Paulo Cláudio Rossi Osir (Brasil, 1890-1956)
óleo sobre tela, 64 x 79 cm
Jenner Augusto [da Silveira] – (Brasil, 1924 2003)
litogravura – 90 x 63 cm
Tiragem: 100
Fabian Perez (Argentina, 1967)
“Passo a noite no hotel do aeroporto, o Ikeja Arms — pegarei o voo de volta a Ibadan amanhã. Gosto deste hotel velho com seus grandes bares escuros cheios de tripulação e aeromoças de folga. Eles conferem aquele pequeno toque de vulgaridade que o visitante sempre traz a uma taverna como esta. Adicione a isso uma noite tropical, álcool abundante, uma nação envolvida em uma guerra civil… eu quase espero que Hemingway entre pela porta.”
Em: As aventuras de um coração humano, William Boyd, Rio de Janeiro, Rocco: 2008, tradução de Antônio E. de Moura Filho, p. 403-404.
Autorretrato com palheta, 1906
Pablo Picasso (Espanha, 1881-1973)
óleo sobre tela
Philadelphia Museum of Art
“Quando Picasso morreu, há 43 anos e aos 91 de idade, deixou um número surpreendente de obras — mais de 45.000 ao todo. (“Nós teríamos que ter que alugar o Empire State Building para acomodar todas as obras”, disse Claude Picasso quando o inventário terminou.) Havia 1.885 quadros, 1.228 esculturas, 7.089 desenhos, 30.000 gravuras, 150 cadernos de desenhos, 3.222 trabalhos em cerâmica. Havia um vasto número de livros ilustrados, gravuras, e tapeçarias.”
[tradução é minha]
Ninguém pode dizer que Picasso não trabalhou. Frequentemente sou perguntada sobre quantos quadros um pintor pode pintar por dia. É muito pessoal. Picasso não só trabalhou incessantemente, como teve uma vida produtiva muito longa.
Rosina Becker do Valle (Brasil, 1914-2000)
óleo sobre tela, 50 x 62 cm
Sônia Carneiro Leão
Ouvi uma batucada
vindo da encruzilhada
de uma rua do Recife.
Parei para dar uma olhada
e vi uma frota armada
de alfafas e abes
num batuque alucinado
o tal do baque virado
batuque de endoidecer.
Não um baque arrumadinho
feito o pagode e o chorinho
que cantam devagarinho
coisas boas de dizer.
Não.
Era um baque puro corte
saudando a vida e a morte
indo fundo até doer.
E algo foi-me exibido
em pleno Recife antigo
que mexeu tanto comigo
como nunca aconteceu.
Minh’alma já desarmada
pelo baque seco e cru
viu descer do céu Xangô
e toda nação Nagô
pra dançar Maracatu.
Em: Remendando Trapos: poesias, Sônia Carneiro Leão, Olinda, PE, Babeco: 2010, p. 42-3.