Duas pequenas orquídeas, 2012
Renato Meziat (Brasil, 1952)
óleo sobre tela, 40 x 30 cm
Duas pequenas orquídeas, 2012
Renato Meziat (Brasil, 1952)
óleo sobre tela, 40 x 30 cm

Praça XV de novembro, 1925
Garcia Bento (Brasil, 1897-1929)
óleo sobre tela, 50 x 60 cm
Felisberto Ranzini (Brasil, 1881-1976)
Aquarela sobre papel, 33 x 50 cm
“UMA COISA FABULOSA que fiquei devendo ao noivado de minha prima foi a excursão que fizemos ao Pão de Açúcar nos bondinhos aéreos inaugurados em 1912 e 1913. Tinham quatro para cinco anos e eram uma novidade que o Joaquim Antônio queria comparar com os que vira na Europa. Combinou-se o passeio e ele próprio me incluiu no grupo dizendo que “mestre Pedro vai conosco”. Éramos ele, eu, a noiva, tia Candoca e a Mercedes Albano. Para essa coisa meio esportiva que era a ascensão que ia ser feita, vesti meu terno número um, o Joaquim Antônio colarinho duro de pontas viradas, a Maria e a Mercedes grandes chapéus e vestidos escuros, a futura sogra sedas, veludos pretos e uma toque alta de pluma póstero-lateral. Exatamente, pois possuo os retratos tirados nesse dia inesquecível. Lanchamos na Urca — chá, torradas, sanduíches, mineral e para mim, tudo isso e o céu também — gasosa! Subimos depois do por do sol e o acender das luzes da cidade nas alturas do Pão de Açúcar dos ventos uivantes. Não sei dos outros. No cocuruto eu desci um pouco no declive que dá para o maralto, sentei no granito e olhei. Jamais reencontrei coisa igual senão quando, em Capri, subi à casa de Axel Münthe e no dia em que sobrevoei Creta para descer em Heraclion. Estavam presentes todas as cores e cambiantes que vão do verde e do glauco aos confins do espetro, ao violeta, ao roxo. Azul. Marazul. Azurescências, azurinos, azuis de todos os tons e entrando por todos os sentidos. Azuis doce como o mascavo, como o vinho do Porto, secos como o lápis-lazúli, a lazulite e o vinho da Madeira, azul gustativo e saboroso como o dos frutos cianocarpos. Duro como o da ardósia e mole como os dos agáricos. Tinha-se a sensação de estar preso numa Grotta Azzurra mas gigantesca ou dentro do cheiro de flores imensas íris desmesuradas nuvens de miosótis hortênsias — só que tudo rescendendo ao cravo — flor que tem de cerúleo o perfume musical de Sonata ao Luar. Malva-rosa quando vira rosazul. Aos nossos pés junto à areia de prata das reentrâncias do Cara-de-Cão, ou do cinábrio da Praia Vermelha, o mar profundo abria as asas do azulão de Ovale e clivava chapas da safira que era ver as águas das costas da Bahia. Escuro como o anilíndigo do pano da roupa que me humilhava nos tempos do Anglo-Mineiro. Mas olhava-se para os lados de Copacabana e das orlas fronteiras além de Santa-Cruz e o meitleno marinho se adoçava azul Picasso, genciana, vinca-pervinca. As ilhas surgiam com cintilações tornassóis e viviam em azuis fosforescentes e animais como o da cauda seabrindo pavão, do rabo-do-peixe barbo, dos alerões das borboletas capitão-do-mato da Floresta da Tijuca. Olhos para longe, mais lonjainda — e horizontes agora Portinari, virando num natiê quase cinza, brando, quase branco se rebatendo para as mais altas das alturas celestes azul celeste azur só possível devido a um sol de bebedeira derretendo os contornos as formas e virando tudo no desmaio turquesa e ouro e laranja dos mais alucinados Monets Degas Manets Sisleys Pissarros. Mas súbito veio o negro da noite acabando a tarde impressionista. As luzes se acenderam em toda a cidade mais vivas na fímbria orlando o oceano furioso. Eu nem me lembro como vim rolando Pão de Açúcar abaixo aos trancos e barrancos daquele dia vinho branco…”
Em: Chão de Ferro: memórias 3, Pedro Nava, Rio de Janeiro, José Olympio:1976, 2ª edição, pp. 129-30.

Maracujás, bananas e morangos
Florêncio [José Carlos dos Santos] (Brasil, 1947)
óleo sobre tela, 40 x 50 cm
Flores, 1981
Yeddo Titze (Brasil, 1935-2016)
óleo sobre tela, 34 x 26 cm
Primavera no jardim, Joseph B. Platt, capa da revista House and Garden, março 1926.
Mesmo pisando em espinhos
por travessias penosas,
em todos os meus caminhos
farei plantio de rosas!
(Dodora Galinari)
Retrato da menina Maria Catarina Douat, 1957
Win van Dijk ( Holanda/Brasil, 1915-1990)
óleo sobre tela, 95 x 60 cm
Stella Leonardos
(Para Leilá)
É uma sílfide dançando.
É uma infanta adolescendo.
Cabelo de ouro brilhando.
Alvor de lírio crescendo.
Coração de cristal puro,
Alma de rosa nevada,
Sonha trepada no muro.
E não sabe que é uma fada.
Em: Pedaço de Madrugada, Stella Leonardos, Rio de Janeiro, Livraria São José: 1956, p.51
Natureza morta, 1946
Oswaldo Teixeira (Brasil, 1904-1974)
óleo sobre tela, 61 x 70 cm
Autoria desconhecida.
Arranjo com hortênsias, 2011
Jorge Maciel (Brasil, 1972)
óleo sobre tela, 60 x 80 cm