Ética e estética, por Arnon Grunberg

16 05 2018

 

 

Paul Wonner The Newspaper 1960 painting oil on canvas, 120x 138O jornal, 1960

Paul Wonner (EUA, 1920 – 2008)

óleo sobre tela,  120 x 138 cm

 

 

“Não há ética sem estética. Quem negligencia a estética mais cedo ou mais tarde também pode enterrar a ética.”

 

Em: O homem sem doença, Arnon Grunberg, Rio de Janeiro, Rádio Londres: 2016, p. 53





Então, que livro dar para sua mãe?

12 05 2018

 

 

 

Bernard Charoy (França 1931) a leitura, ost, 74 x 61cmA leitura

Bernard Charoy (França, 1931)

óleo sobre tela, 74 x 61cm

 

 

Bem, é sábado à noite.  Amanhã celebramos o Dia das Mães.  Você deixou para última hora aquela lembrancinha para dizer à mulher mais importante da sua vida, que ela merece todo seu carinho?  E ela gosta de ler?  E você não tem a mínima ideia do que dar para ela?  Aqui vão algumas sugestões que ajudarão a pensar o presente certo.  Pelas sinopses você pode identificar qual deles seria de maior interesse dela.  As livrarias estarão abertas amanhã, com certeza, e prontas para empacotar sua escolha num belo papel de presente.

Mona Lisa: a mulher por trás do quadro, Dianne Hales,  Editora José Olympio: 2018: 392 páginas

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A história de vida da Mona Lisa, o rosto mais famoso do mundo das artes Em Mona Lisa: a mulher por trás do quadro, Diane Hales mergulha na sociedade florentina dos séculos XV e XVI em busca de respostas sobre Lisa Gherardini, a mulher retratada na pintura de Leonardo da Vinci e pouco conhecida. E seria impossível contar a história de Lisa sem falar sobre as tramas políticas que moldaram a vida das italianas durante o Renascimento, as famílias proeminentes de Florença e o papel da mulher naquela época. Diane vasculhou arquivos em estado precário, caminhou pelas ruas degradadas e conheceu a vizinhança onde Lisa nasceu, conversou com seus descendentes, e se aventurou pelos mais antigos palácios de Florença.
Com a ajuda de Hales, seguimos os passos dos Gherardini até o nascimento de Lisa, seu casamento com Francesco Del Giocondo, seu encontro com Leonardo, sua vida de esposa e mãe e, por fim, sua morte. Como resultado temos uma biografia recheada de história e memória – um tour por Florença e uma jornada de descoberta que recria o dia a dia de Lisa em uma época que se equilibra entre o medieval e o moderno. Mona Lisa: a mulher por trás do quadro faz um panorama da Florença de Leonardo e Lisa e aproxima o leitor de suas trajetórias.

 

O círculo dos Mahé, Georges Simenon, Cia das Letras: 2017, 120 páginas

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Aos trinta e cinco anos, casado e com dois filhos, o dr. François Mahé ainda mora com a mãe e leva uma típica vida pequeno-burguesa. Certo verão ele decide ir com a família à ilha de Porquerolles, no sul da França. No entanto, um constante mal-estar o impede de desfrutar o paraíso mediterrâneo. Ao ser chamado para examinar uma mulher no leito de morte, o médico se vê entre uma família humilde e fica fascinado pela mais velha dos três filhos, uma jovem muito magra que usava um vestido vermelho. Começa então uma história de obsessão e crise profunda, e somos levados pela jornada sombria da alma do protagonista. A morte da mãe também abalará as estruturas do dr. Mahé e, com o passar do tempo, ele será impelido a retornar à ilha mediterrânea ano após ano, como que hipnotizado pela garota. Com sua prosa enxuta e fluente, Simenon faz um retrato soturno da psique de um homem medíocre que vislumbra uma alternativa à banalidade, mas sofre para conseguir alcançá-la.

 

A mulher na escada, Bernanrd Schilink, Record: 2018, 210 páginas

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Por décadas, o mundo da arte acreditou que um quadro estava perdido. Em um museu na Austrália, um homem se depara com uma tela que retrata a mulher por quem, há muito tempo, arriscou tudo e que, em seguida, desapareceu misteriosamente de sua vida. Quando era um jovem advogado, ele foi atraído para um relacionamento complicado e destrutivo, um triângulo amoroso formado por um pintor, pela mulher cujo retrato ele havia feito e pelo marido dela. Os três o envolveram em uma rede de obsessão, intriga e traição. Agora, ao se ver diante da pintura que desencadeou tudo, o advogado precisa lidar com o passado e com o que sua vida se tornou. E, quando ele consegue localizar a mulher, é forçado a enfrentar o verdadeiro significado do amor que nutria por ela e a influência que esse sentimento teve por toda a sua vida.

