Imagem de leitura: Henry van de Velde

1 09 2025

Père Biart lendo no jardim, 1891

Henry van de Velde (Bélgica, 1863–1957)

óleo sobre papel pardo, colado em tela, 63 x 52 cm

Newfields, Indianápolis





Resenha: A voz do tempo, Lenah Oswaldo Cruz

31 08 2025

Pensativa, 1883

Władysław Czachórski (Polônia, 1850-1911)

óleo sobre tela, 90 x 60 cm

Museu Nacional, Varsóvia

 

 

Pensativa foi minha reação à leitura de A voz de tempo, de Lenah Oswaldo Cruz. Por coincidência, horas depois, quando ainda estava sob o impacto da leitura, recebi de uma amiga, a conhecida frase de Luís Fernando Veríssimo: A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai.  Esse seria um resumo parcial das contorções emocionais dos quatro personagens envolvidos nessa biografia familiar: Luiz, Dora, Victor e Lenah.  Com ajuda da autora, navegamos pelos mares tempestuosos das paixões, dos amores e desejos de seus pais, e testemunhamos as consequências, o legado deixado aos filhos pelo comportamento destemperado dos progenitores.  

Luiz era um homem de família muito pobre que encontrou na igreja um meio de se educar e trazer alívio às vicissitudes da pobreza em que ele e seus pais viviam. Inteligente, brilhante mesmo, com conhecimento acima de todos à sua volta, que a bela educação no seminário beneditino lhe proporcionou, Luiz não se tornou padre sem dúvidas sobre essa escolha. No entanto, não viu outro caminho aberto que pudesse preencher suas necessidades.  Fervoroso, dedicado, segue pelo magistério até encontrar a belíssima aluna, que chega atrasada para sua primeira aula. Dora era de uma beleza estonteante.  Mas mais que isso, era inteligente, interessada, devoradora de livros, capaz de sustentar um argumento intelectual melhor do que muitos homens de seu tempo. De espírito intrépido, desafiador, fazia o que queria sem as entravas sociais que a maioria respeitava.  Vinha de uma família abastada, da alta sociedade. Duas pessoas fisicamente atraentes, que se encontram no respeito e na admiração pelo intelecto do outro. O incêndio amoroso é quase instantâneo.   Mas ele é padre. Para ambos essa é uma paixão impossível, o que torna o relacionamento ainda mais intenso.

Victor e Lenah são as crianças dessa loucura.  Luiz eventualmente deixa a batina, mas a vida não é fácil e Dora, a bela e rebelde mulher que conquista quem ela quiser, acaba desinteressada. Eventualmente, há outro homem no caminho.  Um americano, também casado, também inteligente, belo e rico.  Mas, essa paixão tem um preço para Dora: ela terá que não trazer seus filhos para o convívio diário do novo casal, depois que ambos, conseguindo o divórcio, se estabelecerem em novo casamento.  Mas que divórcio?  No Brasil da época não há divórcio. Há o desquite. E há um preconceito enorme contra os desquitados (principalmente a mulher nessa situação indefinida de status civil) e também contra as crianças frutos do relacionamento do casal que se separa.  Pais não querem seus filhos em companhia dessas crianças, nem nenhum contato com seus progenitores. Esse é apenas um dos grandes empecilhos encontrados por essas quatro almas protagonistas dessa biografia de família. E volto à frase de Luís Fernando Veríssimo: A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai.  

As crianças não só são deixadas de lado por Dora que verá os filhos nos anos vindouros sem frequência regular; mas Luiz também os abandona, porque olhar para a menina, que é a imagem da mãe, dói muito.  Esse pai, ex-padre, passa a vida sem olhar para sua filha, olho no olho.  Suas interações são sempre sem que ele a olhe no rosto.  Luiz também se casa, com uma viúva, que traz para o casamento uma filha do relacionamento anterior, que ele trata muito melhor que a própria filha. Victor e Lenah são colocadas em colégios internos no Rio de Janeiro: ele no Anglo-Americano, na praia de Botafogo, enquanto Lenah vai para o Bennett, no Flamengo.

Lenah Oswaldo Cruz

Não pretendo dar a história completa da família biografada. Mas não posso deixar mencionar alguns pontos que me fizeram pensativa.  É impressionante que em duzentas páginas se consiga identificar tantos sentimentos nesse imbróglio familiar.  Sair dessa leitura sem meditar sobre o que move nossas almas: amor, ódio, paixão, reconciliação, traição, abandono, perdão, preconceito, coragem e tantos outros sentimentos primordiais, não teria sido uma leitura completa, digna do texto publicado. Somos também forçados a considerar o progresso que tivemos nas normas sociais do país.  Não teria sido tão rica narrativa sem as memórias escritas de Luiz, lembranças de familiares, e experiência vivida por Victor e Lenah. 

