Tiradentes na arte

21 04 2025

A execução de Tiradentes, 1961

Alberto da Veiga Guignard (Brasil, 1896-1962)

óleo sobre madeira, 60 x 80 cm

Coleção Particular

 

 

Três curiosidades sobre este quadro:

1- É a única obra de pintura histórica de Guignard

2- Ele localizou o enforcamento de Tiradentes em Ouro Preto, quando na verdade aconteceu na cidade do Rio de Janeiro.

3- Foi comissionado por Juscelino Kubistchek, presidente do país na época.





Desengano, soneto de Carlos de Laet

19 04 2025

Moça de vestido branco, 2007

Johan Patricny, (Suécia, 1976)

óleo sobre tela

Desengano

 

Carlos de Laet

 

“De que inúmeros sois a mente humana

a existência falaz  não me doirava!”

(Bocage)

 

Atirei-me sedento de  verdade

à ciência do exato e do infinito;

escravo fui do imperioso grito

que minha alma soltou na escuridade.

 

Desengano cruel! Fatalidade!

No tremendo areal, solo maldito,

passei a vida de errante e de proscrito

e o perfume perdi da mocidade!

 

Pedi a luz — e dão-me um labirinto

onde exausto se embrenha o entendimento

e reina a sombra que envolver-me sinto.

 

Deus, responde, socorre ao desalento;

se a verdade aqui está, se acaso minto,

tira-me, então, pra vê-la, o sentimento.

(1870)

 

 

Em: Poesias de Pimenta de Laet. 1878

 





Flores para um sábado perfeito!

19 04 2025

Copos de leite, 1984

Carlos Scliar (Brasil, 1920-2001)

Vinil e colagem encerado sobre tela colada em madeira,  56 x 37 cm

 

 

Jarro com flores, 1952

Arcangelo Ianelli (Brasil, 1922-2009)

óleo sobre tela, 72 x 60 cm





Vento do mar e o sol no meu rosto a queimar…

18 04 2025

Under the sun

Mauro Costa (Brasil, 1973)

óleo sobre tela, 50 x 61 cm





“Para um menino felino”, poesia infantil de Paulo Mendes Campos

16 04 2025
Gato de Botas, Ilustração Marie Hohneck,1905-08

 

 

Para um menino felino

 

Paulo Mendes Campos

 

O gato pensa um bocado!

Pensa de frente e de lado!

Esticado ou enrolado!

Satisfeito ou chateado!

Brincalhão ou preocupado!

Sem jantar ou já jantado!

Com saúde ou constipado!

O gato pensa um bocado!

Pensa no império chinês!…

Pensa no irmão siamês!…

Mas um gato sem talento

só tem um pensamento:

CAMUNDONGO! CAMUNDONGO!

Se te pego, te viro assim: OGANODNUMAC!…





Hoje é dia de feira: frutas e legumes frescos!

16 04 2025

Natureza morta com pescado, ovos e limão

Fernando P. [Fernando Clóvis Pereira] (Brasil, 1917-2005)

Óleo sobre tela, 37 x 54 cm

 

 

Natureza morta, 1956

Emiliano Di Cavalcanti (Brasil, 1897- 1976)

óleo sobre tela 45 x 60 cm





Nossas cidades: Santos

15 04 2025

Fortaleza velha de Santos, Praia da Pouca Farinha, 1968

Aldo Cardarelli (Brasil, 1915-1986)

óleo sobre placa, 24 x 32 cm





Paisagens brasileiras…

13 04 2025

Voltando da escola

Alexandre Reider (Brasil, 1973)

óleo sobre tela

 

 

Sem título

Francisco Rebolo (Brasil, 1902-1980)

óleo sobre tela





Flores para um sábado perfeito!

12 04 2025

Vaso com flores, 1939

Noemia Mourão  (Brasil,1912 -1992)

óleo sobre tela

 

 

 

Vaso de flores

José Wasth Rodrigues (Brasil, 1891-1957)

óleo sobre duratex, 26 x 20 cm





O castelo de cartas… trecho de José de Alencar

11 04 2025

O castelo de cartas, 1869

Théodore Gérard (Bélgica, 1829-1895)

óleo sobre  tela,  59 x 74 cm

 

 

 

“Junto à mesa, onde ardia o candelabro, Lúcio estava muito aplicado em levantar castelos de cartas para entreter Adélia.

Feliz idade em que a imaginação entre risos de prazer edifica palácios com essas figuras coloridas! Mais tarde, em vez de castelos de carta, são os castelos de vento, edificados com as ilusões e as esperanças de nossa alma. Vem um sopro de criança e arrasa o suntuoso palácio. O menino reúne as cartas e levanta novo castelo. O homem debalde tenta coligir as ilusões que tombaram: não encontra nem o pó; desfizeram-se em fumo.”

 

José de Alencar, O tronco do Ipê

 

 

 

Publicado pela primeira vez em 1871, foi o segundo romance regionalista de Alencar.  Foi também o primeiro romance “de gente grande”, como minha mãe anunciou, quando me deu para ler nas férias de julho depois de eu completar dez anos no mês anterior.  Nem sei quantas vezes o reli.  Muitas.  Já soube algumas partes de cor.  Ainda sei nomear todos os personagens. Aliás foi o início de um bom relacionamento meu com o autor.  A história se passa numa fazenda em Teresópolis, cidade com que eu estava familiarizada por passar férias lá. Há menções do rio Paquequer, assim como também acontece em O Guarani. Depois de O tronco do ipê, ainda jovem adolescente, cheia de histórias românticas na cabeça, li todos os outros “perfis de mulher’ dele, ou os chamados romances urbanos: Cinco minutos, A viuvinha, Lucíola (de que não gostei muito), A pata da gazela, Til.  Mais tarde, não sei exatamente quando, provavelmente quando tinha quatorze anos, li Senhora, que se tornou um de meus livros favoritos de toda a minha juventude.  Qual não foi minha boa surpresa saber, muitos anos depois, que Senhora havia sido traduzido para o inglês e fazia parte de muitos currículos de literatura sobre empoderamento feminino, em universidades nos Estados Unidos. Li também, algumas vezes, Iracema, de que gosto mais do que O Guarani, mas não cheguei a ler, Minas de Prata, nem O Gaúcho.  Tínhamos a coleção toda lá em casa, mas esses, nunca chegaram a me interessar.  Talvez seja a hora de voltar a Alencar, quem sabe? 

Parti direto dos romances urbanos de Alencar para A mão e a luva e Helena de Machado de Assis.  Essa foi a minha apresentação, pelas mãos de minha mãe a Machado.  Funcionou porque apesar de ler Don Casmurro, depois aos quinze-dezesseis anos, ele não me interessou tanto quanto Memórias Póstumas de Brás Cubaslido em seguida, que foi por um bom tempo meu livro de cabeceira.

 

 

DETALHE de O castelo de cartas de Théodore Gérard, mostrado acima.