Palavras para lembrar — Richard Steele

29 10 2011

Joseph Lorusso (Chicago, EUA 1966)_InBetweenChapters

Entre capítulos, s/d

Joseph Lorusso ( EUA, 1966)

gravura

www.josephlorussofineart.com

” A leitura é para a mente o que o exercício é para o corpo.”

Richard Steele





Lenda brasileira do diamante — Theobaldo Miranda Santos — uso escolar

29 10 2011

Índia Amazônia, s/d

Luciana Futuro ( Santos, Brasil, contemporânea)

acrílica

www.lucianafuturo.com.br

Lenda do Diamante

Theobaldo Miranda Santos

Há muito tempo,  vivia à beira de um rio uma tribo de índios brasileiros.  Dela fazia parte um casal muito feliz: Itagibá e Potira.  Itagibá, que significa braço forte, era um guerreiro robusto e destemido.  Potira, cujo nome quer dizer flor. era uma índia jovem e formosa.

Vivia o casal tranquilo e venturoso, quando rebentou uma guerra contra uma tribo vizinha.  Itagibá teve de partir para a luta.  E foi com profundo pesar que se despediu da esposa querida e acompanhou os outros guerreiros.  Potira não derramou uma só lágrima, mas seguiu, com os olhos cheios de tristeza, a canoa que conduzia o esposo, até que a mesma desapareceu na curva do rio.

Passaram-se muitos dias sem que Itagibá voltasse à taba.  Todas as tardes.  Todas as tardes, a índia esperava, à margem do rio, o regresso do esposo amado.  Seu coração sangrava de saudade.  Mas permanecia serena e confiante, na esperança de que Itagibá voltaria à taba.

Finalmente Potira foi informada de que seu esposo jamais regressaria. Ele havia morrido como um heroi, lutando contra o inimigo.  Ao ter essa notícia, Potira perdeu a calma que mantivera até então e derramou lágrimas copiosas.

Vencida pelo sofrimento, Potira passou o resto de sua vida, à margem do rio, chorando sem cessar.  Suas lágrimas puras e brilhantes misturaram-se  com as areias brancas do rio.  A dor imensa da índia impressionou Tupã, o rei dos deuses.  E este para perpetuar a lembrança do grande amor de Potira, transformou suas lágrimas em diamantes.

Daí a razão pela qual os diamantes são encontrados entre os cascalhos dos rios e regatos.  Seu brilho e sua pureza recordam as lágrimas de saudade da infeliz Potira.

Em: Vamos estudar? — 3ª série primária – de Theobaldo Miranda Santos, Edição especial para os estados Goiás e Mato Grosso,  Rio de Janeiro, Agir: 1961





Imagem de leitura — Gay Henderson

28 10 2011

Jesse lendo, s/d

Gay Henderson ( Nova Zelândia, 1953)

Gay Henderson nasceu na Nova Zelândia em 1953.  Mudou-se para Melbourne na Austrália na década de 1970.  Nos anos 80 ganhou reputação considerável como escultora, figurativa.  Sua carreira ficou em segundo plano enquanto educava suas três filhas.  Há dezesseis anos  mudou sua residência  para Adelaide, na Austrália, onde permanece até hoje.  Foi a mudança para Adelaide que a levou a pintar.  Para maiores informações: http://www.gazeart.com.au/





Palavras para lembrar — Marquês de Maricá

26 10 2011

Helen, 2005

Erik Slutsky (Canadá, 1957)

óleo sobre tela

“A companhia dos livros dispensa com grande vantagem a dos homens.”

Marquês de Maricá





Imagem de leitura — Rudolph Friedrich Wasmann

25 10 2011

Minna Wasmann lendo, 1822

[a irmã do pintor]

Rudolph Friedrich Wasmann ( Alemanha 1805-1886)

óleo sobre tela

Rudolph Friedrich Wasmann começou a estudar pintura aos 17 anos com Christoph Suhr em Hamburgo.  Depois entrou para a Academia de Artes de Dresden, completando seus estudos na Academia de Munique. Viajou muito.  De 1832 a 1835 residiu em Roma, onde se converteu ao catolicismo.  Passou depois mais seis anos divididos entre Mezano e Bolzano na Itália, antes de retornar a Hamburgo.  Ficou conhecido como um grande pintor de retratos. Depois de 1846 voltou a morar em Merano, no Tirol italiano.





