Soneto, João Xavier de Matos

10 02 2025

Operários, 1933
Tarsila do Amaral (Brasil, 1886-1973)
Óleo sobre tela, 150 x 205 cm
Acervo do Palácio do Governo do Estado de São Paulo

 

 

Soneto

 

João Xavier de Matos

 

Pobre ou rico, vassalo ou soberano,

Iguais são todos, todos são parentes;

Todos nasceram ramos descendentes

Do trono antigo do primeiro humano.

 

Saiba, quem de seus títulos ufano

Toma por qualidade os acidentes,

Que duas gerações há só dif’rentes

Virtude e vício: tudo mais é engano.

 

Por mais que afete a vã genealogia

Introduzir nas veias a natureza

De melhor sangue, do que Adão teria:

 

Não fará desmentindo a natureza

Que seja sem virtude a fidalguia

Mais que um triste fantasma da grandeza.

 

(1789)

 

João Xavier de Matos (Portugal, c. 1730-1789)





Paisagens brasileiras…

9 02 2025

Paisagem com Casario e Ponte em Minas Gerais, 1978

Inimá de Paula ( Brasil,1918-1999)

óleo sobre tela, 65 X 81 cm

 

 

Paisagem

Carlos Sorensen (Brasil,1928 – 2008)

óleo sobre tela, 52 x 82 cm

 

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Um dia ainda vou escrever sobre paisagens e as brasileiras em particular.  Hoje temos dois pintores brasileiros expressionistas.  Sou parcial a todo o expressionismo, desde Henri de Matisse até os que trabalham nos dias de hoje.  Tenho que me policiar para não colocar sempre obras expressionistas no blog, porque esse não é o objetivo deste espaço.

Temos aqui duas obras com o mesmo assunto: vegetação densa, rio e casas.  Pequenas cidades.  Vilarejos. Ambas as telas trazem ao espectador  variadas emoções.  Apesar de quase caótica, a cena da tela de Inimá de Paula nos traz equilíbrio pelo uso abundante das tonalidades de azul e verde, cores calmas, ainda que intensas em seu volume.  Enquanto a tela de Carlos Sörensen com grande variedade de cores explosivas, concentradas no leque dos tons avermelhados, encontra equilíbrio nas ‘quase monótonas’ horizontais.  Vejam que elas também são linhas rebeldes que quase não querem ser horizontais.  Mas, cortando a tela em fatias visuais elas baixam a excitação visual de todos os vermelhos, laranjas, lilás e demais cores que excitam o nosso olhar.

Temos grandes expressionistas no país.  Vale a pena procurá-los.





Flores para um sábado perfeito!

8 02 2025

Flores

Sergio Migliaccio (Brasil, 1936-2015)

óleo sobre papel, 40 x 32 cm

 

 

Orquídea

João Baptista da Costa (Brasil, 1865-1926)

óléo sobre tela, 55 x 35 cm





Vento do mar e o sol no meu rosto a queimar…

7 02 2025

Copacabana, 2009

Pedro Guedes (Brasil, 1960)

óleo sobre lona colada em madeira, 13 x 50 cm





Hoje é dia de feira: frutas e legumes frescos!

5 02 2025

Natureza morta, 1981

Olímpia Couto (Brasil, 1947)

óleo sobre tela, 70 x 50 cm

 

 

Composição, 1953

Roberto Burle Marx (Brasil, 1909-1994)

óleo sobre tela, 39 x 61 cm

 





Nossas cidades: Pirenópolis

4 02 2025

Pirenópolis

Ana Cristina Elias (Brasil, 1960)

aquarela, 20 x 30 cm





Imagem de leitura: Aurélio de Figueiredo

3 02 2025

A leitura, 1880

Francisco Aurélio de Figueiredo e Mello (Brasil, 1854-1916)

óleo sobre madeira, 18 x 22 cm

 





Flores para um sábado perfeito!

1 02 2025

Flores, 2001

Antônio Hélio Cabral (Brasil, 1948)

óleo sobre tela, 90 x100 cm

 

 

Flores sobre a mesa

Alberto Nicolau (Brasil, 1961)

acrílica sobre tela





Vento do mar e o sol no meu rosto a queimar…

31 01 2025

Saudades do passado – Praça XV, 1987

Ney Tecídio (Brasil, 1929-1988)

óleo sobre eucatex, 38 x 46 cm





Hoje é dia de feira: frutos e legumes frescos!

29 01 2025

Peixes, 1961

Newton Rezende (Brasil, 1912-1994)

óleo sobre madeira,  30 x 35 cm

 

 

Natureza morta, 1960

Emiliano Di Cavalcanti (Brasil, 1897- 1976)

óleo sobre tela, 48 x 64 cm

 

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Naturezas mortas com peixes, crustáceos, frutos do mar não são comuns na arte brasileira do século XX.  Nem são comuns, tampouco, telas em que apareçam animais de caça tais como perdizes, coelhos, ou qualquer outro animal que possa fazer parte da próxima ceia.  Esses já foram mais comuns no final do século XIX e início do século XX.

Pintores brasileiros que sistematicamente apresentam frutos do mar e peixes em suas naturezas mortas são poucos e parecem ser, de fato, aqueles que moram ou passaram algum tempo em cidades praianas. 

Grande parte dos pintores franceses do século XIX, até mesmo os impressionistas conhecidos pela leveza de seus temas pintaram naturezas mortas com animais. E é claro nos séculos anteriores, principalmente no século XVII no norte da Europa o tema da comida, da caça, da pesca, das frutas e pães era orgulhosamente mostrado nas casas de famílias de posse. A abundância da comida nos dias de hoje, deve ser em parte responsável pelo declínio de temas como caça e pesca nas naturezas mortas.  Pois até o século XIX, aqui no Brasil  também víamos telas representando a possibilidade de uma bela refeição. Há além disso as sensibilidades aguçadas dos dias de hoje.  Como poucos passam fome e certamente quem compra uma tela não passa fome, podem dar-se ao luxo de serem incapazes de imaginar um animal morto que será devorada em algumas horas depois de cozido, como um tema próprio para o embelezamento de uma sala de jantar.  Tradição que vem, ao que se saiba no mundo ocidental, desde os afrescos romanos, e quem sabe na Grécia antiga.  Os tempos mudam, os hábitos mudam.  E vemos através da arte nossa evolução na Terra.