Vaso com flores, 2013
Cássio Antunes (Brasil, contemporâneo)
óleo sobre tela, 40 x 50 cm
Vaso com flores, 2013
Cássio Antunes (Brasil, contemporâneo)
óleo sobre tela, 40 x 50 cm
Rio de Janeiro, década de 1950
Manabu Mabe (Japão/Brasil, 1924-1997)
óleo sobre chapa, 38 x 46 cm
Bolsa militar, c. 800-20
Couro
Museu Nacional da Hungria, Budapeste
Os magiares das estepes da Europa do Leste, invadiram a Itália no século IX, antes de se estabelecerem na Hungria. Aqui temos um ‘sabretache‘ ou bolsa militar usada na cintura dos oficiais da cavalaria, do início do século IX.
Paisagem rural, 1939
Archimedes Dutra (Brasil, 1908-1983 )
óleo sobre madeira, 22 x 26 cm
Vaso com flores
Sylvio Pinto (Brasil, 1918-1997)
óleo sobre tela, 106 x 127 cm
Menino lendo, c. 1969
Louay Kayyali (Síria, 1934-1978)
óleo sobre tela, 95 x 75 cm

Vinícius de Moraes
Onde vais, elefantinho,
correndo pelo caminho,
assim tão desconsolado?
Andas perdido, bichinho,
espetaste o pé no espinho,
que sentes, pobre coitado?
— Estou com um medo danado
encontrei um passarinho.
Em: O mundo da criança, vol. 1: poemas e rimas, Rio de Janeiro, Editora Delta: 1971, p. 61.
Em:
Margem do Rio Piracicaba, 1941
Álvaro Paulo Sêga (Brasil, 1917 -1991)
óleo sobre tela
Iluminada
Cláudio Dantas (Brasil, 1959)
óleo sobre tela, 70 x 100 cm
Leio hoje de Tahar Ben Jelloun , o livro Partir. Trata-se de um autor francês de origem marroquina. Dele já li O último amigo uma pequena joia literária um quase um conto. Como há tempos me interesso sobre a questão de imigração, escolhi ler Partir, publicado no Brasil em 2007 pela Bertrand Brasil, cujo tema é justamente o desejo de emigrar para lugares onde se possa viver com decência.
A situação econômica, social e política no Rio de Janeiro tem feito muitos de meus conhecidos emigrarem: Portugal, EUA, Espanha, Israel são alguns dos países de preferência. Reconheço que a ideia já passou por mim, mas acho que ainda tem jeito, que não é hora de desamarrar o barco. A decisão pode até ser mais fácil para quem, como eu, viveu a maior parte da vida adulta fora do Brasil, mas é sempre complexa. Por isso mesmo emigração, ser imigrante em terra alheia, a questão da identidade cultural são todos temas ricos e importantes para mim.
Mas eu não contava, ao ler sobre o Marrocos, de me encontrar diante de um espelho do Brasil. Já logo entre a primeiras 30 páginas, vi detalhadas cenas da realidade marroquina, que levam o personagem principal a tentar emigrar. Elas parecem descrever o Brasil. Aqui duas passagens nas páginas 23 e 24.
“Os partidos políticos lamentavelmente fracassaram, não souberam ouvir o que lhes dizia o povo.Eles passaram ao largo disso. Tenho raiva principalmente dos socialistas, que acreditaram numa mudança do governo, que jogaram o jogo do poder e nada fizeram para que a coisa mudasse.”
“É intolerável que um doente que se dirige aos hospitais do Estado seja abandonado porque o hospital está sem recursos. É por isso que intervimos concretamente nos lugares onde o Estado é falho. Nossa solidariedade não é seletiva. É preciso que este país seja salvo; está com comprometimento demais, corrupção demais, injustiça demais e desigualdades. Não pretendo resolver todos os problemas, mas não fazemos outra coisa senão ficarmos de braços cruzados esperando que o governo se ponha a serviço dos cidadãos.”
Em: Partir, Tahar Ben Jelloun, Bertrand Brasil: 2007, página, 23- 24
Não quero com isso imaginar que tenho que aceitar essa realidade porque não há solução, porque é assim em qualquer lugar do mundo. Ao contrário, conheço países em melhores condições e imagino que seria mais fácil para o Brasil chegar aos níveis de desenvolvimento que já presenciei do que o Marrocos, não querendo desmerecer o país africano.
Mas, começo a entender melhor o retrato psicológico de meus amigos que abandonaram o país, e também o retrato dos temores e incertezas que acompanharam meus antepassados, um avô e 3 bisavós ao saírem de suas terras natais, procurando melhores portos onde seus descendentes pudessem viver melhor que eles mesmos.
Esse é um dos encantos da literatura. Ela nos faz pensar. Reconhecer nossos problemas pessoais ou sociais. E é possível que até nos ajude a encontrar soluções. No momento, este livro me faz pensar sobre o futuro dos meus familiares.
Jardim Botânico, 1949
Carlos Chambelland (Brasil, 1884-1950)
óleo sobre tela, 33 x 41 cm