Esse punhado de ossos, poesia de Ivan Junqueira

5 01 2023

De longe, próximo, 1937

[From the Faraway, Nearby]

Georgia O’ Keefe (EUA, 1887-1986)

óleo sobre tela, 91 x 101 cm

Metropolitan Museum

Esse punhado  de ossos

 

Ivan Junqueira

 

Esse punhado de ossos que, na areia,

alveja e estala à luz do sol a pino

moveu-se outrora,  esguio e bailarino,

como se move o sangue numa veia.

Moveu-se em vão, talvez, porque o destino

lhe foi hostil e, astuto, em sua teia

bebeu-lhe o vinho e devorou-lhe à ceia

o que havia de raro e de mais fino.

Foram damas tais ossos, foram reis,

e príncipes e bispos e donzelas,

mas todos a morte apenas fez

a tábua rasa do asco e das mazelas.

E ali, na areia anônima, eles moram.

Ninguém os escuta. Os ossos não choram.

 

Em: O Tempo além do Tempo, Ivan Junqueira, organização e prefácio de Arnaldo Saraiva, Editora Quasi, Vila Nova do Farmalicão: 2007, p, 108





Flores para um sábado perfeito!

30 12 2022

Vaso com flor (Bico de papagaio) 1985

Alice Brill (Alemanha-Brasil, 1920 – 2013)

óleo sobre tela, 40 x 30 cm

NOTA:  O bico-de-papagaio, ou poinsétia, ligado no hemisfério norte às festas de fim de ano, natural do México, tem flores muito pequenas, que ficam no centro das folhas modificadas.  As partes vermelhas são folhas modificadas que rodeiam as pequeníssimas flores no centro.  Aqui no Brasil as folhas modificadas, vermelhas, aparecem no inverno, ou seja de junho a agosto.





Mãe, poesia de Abel Silva

20 12 2022

 

 

COLETE PUJOL (São Paulo, 1913 -1999) Dona do Lar. Óleo s tela. Ass. cie e datado de 1944. 46 x 38 cmDona do Lar, 1944

Colette Pujol (Brasil, 1913 -1999)

óleo s tela,  46 x 38 cm

 

Mãe

 

Abel Silva

 

E então começou a acontecer comigo

de encontrar a todo instante minha mãe.

Passo na fila da carne

lá está ela esperando a vez

chego comovido e irritado

vou tocar-lhe o ombro e dizer

bobagem, mãe!

pede a carne pelo telefone

mas logo percebo o engano me afasto

e a senhora desconhecida

ganha mais um metro na direção do balcão.

No táxi

vou gritar ao motorista que pare

minha mãe está na esquina sob o sol

não há dúvidas é ela

se protegendo da chuva sob a marquise

perplexa no arrastão ondeante de corpos esguios

perigosamente lenta na correnteza de meninos sem mãe

subitamente estrangeira

(minha mãe tão brasileira!)

sob códigos confusos

minha mãe nas mulheres entrevistadas pela TV

reclamando dos preços absurdos de tudo

nos bancos da rodoviária

na fila dos aposentados

minha mãe se multiplicando pelas ruas de minha cidade

onde carrego meu buquê de esperanças devastadas e sonhos implodidos

um mil séculos-luz longe do ninho

do ponto obscuro

uterino

de que hoje sou futuro.

 

Em: Mundo delirante: poesias, Abel Silva, Rio de Janeiro, Europa: 1990, p. 88

 





Nossas cidades: Santana de Parnaíba

20 12 2022

Santana de Parnaíba, 2008

Márcio Schiaz (Brasil, 1965)

óleo sobre tela, 49 x 39 cm





Nossas cidades: Aparecida do Norte

13 12 2022

Aparecida do Norte, SP

Jorge Vieira (Brasil, contemporâneo)

óleo sobre tela, 80 x 99 cm





Flores para um sábado perfeito!

3 12 2022

Vaso de flores

Paulo Rossi Osir (Brasil, 1890 – 1959)

óleo sobre madeira, 44 x 38 cm

 





Hoje é dia de feira: frutas e legumes frescos!

30 11 2022

Natureza morta, 2000

Nando Ribeiro (Brasil, 1963)

óleo sobre tela

 





Flores para um sábado perfeito!

26 11 2022

Flores, 1977

Petrônio Bax (Brasil, 1927- 2009)

óleo sobre placa, 30 x 25 cm





Natalinas: Mário Quintana

24 11 2022

Menina lendo, 2008

Adilson dos Santos (Brasil, 1944)

óleo

“Quando se vê, já são seis horas!
Quando se vê, já é sexta-feira!
Quando se vê, já é natal…”

Mário Quintana





Hoje é dia de feira: frutas e legumes frescos!

23 11 2022

Tangerinas e rosas

Renato Meziat (Brasil, 1952)

óleo sobre tela, 90 x 125 cm