Madrugada na roça, soneto de Luiz Guimarães

15 02 2024

Paisagem, década de 1920

Alfredo Volpi (Itália-Brasil, 1896-1988)

têmpera sobre tela, 20 x 26 cm

 

Madrugada na roça

 

Luiz Guimarães  (Brasil, 1847-1898)

 

Dentro da sombra matinal os campos

Riem-se ao fresco pranto da Alvorada,

Sobre a planície verde e perfumada

Voa o bando dos tardos pirilampos.

 

O arrieiro, tonto de preguiça,

Desperta apenas: — ao bulir das matas

Vem misturar-se o eco das cascatas

E os lentos dobres da primeira missa.

 

Sob o véu orvalhado os olhos dela

Brilham fitando os meus: ao divisá-los,

Cuido que Deus perdeu mais de uma estrela.

 

Rincham, pulando os nossos dois cavalos,

E através da manhã, cheirosa e bela,

Ouve-se o canto festival dos galos.

 

Em: Lírica, Sonetos e Rimas, Luiz Guimarães, Lisboa, Tavares Cardoso e Irmãos, 1886, 4ª edição, p.48





Hoje é dia de feira: frutas e legumes frescos!

14 02 2024

Natureza morta com bule e maçãs

Colette Pujol (Brasil, 1913-1999)

óleo sobre tela,  30 x 40 cm

 

 

 

Natureza morta com frutas e bule, 1996

Adilson Santos (Brasil, 1944)

óleo sobre tela, 85 x 75 cm

 





Nossas cidades: Diamantina

13 02 2024

Diamantina

Henrique Bernardelli (Chile-Brasil, 1857-1936)

aquarela sobre papel, 47 x 28 cm





Paisagens brasileiras…

11 02 2024

Paisagem rural com gado, em São Paulo, 1954

Gentil Garcez (Brasil, 1903-1992)

óleo sobre tela, 45 x 54 cm

 

 

Vilarejo a Beira Mar

Inos Corradin (Itália-Brasil, 1929)

óleo sobre tela,  50 x 70 cm

 

 

 

Na estrada

Karol Kossak (Polônia-Brasil, 1896 – 1975)

óleo sobre tela, 33 x 24 cm





Soneto principalmente do Carnaval, Carlos Pena Filho

10 02 2024

Mascarados

Raimundo de Madrazo y Garreta (Espanha, 1841-1920)

óleo sobre tela

 

 

Soneto principalmente do Carnaval

 

Carlos Pena Filho

 

Do fogo à cinza fui por três escadas

e chegando aos limites dos desertos,

entre furnas e leões marquei incertos

encontros com mulheres mascaradas.

 

De pirata da Espanha disfarçado

adormeci panteras e medusas.

Mas, quando me lembrei das andaluzas,

pulei do azul, sentei-me no encarnado.

 

Respirei as ciganas inconstantes

e as profundas ausências do passado,

porém, retido fui pelos infantes

 

que me trouxeram vidros do estrangeiro

e me deixaram só, dependurado

nos cabelos azuis de fevereiro.





O Buda no sótão, de Julie Otsuka, resenha

8 02 2024

Retrato de mulher lendo

Hirezaki Eiho (Japão, 1888-1968)

 

 

A primeira vez que vi uma longa lista de nomes de mortos foi em visita ao Monumento aos Soldados Mortos na Segunda Guerra Mundial, aqui no Rio de Janeiro, no Aterro do Flamengo.  Eu era pequena. Mão na mão de papai, percorri com ele o comprimento das tumbas gravadas, com nomes de pessoas que jamais conheceria.  Uma só monotonia de pedras planas e nomes vazios. Meu pai tinha uma voz grave, melodiosa e sua explicação e eventual leitura de algumas lápides, me marcou profundamente, pois esse tom murmurante lembrava-me das muitas vezes que dormi em seu colo enquanto ele conversava, à noite, em prolongadas reuniões familiares, que iam muito além da minha hora de dormir.  O monumento do Rio de Janeiro, traz na sua própria estrutura a eloquência do silêncio, nas pedras lisas das tumbas o dessabor do árido ambiente. A lembrança dos soldados tombados foi meu primeiro encontro com a morte em massa. Anos mais tarde, em 2001, depois do ataque às Torres Gêmeas, em Nova York, houve um momento em que o nome de todos os mortos naquele ato terrorista foi recitado, um a um, solenemente, hora após hora, televisionado sem anúncios, em honra aos mortos do ataque terrorista.  Foram dias de recitação contínua, solene, fúnebre, que lembraram as vozes nas orações em conjunto das novenas em igrejas católicas de minha infância. Havia naquela repetição de nomes, na litania sem entonação, na listagem de desconhecidos, um após o outro, um som encantatório, mesmerizante, que abraçava almas enfermas, pelo simples e contínuo circular de vozes, em canto sem começo ou fim, eterno. Em poucos segundos em que se dava voz a quem se foi, seu nome, seu significado era repercutido através da atmosfera, irradiado para o infinito das galáxias distantes. Essas listagens não são incomuns nos momentos de luto coletivo. Todas são eloquentes.  Não pude deixar de lado essa imagem da recitação, do som encantatório do pronunciar dos nomes quando me deparei com a narrativa de Julie Otsuka, no marcante livro O Buda no sótão, tradução de Lilian Jenkino.

