Vaso de flores, década de 1940
Alfredo Volpi (Itália-Brasil, 1896-1988)
Óleo sobre tela – 61x 50 cm
Vaso de flores, 1961
Edgar Oehlmeyer (Brasil, 1909-1967)
óleo sobre tela, 80 x 61 cm
Vaso de flores, década de 1940
Alfredo Volpi (Itália-Brasil, 1896-1988)
Óleo sobre tela – 61x 50 cm
Vaso de flores, 1961
Edgar Oehlmeyer (Brasil, 1909-1967)
óleo sobre tela, 80 x 61 cm
Moça lendo à janela, 1928
Albert André (França, 1869-1954)
óleo sobre tela, 73 x 61 cm
Línguas, de Domenico Starnone, com tradução de Maurício Santana Dias, foi o terceiro livro do autor que li. Posso dizer que gostei de sua escrita desde que o encontrei em Assombrações (2018) e Laços (2017). Gosto imensamente de sua voz narrativa: calma, nostálgica, reflexiva. Sua escrita é de nuances. Ele não precisa abrir o jogo, contar tudo, tintim por tintim. Ele nos deixa espaço para imaginar e sonhar; ar para respirar e tempo para absorver o lugar, os sons, as memórias do autor que se imiscuem com as nossas.
Línguas é um pouco diferente dos outros que li. Menos fluido. Tem breque. É uma obra em dois tempos. Primeiro vemos o delicioso despertar do primeiro amor de um menino de oito ou nove anos, em Nápoles. Ele se apaixona por uma menina do edifício em frente ao dele. Ela é bem mais arrojada que ele, flerta com a morte, dançando no peitoril da varanda. Ela é diferente. Diferente de tudo que ele conhece. Ela não é como ele, do sul da Itália. Vem do norte e por isso, para surpresa do apaixonado garoto, ela fala com outro sotaque, usa vocabulário diverso, demonstra maneira de se expressar inesperada. A paixão dele, só aumenta. É o fascínio do outro, do desconhecido. Mas, para atrapalhar, no horizonte, há Lello, um amigo, que também se apaixona pela milanesa. Com o triângulo amoroso formado, a briga pela atenção da menina se desenvolve. Irão às vias de fato? Deixo isso para descoberta do leitor… Depois… temos a segunda parte dessa história. Os dois, que em criança haviam sido apaixonados por Emanuela, se encontram, são jovens adultos. Continuam a não se gostar e nesse encontro, e só então, Lello, o rapaz que sabe tudo de tudo, revela o verdadeiro destino da jovem bailarina de Milão.
Além da fascinante arte narrativa de Starnone, aprecio as diversas referências à literatura clássica em suas obras. Da mera alusão à mitologia greco-romana, aos contos medievais, vamos nos informando, circundando assuntos cujas menções ecoam e enriquecem o texto. Em Línguas, a própria abertura, o primeiro parágrafo ele já se refere ao trágico mito grego de Orfeu e Eurídice. A leitura atenta, já vislumbra, nas primeiras frases que abrem o texto, por causa dessa referência, um desfecho trágico, uma morte, quem sabe?
“Entre os oito e os nove anos de idade, decidi encontrar a fossa dos mortos. Tinha acabado de aprender nas aulas de italiano da escola a fábula de Orfeu e Eurídice debaixo da terra, onde ela havia ido parar por causa de uma picada de cobra. Eu planejava fazer o mesmo com uma menina que infelizmente não era minha namorada, mas que poderia vir a ser caso eu conseguisse tirá-la das profundezas da terra, enfeitiçando baratas, gambás, ratos e musaranhos.” [7]
Línguas apresenta reflexões sobre dois temas constantemente ligados na literatura e no nosso emocional: amor e morte. Desde da Grécia antiga, e até antes disso, a relação entre essas duas profundas experiências fascinou poetas, escritores e filósofos. Por isso, não é surpresa que Starnone os considere, mesmo ao falar do primeiro amor — aquela paixão emocional que nasce na infância dos personagens, vista pelos olhos de quando eram crianças. Mas o texto é mais rico ainda, como complemento há contrastes entre juventude e velhice, línguas faladas tão próximas umas das outras e ainda assim estranhas. A riqueza do texto encanta e seduz.
Esse é um livro que aflora a sensibilidade do leitor. Não é repleto de fortes emoções ou de diálogos arrebatadores. Starnone é mais fino, dedica-se a tênues paralelos. As observações desse menino de nove anos são curiosas, engraçadas, trazem um leve humor para o texto, mas nem por isso deixam de ser perspicazes, deixam de elaborar complexos argumentos. Boa leitura. Dessas que adicionam. Recomendo sem restrições.
Janela
Ado Malagoli (Brasil, 1906-1994)
óleo sobre cartão, 36×26 cm
Composição
Humberto da Costa (Brasil, 1941)
óleo sobre tela – 35 x 24 cm
Torre Eiffel, 1926
Robert Delaunay (França, 1885 – 1941)
óleo sobre tela, 169 x 86 cm
Robert Delaunay foi um dos maiores artistas franceses a se dedicar ao movimento batizado pelo poeta e crítico de arte Guillaume Appolinaire: Orfismo. Esse movimento foi um dos muitos nascidos como consequência do Cubismo. A liberdade de retratar diversos ângulos de um só tema em uma única imagem imperou nesse pequeno grupo de pintores. A premissa era que as artes plásticas evocassem vibrações musicais. O nome Orfismo veio justamente de Orfeu e sua relevância para a música e poesia. O movimento foi pequeno e teve em Delaunay a figura mais relevante. Ele se dedicou a retratar temas específicos em que cores ou formas pudessem transmitir a sensação das vibrações musicais e com essas transmitir espiritualidade a quem contemplasse as obras. Delaunay produziu muito. Entre seus temas além das formas abstratas circulares, vemos longas sequências, quem sabe até inspiradas pelas sequências de Claude Monet do Parlamento Inglês, como exemplo, ou até mesmo a sequência de Mont Saint Victoire por Cézanne. Para Delaunay a Igreja Gótica de Saint Séverin [São Severino], e a Torre Eiffel se tornaram elementos estruturais para seu experimento orfista. Hoje nós nos concentraremos nas obras retratando a Torre Eiffel em homenagem ao 14 de julho. Façam bom proveito!
Torre Eiffel, 1924
Robert Delaunay (França, 1885 – 1941)
óleo sobre tela, 161 x 96 cm
Museu de Arte de Saint Louis, MO
Torre Eiffel, 1912
Robert Delaunay (França, 1885 – 1941)
óleo sobre tela, 125 x 90 cm
Guggenheim, NY
Torre Eiffel, 1911
Robert Delaunay (França, 1885 – 1941)
óleo sobre tela, 116 x 81 cm
Kunsthalle Karlsruhe, Alemanha
Torre Eiffel, 1922
Robert Delaunay (França, 1885 – 1941)
óleo sobre tela, 178 x 179 cm
Hishhorn Museum & Sculpture Garden, Washington DC
Torre Eiffel, 1911
Robert Delaunay (França, 1885 – 1941)
óleo sobre tela
Kunst Museum, Basel, Suíça
Torre Eiffel, 1912
Robert Delaunay (França, 1885 – 1941)
óleo sobre tela, 126 x 93 cm
Guggenheim, NY
Torre Eiffel, 1911
Robert Delaunay (França, 1885 – 1941)
óleo sobre tela, 130 x 97 cm
Folkwang Museu, Essen, Alemanha