Soneto LXXII, de Paula Brito

16 09 2024
Ilustração de Walter Crane, 1878

 

 

Soneto LXXII

 

Paula Brito

 

“Quem pode ver-te sem querer amar-te!
Quem pode amar-te sem morrer de amores!…
(Maciel Monteiro)

 

 

Amo-te… e de te amar não me arrependo,

Bem que seja este amor, amor perdido!

Oh! se nunca te houve conhecido,

No fogo, em que ardo, não vivera ardendo!

 

Vejo o que fazes, e estou nisso vendo

Rasgos de amor de um coração ferido!

Também amei, também tenho sofrido,

Amo também,  também estou sofrendo!…

 

Não me queixo de ti, não, certamente;

O teu futuro, por teu mal, te obriga

Ao penoso martírio do presente!

 

Aqui tens a razão que a ti me liga:

“Se te sigo, me pedes que me ausente;

Se me ausento, me pedes que te siga!…”

 

 

Em: Poesias, Francisco de Paula Brito, Rio de Janeiro, 1863, edição digitalizada, Biblioteca Nacional.

PS: atualizei ao máximo a ortografia que já mudou muito nestes últimos 150 anos.





Voltando para casa de ônibus, texto de Oscar Nakasato

16 09 2024
Anúncio dos pneus GoodYear Airfoam, 1944.

 

 

 

“No ônibus, Satoshi tentava esvaziar a mente para buscar o sono. Quando percebeu que não conseguiria dormir, retornou a poltrona para uma posição com menor inclinação, abriu uma fresta da cortina e passou quase todo o trajeto , de pouco mais de nove horas, observando o que era possível na madrugada de quase lua cheia. Com a cabeça reclinada no encosto da poltrona, via a paisagem noturna obliquamente. Os morros distantes eram manchas escuras, e deles se viam apenas os contornos delineados em função do firmamento clareado pela lua. As árvores mais próximas surgiam e desapareciam na velocidade controlada pelo pé do motorista. As imagens imediatas eram mais visíveis, mas a cada instante eram consumidas pelo movimento do ônibus e do tempo, enquanto a paisagem distante, teimava em suas retinas insistindo em ficar.” […]

 

 

Em: Ojiichan, Oscar Nakasato, São Paulo: Fósforo, 2024.





Em casa: Fernando Botero

15 09 2024

Mulher bebendo, 1999

Fernando Botero (Colômbia, 1932-2023)

óleo sobre tela, 50 x 40 cm

 





Flores para um sábado perfeito!

14 09 2024

Flores, 2022

João Bernardi (Brasil, 1953)

aquarela sobre papel

 

 

 

Vaso com flores, 1990

Milan Horvat (Sérbia-Brasil, 1946)

óleo sobre tela, 73 x 50 cm





Hoje é dia de feira: frutas e legumes frescos!

11 09 2024

Vendedor de Frutas, 1925

Tarsila do Amaral (Brasil, 1886-1973)

óleo sobre tela, 108 x 84 cm

Museu de Arte Moderna, Rio de Janeiro

 

 

Baiana

Ivan da Silva Moraes (Brasil, 1936-2003)

óleo sobre tela, 99 x 81 cm





Ernest Hemingway recomenda…

11 09 2024

Em 1934, depois de ler uma história de Ernest Hemingway na revista Cosmopolitan intitulada One Trip Across, mais tarde publicado no livro To have and to have not — publicado em português e traduzido por Luiz Peazê comoTer e Não ter — o jovem Arnold Samuelson, recém formado jornalista americano, viajou mais de três mil quilômetros para se encontrar com o autor do conto que tanto lhe impressionara.

Não foi um encontro fácil para o jovem viajante.  Mas valeu-lhe a espera de dois dias até ser recebido na varanda de Hemingway para um bate-papo.  Samuelson depois de conversar com o escritor por algum tempo, explicando de sua dificuldade em realizar o sonho de escrever ficção, Hemingway finalmente o aconselhou a evitar os escritores contemporâneos.  Ele deveria, no entanto.  competir, com os que já haviam morrido e se mirar nas obras que tivessem sobrevivido ao teste do tempo. Ou seja, às obras que ainda eram significativas. E  finalmente Samuelson saiu da visita em Key West, com a lista cuja fotografia vemos aqui.  Para facilitar a leitura, aqui estão os livros recomendados por Hemingway.

Stephen Crane

The Blue Hotel   [não achei tradução no Brasil]

The Open Boat  [não achei tradução no Brasil]

Gustave Flaubert

Madame Bovary

James Joyce

Dubliners  — Dublinenses (português)

Stendhal

The Red and the BlackO vermelho e o negro (português)

Somerset Maugham

Of Human Bondage Servidão humana (português)

Tolstói

Anna Karenina  — Anna Karenina (português)

War and Peace Guerra e Paz (português)

Thomas Mann

BuddenbrooksOs Buddenbrook (português)

George Moore – G. E. Moore

Hail and Farewell [não achei tradução no Brasil]

Dostoiévski

Tolstói

Anna Karenina  — Anna Karenina (português)

War and Peace Guerra e Paz (português)

Thomas Mann

BuddenbrooksOs Buddenbrook (português)

George Moore – G. E. Moore

Hail and Farewell  [não achei tradução no Brasil]

Dostoiévski

Brothers KaramazovOs irmãos Karamazov (português)

 Diversos poetas

The Oxford Book of English Verse

E. E. Cummings*

The Enormous RoomA cela enorme (português)

* Interessante que E.E.Cummings é muito mais conhecido com poeta, e Hemingway o escolhe por sua prosa.

Emily Brontë*

Wuthering HeightsO morro dos ventos uivantes (português)

* ùnica mulher. Mas afinal a lista é de Hemingway… era de se esperar…

W. H. Hudson

Far Away and Long Ago  [não achei tradução no Brasil]

Henry James

The American — [não achei tradução no Brasil]

E você, quais desses você já leu?  Concorda com Hemingway?





O escritor no museu: José Lins do Rego

9 09 2024

José Lins do Rego, 1939

Cândido Portinari (Brasil, 1903-1962)

óleo sobre tela, 73 x 60 cm





Rio de sol, de céu, de mar…

6 09 2024

Paisagem do Rio de Janeiro

Francisco Coculilo (Brasil, 1885-1945)

óleo sobre cartão,  39 x 31 cm





Hoje é dia de feira: frutas e legumes frescos!

4 09 2024

Melancia, 1995

Gustavo Rosa (Brasil, 1946-2013)

óleo sobre tela,  40 x 50 cm

 

 

Melancia

Pedro Alexandrino (Brasil, 1856-1942)

óleo sobre tela, 40 x 50 cm





Nossas cidades: Vassouras

3 09 2024

A casa rosa, Vassouras, RJ, 1998

Henrique Laurindo (Brasil, contemporâneo)

óleo sobre eucatex,  58 x 49 cm