Palavras para lembrar — Fénelon

23 10 2011

Periquito, s/d

John Michael Carter (EUA, contemporâneo)

óleo sobre tela, 75 x 75cm

“A leitura deve ser para o espírito, como o alimento para o corpo, moderada, saudável e digerível.”

Fénelon





O mutável mundo da literatura

23 10 2011

Em um barco, 1888

[Retrato da artista Maria Yakunchikova  e auto-retrato]

Konstantin Korovin (Rússia, 1861 —  França, 1939)

óleo sobre tela

Galeria Tretyakov, Moscou.

Muito assunto interessante foi ventilado no excelente artigo sobre a indústria do livro, no blog Roundtable, da revista literária Lapham’s Quarterly. Curtis White pondera sobre o que frequentemente esquecemos: a literatura é mutável.  Ela é tão viva quanto são vivas as indústrias de que depende.  Livrarias, editoras, críticos e mais recentemente as publicações de massa são todas entidades em constante mutação.  E no centro dessas forças mutantes está a disputa pelo poder de determinar o que se considera literatura.  O resultado depende de quem é a autoridade do momento.   Há algum tempo atrás eram os donos das editoras e de livrarias que definiam o que era literatura.   Hoje, estamos vendo a luta entre grandes grupos de leitores, clubes de leitura na televisão, por exemplo, que discutem livros através da mídia e as equipes de marketing das casas editoriais.

No passado podia até ser diferente.  Curtis White lembra que no século XIX havia pouca diferença entre o editor e a livraria.  Muitas vezes os editores arriscavam seus próprios pescoços – o perigo de processo e prisão podia rondar as casas editoriais.  Mas era comum que livrarias vendessem os livros que elas mesmas publicassem o que tornava a casa editorial um negócio que vivia do marketing direto.   Precedendo as “noites de autógrafos”, hoje populares em qualquer canto do mundo, o famoso editor John Murray, que correu sérios riscos ao publicar a poesia de Lord Byron, estabeleceu em sua livraria/casa editorial,  o programa Às quatro com amigos quando leitores poderiam ir tomar chá com o autor.

Terraço, 2007

Evert Thielen (Holanda, 1954)

têmpera sobre madeira, 40 x 50 cm

www.evertthielen.com

Essa conexão de livrarias com seus leitores continuou, apesar de estar morrendo, até os dias de hoje – mas só com as pequenas livrarias.   Nos anos 50 a 70 ainda havia nos Estados Unidos muitas livrarias que se orgulhavam do serviço que prestavam aos seus clientes.   Apesar da fácil acessibilidade a títulos de qualquer editora — realmente o sistema de distribuição nos Estados Unidos é extraordinário – as livrarias pequenas, independentes americanas passaram a oferecer exatamente o que as grandes livrarias em cadeia ofereciam, com pouquíssimas exceções.  No final dos anos 90 praticamente só as grandes cadeias de livrarias compravam títulos de editoras de pequeno ou médio porte.

Para Curtis White a desmoralização do serviço que livrarias prestavam aos seus clientes vem de ter-se mantido, nos EUA, um modelo baseado na década de 1930, que não funciona mais nos dias de hoje:  a consignação.  Esse modelo se baseava em representantes das editoras – pessoas que não liam e que não entendiam nada sobre os livros que vendiam –  que iam de livraria em livraria colocando livros em consignação, como se livros fossem mercadoria que estivesse enchendo armazéns e de quem alguém precisasse se desfazer colocando à venda em qualquer lugar.  As livrarias, por sua vez, aceitavam esses livros como se estivessem adquirindo decoração para suas lojas, para que afinal se parecessem livrarias.   Pois o que interessava mesmo eram os livros que tinham vendas garantidas tais como memórias de celebridades, confissões de políticos que estavam no ocaso de uma carreira política, livros óbvios de auto-ajuda,  que eram colocados nas mesas de maior evidência na entrada desses estabelecimentos.

Meninas lendo, 1965

Norman Neasom (Inglaterra, 1915-2010)

aquarela

O grande problema do sistema de consignação como foi instituído é que permite que as livrarias,  sem gastar um centavo, tenham acesso a novos livros, novos títulos e retornem todos os livros que a editora mandou meses atrás, sem que haja ou que tenham tido qualquer interesse, ou feito qualquer esforço para que a venda desses livros se concretizasse.   Essas livrarias não conseguem vender os livros porque ninguém trabalhando nelas lê ou se dá ao trabalho de ler esses livros.  Tornou-se consequentemente um círculo vicioso.

