E afinal, qual é mesmo a sua grande ideia?

2 06 2010

 

Pato Donald tem uma ideia brilhante!  Ilustração Walt Disney.

 

Foi Platão quem primeiro fez a analogia entre a luz e uma idéia.  Desde então idéias podem ser más, boas, mas sempre eletrizantes nas mãos dos artista gráficos.  Estes sim são sempre brilhantes!

 A associação da luz com uma nova idéia, auxiliando a solução de um problema tem-nos fascinado desde a antiguidade e acompanhado até os dias de hoje.   Parece que agora estamos um passo adiante:  o psicólogo social Michael Slepian, trabalhando na Universidade Tufts, nos EUA, publicou no Journal of Experimental Social Psychology os resultados de sua pesquisa que avaliava se a presença de uma lâmpada, isso mesmo, da lâmpada em si, aquele objeto pelo qual passa a eletricidade, poderia ter um papel significativo como auxiliar de novas idéias. 

Cascão tem uma ideia simples.  Ilustração Maurício de Sousa.

E não é que pode?   

Parece que as lâmpadas podem de fato ajudar uma pessoa a ter uma intuição na resolução de um problema.  Uma lâmpada agiria como um estímulo à imaginação.   Apesar de a intuição ser um fenômeno bastante conhecido e muito estudado, ainda é uma capacidade humana completamente misteriosa para os cientistas.  E o que Michael Slepian apurou é que a “idéia da lâmpada” trabalha no nosso inconsciente de tal maneira que realmente associamos o objeto à clareza de pensamento.  Ela nos dá uma maior tendência de descobrir novos ângulos de um problema, de resolver uma questão de maneira mais criativa.  A pesquisa tenta documentar os sinais sutis que podem influenciar o nosso comportamento.  [Para maiores detalhes sobre a pesquisa de Michael Slepian, por favor clique  AQUI e AQUI.]

 Não me cabe julgar os méritos de sua pesquisa.  Mas reconheço que a imagem de uma lâmpada está a tal ponto associada ao surgimento de uma idéia que expressões inteiras podem ser substituídas pela lâmpada ou por sua imagem modificada.  E é uma comunicação popular e eficiente.  Tão emblemática quanto,  nos últimos 40 anos, o coração vermelho veio a ser para o verbo amar: por exemplo, a expressão “ eu amo ler”, pode ser também escrita: eu + [imagem de um coração]+ ler, sem qualquer perda de significado.

 —

Aqui, então um  grupo de imagens que poderiam levar o nome:  arte gráfica da idéia brilhante. 

Professor Pardal e seu auxiliar Lampadinha, ilustração Walt Disney.

Mesmo sem idéias, o Professor Pardal é acompanhado por sua lampadinha que continua a trabalhar.  Foi justamente com o Professor Pardal que conheci a primeira associação de lâmpada com idéia, e para mim, a conexão entre esses dois é tão perfeita que o inventor Pardal não existe no meu imaginário seu seu ajudante Lampadinha. 

Zé Carioca tem uma idéia luminosa!  Ilustração Walt Disney.

Quem percebeu que a ideia luminosa de Zé Carioca é representada por uma lâmpada na forma de pena?  Ela poderia fazilmente, se colorida de verde, se inserir no seu topete. É ou não brilhante?

O Palhacinho Alegria, Ilustração Editora Abril.

O palhacinho Alegria só poderia ter uma idéia engraçada, e ela vem de chapéu de palhaço igual ao dono!

Pato Donald, ilustração de Walt Disney.

O Pato Donald deveria ser brasileiro, porque certamente não desiste nunca.  E  continua a ter idéias duplamente valiosas, apesar de nós sabermos, de antemão, os resultados da maioria dos seus empreendimentos!

Do Contra tem uma idéia característica.  Ilustração Maurício de Sousa.

Uma ideia contrária só poderia ser expressada dessa maneira, é ou não é?  Brilhante!

Chico Bento, ilustração Maurício de Sousa.

Chico Bento tem uma ideia antiga.  Uma ideia de outros tempos…  Talvez uma idéia interiorana, caipira? 

Piteco tem uma ideia, ilustração Maurício de Sousa.

Piteco, o homem das cavernas tem uma ideia de  acordo com os seus tempos, nem poderia ser diferente.  Será que elas seriam tão brilhantes quanto as de raio laser?

——–

Ilustração Maurício de Sousa.

—-

E os animais pensam da mesma forma que nós….  Mas isso nós já sabíamos!

A verdade é que nenhuma dessas imagens poderia ter sido entendida por nós se a representação de uma ideia ( brilhante ou não) já não estivesse bem enraizada no nosso inconsciente.  A imagem, então, de uma lâmpada, funciona como um ideograma, em que diferentes contextos mudam de acordo com as diferenças no mesmo tema.  A lâmpada, o faixo de luz, está tão enraizada no nosso inconsciente que pensamentos mais complexos ainda do que uma imagem de uma história em quadrinhos estão nos dias de hoje sendo transmitidas com uma simplicidade invejável:

—-

Uma idéia rentável, vendável, lucrativa…

Uma idéia de destaque, única entre outras…

—-

Uma nova idéia…

—-

Uma ideia verde, uma ideia ecológica …

E afinal, qual é mesmo a sua grande ideia? 




Filhotes fofos: suricates

31 05 2010
Foto: Reuters

Dois filhotes de suricates são vistos no zoo de Chester, norte da Inglaterra. Os animais, com três semanas de idade, foram apresentados ao público pela primeira vez.





