Leitura, c. 1913
Lasar Segall (Lituânia-Brasil, 1889-1957)
óleo sobre papelão, 66 x 56 cm
Museu Lasar Segall, SP
Leitura, c. 1913
Lasar Segall (Lituânia-Brasil, 1889-1957)
óleo sobre papelão, 66 x 56 cm
Museu Lasar Segall, SP
Luiz Pistarini
Bela, por mim, se vejo-te passando.
Tudo me esquece por estar te vendo
– Sinto o Prazer, no coração cantando,
E a mágoa, enfim, no coração, morrendo …
Passas … E, alegre, vou te acompanhando
Pelos lugares por que vais correndo …
E ao ver-te longe, minha flor, – chorando,
Triste suspiro, sem querer, desprendo …
Voltas depois, formosamente rindo …
Voltas depois, e o meu pesar te escondo,
Num riso franco de prazer profundo!
Ficas. E eu, louco, imerso em gozo infindo,
Grande, – aos teus pés, o coração depondo,
Sinto a mais grata sensação do mundo!
Resende – 1895
Nota: eu mesma fiz a atualização das palavras para o português corrente no Brasil, hoje. Exemplo: si > se;
vaes > vais e assim por diante. Poeta fluminense, natural de Resende.
Leitora, 1960
Gerhard Richter, (Alemanha, 1932)
óleo sobre madeira, 102 x 70 cm
Nem todas as leituras precisam ser sérias. Há horas para diversão. Recentemente meu grupo de leitura escolheu esse tipo de livro: As pessoas na plataforma 5, da autora inglesa Clare Pooley, tradução de Cecília Camargo Bartalotti, Verus: 2024. Trata-se de um grupo de desconhecidos que tomam o mesmo trem Hampton Court-Waterloo Station -Londres, todas as manhãs. Não se conhecem até que uma emergência, um dia, serve de motivo para que comecem a interagir.
A figura principal é uma escritora com coluna em jornal aconselhando leitores. Iona Iverson, de 57 anos, não consegue passar despercebida. Tem uma personalidade expansiva, roupas coloridas, uma bolsa gigante, onde carrega chá, garrafa térmica, xícara e pires. Havia sido uma jovem atraente, a verdadeira IT-GIRL, na década de 60-70. Mas no momento sente-se desprezada por seus empregadores e acredita ser discriminada por sua idade.
Outros passageiros, que eventualmente se “confessam” com Iona, são Sanjay, um enfermeiro oncologista que sofre de ataques de pânico e anda encantado com outra passageira: Ema. Piers é o engravatado homem do mundo financeiro, infeliz com sua profissão. Emmie, leitora obstinada, é a jovem que trabalha em marketing e tem um namorado controlador, que a obriga a dizer a toda hora onde se encontra e o que faz. Há também a adolescente Marta que sofre bullying na escola e David, o esquecível advogado perto de se divorciar.
Já podemos ver, pelos problemas de cada passageiro, que Clare Pooley dedica-se a passar os olhos sobre alguns problemas que afligem a sociedade atual: Alzheimer’s, Bullying, Etarismo, Stalking, síndrome do pânico e muitos outros. No entanto, o tom desse livro é leve, há momentos verdadeiramente engraçados e outros um tanto sentimentais. No todo, essa obra é inconsequente, alegre, e acaba da melhor maneira possível. É um pouco longa. Poderia ter sido cortada por um terço mais ou menos, retirando as passagens que se prolongam sem adicionar nada de valioso. A média dos pontos das leitoras desse grupo foi três estrelas de cinco. Quase o que eu daria, também. Se esse tipo de história, que parece uma mini série televisiva é do seu agrado para diversão, leia. Foi assim que vi: a escritora pensou em construir um conjunto de personagens, trabalhando assuntos da moda, com esperança de servir eventualmente como inspiração para algum serviço de stream.
Expectativa, 1868
(também chamado, Impaciência)
Lawrence Alma-Tadema (Inglaterra, 1836-1912)
aquarela sobre papel, 20 x 15 cm
Coleção Particular
Violetas, 1981
Lully de Carvalho (Brasil, 1929-2017)
óleo sobre eucatex, 23 X 32 cm
Toalha vermelha
Ana Goldberger (Brasil, 1947-2019)
acrílica sobre tela, 20 x 30 cm
Monge ermitão escrevendo em sua mesa, 1300-1325
[DETALHE]
Estoire del Saint Graal, La Queste del Saint Graal, Morte Artu (Royal MS 14 E III), France, N. (Saint-Omer or Tournai?)
pergaminho, 49 x 34 cm
Biblioteca Britânica, Londres
[O ensino do cálculo] “principia pelo uso de instrumentos práticos que servem primeiro ao estudante para calcular e depois ao financeiro, ao comerciante. São o ábaco e o tabuleiro — ‘humildes antepassados das modernas máquinas de calcular’. Os manuais de aritmética elementar multiplicam-se a partir do século XIII, tal como aquele que foi escrito em 1340 por Paolo Dagomari de Prato, apelidado de Paolo dell’Abaco. Entre os tratados científicos, alguns tiveram, tanto para a contabilidade comercial como para a ciência matemática, uma importância singular. Foi o caso do Tratado do Abaco — liber abbaci — que Leonardo Fibonacci publica em 1202. Este Leonardo Fibonacci é um Pisano cujo pai é oficial da alfândega da República de Pisa em Bougie, em África. Foi no mundo cristão-muçulmano do comércio, em Bougie, no Egito, na Síria, na Sicília, por onde viaja em negócios, que se iniciou nas matemáticas que os Árabes aprenderam com os Hindus. Na sua obra, introduz o emprego dos números árabes e do zero, inovação fundamental para a numeração com parcelas, operações com frações e cálculo proporcional. Levando mais longe as suas pesquisas, publica em 1220 uma Prática de Geometria. Nos finais da Idade Média, em 1494, Luca Pacioli escreve a sua famosa Summa de Arithmetica, resumo do conhecimento aritmético e matemático do mundo do comércio; nessa obra debruça-se especialmente sobre a contabilidade de dupla entrada. Na Alemanha, contudo, populariza-se um outro manual, depois de 1450, o Método de Cálculo de Nuremberg.”
Em: Mercadores e Banqueiros da Idade Média, Jacques Le Goff, tradução de Orlando Cardoso, Lisboa, Gradiva: s/d. página 79. *
* Fiz ajustes de grafia, tais como Egipto, na grafia portuguesa para Egito, na grafia brasileira.
Natureza morta, 1983
Adelson do Prado (Brasil, 1944 – 2013)
óleo sobre tela colado em chapa de eucatex. 16 x 37 cm
Natureza morta, 1948
Eugenio de Proença Sigaud (Brasil, 1899-1979)
óleo sobre tela, 38 x 46 cm
Flores
Douglas Okada (Brasil, 1984)
óleo sobre tela, 50 x 70 cm
Sol na varanda com girassóis
Raquel Taraborelli (Brasil, 1957- 2020)
óleo sobre tela, 85 x 73 cm