Trova da felicidade

31 07 2015

 

 

almoço ao ar livre, steven dohanosAlmoço ao ar livre, Steven Dohanos.

 

 

Amigo, na sua idade,

não conte a idade a ninguém,

mas conte a felicidade

pelos amigos que tem.

 

(Edmilson Ferreira Macedo)





Hoje é dia de feira: frutas e legumes frescos!

29 07 2015

 

 

Antônio_Rafael_Pinto_Bandeira_-_Natureza-morta,_1892Natureza morta, 1892

Antônio Rafael Pinto Bandeira (Brasil, 1863-1896)

óleo sobre tela, 55 x 63 cm

Museu Afro Brasil, São Paulo





O circo, poema de Santos Moraes

29 07 2015

 

 

circo chegou, Russell Sambrook (1891 – 1956)Ilustração de Rusell Sambrook.

 

 

O circo

 

Santos Moraes

 

Na praça antiga da Matriz havia

Um circo que chegara bem recente.

Eu, menino, julgava-o ingenuamente

O palácio encantado da alegria.

 

Todas as noites, coração ardente,

Àquele mundo de ilusões corria,

E rindo do palhaço eu me sentia

Um ser extraordinário de contente.

 

Hoje, o circo perdido na distância

Tantas vezes  me vem da alma à tona

Que refloresce em mim a leda infância.

 

Encantamentos vãos que a mente afaga!

Sonhos que o peito avaro aprisiona

E o coração por alto preço os paga!

 

 

Em: Tempo e Espuma, Santos Moraes, Rio de Janeiro, Livraria São José: 1956, p. 23-24





Domingo, um passeio no campo!

26 07 2015

 

 

BENJAMIM PARLAGRECO (1856-1902). Remanso em Trecho do Rio Piabanha - Petrópolis, óleo s tela, 51 X 70. Assinado no c.i.d.Remanso em trecho do Rio Piabanha, Petrópolis

Benjamin Parlagreco (Itália/Brasil, 1856-1902)

óleo sobre tela, 51 x 70 cm





Flores para um sábado perfeito!

25 07 2015

 

Cid Serra Negra - Vaso com flores - oleoseucatex - med 77 x 63 cm - acieVaso com flores

Cid Serra Negra (Brasil, 1924)

óleo sobre eucatex, 77 x 63 cm





A volta, texto de Pedro Nava

22 07 2015

 

 

MANOEL SANTIAGO Paisagem com ferrovia Teresópolis O.S.T. 53 x 69 cm 1945 a.c.i.e.Paisagem com ferrovia, Teresópolis, 1945

Manoel Santiago (Brasil, 1897-1987)

óleo sobre tela, 53 x 69 cm

 

 

“COMO NO DIA DA MINHA CHEGADA, cinco anos antes, no meu embarque para Belo Horizonte, tive a assistência do Modesto. Levou-me à estação. Eu ia galgar o nosso Caminho Novo de noturno. Vi desfilarem os subúrbios, depois a baixada com seu ar de fogo, comecei a subir a Serra do Mar. Eu estava num momento de grande euforia. Vencera uma página da vida, flutuava dentro dum ar azul entre duas etapas. Pensava que tudo continuaria em Belo Horizonte e na Faculdade, fácil e doce como tinha sido naqueles anos de Pedro II entrecortados de férias paradisíacas.  Mal sabia eu o que ia sofrer na Rua da Bahia, no Bar-do-Ponto, na Praça da Liberdade, na Rua Guaicurus, na Rua Niquelina, na Lagoinha, Quartel e Serra: o martírio, paixão, morte e ressurreição do moço mineiro Pedro da Silva Nava ainda descuidado das lambadas, dos escárnios, das quedas e das sete chagas de sua Via Dolorosa. Eu ia aprender aos poucos, à minha custa, os búfalos nadantes e os crocodilos; as panteras e toda a casta de bestas-feras. O noturno subia para Minas Gerais. Passou estações. Parou muito tempo em Juiz de Fora e fiquei na janela do carro apreciando o Cristo Redentor todo iluminado. Foi quando dormi na madrugada mineira. Vi amanhecer no meu Estado cortado instante a instante pelas curvas do Paraopeba. A máquina puxava cada vez mais. De repente Brumadinho surgiu dentro de moitas cheias de gotas d’água dum sereno que o sol ainda não secara. Se o futuro iluminasse eu compreenderia que estava chegando ao campo de concentração e aos fornos crematórios dos meus sonhos de adolescente. As estações se sucediam. Fecho do Funil. Treblinka. Birkenau. Sarzedo. Ibirité. Ibirité. Bergen-Belsen. Auschwitz. Barreiros. Gameleira, Calafate, Belsen-Belo, Belo Belo Belo Belo. A máquina agora ia devagar, batendo sino, atravessando a cidade sob um céu rival do céu da Úmbria. Belo Horizonte, Belorizonte, Belorizonte. Desci na estação. Minha Mãe. Fomos juntos para a Serra. Pisei novamente minha Serra. Sua terra de ricos pardos começou a me penetrar. Dela respirei. Dela sujei meus sapatos. Seu colorido era tão polpa que enganava não parecia mineral, antes vegetal. Variava de cores. Tinha do castanheiro, do tojo, do ulmo, da nogueira, da tília clara e da tuia escura. Entretanto era ferro. Chão de Ferro.”