Os óculos da vovó, poema infantil de Dom Marcos Barbosa

28 05 2010

Os óculos da vovó

 

Dom Marcos Barbosa

— Como acabar meu tricô,

como assistir à novela,

se esses óculos benditos

me somem sem mais aquela?

 —

Vovó, procurando os óculos,

vai do quarto para a sala

e de novo volta ao quarto,

sem ninguém para ajudá-la.

 —

E até parece que os netos

estão a se divertir,

pois mesmo seu predileto

faz força para não rir.

— 

Deve saber onde estão,

porque lhe diz o malvado:

– Já está ficando quente

seu chicotinho queimado!

 —

E o diz quando está no quarto

ou à sala torna a voltar.

– Mas como pode uma coisa

em dois lugares estar?

 —

Em sinal de desespero

leva então as mãos à testa:

ali estão os seus óculos

e tudo vira uma festa.

Dom Marcos Barbosa [nome civil:  Lauro de Araújo Barbosa]  (MG 1915 – RJ, 1997) Sacerdote, monge beneditino,poeta e tradutor.  Membro da Academia Brasileira de Letras.

 Obras:

Teatro, 1947

Livro do peregrino, XXXVI Congresso Eucarístico Internacional, 1955

A noite será como o dia: autos de Natal, 1959

O livro da família cristã, 1960,

Poemas do Reino de Deus, 1961

Mãe nossa, que estais no céu, s.d.

Para a noite de Natal: poemas, autos e diálogos, 1963

Para preparar e celebrar a Páscoa: autos, diálogos e fogo cênico, 1964

Eis que vem o Senhor, 1967

O livro de Tobias, 1968

Oratório e vitral de São Cristóvão, 1969

Manifestações de autonomia literária: A Escola Mineira e outros movimentos. In: História da Cultura Brasileira, 2 vols., 1973-76

Um menino nos foi dado, org. de Lúcia Benedetti. In: Teatro infantil, 1974

A arte sacra, 1976

Nossos amigos, os Santos, 1985

Congonhas, Bíblia de cedro e de pedra, e co-autoria com Hugo Leal, 1987

Um encontro com Deus: Teologia para leigos, 1991

As vinte e seis andorinhas, 1991

Poemas para crianças e alguns adultos, 1994





Imagem de leitura — Mathias Stomer

27 05 2010

Jovem rapaz lendo à luz de vela, s/d

Mathias Stomer ( Holanda c. 1600- c. 1650)

Óleo sobre tela, 175 x 172 cm

Museu Nacional de Estocolmo,  Suécia.

Mathias Stomer, também conhecido com Stom ou Stomma ( Amsterdam c. 1600 – Sicilia depois de 1650) foi um pintor holandes, com formação artística no atelier  do pintor Gerard van Honthorst, que trabahava no estilo caravagista.  Seguiu os passos dos  pintores maneiristas Simon Vouet e Abraham Bloemart.  Mas sua grande dívida estilística vem de Dirck van Baburen e de Hendrick ter Brugghen.   Encontra-se em Roma em 1630, ainda que não se saiba ao certo a data de sua chegada à Itália.  De 1633 a 1639 trabalha em Nápoles e em seus arredores.   Depois se instala na Sicília, onde permanece até a morte.  Lá  é bastante  influenciado por alguns dos mestres da pintura italiana meridional e se  torna  ainda mais adepto dos grandes mestres nos contrates de luz e sombra, estilo que domina com grande mestria.





Pobreza de espírito e de informações nas nossas capas de livros!

26 05 2010

O campo de Santana no Rio de Janeiro, 1818

Franz Joseph Frühbeck (Áustria 1795 — data de morte incerta, depois de 1830)

Gravura aquarelada

Há algum tempo quero escrever sobre as capas de livros publicados no Brasil.  Em primeiro lugar, gostaria de saber, porque é difícil encontrarmos o crédito [o nome do artista gráfico que fez a capa de um livro] das capas de livros por estas bandas?  Aliás, esta falta de informação não é de hoje: mesmo livros dos anos 40, 50, 60 do século passado que encontramos em sebos e que eram habitualmente ilustrados, muitas vezes  não têm a menção do autor (ou autores) das ilustrações.  Uma falta na ficha bibliográfica da obra.   Uma vergonha para a história da ilustração no Brasil, uma vergonha para editores que se diziam sérios.  Porque mesmo que as ilustrações usadas fossem compradas lá fora, deveríamos ter tido o direito, o acesso à informação de pelo menos os nomes dos ilustradores.

O livro ponto zero desta postagem foi lido em 2008, o charmoso Era no tempo do rei, de Ruy Castro, Alfaguara:2007, sucesso de vendas e, hoje, sucesso de dramaturgia depois de ter sido adaptado para o teatro.   Este foi um dos livros que o meu grupo de leitura mensal trouxe para discussão em março de 2008.  Entre as muitas observações que fizemos – que nos levaram de volta a deliciosos aspectos do Rio de Janeiro de 200 anos atrás — houve também a reclamação, entre nós, da falta de relação entre a capa e seu conteúdo.  Desde então tenho prestado mais atenção às capas dos livros que leio. 

