Resenha: “As irmãs Makioka” de Jun’ishiro Tanizaki

27 01 2017

 

 

osakaO Castelo de Osaka, 1967

Yuzaburo Kawanishi (Japão, 1923)

xilogravura policromada

 

 

 

O ritmo, a saga de As Irmãs Makioka me lembraram Eça de Queiroz. Talvez seja por isso que desde o início me senti inclinada a gostar da obra de Jun’sihiro Tanizaki, sem levar em conta as mais de 700 páginas da edição brasileira.  O ritmo é lento. O texto se move como as estações do ano, vagarosamente, cada passagem de tempo uma atividade, novo enfoque, nova oportunidade.  Esperança. O universo é retratado nos detalhes, nas minúcias do cotidiano.  E são os pormenores da vida que nos dão a medida certa da sociedade que as produziu.

Considerado uma obra clássica da literatura japonesa, esse livro retrata o período em que o Japão esteve em guerra com a China até sua aproximação à Alemanha de Hitler.  No entanto, a julgar pelo descrito neste livro, no interior montanhoso do país, as guerras quase não tiveram impacto.  Os ecos das batalhas são longínquos e não arrepiam as penas dos pássaros nos jardins.  As irmãs Makioka retrata quatro anos (1936-1941) na vida de quatro irmãs vindas de uma família tradicional, de abastados comerciantes, que perdeu a influência financeira e social. Elas tentam manter, cada qual à sua maneira, as tradições familiares de classe e dinheiro, no entanto, os resultados são modestos e diferem para cada uma delas.  O Japão está no seu momento mais intenso de ocidentalização antes da segunda metade do século XX. E essa mudança de hábitos, de roupas, de maneiras de pensar está presente no dia a dia das irmãs.

 

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No antigo Japão – e francamente não sei como é agora – irmãs haveriam de casar na ordem em que nasceram. Essa regra, mantida pelas Makiokas, é o fio da trama.  Na abertura, a primeira filha é casada com seis filhos, a segunda, casada com uma filha, a mais jovem, rebelde, desafiadora do status quo já está comprometida para casar, mas a terceira , não consegue um marido à altura, está ficando velha demais para um bom casamento e empaca a vida da mais nova.  A solução desse problema segura a narrativa de início ao fim.  Cada uma das irmãs é detalhadamente descrita, não há como confundirmos seus nomes.  Como  é um romance movido pelo personagens, com muito pouca ação, o conhecimento profundo de cada elemento é essencial.

A vida não para porque Yukiko não consegue casar.  Vez por outra aparece um pretendente. Nesse meio tempo há eventos do cotidiano: crianças crescendo, doenças, passeios em família, mudança de endereço e assim por diante.Aos poucos temos uma visão precisa de como era a vida antes da Segunda Guerra Mundial. Li esse livro nas férias, em três semanas.  Aproveitei o tempo letárgico do verão quente para parar a cada capítulo (eles são pequenos) e procurar na internet imagens do Festival das Cerejeiras, do Dia das Meninas, a distância entre Osaka e Tóquio para entender o trauma de uma mudança de lá para cá. Procurei fotos de glicínias e outras flores mencionadas.  Fui atrás de explicações para as partes de um quimono, assim como os rituais mencionados. Tive por causa disso outros meios de apreciar a leitura. Enfim, tive o luxo de poder dar tempo à narrativa, deixá-la criar raízes.

 

 

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Jun’shiro Tanizaki

 

 

Esse é um belíssimo livro, retrato de uma época.  Foi escrito durante os anos da guerra entre o Japão e a China e publicado em 1948.  Tem sido desde então considerado uma obra-prima da literatura japonesa do século XX.  É fácil entender a razão: é a saga de uma família para sobreviver num mundo que muda rapidamente.  Durante a narrativa o Japão comemora 2.600 anos de existência.  Muitos dos rituais da corte e da sociedade japonesa ainda preserva antigos hábitos em descompasso com a ocidentalização, que já vinha se estabelecendo na terra do sol nascente desde o século XVIII através do comércio com a Holanda. O que se testemunha na leitura é um adeus às velhas maneiras.  Algo que não acontece de repente, não até perder a Segunda Guerra Mundial e ser ocupado pelas forças aliadas de reconstrução de 1945 a 1952.

Definitivamente essa leitura é um requisito para o leitor interessado da grande literatura e naquela produzida pelo Japão.

 

 

 

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Parabéns, São Paulo!

25 01 2017

 

 

carlos-eduardo-zornoffbrasil-1959-vista-da-av-paulista-2014-ost-70-x-100-galeria-mmVista da Avenida Paulista, 2014

Carlos Eduardo Zornoff (Brasil, 1959)

óleo sobre tela, 70 x 100 cm





Hoje é dia de feira: frutas e legumes frescos!

25 01 2017

 

 

jose-marques-campao-1892-1949-natureza-morta-com-abacaxi-ost-24-x-31-acie-galeria-saint-tropez-07-08Natureza morta com abacaxi

José Marques Campão (Brasil, 1892-1949)

óleo sobre tela, 24 x 31 cm





Trova dos tons de cinza

24 01 2017

 

arte-artista-rpof-pardal-lampadinha-pintura-arte-abstrataProfessor Pardal quer ser pintor, ©Walt Disney.

 

Não deixe que maus momentos

ofusquem seus ideais.

Sobre “velhos” tons cinzentos,

“novas” cores brilham mais.
(Wandira Fagundes Queiroz)

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Imagem de leitura — Henriette Browne

23 01 2017

 

 

 

henriette-browne-franca-1829-1901-a-leitura-da-biblia-1857A leitura da Bíblia, 1857

Henriette Browne (França, 1829-1901)

óleo sobre tela

Coleção da Galeria de Arte da Christchurch, Te Puna o Waiwhetu, Nova Zelândia





Flores para um sábado perfeito!

21 01 2017

 

 

 

solange-palatinik-1995-vaso-de-flores-acrilico-sobre-tela-40-x-30-cmVaso de flores, 1995

Solange Palatnik (Brasl, contemporânea)

acrílica sobre tela,  40 x 30 cm





Palavras para lembrar: Adélia Prado

20 01 2017

frank-o-salisbury-inglaterra-1874-1962jardins-de-encantamento-ostJardins de encantamento

Frank O. Salisbury (Inglaterra, 1874-1962)

óleo sobre tela

 

 

“O livro faz parte da casa, da comida, da experiência, da maternidade, do cotidiano.”

 

 

Adélia Prado

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Rio de Janeiro, minha cidade natal!

20 01 2017

 

 

alan-carlson-paisagem-carioca-ost-med-46-x-61-cmPaisagem carioca

Alan Carlson (Brasil, 1950)

óleo sobre tela, 46 x 61 cm





20 de janeiro, dia do padroeiro!

20 01 2017

 

 

alberto-da-veiga-guignard-sao-sebastiao-oleo-sobre-madeira-medindo-19-x-24São Sebastião

Alberto da Veiga Guignard (Brasil, 1896 – 1962)

óleo sobre madeira,  19 x 24 cm





Imagem de leitura — Konstantin Makovsky

19 01 2017

 

 

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Moça lendo

Konstantin Makovsky (Rússia, 1839 – 1915)

óleo sobre tela