Flores para um sábado perfeito!

6 01 2018

 

 

 

Claudio Arena - Flores - ost - 50 X 40 cm. - acidFlores

Cláudio Arena (Brasil, 1945)

óleo sobre tela, 50 x 40 cm





Rio de Janeiro, de norte a sul!

5 01 2018

 

 

ARMINIO PASCOAL. Veleiro e Corcovado, óleo s eucatex, 30 x 40 cm.Veleiro e Corcovado

Armínio Pascual (Brasil, 1920 – 2006)

óleo sobre eucatex, 30 x 40 cm





Minutos de sabedoria: Chamfort

5 01 2018

 

 

 

Aart Everaarts (Holanda, contemporâneo)Mulher lendo em Mião, acrilico sobre papel, 100x140cm, século XXI

Mulher lendo em Milão

Aart Everaarts (Holanda, 1931)

acrílica sobre papel, 100 x 140cm

 

 

“Quando não queremos ser charlatães, é preciso evitar subir nos palcos; pois, se subimos neles, nos vemos forçados a ser charlatães. De outro modo a plateia nos apedreja.”

 

 

220px-Nicolas_ChamfortNicolas Chamfort

 

 

 





Eu, pintor: Segundo Matilla

4 01 2018

 

 

 

Segundo Matilla(Espanha, 1862-1937) Autorretrato, 1907-, ost, 167x 85, Museu Nacional d_art de Catalunya.Autorretrato, 1907

Segundo Matilla (Espanha, 1862 – 1937)

óleo sobre tela, 167x 85cm

Museu Nacional de Arte da Catalunha





Resenha: “Os criadores de coincidências”, Yoav Blum

4 01 2018

 

 

John Brack, Jack, Queem and KingValete, dama, rei, 1989

John Brack (Austrália, 1920 – 1999)

óleo sobre tela, 106 x 136 cm

 

 

 

Os criadores de coincidências de Yoav Blum, tradução de Fal Azevedo,  é um livro divertido, uma mistura de thriller e romance; leitura rápida, inconsequente, amena.  É um dos maiores sucessos de vendas em Israel, traduzido e publicado no Brasil antes mesmo de atingir o mercado americano, onde será lançado em março de 2018.

Produzir coincidências é o trabalho de três agentes Guy, Eric e Emíly que recebem ordens para produzirem coincidências na vida de pessoas comuns.  Estas ordens aparecem de maneira misteriosa, indicando a existência de uma organização maior, acima de todos nós simples mortais, onisciente, toda poderosa, com poderes de influenciar diretamente nos nossos destinos.  A partir daí esses agentes, treinados na tal organização, usam de análises matemáticas e complexos projetos, para construir diversos eventos que em cadeia levam a um acontecimento final quando duas ou mais partes se encontram.

 

OS_CRIADORES_DE_COINCIDENCIAS_1502753037705258SK1502753037B

 

A ideia é interessante e divertida. Depois desta leitura você vai pensar duas vezes quando perder um documento num táxi, quando manchar sua camisa com café depois de esbarrar num obstáculo, e certamente jamais achará que existem encontros casuais com conhecidos ou desconhecidos.  Mas houve momentos em que tive a impressão de que o autor estava particularmente orgulhoso de sua obra, e que lhe faltou um bom editor, para ajudá-lo a reduzir algumas ideias bastante astutas.  Os capítulos dedicados às cartilhas dos agentes, às regras a que se submetem, são pela primeira vez que aparecem, e interrompem a narrativa, uma curiosidade repleta de humor, mas quando a história é interrompida mais de uma vez por esses capítulos, temos um  artifício cansativo na composição da história.

 

814NwHfh3YL._UX250_Yoav Blum

 

Através desta leitura tive a sensação de estar acompanhada do espírito do filme Agentes do Destino (2011), com Matt Damon e Emily Blunt, baseado no conto do escritor de ficção científica já falecido PKD [Philip K. Dick] Adjustment Team, originalmente publicado em 1954.  Não conheço o conto.  Mas vi o filme mais de uma vez, já que é uma das minhas comédias românticas favoritas. Não se trata de cópia, mas a ideia é semelhante.