— 

— 

Era no tempo do rei se passa no Rio de Janeiro, logo depois da chegada da família real ao Brasil.  Num artigo do jornal O Globo, de 17 de novembro de 2007, Suzana Velasco lembra que  “ A primeira imagem que Ruy Castro pensou para o romance Era no tempo do rei foi a dos meninos Pedro e Leonardo fugindo pelos Arcos da Carioca”.  Como a jornalista sublinha a ambientação desse romance é no Rio de Janeiro colonial.  E aí olhamos para capa do livro e o que vemos?  Será que vemos uma paisagem do Rio de Janeiro colonial, dentre as tantas a que temos acesso através dos pintores viajantes de diferentes países?  Não.  Será que temos um desenho moderno de uma representação do Rio de Janeiro com os arcos monumentais dominando a paisagem de então?  Não.  Será que teríamos uma ilustração de dois meninos perambulando pelas ruas de um Rio de Janeiro colonial, feita por algum ilustrador nosso, de hoje?  Não

 —

O ferrolho, 1778

Jean Honoré Fragonard ( França, 1732 – 1822)

Óleo sobre tela, 73 x 93 cm

Museu do Louvre, Paris

O que temos em mãos é um quadro francês, do século XVIII, pintura de gênero, de uma suposta aventura amorosa, picante.   Nem preciso dizer que a Alfaguara,  selo da Editora Objetiva, do Grupo Santillana, não se deu ao trabalho de identificar para o leitor curioso – como a maioria das editoras estrangeiras o fazem no verso da página de rosto —  que a capa do livro era um detalhe de uma obra de Fragonard que se encontra no Louvre.   Ironicamente no portal da Editora Objetiva encontramos o seguinte texto:  A Objetiva se consolidou ao longo dos anos 90, como uma das editoras de referência no segmento de livros de interesse geral. Publica escritores de qualidade, como Luis Fernando Verissimo, Tony Judt, Arnaldo Jabor e Harold Bloom, entre tantos outros, assim como o Dicionário Houaiss, o mais completo da língua portuguesa. Atua em vários segmentos e especialmente em história, biografia, política, comportamento, humor, reportagem, ensaio e referência.  Referência?   Onde estava a referência ao quadro em questão?

Este assunto rodopiou na minha cabeça por muito tempo: tenho muitas perguntas que não cessam sobre a falta do costume de informações corretas no Brasil e, até certo ponto, a falta de cuidado com o livro, com o leitor, com a curiosidade alheia, o que é certamente o papel de uma editora.  Mas há três semanas, por outros motivos, me encontrei com o livro Don Juan acorrentado, da escritora carioca Wanda Fabian, publicado oito anos antes de Era no tempo do rei, pela Editora Lacerda:1999, leia-se Nova Aguilar, que é parte da Nova Fronteira.   E pasmem: tem a mesma capa de Era no tempo do rei.  O mesmo detalhe, o mesmo corte de imagem!

 —

Agora a pergunta que não cala:  só este quadro de Fragonard tem permissão de ser usado por editoras brasileiras para livros de ficção histórica?  É claro que não.  Por que então este favoritismo?  Eu poderia assumir que é pura preguiça, acomodação, falta de respeito ao leitor, falta de conhecimento do mercado editorial…  Mas, lá atrás, no fundo das minhas desconfianças, há uma voz gritando:  tem a ver com direitos autorais.  Tem a ver com imagem em domínio público.  Mas será que O ferrolho, de Fragonard, é o único quadro conhecido pelos editores?  Será que é a única imagem em domínio público?  Talvez tenha a ver com a divisão de marketing dessas editoras?  Será que ambas as editoras contrataram a mesma companhia de marketing?  Ou foi o  mesmo estagiário?  A pessoa de uma só obra de arte?  Como se justifica isso?  Quem pode me responder?





Mais 45 tumbas egícias descobertas em Al Lahun

26 05 2010

 

Uma equipe de arqueólogos egípcios descobriu um conjunto de 45 túmulos que preservam suas múmias em bom estado e pertencentes a diferentes épocas faraônicas, na região de Al Fayoum, a 100km sudoeste do Cairo. O túmulos foram descobertos em um sítio arqueológico conhecido como Al Lahun onde está a pirâmide que é conhecida como Pirâmide de Al- Lahun ou Pirâmide de Sesostris  II, do período  de 1938 a 1630 aC.    No entanto, as pesquisas e descobertas feitas neste sítio arqueológico no século XXI mostram que este local foi também um importante centro num período ainda mais antigo da civilização egípcia  de 2925 a 2575 aC.

As 45 múmias encontradas  estão em ótimas condições e ainda preservam suas bandagens decoradas com passagens religiosas com cenas do Livro dos Mortos representando diversos deusas do antigo Egito:Horus, Hator, Knum e Amon .  Durante a excavação 4 cemitérios foram descobertos.  Os cemitérios relativos às primeira e segunda dinastias continham 14 tumbas, uma das quais estava ainda completamente intacta, com um sarcófago de madeira contendo uma múmia embrulada em linho.  Os outros dois cemitérios continham 31 tumbas na maioria pertencentes as XI e XII dinastias.

Além disso os arqueólogos encontraram os quatro cantos do templo do Rei Senusret II, quatro poços em que estavam uma grande coleção de cerâmicas.  No ano passado o mesmo grupo de arqueólogos trouxe à tona uma necrópolis com 53 tumbas excavadas na pedra.





Brasil que lê: fotografia tirada em lugar público

26 05 2010

Praia de Copacabana.  Domingo. Ressaca.  Sol de outono.  16 horas.  Hora de ler o jornal!




Dia dos Nerds… 25 de maio! Você é um deles?

