Maria Sherbinina(Rússia, 1965)
óleo sobre tela, 72 x 80 cm
“Escrever aos vinte anos, é ter vinte anos. Escrever aos quarenta, é ser poeta.”
Francis Carco
Maria Sherbinina(Rússia, 1965)
óleo sobre tela, 72 x 80 cm
Francis Carco
Alcy Vianna (Brasil, 1937)
óleo sobre tela, 40 x 55 cm
Fernando Botero (Colômbia, 1932)
óleo sobre tela
“Certos artistas, escritores ou pintores, florescem em espaços confinados como os bebês em gestação. Seus temas estreitos podem desconcertar ou desapontar algumas pessoas. Rituais de fazer a corte entre os membros da pequena nobreza do século XVIII, a vida sob os velames de um barco,coelhos falantes, lebres esculpidas, retratos de gente obesa, de cachorros, de cavalos, de aristocratas, nus reclinados, milhões de cenas da natividade, crucificações, subidas ao céu, tigelas com frutas, flores em vasos. E pão e queijo holandeses com ou sem uma faca ao lado. Alguns escritores de prosa cuidam apenas de seus egos. Também no campo científico há quem dedique a vida a uma caramujo albanês ou a um vírus. Darwin consagrou oito anos às cracas. E, mais velho e mais sábio, às minhocas. Milhares de pesquisadores passaram a vida correndo atrás do bóson de Higgs, uma coisinha de nada. Estar circunscrito a uma casca de noz, ver o mundo em cinco centímetros de marfim, num grão de areia. Por que não, quando toda a literatura, toda arte e a iniciativa humana não passam de uma partícula no universo das coisas possíveis? E mesmo nesse universo pode ser uma partícula numa infinidade de universos reais e possíveis?”
Em: Enclausurado, Ian McEwan, São Paulo, Cia das Letras: 2016, tradução de Jorio Dauster, páginas 69-70;
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René Sílvio Tomczak (Brasil, contemporâneo)
Óleo sobre tela, 60 x 50 cm
Alexander Roche (Escócia, 1861-1921)
óleo sobre tela, 46 x 68 cm
Coleção Particular
Jovem lendo na carta: “Meu coração é onde o verdadeiro amor reside, eu irei tecer uma cama de rosas par você.”
Bernardo Amiconi (Itália, ? — 1879)
óleo sobre tela, 60 x 50 cm
“Cultura é o que diferencia os seres humanos das bestas. Então, não há nada que o humano faça, como ser social, que não tenha um cunho cultural. A cultura não deve ser vista somente como entretenimento, manifestação artística. É a forma de pensar, de ver o mundo, de se relacionar com Deus, com os Cosmos, com a Natureza, com o outro. Dentro da cultura há economia, turismo, saúde, educação. Em tudo o que existe colocamos a cultura, porque damos o seu valor.”
Em: “Conte algo que não sei“, entrevista com Mário Lúcio Sousa, O Globo, quarta-feira, 26 de outubro de 2016, 1º caderno, página 2.
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Colette Pujol (Brasil, 1913-1999)
óleo sobre tela, 50 x 60 cm
Mãe e filha lendo um livro, 1897
Carlton Alfred Smith (Inglaterra, 1853-1946)
aquarela sobre papel, 20 x 32 cm
Praça XV, Rio de Janeiro, 1940
René Lefreve (Brasil, 1910-1996)
óleo sobre tela, 37 x 43 cm
Haddon Hubbard Sundblom (EUA, 1899-1976)
óleo sobre tela, 20 x 33cm
[usado para anúncio de Cream of Wheat, 1929]
“Vejo nesse comportamento o mesmo menino pálido que eu era. Menino que desprezava brinquedos reais para fazer de conta, por exemplo, que o jambeiro da minha casa era uma criatura e com ela entender-me bem melhor do que me entendia com minha irmã. Trepar-me nos galhos dele, falar com as nuvens e guardar segredos que nunca me foram contados. Fugir das pessoas que me cercavam, detestar-lhes a compreensão lógica e férrea por obediência à vida real. E zangar-me, tornar-me furioso quando, inventando palavras cujo sentido só eu mesmo percebia, destinadas a coisas por mim mesmo idealizadas, notava que todo o mundo as tomava como articulações sem sentido de um tolo ou de um alucinado. E por isso evitava o contato dos meus, sumindo-me para os lugares ermos e resguardados, ambiente propício para conceber o mundo se alargando em maiores e melhores mistérios. Eu não queria nenhum finito visual. Nenhum limite no pensamento, e a razão também sujeita às fantasias. O reino admirável das coisas impossíveis, esfera de outras dimensões. Para que subordinar-me às relações conhecidas, se a vida só me era boa assim: fazendo de conta? Vem daí com certeza o adulto absurdo que eu era, não aceitando as regras comuns, as normas estabelecidas, pois eu queria a vida medida a palmos, exatamente porque as mãos são desiguais.”
Em: As confissões do meu tio Gonzaga, Luís Jardim, Rio de Janeiro, José Olympio: 1976 [Coleção Sagarana], 3ª edição, página 37





