Sé da cidade de Sobral
José Nolasco Albano (Brasil, 1914 — ?)
aquarela, 28 x 40 cm
Sé da cidade de Sobral
José Nolasco Albano (Brasil, 1914 — ?)
aquarela, 28 x 40 cm
Jangada do Ceará, 1988
Win Van Dijk (Holanda/Brasil, 1915-1990)
óleo sobre tela, 46 x 55 cm
Conversas de marinheiro
ouço nas conchas do mar.
São almas de jangadeiros
Que não puderam voltar.
(Hegel Pontes)

Retrato de uma jovem mulher
Cagnaccio di San Pietro
Cognome de Natalino Bentivoglio Scarpa, (Itália, 1897-1946)
óleo
Coleção Particular
Ilustração Al Parker, 1959.
“Pensei que em toda minha vida ninguém havia me amado total e desesperadamente. Ah, houve um tempo em que acreditei que Stefan Cheval gostava de mim dessa maneira — sim, o famoso e polêmico Stefan Cheval. Mas isso foi há séculos, pouco antes daquele congressista de pele rosada ter declarado que suas pinturas eram “obscenas e antiamericanas”. Minha opinião? Para ser absolutamente sincera, eu achava que a série de Stefan Liberdade de Escolha, era dramática e clichê. Vocês sabem do que estou falando: os guaches retratando a bandeira americana misturada com bois e vacas, cães mortos por eutanásia, monitores de computador — ou será que eram aparelhos de TV naquela época? Em todo caso, pilhas e pilhas de excessos para mostrar o desperdício imoral. O vermelho da bandeira era cor de sangue, o azul era berrante e o branco da cor de “esperma ejaculado”, de acordo com a descrição do próprio Stefan. Ele sem dúvida não era nenhum Jasper Johns. Entretanto, depois que a obra de Stefan foi execrada, ela foi clamorosamente defendida por grupos de direitos humanos pela ACLU, pelos departamentos de arte das melhores universidades americanas e por todos aqueles tipos liberais defensores das liberdades civis. Permitam-me dizer, foram eles que atribuíram à obra mensagens grandiosas que Stefan jamais havia pretendido. Eles viram as complexidades das camadas significativas, viram como certos valores e estilos de vida eram considerados mais importantes do que outros, e como nós, os americanos, precisávamos do choque da feiúra para reconhecer nossos valores e responsabilidades. Os regatos [SIC] de esperma eram especialmente citados como representativos da fome de prazer incontrolável que nos levava à desordem e à proliferação. Tempos depois, a desordem se referia ao aquecimento global e à proliferação de armas nucleares. Foi assim que aconteceu dele se tornar famoso. Os preços subiram. O simples mortal virou um ícone. Alguns anos mais tarde até igrejas e escolas tinham pôsteres e cartões-postais de seus temas mais apreciados e as galerias franqueadas dos grandes centros turísticos logo criaram um negócio lucrativo vendendo suas serigrafias de edição limitada, junto com gravuras de Dali, Neiman e Kincade.”
Em: As redes da ilusão, Amy Tan, tradução Ana Deiró, Rio de Janeiro, Rocco: 2008, pp: 26-27.
I got music
Ana Goldberger (Brasil, 1947)
acrílica sobre tela, 70 x 70cm
Paisagem urbana do Rio de Janeiro, 1957
João Baptista de Paula Fonseca (Brasil, 1889 -1960)
óleo sobre tela, 50 x 60 cm
Legumes e caldeirão
Aldo Bonadei (Brasil, 1906 – 1974)
Óleo Sobre Placa, 38 x 52 cm
Igreja do Rocio, Paranaguá, 1930
Alfredo Andersen (Noruega/Brasil, 1860 – 1935)
óleo sobre tela, 75 x 53 cm
Contos de fadas para bebê, 2007
Alexander Levchenkov (Rússia, 1977)
óleo sobre tela, 50 x 70 cm
Águas-vivas sobre azul-anil
Eli Halpin (GB, contemporânea)
Em 1925, Evelyn Waugh, ainda desconhecido, sentiu-se entusiasmado com a perspectiva de trabalhar em Pisa, na Itália como secretário do escritor e tradutor Charles Kenneth Scott Moncrief, que estava naquela época envolvido com a tradução da obra de Marcel Proust, À procura do tempo perdido, cujos primeiros dois volumes já haviam sido publicados. Certo de que seria escolhido para a posição, Evelyn Waugh demitiu-se do trabalho como professor na Arnold House, um colégio para meninos no país de Gales. Nesse meio tempo, ele havia mandado os primeiros capítulos de um livro que escrevia para o escritor Harold Acton [Sir Harold Mario Mitchell Acton] para que lhe desse sua opinião. Acton não se mostrou entusiasmado. Muito pelo contrário, reagiu de maneira bastante fria à proposta de Waugh, que ao perceber a reação do amigo de longa data, que, em parte, dizem ter inspirado o personagem ‘Anthony Blanche’ da obra Memórias de Brideshead, publicada anos mais tarde, Waugh prontamente queimou todo o manuscrito.
Logo depois de ter deixado sua posição na Arnold House, Evelyn Waugh soube que a posição de secretário de Moncrief não iria se concretizar. Essas duas derrotas, para quem estava tão certo de sucesso, foram suficientes para que Waugh entrasse em depressão e considerasse seriamente o suicídio. É através de suas recordações que sabemos que ele levou a ideia do suicídio a sério. Escreveu uma carta de adeus, foi à praia e deixando suas roupas embrulhadas junto com a carta, dirigiu-se ao mar com o objetivo de se afogar. Eis que, já imerso na água, vencendo as ondas, é atacado por águas-vivas. A dor e o desconforto foram tais, que ele voltou imediatamente para a areia, desistindo do plano.
E a literatura inglesa deve às águas-vivas a descoberta de um de seus grandes escritores do século XX.