Igreja Nossa Senhora das Dores, vista do Gasômetro, 1940
Angelo Guido (Itália-Brasil, 1893-1969)
óleo sobre eucatex, 38 x 48 cm
Igreja Nossa Senhora das Dores, vista do Gasômetro, 1940
Angelo Guido (Itália-Brasil, 1893-1969)
óleo sobre eucatex, 38 x 48 cm
Coelho Neto
Ei-las de volta, enchendo o ar fino e o campo convalescente com os seus ríspidos trinços, com os ruflos das suas pequeninas asas pretas. Ei-las de volta, em bando — umas que pousam no beiral dos telheiros, bicando as penas, saracoteantes ; outras que seguem para o lado fresco das ilhas, onde os vinhais se enfolham.
Ei-las de volta, as andorinhas, que foram invernar em um país sem bruma, recendente e tépido.
Abrem-se todas as gelosias; querem todos vê-las; recebem-nas sorrindo.
Vergônteas nascem nos esqueletos das árvores e florinhas tenras abrem corolas tímidas.
Um azul limpo substitui a nivosa tristura do céu. Aí chega a primavera; começam a aparecer viçosos ramos. De todas as ruínas, de todas as cavernas, abrem coo chilreando, passarinhos novos.
É a vida que reaparece.
Primavera!
Em: Português para o Ginásio, José Cretella Júnior, Cia. Editora Nacional. 15ª edição, Sã Paulo, p. 48.
Raramente comento esses textos que posto. Mas um texto tão pequeno com tantas palavras que eu não conheço. Fica difícil!
Natureza morta, 1936
Monteiro França (Brasil,1876 – 1944)
óleo sobre tela, 71 x 53 cm
Flores do campo
P. LICATTI [José Paulo Licatti] (Brasil, 1910-1990)
óleo sobre tela, 41 X 33 cm

ENCONTRO DE ESCRITORES – Aqui estou eu, o poeta e letrista paulista José Mauro e a encantadora Aninha na porta Livraria Argumento, no Leblon, depois de um delicioso jantar no Café Severino. Foi uma das noites mais agradáveis que passei nos últimos tempos, que espero poder repetir em breve. José Mauro tem diversas letras de músicas em seu portfólio assim como alguns prêmios.
Copa
Giovanni Gargano (Brasil, 1952)
óleo sobre tela, 46 x 55 cm
Natureza morta
Henri Carrières (França-Brasil, 1947)
óleo sobre tela, 50 X 60 cm
Paisagem com Verde: Lagoa Santa, 1986
Inimá de Paula (Brasil, 1918-1999)
óleo sobre tela, 53 x 64 cm
Entrada da fazenda, 1966
Aldo Bonadei (Brasil, 1906-1974)
óleo sobre tela, 59 x 77cm
O Rio Grande do Sul está em todos os nossos pensamentos. Dia sim. outro também. Durante a semana passada, uns versos, que eu não sabia de quem, e que não sabia de onde vinham, vieram me visitar, memória é uma coisa chocante.
Por muitos anos tive o hábito de anotar versos que lia e que achava bonitos. Na adolescência certamente sem o cuidado que desenvolvi, ao longo dos anos, de anotar o autor, o livro etc. A frase que me perseguiu foi “os rios são com certeza, o pranto da natureza.” Bem, chegar à autoria de Olegário Mariano foi fácil. Bastou abrir aspas, colocar a frase no Google, fechar aspas e procurar. O problema foi achar a poesia…. Achei. Tenho em casa a obra completa do poeta. Mas são dois volumes… Levei um tempinho. Aqui vai para vocês.
Acredito que o rio mencionado na poesia seja o Rio Saracuruna aqui no estado do Rio de Janeiro. Já naquela época, antes de 1931, Mariano nos alertava sobre os maus tratos que este rio recebia.
A Fazenda Santa Cruz
Olegário Mariano (1889-1958)
Por entre a folhagem verde
Que pelas brenhas se perde,
No coração da Fazenda
Dorme a casa de vivenda.
Um pátio largo defronte,
Ao fundo azul — o horizonte
A crepitar, esbraseado,
Num crepúsculo doirado.
A mata pesada, imensa,
Parece que sonha ou pensa…
Catedral verde que encerra
O culto simples da terra.
Abre-se um rio de prata
E, num fragor de cascata,
Borbulha de duna em duna…
É o rio Saracuruna.
À tona um enxame treme
Se equilibra e vibra e freme,
E às vezes se desmorona
Como uma coluna, à tona…
Umas partem, outras voltam,
As asas doiradas soltam
Em nervosas tarantelas,
Brancas, verdes amarelas.
Bate a porteira da entrada.
Sonolenta entra a boiada:
— Pintado! Moreno! Audaz!
And à frente, meu rapaz!
Um deles, o mais tristonho,
Que é pesado como um sonho,
Olhando o campo tão lindo,
Vai passando, vai mugindo…
Entre árvores surge a lua,
Branca e inteiramente nua,
Mostrando, em suaves coleios,
O tronco, os braços, os seios…
Sobe e do alto descampado
Espalha um véu de noivado
Com cintilações estranhas
Pela encosta das montanhas…
Depois desce ao rio, e o rio
Que rola sereno e frio,
Se enrosca num frenesi:
— Beija-me as águas, Iaci!
O Saracuruna sonha…
Na marcha lenta e tristonha,
O rio lembra um vivente
Porque chora, porque sente.
Vai sinuoso… Entra a devesa
Levando na correnteza
Troncos, arbustos e ninhos
Que encontrou pelos caminhos.
E perde-se longe… Agora
Nem sinal da água que chora…
Os rios são, com certeza,
O pranto da natureza.
Em: Toda uma vida de poesia — poesias completas, Olegário Mariano, Rio de Janeiro, José Olympio: 1957, volume 1 (1911-1931), pp. 90-92.
Flores
Georgina de Albuquerque (Brasil,1885 – 1962)
óleo sobre tela, 84 x 105 cm
Vaso azul e rosas
Shokichi Takaki (Japão-Brasil, 1914-2006)
óleo sobre tela
Praça Paris, Rio de Janeiro, 1943
Dakir Parreiras (Brasil, 1894 -1967)
óleo sobre madeira, 32 x 41 cm.