

Os relâmpagos, fotógrafos do absoluto, iluminam as pessoas que passam

— são outros rostos, minha irmã, são as faces

revoltadas porque as divindades impossibilitaram os idílios,

a chegada pontual a uma casa, o já adiado trespasse com o inefável.

As sarjetas recebem finalmente a Poesia. Como são belos

e nítidos os barcos de papel

que navegam buscando os reinos fantásticos, os inaccessíveis!

A chuva tem uma canção. Jamais uma elegia

para saudar sua gentileza. Jamais uma ode,

um himeneu, uma écloga deploratória.

Meu irmão, deixa que a goteira molhe tuas últimas

poesias. Pouco importa que amanhã te reconcilies com os grandes temas poéticos.

O amanhã é inconsumível. A chuva te ensina

a ser invariável sem se repetir.

Em: Central Poética: poemas escolhidos, Lêdo Ivo, Rio de Janeiro, Aguilar:1976

Em homenagem ao poeta Lêdo Ivo, falecido hoje, aos 88 anos.





O Natal em poucas palavras — Marjorie Holmes

22 12 2012

Cartão Postal.

“No Natal, todas as estradas levam ao lar”.

Marjorie Holmes





O Natal em poucas palavras — Harlan Miller

20 12 2012

Cartão postal.

“Eu queria que fosse possível colocar um pouco do espírito de Natal em frascos para que pudessem ser abertos a cada mês”.

Harlan Miller





O Natal em poucas palavras — Janice Marditere

18 12 2012

Cartão Postal.

“O Natal não é tanto sobre abrir presentes como é sobre abrir nossos corações”.

Janice Marditere





O Natal em poucas palavras — Garrison Keillor

16 12 2012

Cartão postal, década de 1920.

“Uma coisa boa a respeito do Natal é que é compulsório, como uma tempestade, nós todos o vivenciamos juntos.”

Garrison Keillor