25 05 2010

Pato Donald mostra seu computador ao Tio Patinhas, ilustração Walt Disney.

Hoje, dando um giro pela internet soube que é O DIA DOS NERDS.  Como fui lembrada pelo Keepgeek, a tradição colocou o Dia do Orgulho Nerd  para ser comemorado no dia 25 de Maio de 2006.  Nesta data, em 1977, foi exibida a primeira première de Star Wars.

Você sabe o que é um geek?  Geek é uma expressão idiomática da língua inglesa, uma gíria que define pessoas peculiares ou excêntricas obcecadas com tecnologia, eletrônica, jogos eletrônicos ou de tabuleiro e outros.

Para celebrar o dia de hoje coloco aqui, o alfabeto geek, — em inglês é claro.  Ele pode ser achado em muitos sites geeks na internet.

Tenho um carinho especial por geeks, pois conheço muitos e são grandes amigos.  Não que eu seja um deles.  Mas seria se tivesse nascido um pouquinho mais tarde….  Feliz Dia dos Geeks!  E lembrem-se não poderemos viver sem eles…





Conselhos a um escritor de ficção, várias opiniões — I

22 05 2010

 

Ilustração, Snoopy escreve seu romance, Charles M. Schulz.

No ano passado, foi lançado nos Estados Unidos um livro que se tornou líder de vendas:  10 rules of good writing [10 regras da boa escrita].  Recentemente , o autor deste sucesso  Elmore Leonard, foi lembrado pelo jornal The Guardian da Inglaterra, que repetiu um sumário dessas regras e pediu também a outros autores que listassem suas recomendações para a boa escrita.

Traduzo livremente o artigo.

Elmore Leonard

 

10 regras para se escrever bem:

1 –  Não comece o texto com o tempo.  Se for para criar uma atmosfera, e não uma reação do personagem ao tempo, você não deve se prolongar.  O leitor tenderá a ir em frente procurando por gente.  Há exceções.   Se você for Barry Lopez, que tem mais maneiras de descrever gelo e neve do que um esquimó, como no seu livro Artic Dreams [Sonhos do Ártico], você poderá fazer qualquer descrição de tempo que queira.  

2 – Nenhum extra: prólogo, introdução, prefácio.  Evite os prólogos: eles podem ser cansativos, especialmente se for um prólogo após uma introdução que vem depois de um prefácio.  Mas estes, em geral, só são encontrados em trabalhos de não-ficção.  O prólogo num romance é a história anterior e você pode inseri-la quando quiser.  Há um prólogo no livro de John Steinbeck Sweet Thursday, mas tudo bem, porque o personagem do livro justifica o que as minhas regras expõem.   Ele diz: “Gosto de muito diálogo num livro e não gosto de ter alguém me contando sobre a aparência do cara que está falando.  Eu quero imaginar a cara dele a partir da maneira como ele fala.”

3 – …disse.  [é o bastante!].  Use sempre o verbo “disse” para indicar o diálogo.  A sentença do diálogo pertence ao personagem; o verbo é uma interferência do escritor.  Mas “disse” é muito menos manipulador do que “murmurou”, “mentiu”, “aconselhou”, “suspirou”.  Lembro-me de uma vez em que Mary McCarthy acabou um diálogo com “ela asseverou” e tive que parar de ler para ir ao dicionário. 

4 –  Fora com os advérbios.   Nunca use um advérbio para modificar o verbo “disse”… ele sobriamente advertiu.  Para usar o advérbio dessa maneira ( ou em quase todas as maneiras) é um pecado mortal.  O escritor  se expõe ao usar uma palavra que distrai a atenção e que pode interromper o ritmo da troca de idéias.  Tenho um personagem em um de meus livros que explica como ela escrevia romances históricos; “cheios de estupros e advérbios”.

5 –  Pouquíssimos pontos de exclamação! Mantenha o número dos pontos de exclamação sob controle.   Só é permitido usar dois ou três por cada 100.000 palavras de prosa.  Se você tem  a habilidade de exclamações como a do escritor Tom Wolfe, você pode colocar muito mais.

6 – Corte os: de repente ou equivalentes de “tudo foi para as cucuias”.  Nunca use as expressões “De repente” ou “ e tudo foi para o brejo”.   Essa regra não precisa de explicações.  Já notei que escritores que usam “de repente” raramente têm controle sobre os pontos de exclamação.

7 – Evite dialetos regionais.  Use raramente dialetos regionais.  Quando você começar a escrever palavras foneticamente em um diálogo e encher as páginas com apóstrofes, você não vai conseguir parar.  Preste atenção, por exemplo, na maneira como Annie Proulx captura o sabor das vozes de Wyoming no seu livro de contos Close Range.

8 – Não detalhe os personagens. Evite as  descrições detalhadas dos personagens, Steinbeck notou isso.  No livro de Ernest Hemingway Hills Like White Elephants, como era a aparência da americana com ele?  “ Ela tinha tirado o chapéu e o pousara sobre a mesa. “   Este é o único traço de uma descrição física na história.

9 – Não perca tempo com paisagens.  Não descreva coisas e paisagens com  muitos detalhes, a não ser que você seja uma Maragaret Atwood e consiga pintar cenas com linguagem.  Você não deve interromper uma cena de ação, o movimento da história, não deve pará-la.

10 – Não escreva o que você não leria.  Tente deixar de lado as partes que os leitores pularão.  Pense no que você pula quando lê um romance: longos parágrafos de prosa que você vê que têm palavras demais no seu conteúdo. 