Essa é uma leitura impactante, que não nos deixa tempo para respirar. Viciante.  Recomendo a todos.  O livro está em sua segunda edição. Agora na Amazon em papel e eletrônico.  Essa foi a segunda vez que li A voz do tempo. A primeira, foi no lançamento de 2017.  Meu grupo de leitura Ao Pé da Letra, contudo, escolheu essa nova edição para leitura de agosto, já que a recente publicação (2025) está recebendo bastante atenção. Para nossa alegria tivemos a oportunidade de um encontro com a autora, após a leitura. Foi delicioso.   Recomendo. Além da biografia há um esquete bastante repleto de surpresas da vida no Rio de Janeiro nas décadas de 30 a 50. 





Paisagens brasileiras…

31 08 2025

Raiz da Serra, ou paisagem com casario,1967

Armínio Pascual (Brasil, 1920-2006)

óleo sibre eucatex, 38 x 46 cm

 

 

Paisagem

Baptista da Costa (Brasil, 1865-1926)

óleo sobre madeira, 32 x 40 cm 

 





Em casa: Fritz von Uhde

31 08 2025

À janela

Fritz von Uhde (Alemanha, 1848–1911)

óleo sobre tela, 81 x 66 cm 

Museu Städel, Frankfurt





Flores para um sábado perfeito!

30 08 2025

Vaso com flores, 1954

Marques Junior (Brasil, 1887-1960)

óleo sobre tela colado em placa, 65 x 50 cm

 

 

 

Buquê de papoulas amarelas

Olga Mary Pedroza (Brasil, 1891-1963)

óleo sobre tela, 50 x 80 cm





Vento do mar e o sol no meu rosto a queimar…

29 08 2025

Paisagem do Rio de Janeiro com o Corcovado ao fundo

Sylvio Pinto (Brasil, 1918-1997)

óleo sobre tela, ,58 x 80 cm





Aquarela, poesia de Francisca Júlia

28 08 2025

Grace Rose, 1866

Frederick Sandys (Inglaterra, 1829-1904)

óleo sobre madeira, 28 x 24 cm

Yale Center for British Art, EUA

 

Aquarela

 

Francisca Júlia

 

Cheio de folhas, úmido de orvalho.

Fresco, à beira de um córrego crescia

Jovem pé de roseira em cujo galho

Uma rosa sorria.

 

O orvalho matinal que o beija e molha,

Desce de cima em brancas névoas finas.

E todo pé salpica, folha a folha,

De gotas pequeninas.

 

Beija-o o perfumeo Zéfiro, que passa,

O grupo de falenas que anda à toa,

A borboleta clara que esvoaça,

E o pássaro que voa.

 

Uma moça gentil sentiu anseio

De possuir a rosa e teve mágoa

De não poder colhê-la, com receio

De molhar os pés na água.

 

A roseira agitou a coma e opima,

Estremeceu, embriagada e douda,

Sob os raios do sol que lá de cima

A iluminavam toda.

 

A moça foi-se; o ar estava morno;

Mansamente o crepúsculo descia;

Uma abelha zumbiu36 da rosa em torno;          

Lento, expirava o dia…

 

Porém nessa hora a ventania brava

Que veio do alto impetuosamente,

Arranca a flor do ramo em que se achava          

E joga-a na corrente.

 

E a flor caiu no meio do riacho;

Do vento rijo foi sofrendo o açoite,

E escorregando em prantos, água abaixo,

Na tristeza da noite.

 

Nenhuma flor pode salvar-lhe a vida;

Na água desceram, entretanto, algumas;

E a flor morreu aos poucos, envolvida          

Num círculo de espumas.

 

Em: Livro da Infância, Francisca Júlia da Silva, 1899, em domínio público





Hoje é dia de feira: frutas e legumes frescos!

27 08 2025

Frutas

Carlos Leão (Brasil, 1906-1983)

acrílica sobre madeira industrializada, 37 x 37 cm

 

 

Natureza morta

Henrique Bonifácio (Brasil, 1954)

óleo sobre tela





Em casa: Georges Lemmen

17 08 2025

Sono, 1900

Georges Lemmen (Bélgica,1865-1916)

óleo sobre tela





Vento do mar e o sol no meu rosto a queimar…

15 08 2025

Praia do Leme

Walter Shigeto Tanaka (Japão-Brasil, 1910-1970)

óleo sobre tela, 33 x 41 cm