 

 

 

 

Por que tive essa reação?  Pela escolha feita na maneira de narrar.  Este, que me lembre, foi o primeiro livro que li onde a narrativa é do coletivo. É a história de um número enorme de pessoas, que deixa sua terra natal em busca de vida melhor no Novo Mundo.  A narrativa da coletividade não permite nomes, ou melhor individualidades. Todos são anônimos, tais como os soldados caídos no front que jamais foram ou serão identificados.  Não há personagens específicos, nem heróis ou heroínas.  É a generalidade das experiências que nos dá a dimensão do todo, a enormidade das expectativas, dos sonhos frustrados, da regularidade das barbáries, das injustiças feitas com um grupo inteiro de humanos. Não é prosa poética.   No entanto, a leveza com que Julie Otsuke cobre assuntos indignos ou desonrosos que afetam este grupo de imigrantes japoneses nos Estados Unidos no início do século XX é quase poética.  Sua maneira delicada e sensível, terna, afável nos ajuda a testemunhar o dia a dia dos recém-chegados, os sucessos, dos pequenos negócios às pequenas fortunas, nos guiando depois até a  inexplicável vontade de seus filhos se entrosarem na cultura do novo país que era, de fato, sua terra natal. Até o medo, o pavor, a humilhação sofrida por esses imigrantes ao serem colocados em campos de concentração durante a Segunda Guerra, por terem nascido no Japão e portanto, intrinsecamente suspeitos de apoiarem o governo de sua terra natal, todo esse terror emocional, é tratado com sutileza e finura.

 

 

Julie Otsuka

 

 

Já era mais que tempo dessa história ser revisitada. Há sempre o medo daqueles cujos hábitos desconhecemos, cujas línguas não entendemos, cujas religiões não seguimos.  O ser humano é tribal.  Sua primeira reação será sempre a desconfiança.  E em época de guerra, essa desconfiança é exacerbada. Isso não justifica o tratamento que os japoneses tiveram nos Estados Unidos.  Não é um momento de orgulho da história americana. Tampouco foi escondido.  Quem viveu no país certamente já ouviu falar desses campos de concentração.  Mas é importante que o assunto seja recontado, a cada geração, principalmente em época em que o medo de imigrantes parece contaminar todos os países do mundo ocidental.  Só essa já seria uma boa razão para ler O Buda no sótão.  Mas a prosa, a delicadeza da narrativa é singular e perfeita para o tema.  Este é um livro que se movimenta na alma do leitor e deixa lastro. Não é a toa que ganhou o prêmio Pen/Faulkner para Ficção e se tornou um best-seller desde 2011 quando foi publicado.  Recomendo sem qualquer restrição.

 

NOTA: este blog não está associado a qualquer editora ou livraria, não recebe livros nem incentivos para a promoção de livros.





Hoje é dia de feira: frutas e legumes frescos!

7 02 2024

Natureza Morta, 1976

Aldo Cardarelli (Brasil,1915 -1986)

óleo sobre tela, 70 x 90 cm

 

 

 

Natureza Morta

Carlos Gomes (Brasil, 1934- 1990)

[Carlos Pinto Gomes]

óleo sobre tela,  27 X 40 cm





Trova do Carnaval

6 02 2024
Ilustração: O baile de máscaras, Georges Jules Victor Clairin (França, 1843-1919)

 

 

 

 

Para que um carnaval

com três dias de folia,

pois se a vida é afinal,

grande baile à fantasia?

 

(Renato Vieira da Silva)





Nossas cidades: Petrópolis

6 02 2024

Paisagem com Ponte sobre Rio na Avenida Köeller, Petrópolis, década de 1960

Sérgio Telles (Brasil, 1936-2022)

óleo madeira, 50 X 34 cm





Paisagens brasileiras…

4 02 2024

Paisagem, 1951

João José Rescala (Brasil, 1910-1986)

óleo sobre tela, 50 x 65 cm

 

 

 

Paisagem

Luiz Pinto (Brasil, 1939)

óleo sobre tela, 25 x 35 cm

 

 

Paisagem, 1951

Tomoo Handa (Japão-Brasil, 1906-1996)

óleo sobre tela

Museu Rodin Bahia,  Salvador