A regra mais importante, que contém todas as outras 10:  se soa como prosa, re-escreva.

Mas quem é Elmore Leonard para dar conselhos?

Ele é um escritor que começou sua carreira escrevendo faroeste.  Depois voltou sua atenção para a ficção detetivesca: crime e mistério.   Ele é um escritor dos mais prolíficos.   Já escreveu mais de 30 romances, a maioria deles grandes sucessos de vendas.  É um escritor que é levado a sério  pelo mundo literário.  Elmore Leonard nasceu em Nova Orleans, Louisiana (EUA), em 1925.  Muitos de seus romances foram adaptados para o cinema.  Também é roteirista e redator de publicidade. Tornou-se conhecido a partir dos anos 80, quando chamou a atenção da crítica e do público. Sua obra recebeu diversas premiações, entre elas o Grand Master Award da associação Mystery Writers, concedido apenas aos autores cujo conjunto de suas publicações deu contribuição significativa para o desenvolvimento do gênero. Ele tem seis livros publicados pela Rocco, entre eles Ponche de rum, que inspirou ao cineasta Quentin Tarantino o filme Jackie Brown. Os outros são: Maximum Bob, Pronto, Cárcere privado, Irresistível paixão e Cuba Libre.

Pascoal, sobrinho do Professor Pardal, escrevendo uma carta, ilustração Walt Disney. 

Diana Athill

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Nascida em 1917, Diana foi funcionária da BBC na Segunda Guerra. Em sua longa carreira de editora trabalhou com autores do calibre de Elias Canetti, Philip Roth e John Updike, ajudando André Deutsch a consolidar a empresa que levava seu nome, uma das mais prestigiosas casas editoriais de seu país.

1 – Leia em voz alta para você mesmo.  Esta é a única maneira de saber se o ritmo das frases está certo.

2 – Corte ( talvez isso devesse ser CORTE):  só as palavras essenciais contam.

3 –  Você não precisa acabar com as suas frases favoritas, mas aquelas que lhe são muito caras, aquelas das quais você está orgulhoso, volte a lê-las.  Invariavelmente seu texto ficará melhor sem elas.

Margaret Atwood

 

Margaret Atwood é canadense.  Publicou seu primeiro livro aos 22 anos. Hoje, sua extensa e diversificada bibliografia conta com mais de 30 títulos, entre romances, coletâneas de contos, poesias, livros infantis e textos não-ficcionais. Sua vasta experiência inclui também roteiros para rádio e televisão. Traduzida para dezenas de idiomas, sua obra já lhe rendeu prêmios como o Booker Prize, recebido no ano 2000 pelo romance O assassino cego. A autora ostenta títulos honorários de mais de dez universidades e já teve um livro adaptado para o cinema.

1 – Para escrever num avião leve um lápis.  Canetas vasam.  Mas se o lápis quebra, você não pode apontá-lo, porque não pode levar o apontador dentro do avião.  Então, leve dois lápis.

2 – Se ambos os lápis quebrarem, você poderá afiar  a ponta, numa emergência,  com uma lixa de unhas.

3 – Leve algum material em que escrever.  Papel seria bom.  Numa emergência pedaços de madeira ou seu próprio braço servem.

4 – Se você usa um computador, sempre proteja o seu novo texto com um pen drive.

5 – Faça exercícios para as costas.  Dores tiram a atenção.

6 – Mantenha a atenção do leitor.  (Isso fluirá melhor se você conseguir manter a sua própria atenção).  Mas você não conhece o leitor, então é como caçar com uma única bala no escuro.  O que fascina A certamente aborrecerá B.

7 – Provavelmente você precisará de um bom dicionário, de uma gramática elementar e de uma boa dose de realidade.  Isso quer dizer:  nada é de graça.  Escrever é trabalho duro.  Também é uma aposta.  Você não tem plano de aposentadoria.  Outras pessoas podem lhe ajudar um pouco, mas – basicamente você estará sozinho, por si só.  Ninguém o está forçando a fazer isso:  é sua escolha, não reclame.

8 – Você jamais poderá ler seu próprio livro com a ingênua antecipação com que lê a primeira página de um novo livro, porque você o escreveu.  Você conhece os bastidores; viu como os coelhos foram escondidos dentro do chapéu.   Então, peça a um ou dois amigos para lerem o texto antes que você o envie para uma editora.  Esse amigo não deve ser alguém com quem você mantém um relacionamento amoroso, a não ser que vocês queiram se separar.  

9 – Não se sente no meio da floresta.  Se você se perder no enredo ou se tiver um bloqueio, volte nos seus passos at onde você se perdeu.  Aí, pegue a  outra estrada.  E/ou mude de personagem.  Mude o tempo verbal.  Mude a primeira página.

10 – Uma oração pode funcionar.  Ou ler uma outra coisa.  Ou visualizar ininterruptamente o Santo Graal que é o final, a versão publicada e esplendorosa do seu livro.

Ilustração Pato Donald escritor,  Walt Disney.

Roddy Doyle

 

Roddy Doyle nasceu em Dublin, Irlanda, em 1958. Escreveu diversos romances, muitos  adaptados para o cinema. Também foi ganhador do Man-Booker Prize, em 1993. O autor também escreve roteiros e scripts para o cinema. Mora em Dublin.

1 – Não coloque a foto de seu escritor favorito na sua mesa de trabalho, principalmente se ele for um daqueles famosos que se suicidou.

