Crisântemos
Alice Gonsalves (Brasil, 1894-1985)
óleo sobre madeira, 51 x 70 cm
Flores, 1962
Gastão Formenti (Brasil, 1894-1974)
óleo sobre eucatex, 16 x 22 cm
Crisântemos
Alice Gonsalves (Brasil, 1894-1985)
óleo sobre madeira, 51 x 70 cm
Flores, 1962
Gastão Formenti (Brasil, 1894-1974)
óleo sobre eucatex, 16 x 22 cm
Paisagem com casario em Santa Teresa, 1965
Inimá de Paula (Brasil, 1918-1999)
óleo sobre tela, 61 X 73 cm
Trompe l’œil de jornais e instrumentos de escrita sobre uma placa de madeira, 1698
Edwaert Collier (Holanda, 1642 – 1708)
óleo sobre tela, 60 x 48 cm
À venda na Sotheby’s em 2022
A obra de Edwaert Collier está sempre à procura da beleza, mas ele também que desafiar nossos olhos nos fazendo duvidar do que vemos. Seja em um afresco romano ou em uma tela holandesa do século XVII, o trompe l’oeil continua a nos capturar pelo puro prazer da descoberta: aquele instante mágico em que percebemos que fomos gentilmente enganados pelo pincel.
Seguem alguns exemplos de sua obra.
Trompe l’œil, diversos instrumentos de escrita, pente, jornais, 1696
Edwaert Collier (Holanda, 1642 – 1708)
óleo sobre tela, 69 x 84 cm
Museu de Arte de Indianápolis

Trompe l’œil, diversos instrumentos de escrita, 1699
Edwaert Collier (Holanda, 1642 – 1708)
óleo sobre tela
Victoria & Albert Museum, Londres
Trompe l’œil, O cheiro, c. 1701-1708
Edwaert Collier (Holanda, 1642 – 1708)
óleo sobre tela, 52 x 63 cm
Museu de Belas Artes, Houston, TX
Nota: há outras versões dessa tela.
Trompe l’œil, com porta cartas e a gravura de uma mulher, e um discurso de 1704 no Parlamento, s/d
Edwaert Collier (Holanda, 1642 – 1708)
óleo sobre tela, 51 x 61 cm
Coleção Particular
Nota: há outras versões semelhantes a essa tela, pelo próprio pintor.
Trompe l’œil, Porta-cartas, 1692
Edwaert Collier (Holanda, 1642 – 1708)
óleo sobre tela
Detroit Museum of Art
Enterro da Sardinha, 1812-14
Francisco Goya (Espanha, 1746-1828)
óleo sobre madeira, 83 x 52 cm
Real Academia de Belas Artes de San Fernando
O enterro da sardinha retrata uma festa espanhola, bastante caótica, que simboliza o enterro dos excessos do passado e o início das tradicionais restrições de jejum da Quaresma.
Trata-se de uma procissão funerária, jocosa, para o enterro de um peixe. Goya retrata um grupo de pessoas mascaradas, numa procissão caótica, com os últimos foliões, que carregam uma bandeira escura, com a figura do Rei Momo, rindo.
Acredita-se que essa celebração tenha surgido em Madri, durante o século XVIII, quando a corte encomendou peixes para o período da Quaresma. Mas o caminho era longo e os peixes chegaram a Madri já estragados, com cheiro muito ruim, obrigando os responsáveis a enterrar toda carga putrefata, às margens do Rio Manzanares. Comemoram o enterro da sardinha também nas Ilhas Canárias e na Catalunha.
Quando eu era criança, no Rio de Janeiro, havia um bloco que fechava o Carnaval. Saía ao meio-dia, o bloco dos presos, ou seja de todos aqueles que haviam sido presos por má conduta durante os dias de folia, em geral um monte de pessoas bêbadas e responsáveis por pequenos delitos.
Mas a Quaresma também era diferente. Não cresci numa família religiosa. Católica, mas não muito praticante. Mesmo assim não se devia rir alto, não se devia ouvir música alta. Tínhamos que ter comportamento sisudo. Era muito difícil. Os santos nas igrejas eram todos cobertos com tecido roxo simbolizando a dor, o luto, a tristeza de todos os católicos, mas isso acabou com o Papa João XXIII. Lá em casa, podíamos tocar piano só com o pedal abafador, e qualquer música era baixinho, para respeitar e não constranger nossos vizinhos que levavam as restrições da Quaresma muito mais a sério. E o Rio de Janeiro, respeitava o silêncio. Não havia blocos na rua, depois da Terça-feira Gorda. Alegria voltava só no Sábado de Aleluia, quando muitos clubes tinham o Baile do Enterro dos Ossos, à noite.