Mas agora, as coisas ainda estão piores, como escritores e poetas independentes descobriram.  Nos últimos dez anos, para todos nós que nos acostumamos com o auxílio do computador, o ato de comprar um livro está cada vez mais dependente da oferta eletrônica da Amazon, do Google e talvez da Barnes & Noble.

Especialistas – no caso John O’Brien , editor  – consideram que o maior perigo para a indústria editorial nos EUA está na Amazon.  A companhia virtual está agora tomando o lugar de distribuidora e editora e não há casa editorial que possa competir com isso.   John O´Brien esá convencido que a Amazon procura o controle da publicação e da distribuição, o que para ele seria uma horrenda perspectiva já que a companhia teria o poder de determinar o que pode ser publicado e em que termos.   Quando isso acontecer eles poderão estipular o preço dos livros e estabelecer aqueles que se tornarão best-sellers.   Ao que tudo indica, eles poderão fazer isso porque parece que serão – no futuro, talvez até no futuro próximo — a única companhia no mercado.  As grandes casas editoriais dos Estados Unidos  estão por sua vez acreditando que o futuro está incerto já que tudo leva a crer que só duas companhias estarão no mercado editorial: Amazon e Google.   A possibilidade de falência para todas as outras é real.

Sob os eucaliptos, s/d

Claude Fossoux (França, 1946)

óleo sobre tela, 60 x 73 cm

A maior nota de precaução fica com a seleção que a Amazon e até a Google venham a fazer sobre o que publicar.  Apesar de Curtis White prever um futuro desastroso para as publicações literárias – de literatura como a conhecemos, sem necessariamente ser um sucesso financeiro – eu acredito que alguma solução que ainda não conhecemos virá ao nosso encontro, uma outra maneira de se publicar aquilo que pode não ser lucrativo.  Basta haver um problema para podermos pensar num caminho para a solução.  Os seres humanos continuarão a escrever.  A escrever tanto a prosa ou poesia comerciais quanto aquelas que podem até ter maior significado mas que não teriam apelo financeiro para o grande público.  Isso não vai mudar.  Os seres humanos continuarão a ser criativos.  Tanto os escritores quanto os homens de negócios. E alguma solução, alguma nova maneira de conduzirmos o comércio da literatura virá a aparecer.  Afinal como Curtis White mencionou no início, muitas foram as mutações da literatura.

©Ladyce West, 2011





Imagem de leitura — José Villegas Cordero

22 10 2011

Retrato de Miss Elliott, 1892

José Villegas Cordero (Espanha, 1844-1921)

Óleo sobre tela, 101 x 127cm

Coleção Particular

 –

José Villegas Cordero nasceu em Sevilha em 1844.  Começou a aprender pintura bem cedo com o pintor José Maria Romero.  Estudou com ele até ingressar na Escola de Belas Artes de onde se forma. Em 1867 começaram diversos períodos de viagens: Madri, Marrocos, Roma, retornando à Espanha, voltando ao norte da África, à Itália até 1877, quando passou a residir por longos períodos em Veneza.  Em 1898 tornou-se diretor da Academia Espanhola de Belas Artes em Roma e em 1901 diretor do Museu do Prado em Madri, onde viveu até falecer em 1921.





Palavras para lembrar — Cervantes

22 10 2011

Esperando pela praia, s/d

Suzanne Clements (EUA, contemporânea)

acrílica sobre tela 35 x 45 cm

www.suzanneclements.com

“Ver muito e ler muito aviva o engenho do homem.”

Cervantes





Imagem de leitura — Rita Valnere

21 10 2011

No trem, 1959

Rita Valnere ( Letônia, 1929)

óleo sobre tela, 100 x 120cm

Rita Valnere nasceu na Letônia em 1929.  Estudou arte na Escola de Arte Janis Rozental em Riga, formando-se em 1949.  Depois extendeu seus estudos  no Departamento de Pintura da Academia de Artes da Letônia sob os cuidados do pintor E. Kalnins.  Tem tido uma carreira auspiciosa desde então com numeorsas exposições dentro e fora do país assim como prêmios.