 

 

 

Em: Chão de Ferro: memórias 3, Pedro Nava, Rio de Janeiro, José Olympio:1976, 2ª edição, p. 273-4





Meia-noite, poesia infantil de Olavo Bilac

20 07 2015

 

 

???????????????????????????????Cascão conta carneirinhos ao dormir, ilustração de Maurício de Sousa.

 

Meia-noite

 

Olavo Bilac

 

 

O filho:

 

Ó Mamãe! quando adormecem

Todos, num sono profundo,

Há mesmo almas do outro mundo,

Que aos meninos aparecem?

 

A mãe:

 

Não creia nisso! É tolice!

Fantasmas são invenções

Para dar medo aos poltrões:

Não houve ninguém que os visse.

 

Não há gigantes nem fadas,

Nem gênios perseguidores,

Nem monstros aterradores,

Nem princesas encantadas.

 

As almas dos que morreram

Não voltam à terra mais!

Pois vão descansar em paz

Do que na terra sofreram.

 

Dorme com tranquilidade!

— Nada receia, meu filho,

Quem não se afasta do trilho

Da justiça e da bondade.

 

Em: Poesias infantis, Olavo Bilac, Rio de Janeiro, Francisco Alves: 1949, 17 ª edição, pp- 72-3





Flores para um sábado perfeito!

18 07 2015

 

 

Domingos Toledo Piza[Domingos Viegas Toledo Piza](Brasil, 1887 –1944) Vaso de flores - OST - 44x53 - Déc. 40Vaso de flores, década de 1940

Domingos Toledo Piza (Brasil, 1887-1944)

óleo sobre tela, 44 x 53 cm





Hoje é dia de feira: frutas e legumes frescos!

15 07 2015

HENRI CARRIERES -Natureza morta, O.S.T, 40x50 cm.45Natureza morta com mamão, limões, uvas, peras e flores, s.d.

Henri Carrières (França, 1947, radicado no Brasil desde 1952)

óleo sobre tela, 40 x 50 cm





A lanterna mágica, poesia de Cassiano Ricardo

14 07 2015

 

 

vagalumes e criança

 

A lanterna mágica

 

Cassiano Ricardo

 

 

E foi

tão grande o seu desespero

na encruzilhada

e a noite era tão escura

na floresta e nos campos,

que o próprio Currupira

ficou com pena

e lhe arranjou uma lanterna

de pirilampos.

 

“Pouco importa

que a noite seja escura,

porque foi apanhar água

no ribeirão

e quebrou seu pote branco

numa pedra do barranco

fazendo essa escuridão.

 

Vá por aqui, direitinho,

com esta lanterna

na mão, alumiando o caminho…

e você encontrará o que procura!”

 

E ele saiu pelo sertão,

procurando o sol da Terra

com uma lanterna de pirilampos

na mão.

 

 

Em: Martim Cererê, Cassiano Ricardo, Rio de Janeiro, José Olympio: 1974, 13ª edição, p. 76.