Feira no Cambuci
Alfredo Volpi (Itália-Brasil,1896-1988)
óleo sobre tela, 43 x 59 cm
Feira Livre
Edvaldo Assis (Brasil, 1940-2016)
óleo sobre tela, 50 x 70 cm
Feira no Cambuci
Alfredo Volpi (Itália-Brasil,1896-1988)
óleo sobre tela, 43 x 59 cm
Feira Livre
Edvaldo Assis (Brasil, 1940-2016)
óleo sobre tela, 50 x 70 cm
Sem título
Eugênio de Proença Sigaud (Brasil, 1899-1979)
óleo sobre tela colada em madeira, 50 x 40 cm
Boa vizinhança, 1968
Antonio Henrique Amaral (Brasil, 1935-2015)
óleo sobre tela
Pinacoteca do Estado de São Paulo – PINA
Conchas foram sempre de grande fascinação para o ser humano. Elas eram facilmente encontradas em praias. Aqui mesmo no Rio de Janeiro, na minha infância e adolescência as praias da Zona Sul tinham muitas conchas dos mais diversos moluscos, que machucavam nossos pés se as pisássemos, mas que ao mesmo tempo nos fascinavam. Não era fora do comum trazermos para casa uma concha mais bonita, com um formato diferente ou aquela que tinha listrinhas coloridas de diversos tons de ocre, amarelo, bege e pérola, numa verdadeira comunhão com a natureza admirando aqueles desenhos perfeitos.
No século XIX, caixas como a mostrada acima, foram populares. Mas elas caem, para mim, naquela área do gosto estranho, duvidoso, da era vitoriana, que abusava dos excessos e acabava com objetos como essa caixa, que não sei porque me lembra mais de rito funerário do que de um lugar aprazível para colocar um joia ou preciosidade.
Em 2022, uma rara coleção de caixas de concha foi à venda na loja de leilões Christie’s em Londres. As caixas, não muitas, pertenciam à coleção particular de Anthony e Marietta Coleridge. Seria de se esperar, que suas caixas de concha fossem verdadeiras joias, já que Anthony Coleridge foi CEO e mais tarde presidente da casa de leilão Christie’s em South Kensington.
Essas são duas caixas de conchas, com montagem em ouro. A caixa à direita conhecida como Caixa de Turritella foi transformada por volta de 1765. Turritella é o nome latino para um caracol marinho, em forma de cone alongado com diversas rotações. Turritella em latim e em italiano significa pequena torre, Esta concha tem cerca de 10 cm de comprimento. Os adornos de acabamento e dobradiça de ouro mostram desenho rococó com volutas e flores e há uma faixa em esmalte branco com os dizeres ‘NUL PLAISIR SANS VOUS VOIR’ [não há prazer sem lhe ver, que bela mensagem de alguém enamorado!]. A concha cancerallia, que acompanha nesta foto a Turritella,tem a tampa forrada por dentro em ouro, cinzelado para simular a textura natural da concha e mede 9 cm no comprimento.
Outras quatro caixas, todas para rapé, da mesma coleção, variam em forma. Uma é do período de George III, claramente assinada pelo ourives William Scott, de Dundee, datando de 1780. Duas outras, uma tem acabamento em prata e outra espessurada à prata [também conhecido com banho de prata] datam respectivamente do final do século XVII e início do XIX. Medem: 9,2 cm; 9 cm e 10,2 cm;
A caixa russa com tampa parcialmente em concha e montagem espessurada à prata, mostra assinatura na montagem. Tem cobertura gravada com pássaros sobre flores; uma com cobertura espessurada a ouro com relevos e gravações de dois pássaros rodeados por volutas com dois passarinhos rodeados por flores.
Quando vemos esses exemplos extraordinários de pequenas caixas de conchas, deixamos de lado a ideia das não tão elegantes caixas com adornos de conchas populares na era vitoriana. Um dos meus professores de história da arte, na Universidade de Maryland, que era também um dos curadores da National Gallery em Washington DC repetia para nós alunos, sempre que podia. Olhe e observe sempre o melhor que há na arte, Vá aos museus. Examine coleções. Aos poucos de tanto ver, mas de tanto ver coisas boas e coisas não tão boas, seu olhar vai saber em fração de segundos se algo merece ou não sua atenção. Ele queria que apurássemos os olhos.
Muitos anos mais tarde, lendo o livro Blink, de Malcolm Gladwell percebi que esse professor estava certo. É a teoria das 10.000 horas de trabalho. De tanto ver, observar, examinar objetos da sua época de interesse, ou melhor da sua área de especialização, mais precisa é a avaliação sobre o que você vê.