Lista de compras, 1912
Harold Gilman (Inglaterra, 1876-1919)
óleo sobre tela, 62 x 51 cm
Conselho Britânico, Londres
Flores do campo, 1974
Wega Nery (Brasil, 1912-2007)
óleo sobre tela, 100 x 68 cm
Vaso de flores e figuras,2003
Ronaldo Torquato (Brasil, 1957)
óleo sobre tela, 130 x 100 cm
Uma conversa íntima, 1961
Chris McMorrow (Irlanda, contemporâneo)
aquarela sobre papel
“Servido o café, as mulheres se ocuparam com o tricô, instaladas no seu canto habitual. Pardon e Maigret sentaram-se perto de uma das janelas, enquanto o jovem marido de Alice, não sabendo bem a que grupo se integrar, acabou por sentar-se ao lado de sua mulher.
Já estava decidido que a Sra. Maigret seria a madrinha da criança, para quem ela tricotava um casaquinho.
Pardon acendeu um charuto. Maigret encheu seu cachimbo. Eles não tinham particularmente vontade de falar, e um tempo bastante longo transcorreu em silêncio enquanto lhes chegava o rumor das mulheres.
Por fim o médico murmurou como para si mesmo:
— É mais uma dessas noites eu que eu desejaria ter escolhido outra profissão!
Maigret não insistiu, não o estimulou a confidências. Ele gostava muito de Pardon. Considerava-o um homem no sentido pleno que dava a essa palavra.”
Em: Uma confidência de Maigret, Simenon, L&PM-Pocket: 2013.
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Amanhã, aqui no Rio de Janeiro, já é ponto facultativo, pelo Carnaval. Este ano estarei por aqui, na cidade. E já escolhi alguns livros para ler. Alguns gostosos como esse de Simenon, e alguns outros. Devo poder descansar.
Escolhi essa passagem do livro, logo em seu início, Simenon nos lembra que nas grandes amizades, não se precisa falar o tempo todo. Há conforto no silêncio.
Que nós todos tenhamos amigos assim!
O vendedor de frutas, 1923
Tarsila do Amaral (Brasil, 1886-1873)
óleo sobre tela, 109 x 95 cm
Coleção Gilberto Chateaubriand – MAM/RJ
Vendedor de frutas, 1924
Vicente do Rego Monteiro (Brasil, 1899-1970)
óleo sobre tela, 70 x 80 cm
Coleção Particular
O gato sábio, 1904
Henriëtte Ronner-Knip (Holanda, 1821-1909)
óleo sobre madeira, 28 x 36 cm
Coleção Particular
De manhã, quando a gente chegava à nossa baia, tinha sempre um gato branco deitado na mesa de P. O encarregado da limpeza disse que podia dar um jeito nele, Tá tranquilo, o bichinho não faz mal pra ninguém. No começo era o gato do hangar. Depois virou o gato da nossa ilha. Até que chegamos um dia pela manhã e o bicho parecia meio morto. Nunca vi alguém tão desesperado pela vida de um animal que sequer lhe pertencia. Foi aí que ele virou o gato da P.
Penélope segurou o gato, que mais parecia um tigre-de-bengala em seu colo, e correu com dificuldade em direção ao pátio. Pediu ao seu Geraldo, o motorista, que o levasse ao veterinário mais próximo, e rápido. A lamúria da P. durou uma semana, o tempo da internação. Penélope foi visitá-lo todos os dias e voltava com boletins não solicitados da evolução do quadro. Eu não aguentava mais aquela ladainha toda. Quando ela voltou com o bicho recém-operado dentro da caixa de transporte, seu Geraldo despontou atrás com sacolas enormes, trazendo o enxoval completo comprado no pet shop. Penélope depositou a caixa cuidadosamente no canto da sua mesa. Dava para ver um colchãozinho xadrez. Não tem gato? Então, não tem. É uma gata. Penélope mostrou a plaquinha de identificação como nome Lady Gata e o número do celular dela. É isso, agora a gata mora aqui com a gente. Alguém tem alergia? Bateu uma caixa de Fenergan em cima da mesa. Sem protestos.
Em: Virgínia mordida, Jeovanna Vieira, Companhia das Letras: 2024