2 – Seja generoso consigo mesmo.  Preencha páginas o mais rápido possível; espaço duplo, ou escreva pulando uma linha.  Veja cada nova página como um pequeno triunfo.

3 – Até que você chegue à página 50.  Aí acalme-se, e comece a se preocupar com a qualidade.  Sinta a ansiedade, ela faz parte do trabalho.

4 – Dê um nome ao seu livro o mais rápido possível.  Tome posse dele, visualize-o.  Dickens sabia que Bleak House se chamaria assim antes de começar a escrevê-lo.  O resto deve ter sido mais fácil. 

5 – Restrinja suas visitas a uns poucos portais na internet, por dia.  Não procure por livros na rede, a não ser que seja para pesquisa.

6 – Mantenha próximo um dicionário, mas guarde-o no junto coma as ferramentas do jardim ou atrás da geladeira, em algum lugar que você precise fazer um esforço para consultá-lo.  Provavelmente as palavras que lhe vêem à cabeça serão adequadas, como “cavalo”, “correr”, “disse”.

7 – Vez por outra seja seduzido.  Lave o chão da cozinha, pendure as roupas lavadas.  É pesquisa.

8 – Mude de idéia.  Boas idéias em geral são assassinadas por melhores idéias.  Eu estva escrevendo um romance sobre um grupo chamado  The Partitions.  Aí decidi chamá-los The Commitments. [NT: Ele se refere ao seu grande sucesso nas telas do cinema, ao filme que, no Brasil, levou o título Loucos pela Fama.]

9 –  Não procure pelo livro que você ainda não escreveu na Amazon.com.

10 – Gaste alguns minutos por dia trabalhando no blog do seu livro, mas depois volte ao trabalho.

Helen Dunmore

 

Helen Dunmore é uma poetisa inglesa, romancista e escritora de livros infanto-juvenis.  Ganhou já diversos prêmios de ficção entre eles o Orange Prize.  Alguns de seus livros infanto-juvenis são hoje em dia adotados nas escolas britânicas.  Ela mora em Bristol.

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1 – Acabe cada dia de escrita enquanto você ainda quer continuar a escrever.

2 – Ouça o que você escreveu.  Um erro no ritmo de um diálogo pode mostrar que você ainda não entende seus personagens tão bem quanto o necessário para transcrever suas vozes.

3 – Leia as cartas de Keats.

4 – Releia, re-escreva, releia, re-escreva.  Se o texto ainda não estiver certo jogue-o fora.  Vai se sentir bem, e você não quer ficar cheio de poemas mortos e histórias que tem tudo neles menos a vida de que precisam.

5 – Memorize seus poemas.

6 – Torne-se membro das organizações profissionais que contribuem para os direitos dos autores.

7 —  Um problema de texto com freqüência é resolvido se você sai para uma longa caminhada.

8 —  Se você acha que tomar conta das crianças e da casa vão estragar a sua escrita lembre-se do escritor J.G. Ballard.

9 – Não se preocupe com a posteridade. Como Larkin observou “ o que sobreviverá de nós é o amor”.

Ilustração Walt Disney, Nestor e Peninha conversam sobre um livro.

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Geoff Dyer

 

Geoff Dyer nasceu em Cheltenham, Inglaterra, em 1958, e estudou em Oxford. É autor de três romances, de diversos livros de não-ficção, e escreve artigos para publicações como The Guardian, The Independent, New Statesman e Esquire.

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1 – Nunca se preocupe com as possibilidades comerciais do seu projeto.  Isso é ou não preocupação  para os agentes e editores.   Conversa com meu agente americano.  Eu: “ Estou escrevendo um livro tão chato, com possibilidades comerciais tão pequenas, que se você publicá-lo provavelmente vai perder o seu emprego.”  Agente:  “É exatamente isso que me faz querer manter o meu emprego.”

2 – Não escreva em lugares públicos.  No início dos anos 90 fui morar em Paris.  Pelas razões conhecidas pelos escritores:  naquela época se você fosse apanhado escrevendo num bar na Inglaterra, você poderia ter apanhado, enquanto em Paris, nos cafés…  desde então tenho aversão a escrever em público.  Hoje acredito que deva ser feito só em casa, como qualquer outra atividade de limpeza.

3 – Não se torne um daqueles escritoires que se limitam a passer a vida inteira bajulando Nabokov.

4 – Se você usa um computador, faça melhorias, estabeleça novos parâmetros nas correções automáticas.  A única razão de permanecer file ao meu pobre computador é que eu já investi tanta imaginação nele, construindo uma das melhores pastas de auto-correção da história literária.   Palavras perfeitamente soletradas aparecem com apenas algumas poucas teclas:  “Niet” se transforma em “Nietzsche”, “phoy” se torna “photography”  e assim por diante.  Genial!

5  — Mantenha um diário.  Um dos meus maiores arrependimentos é de nunca ter mantido um diário.

6 – Tenha alguns arrependimentos.  Eles são energia.  Na página eles se transformam em desejos.

7 – Trabalhe mais de uma idéia ao mesmo tempo.  Se tiver que fazer uma escolha entre escrever um livro e não fazer nada eu sempre escolherei a última opção.  Só se eu tenho uma idéia para dois livros é que eu escolho trabalhar num ao invés do outro.  Tenho sempre que me sentir como escapando de algum projeto.