Se você precisa de distração, este pode ser o livro ideal para colocar na mala e ler nas férias, depois da piscina ou numa rede à beira-mar. É uma leitura leve, divertida, sem consequências, um pouco de mistério, um pouco de romance. Agradável.

 

 

NOTA: este blog não está associado a qualquer editora ou livraria, não recebe livros nem qualquer incentivo para a promoção de livros.





Hoje é dia de feira: frutas e legumes frescos!

3 01 2018

 

 

 

Estevão Silva-natureza morta-pinacotecaNatureza Morta, 1888

Estevão Silva ( Brasil, 1845-1891)

óleo sobre tela

PINA — Pinacoteca do Estado de São Paulo





Nossas cidades: Paranaguá

2 01 2018

 

 

 

mercado-paranagua-paul-garfunkel-1979Mercado de Paranaguá, 1979

Paul Garfunkel (França/Brasil, 1900 – 1981)

óleo sobre tela





Imagem de leitura — John Butler Yeats

2 01 2018

 

 

 

John Butler Yeats,(irlanda, 1839 – 1922) Mary Lapsley Caughey, 1916, ost, 105x84cm,National Gallery of IrelandMary Lapsley Caughey, 1916

John Butler Yeats (Irlanda, 1839 – 1922)

óleo sobre tela, 105x84cm

National Gallery, Irlanda





“Verão”, texto de Joanna Cannon

1 01 2018

 

 

 

verão, donald zolanVerão, David Zolan.

 

 

 

“O cheiro de asfalto quente me beliscou o nariz e mudei as pernas de posição, afastando-as do calor dos tijolos. Não havia lugar algum onde se pudesse fugir do calor.  Ele estava lá todos os dias, ao acordarmos, insistente e constante, pairando no ar como uma discussão inacabada. Escoava os dias das pessoas para as calçadas e os pátios e incapazes de nos contermos entre tijolos e cimento, nos derretíamos do lado de fora, trazendo conosco nossas vidas. Refeições, conversas, debates, tudo despertava, perdia as amarras e era permitido ao ar livre. Até a vila estava mudada. Rachaduras gigantes abertas no chão, cheias de grama amarela, pareciam macias e instáveis. Coisas que haviam sido sólidas e confiáveis eram agora maleáveis e duvidosas. Nada mais parecia seguro. Os laços que mantinham as coisas coesas foram destruídos pela temperatura — foi o que disse meu pai –, mas parecia mais sinistro do que isso. Parecia que a vila inteira se transformava, se distendia e tentava fugir de si mesma.”

 

 

Em: Entre cabras e ovelhas, Joanna Cannon, tradução de Celina Portocarrero, São Paulo, Editora Morro Branco:2017, p. 16-17.

 

 





Um encontro inesperado, W. Somerset Maugham

30 12 2017

 

 

Alfred Lyndon Grace (British, 1867-1949) After Dinner, Port and PipesDepois do jantar, porto e cachimbos

Alfred Lyndon Grace (GB, 1867-1949)

óleo sobre tela, 61 x 76 cm

 

 

“Minha segunda aventura foi do gênero humorístico. Estava sendo conduzido através da zona rural por uma mulher que muito fazia, como algumas outras inglesas e americanas caridosas, para melhorar a sorte dos infelizes refugiados; como principiasse a fazer-se tarde, eu disse que precisava tratar de arranjar um quarto em algum hotel, para passar a noite.

–Não se preocupe com isso — respondeu ela. — Tenho uns primos distantes que moram nestas redondezas e o acolherão com prazer. São provincianos, gente muito siples, mas ótima, e lhe darão um bom jantar.

— Muito gentil da parte deles — retruquei.