Taça com tampa, final do século XVI
Pierre Reymond (França, 1513-1584)
Esmalte sobre cobre, 25 x 18 cm
Minneapolis Institute of Art
Essa taça com tampa é decorada com cenas esmaltadas sobre cobre, contando a Vida de José [Gênesis 41:44 — “o faraó diz a José: “Eu sou o faraó, mas ninguém levantará a mão ou o pé em toda a terra do Egito sem a sua permissão”.]
Pierre Reymond adaptou as composições figurativas das xilogravuras de Bernard Salomon que ilustraram a Bíblia de Claude Paradin próxima ao verso do livro de Gênesis. Essa Bíblia foi publicada na França na década de 1550. O que ajuda na datação da taça.
Um sorriso em um semblante,
um quarto, uma ceia, um grito…
Arte é o que faz de um instante
um resumo… do infinito.
(Sérgio Ferreira da Silva)
Leitura
James MacKeown (Inglaterra, 1961)
óleo sobre tela
Ítalo Calvino
Natureza morta
Colette Pujol (Brasil, 1913-1999)
óleo sobre tela, 50 x 70 cm
Moranga
Virgílio Della Monica (Brasil, 1889-1957)
óleo sobre papel, 27 X 36 cm
A florista
Clodoaldo Martins (Brasil, 1985)
óleo sobre tela, 64 x 76 cm
Casimiro de Abreu
Moreninha, Moreninha,
Tu és do campo a rainha,
Tu és senhora de mim;
Tu matas todos d’amores,
Faceira, vendendo as flores
Que colhes no teu jardim.
Quando tu passas n’aldeia
Diz o povo à boca cheia:
– “Mulher mais linda não há
“Ai! vejam como é bonita
“Co’as tranças presas na fita,
“Co’as flores no samburá! –
Tu és meiga, és inocente
Como a rola que contente
Voa e folga no rosal;
Envolta nas simples galas,
Na voz, no riso, nas falas,
Morena – não tens rival!
Tu, ontem, vinhas do monte
E paraste ao pé da fonte
À fresca sombra do til;
Regando as flores, sozinha,
Nem tu sabes, Moreninha,
O quanto achei-te gentil!
Depois segui-te calado
Como o pássaro esfaimado
Vai seguindo a juriti;
Mas tão pura ias brincando,
Pelas pedrinhas saltando,
Que eu tive pena de ti!
E disse então: – Moreninha,
Se um dia tu fores minha,
Que amor, que amor não terás!
Eu dou-te noites de rosas
Cantando canções formosas
Ao som dos meus ternos ais.
Morena, minha sereia,
Tu és a rosa da aldeia,
Mulher mais linda não há;
Ninguém t’iguala ou t’imita
Co’as tranças presas na fita,
Co’as flores no samburá!
Tu és a deusa da praça,
E todo o homem que passa
Apenas viu-te… parou!
Segue depois seu caminho
Mas vai calado e sozinho
Porque sua alma ficou!
Tu és bela, Moreninha,
Sentada em tua banquinha
Cercada de todos nós;
Rufando alegre o pandeiro,
Como a ave no espinheiro
Tu soltas também a voz:
– “Oh quem me compra estas flores?
“São lindas como os amores,
“Tão belas não há assim;
“Foram banhadas de orvalho,
“São flores do meu serralho,
“Colhi-as no meu jardim.” –
Morena, minha Morena,
És bela, mas não tens pena
De quem morre de paixão!
– Tu vendes flores singelas
E guardas as flores belas,
As rosas do coração?!…
Moreninha, Moreninha,
Tu és das belas rainha,
Mas nos amores és má
– Como tu ficas bonita
Co’as tranças presas na fita,
Co’as flores no samburá!
Eu disse então: – “Meus amores,
“Deixa mirar tuas flores,
“Deixa perfumes sentir!”
Mas naquele doce enleio,
Em vez das flores, no seio,
No seio te fui bulir!
Como nuvem desmaiada
Se tinge de madrugada
Ao doce albor da manhã
Assim ficaste, querida,
A face em pejo acendida,
Vermelha como a romã!
Tu fugiste, feiticeira,
E decerto mais ligeira
Qualquer gazela não é;
Tu ias de saia curta…
Saltando a moita de murta
Mostraste, mostraste o pé!
Ai! Morena, ai! meus amores,
Eu quero comprar-te as flores,
Mas dá-me um beijo também;
Que importam rosas do prado
Sem o sorriso engraçado
Que a tua boquinha tem?…
Apenas vi-te, sereia,
Chamei-te – rosa da aldeia –
Como mais linda não há.
– Jesus! Como eras bonita
Co’as tranças presas na fita,
Co’as flores no samburá!
Indaiassú – 1857