8 – Tome cuidado com os clichês.  Não só os clichês com que Martin Amis está sempre brigando.  Há respostas que são clichés, assim como expressões.  Há clichês de observação e de pensamento – até mesmo de conceito.   Muitos romances, até mesmo alguns razoavelmente bem escritos, têm clichês no formato assim como clichês nas expectativas.

9 – Escreva todos os dias.  Crie o hábito de colocar suas observações em palavras e gradualmente isso se tornará instintivo.  Essa é a regras mais importante de todas e eu, naturalmente, não a sigo.

10 – Nunca ande numa bicicleta sem freios.  Se alguma coisa se mostra muito difícil, desista e faça alguma outra coisa.  Tente viver sem ter que se submeter à perseverança.  Mas para escrever tudo é perseverança.  Você tem que insistir.  Quando eu estava com uns 30 anos eu ia malhar, apesar de detestar fazer isso.  A intenção era pospor o dia em que eu iria parar de ir.  É isso o que escrever é para mim:  uma maneira de pospor o dia em que eu não o farei mais, o dia em eu entrarei numa depressão tão profunda que será indistinguível da felicidade total.

Anne Enright

 

Anne Enright (1962, Dublin, Irlanda) arrematou o Man Booker Prize de 2007 com o romance O Encontro, um mergulho no passado de uma família disfuncional. Atualmente é crítica de Literatura do Guardian.  Teve seus textos publicados nas revistas New Yorker, Granta e London Review of Books. Os recônditos da vida familiar, tema central de suas obras, são explorados em linguagem inventiva.

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1 – Os primeiros 12 anos são os piores.

2 – A maneira de escrever um livro é na verdade escrever um livro.  Uma caneta é útil, bater à máquina também.   Esteja sempre colocando palavras na página.

3 – Só os escritores ruins pensam que seu trabalho é realmente bom.

4 – Descrições são difíceis.  Lembre-se de que toda descrição é uma opinião sobre o mundo.  Acha o seu ponto de vista.

5 – Escreva o que quiser.  Ficção é feita de palavras numa página; realidade é feita de outra coisa.  Não importa o quão a sua história é “real”, ou quanto é “inventada”:  o que importa é a sua necessidade.

6 – Tente ser preciso sobre as coisas.

7 – Imagine-se morrendo.  Se você tivesse uma doença incurável você acabaria o seu livro?  Por que não?  O que aborrece nesta vida de 10 semanas de sobrevivência é o que está errado como seu livro.   Mude.  Pare de argumentar com você mesmo.   Mude. Vê?  É fácil.  E ninguém precisou  morrer.    

8 – Você também pode fazer tudo isso com uísque.

9 – Divirta-se.

10 – Lembre-se, se você se sentar  à sua mesa de trabalho por 15 ou 20 anos, todos os dias, sem contar os fins de semana, isso mudará algo em você.  Simplesmente acontece.  Pode mudar a sua disposição, mas consolida outra coisa.  Faz você ficar mais livre.

Ilustração: Margarida escreve em seu diário, Walt Disney.

Richard Ford

 

Richard Ford é um escritor americano, romancista e contista, vencedor do Pulitzer Prize.  Alguns de seus livros já foram passados para o cinema com grande sucesso.

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1 – Case-se com alguém que você ame e que ache que você ser escritor é uma idéia maravilhosa. 

2 – Não tenha filhos.

3 – Não leia críticas.

4 – Não escreva críticas ( seu julgamento é sempre preconceituoso).

5 – Não tenha discussões com sua mulher de manhã ou tarde da noite.

6 – Não beba e escreva ao mesmo tempo.

7 – Não escreva cartas para o editor ( ninguém está interessado).

8 – Não deseje mal aos seus colegas.

9 – Pense que a sorte dos outros é um bom encorajamento para você.

10 – Se possível, não deixe ninguém lhe encher o saco.

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Jonathan Franzen

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Nasceu em Western Springs, Illinois, em 1959.  Colabora com as revistas The New Yorker e Harper’s. Foi eleito pela revista literária Granta um dos vinte melhores jovens romancistas americanos. Polêmico, recusou-se a ir ao talk show de Oprah Winfrey, um dos programas de TV de maior audiência dos Estados Unidos, para divulgar o romance As correções.

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1 – O leitor é um amigo, não é um adversário, nem um espectador.

2 —  Ficção que não é a aventura pessoal de um autor num mundo desconhecido ou perigoso não vale a pena ser escrita, só vale a pena ser escrita por dinheiro.

3 – Nunca use a palavra “então” como conjunção – temos “e” para essa função.  Substituir “então” é uma maneira preguiçosa, para um autor sem ouvido, para o problema de “e” demais numa página.

4 – Escreva na Terceira pessoa a não ser que você tenha um primeira voz muito distinta e que se ofereça sedutoramente.

5 —  Quando uma informação se torna gratuita e accessível universalmente, a pesquisa volumosa para um romance se torna tão sem valor quanto a informação.

6 – A mais pura ficção autobiográfica requer pura invenção.  Ninguém escreveu uma história mais autobiográfica do que “ A Metamorfose”.

7 – Você vê mais se sentando imóvel do que indo atrás.

8 –  É duvidoso que qualquer pessoa com uma conexão à internet na sua área de trabalho esteja escrevendo boa ficção.

9 – Verbos interessantes raramente são muito interessantes.

10 – Você precisa amar antes de ser implacável.

Ilustração: Mickey tenta escrever, Walt Disney.

Esther Freud

 

Nasceu em Londres em 1963, filha do pintor Lucien Freud e bisneta de Sigmund Freud.  Foi atriz antes de se dedicar à literatura.