Minha companheira não mencionou o nome dos seus parentes e não me ocorreu perguntar-lho. Do que ela havia dito depreendi que se tratava de gente pobre que vivia muito modestamente; foi, por isso, uma surpresa para mim quando, ao anoitecer, entramos numa cidadezinha e paramos diante de uma casa que, ao lusco-fusco, tinha um aspecto assaz imponente. Fomos recebidos por um homem gordo, de estatura baixa, xom um rosto vermelho de feições comuns. Trajava uma roupa preta que não lhe sentava muito bem e tinha a aparência de um típico burguês francês. Conduziu-me a um quarto bem aquecido, confortavelmente mobilado, e notei com satisfação que havia um banheiro ao lado. Disse-me ele que o jantar era às sete e meia. Tomei um banho e, como me sentisse muito cansado, dormi um pouco. À hora marcada desci e tratei de encontrar o living, em cuja lareira ardia um belo fogo de troncos. Meu anfitrião, que ali se achava, ofereceu-me um cálice de xerez. Afundei-me numa vasta poltrona.

— Encontrou uma garrafa de conhaque no seu quarto? — perguntou-me ele.

— Não procurei — respondi.

— Sempre tenho uma garrafa de conhaque em todos os quartos de dormir da casa, até nos quartos das meninas. Elas nunca tocam nessas garrafas, mas agrada-me saber que as têm consigo.

Achei a ideia esquisita, mas não disse nada. Pouco depois o meu cicerone feminino entrou em companhia de uma senhora morena e magra, a quem fui apresentado. Era irmã do dono da casa, mas não lhe apanhei bem o nome. De algumas frases pronunciadas durante a conversa inferi que o meu anfitrião era solteiro e a irmã hospedara-se em sua casa com duas filhas pelo tempo que durasse a guerra, pois seu marido tinha sido mobilizado. Rumamos para a sala de jantar, onde já nos aguardavam duas mocinhas, respectivamente de quatorze e quinze anos presumíveis, com uma empertigada governanta. Fomos servidos por um velho mordomo e uma criada.

— Abri em sua intenção o meu último garrafão de clarete, um Château-Larose de 1874 — disse o dono da casa.

Eu nunca tinha visto ainda um garrafão de clarete. Fiquei impressionado. O vinho era delicioso. Para um parente pobre, pareceu-me que o dono da casa ia bastante bem de vida. A comida era excelente — verdadeira comida francesa do campo, copiosa, talvez um tantinho pesada e muito temperada, mas saborosíssima. Um dos pratos estava tão bom que não pude deixar de comentá-lo.

— Estimo que tenha gostado — disse o anfitrião. — Na minha casa todos os pratos são cozidos com conhaque.

Começou a parecer-me que aquela casa era realmente muito estranha e desejei, mais do que nunca, saber quem era o hospitaleiro indivíduo. Terminamos de jantar e tomamos um cafezinho, após o que o mordomo trouxe uns copos grandes e uma imensa garrafa de conhaque. Eu já tinha ingerido uma boa quantidade de clarete e, em vista de me achar entre estranhos, achei prudente não tomar mais álcool. Recusei, portanto, o conhaque.

— Como! — exclamou o meu anfitrião, caindo para trás na poltrona. — O senhor vem passar a noite em casa de Martell e enjeita um copo de conhaque!

Eu havia jantado em casa do maior negociante mundial de conhaque.

— E olhe bem! — acrescentou ele. — Este conhaque não está à venda. É um tipo que eu reservo para o meu consumo particular.

Diante disso, força me foi abandonar a minha circunspecção.  O resto do serão passou-se bem depressa, ouvindo-lhe contar o romântico episódio do descobrimento do conhaque e os dois séculos de história da sua firma. Parti no dia seguinte, com um cordial convite para voltar quando a guerra houvesse terminado.”

 

Em: Assunto pessoal, William Somerset Maugham, Globo: 1959, tradução de Leonel Vallandro, pp 93-96