Vaso de flores, 1958
Mário Zanini (Brasil, 1907 – 1971)
óleo sobre tela, 60x 40 cm
Vaso de flores, 1958
Mário Zanini (Brasil, 1907 – 1971)
óleo sobre tela, 60x 40 cm
Rua do Catete, década de 1990
Sérgio Telles (Brasil, 1936)
óleo sobre tela, 73 x 116 cm
Composição com fruteira e marinha
Márcio Schiaz (Brasil, 1965)
óleo sobre tela
Combray, À procura do tempo perdido, por Stéphane Heuet. 1998
“Combray, de longe, por dez léguas ao redor, vista do trem, quando chegávamos na semana anterior à Páscoa, não era mais que uma igreja que resumia a cidade, representava-a, falava dela e por ela às distâncias, e, quando nos aproximávamos, mantinha aconchegados em torno de sua grande capa sombria, em pleno campo, contra o vento, como uma pastora às suas ovelhas, os lombos lanosos e cinzentos das casas reunidas que um resto de muralhas da Idade Média cingia aqui e ali num traço tão perfeitamente circular como uma cidadezinha num quadro de primitivos. Para morar, Combray era um pouco triste, como eram tristes as suas ruas, cujas casas, edificadas com as pedras escuras da região, precedidas de degraus exteriores e com seus telhados de beirais salientes que faziam sombra, eram tão escuras que, mal começava a declinar o dia, já era preciso erguer as cortinas nas “salas”; ruas de graves nomes de santos (vários dos quais se ligavam à história dos primeiros senhores de Combray), rua de Santo Hilário, rua de S. Tiago, onde ficava a casa de minha tia, rua de Santa Hildegarda, para onde davam as grades, e a rua do Espírito Santo, para onde se abria o portãozinho lateral de seu jardim; e essas ruas de Combray existem num local tão recôndito da minha memória, pintado a cores tão diferentes das que agora revestem para mim o mundo,que na verdade me parecem todas, bem como a igreja que as dominava na praça, ainda mais irreais que as projeções da lanterna mágica; e em certos momentos me parece que poder atravessar ainda a rua de Santo Hilário, poder alugar um quarto na rua do Pássaro — a velha hospedaria do Pássaro Ferido, de cujos suspiros saiam um cheiro de cozinha, que intermitente e cálido, ainda sobe por momentos em minha lembrança — seria entrar em contato com o Além de um modo mais maravilhosamente sobrenatural do que se me fosse dado conhecer a Golo e a conversar com Genoveva de Brabante.”
Em: Em busca do tempo perdido, No Caminho de Swann, volume I, Marcel Proust, tradução de Mário Quintana, Rio de Janeiro, Editora Globo: 1981, 7ª edição, página 48
Colheita de flores
Luciano Silveira (Brasil, contemporâneo)
óleo sobre tela, 100 x 70 cm
Flores da Montanha, 2013
Sandra Pardo Sarro (Brasil, contemporânea)
Óleo sobre Tela, 70 x 50 cm
Noite enevoada
Barbara Fracchia (EUA, contemporânea)
Óleo sobre tela, 60 x 50 cm
Vem a neblina… e a cidade
goteja um pranto silente…
– Neblina é como a saudade
molhando os olhos da gente.
(Joubert de Araújo Silva)
Igreja da Glória, 1954
Armando Balloni (Itália/Brasil 1901 — 1969)
Gravura aquarelada
Condessa Adèle de Toulouse-Lautrec no Salão do Castelo Malromé, 1887
Henri de Toulouse Lautrec (França, 1864-1901)
óleo sobre tela, 54 x 45 cm
Museu Toulouse-Lautrec, Albi
Em pensamento profundo
Fernand Toussaint (Bélgica, 1873-1956)
óleo sobre tela
“Que fatores governam a escolha das nossas recordações? Viver é como estar sentado num cinema. Clic! Aqui estou eu, criança ainda, comendo doces de creme no dia do meu aniversário. Clic!
. . . . . . .
São apenas momentos que nos chegam do passado — e entre eles imensos espaços vazios, de meses ou até de anos. Onde estamos então? Isso nos leva à pergunta de Peer Gynt: “Onde estava eu, eu próprio, o homem total, o homem verdadeiro?”
Jamais conhecemos o ser total, embora às vezes, com a rapidez do relâmpago, possamos conhecer o ser verdadeiro. Acho que a nossa memória nos apresenta momentos desses que, apesar de parecerem insignificantes, representam, no entanto, o verdadeiro ser interior e a pessoa como ela é em sua realidade.”
Em: Autobiografia, Agatha Christie, tradução de Maria Helena Trigueiros, Rio de Janeiro, Nova Fronteira: 1979, página 13.
NOTA DA PEREGRINA: Peer Gynt é um personagem de Ibsen da peça musical em 5 atos, do mesmo nome, apresentada pela primeira vez em 1876 e musicada por Edvard Grieg.
Como fica claro em suas memórias, Agatha Christie é fã incondicional do teatro.