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1 – Corte as metáforas e símiles.  No meu primeiro livro prometi a mim mesma que não iria usar qualquer uma delas – mas eu me quebrei a promessa – durante um por de sol no capítulo 11.  Ainda enrubesço quando leio essa passagem.

2 – Uma história precisa de ritmo.  Leia em voz alta para você mesmo, se não parece mágico há algo que está faltando.

3 – Editar é tudo.  Corte até que você não possa cortar mais.  O que resta em geral ganha vida.

4 – Ache a melhor hora do dia para escrever e escreva.  Não deixe qualquer outra coisa interferir.  Depois não fará a menor diferença se a sua cozinha está bagunçada. 

5 – Não espere pela inspiração.  Disciplina é o segredo.

6 – Confie no seu leitor.  Não precisa explicar tudo.  Se você sabe alguma coisa e se colocou vida nisso, os leitores também saberão.

7 – Não se esqueça até mesmo suas regras foram feitas para serem quebradas.

Neil Gaiman

 

Neil Gaiman é um autor inglês, de romances e quadrinhos que escolheu viver nos Estados Unidos, em Minneapolis.  É internacionalmente conhecido como roteirista por seu trabalho na série Sandman.  Gaiman não se fixou nos quadrinhos, também escreve roteiros para séries televisivas e atualmente vem se dedicando à carreira literária. 

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1 – Escreva.

2 –  Coloque uma palavra atrás da outra.  Ache a palavra certa, escreva-a.

3 —  Acabe o que você está escrevendo.  Não importa o que seja necessário, chegue ao fim.

4 – Ponha o que escreveu de lado.  Leia como se não tivesse nunca lido antes.  Mostre aos amigos cujas opiniões você respeita e que gostam do tipo de ficção que você escreve.

5 – Lembre-se:  quando alguém diz que há alguma coisa errada ou que não se entusiamaram, eles estão quase sempre certos.  Quando eles dizem a você exatamente o que está errado e mostram como consertar, eles estão quase sempre errados.

6 – Conserte o texto.  Lembre-se de que, mais cedo ou mais tarde, antes de chegar à perfeição, você terá que deixar o texto ir embora e continuar a sua vida, começar a escrever seu próximo texto.  Perfeição é como querer caçar o horizonte.   Vá em frente.

7 – Ria-se de suas próprias piadas.

8 – A principal regra da escrita é que se você faz isso com bastante segurança e confiança, você tem permissão de fazer o que quiser.  (Esta talvez seja uma regra para vida assim como para a escrita.  Mas é verdadeira para a escrita).  Então, escreva sua história como ela precisa ser escrita.  Escreva com honestidade e conte-a da melhor forma possível.  Não sei se há qualquer outra regra.  Nenhuma que seja importante.

Ilustração, Chico Bento estuda ao som de música, Maurício de Sousa.

David Hare

 

Dramaturgo e argumentista inglês, nascido em 1947, em St. Leonards, no Sussex.

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1 – Escreva só quando tiver alguma coisa para dizer.

2 – Nunca siga os conselhos de pessoas para quem o resultado não tem importância.

3 – Estilo é a arte de sair do caminho e não de se colocar nele.

4 – Se ninguém encenar a sua peça, encene você mesmo.  

5 – Piadas são como os pés e as mãos de um pintor.  Talvez não seja o que você pretenda fazer, mas você tem que saber fazê-las no caminho.

6 – O teatro pertence primeiramente ao jovem.

7 – Ninguém chega a consitencia sendo um dramaturgo.

8 —  Nunca vá a um festival de pessoas da TV com pretensões de festival literário.

9 – Nunca reclame de não ser compreendido.  Você escolhe se quer ser compreendido ou não.

10 – As duas palavras mais deprimentes na língua inglesa são: “ficção literária”.

PD James

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Phyllis Dorothy James, OBE, nasceu em Oxford, Inglaterra.  É a Baronesa James de Holland Park, membro da House of Lords (Câmara dos Lordes) e uma escritora britânica de ficção policial que usa o nome P. D. James ao assinar as suas obras.   É reconhecida como uma das escritoras que mais influenciaram o género literário do romance de mistério, sendo especialmente notável a forma como caracteriza as suas personagens e a sua habilidade em construir atmosferas cheias de detalhes.

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1 – Aumente o seu poder com as palavras.  Palavras  são a matéria prima da sua arte.  Quanto maior o seu vocabulário mais efetiva a sua escrita. 

2 – Leia amplamente e com discriminação.   Má escrita é contagiante.

3 – Não só planeje escrever – escreva!  É só escrevendo, e não sonhando a respeito, que você poderá desenvolver o seu próprio estilo.

4 – Escreva aquilo que você precisa escrever, e não o que está na moda no momento, ou  o que você acha que será vendável.

5 – Abra a sua mente para novas experiências, particularmente para o estudo das pessoas.  Nada que acontece com um escritor – feliz ou trágico – é desperdiçado.

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Filhotes fofos: girafinha alemã

20 05 2010

Foto:  AFP

O zoológico de Nurenberg, na Alemanha, apresentou nesta terça-feira o filhote de girafa Carlo, nascido no dia 8 de abril no parque.  O pequeno Carlo deu seus primeiros passos ao lado dos pais no cercado reservado às girafas. Desajeitado, ele foi acompanhado pelo público presente que aguardava a aparição do animal.

Fonte: Terra