Leitura
Joel Oliveira (Brasil, contemporâneo)
óleo sobre tela, 20 x 30 cm
“Se me perguntarem, não sei dizer o que comi ontem no almoço. Mas sou capaz de reproduzir diálogos inteiros da minha juventude. Gozado, isso. Vai entender. Memórias antigas? Nítidas, perfeitas, cheias de mínimos detalhes, cheiros e sons até. Fatos recentes? Coitados. Vão se segurando em mim, como podem. Parecem aqueles personagens de cinema, caras de terror, agarrados no alto do edifício só pelas pontinhas dos dedos. Quase todos despencam. E pior: diante do olhar de alguém que os vê de cima sem um pingo de misericórdia. Uma coisa ou outra fica, é verdade. Meio desbotada, imprecisa, extremamente grata à mão do cérebro que a resgata. Nenhum critério de seleção. A bobagem, o cérebro retém. O notável, ele descarta. O recado é direto: chega de colecionar lembrancinhas da viagem terrena. Fazer o que com toda tralha? Além do mais, com o correr ou o arrastar dos anos, não há fortuna que pague tal excesso de bagagem. Entendo perfeitamente os argumentos. Aceito sem queixumes. Só levo comigo o que a alfândega da mente deixa passar.”
Em: Eusoueles [fragmentos], Francisco Azevedo, Rio de Janeiro, Editora Record: 2018, p. 127.
Copos de leite, 1934
Dick e Dutch, 1977
Depois do almoço, 1986
O Botânico, filhote de Setter inglês, 1996
Perus Timberlake, c. 1970
Trazendo o potro, 1974
Gansos da neve no Lago Candlewood, Connecticut
Primeira galinha do mato [tetraz] de Shannon
Todos cansados, 1978
Freddy Ligeirinho, o faisão
Perdizes e pointer
Na moita, 1995
Stonewall Brittany, 1990
Lago Leeper, 1981
Praça Paris, RJ, 1951
Retrato de Molly O’ Dea, 1937
Desconheço a autoria dessa bela ilustração, capa da revista House Beautiful, de Outubro de 1929.
Autorretrato, 1904
Leitura
Natureza morta, 1916
Torre de água e velhas marquises