“A mulher na escada”, de Bernhard Schlink, autor do best-seller “O leitor” é um romance intrincado, comovente e encantador sobre criatividade e amor, sobre os efeitos da passagem do tempo e, acima de tudo, sobre os arrependimentos que nos acompanham ao longo da vida.

 

A livraria, Penelope Fitzgeral, Bertrand: 2018, 160 páginas

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O livro que deu origem ao filme estrelado por Emily Mortimer, de A ilha do medo, e Patricia Clarkson, de House of Cards Florence Green, uma viúva de meia-idade, decide abrir uma livraria — a única — na pequena Hardborough, uma cidade costeira no interior da Inglaterra. Florence não esperava, contudo, que seu projeto pudesse transformar Hardborough em um campo de batalha: enquanto a influente e ambiciosa Violet Gamart, que tinha outros planos para a centenária casa que ela escolheu como sede, faz de Florence sua inimiga, a empreendedora também conquista um aliado na figura do excêntrico Sr. Brundish. Na história de Florence Green enfrentando a cortês mas implacável oposição local, vê-se a denúncia de uma estrutura de privilégios apoiada em invejas e crueldades, e, no microcosmo de Hardborough, Penelope Fitzgerald monta um cenário repleto de detalhes precisos e personagens atemporais.

 

O projeto Jane Austen, Kathleen Flynn, Única: 2018, 280 páginas

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Metas cada vez mais agressivas, resultados desafiadores e o desejo constante de crescer. Este é o resumo da vida do profissional de vendas, especialmente daquele que almeja o posto e o reconhecimento de liderança.

Inglaterra, 1815.
Rachel e Liam são dois viajantes do futuro que chegam à antiga Londres com a missão mais audaciosa do que qualquer viagem no tempo que já ocorreu: encontrar Jane Austen, ganhar a confiança dela e roubar um manuscrito inacabado.

Ela, uma médica; ele, um ator. Selecionados e treinados cuidadosamente, tudo o que Rachel e Liam têm em comum é a admiração pela autora e a situação extraordinária em que se encontram – e que obriga Rachel a colocar seu jeito independente de lado e deixar Liam assumir a liderança enquanto se infiltram no círculo da família Austen.

Além do desafio de viver uma mentira, Rachel luta para diagnosticar a doença fatal de Jane. À medida que a amizade das duas se fortalece e o seu relacionamento com Liam torna-se complicado, Rachel faz de tudo para reconciliar seu verdadeiro eu com as convicções da sociedade do século XIX.

O tempo está acabando. Rachel e Liam conseguirão deixar o passado intacto?

Depois desse encontro com Jane Austen, a vida que os espera no futuro será o bastante?

 

Um cavalheiro em Moscou, Amor Towles, Intrínseca: 2018, 464 páginas

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Nobre acusado de escrever uma poesia contra os ideais da Revolução Russa, Aleksandr Ilitch Rostov, “O Conde”, é condenado à prisão domiciliar no sótão do hotel Metropol, lugar associado ao luxo e sofisticação da antiga aristocracia de Moscou. Mesmo após as transformações políticas que alteraram para sempre a Rússia no início do século XX, o hotel conseguiu se manter como o destino predileto de estrelas de cinema, aristocratas, militares, diplomatas, bons-vivants e jornalistas, além de ser um importante palco de disputas que marcariam a história mundial. Mudanças, contudo, não paravam de entrar pelo saguão do hotel, criando um desequilíbrio cada vez maior entre os velhos costumes e o mundo exterior. Graças à personalidade cativante e otimista do Conde, aliada à gentileza típica de suas origens, ele soube lidar com a sua nova condição. Diante do risco crescente de se tornar um monumento ao passado até ser definitivamente esquecido, o Conde passa a integrar a equipe do hotel e a aprofundar laços com aqueles que vivem ao seu redor. Com sua perspectiva única de prisioneiro de duas realidades distintas, o Conde apresenta ao leitor sua sabedoria e sensibilidade ao abandonar certos hábitos e se abrir para as incertezas de novos tempos que, mesmo com a capacidade de transformar a vida como a conhecemos, nunca conseguirão acabar com a nobreza de um verdadeiro cavalheiro.

 

Todos estes livros vão com minha recomendação. Boa sorte!





Entre História e Romance, texto de Bernhard Schlink

11 05 2018

 

 

 

Allan Österlind. (1855 - 1938)The women at the windows,Duas mulheres à janela

Allan Osterlind (Suécia, 1855 – 1938)

óleo sobre tela

 

 

 

“Não leio romances, apenas livros de história. O que aconteceu de verdade é diferente daquilo que as pessoas imaginam. Quando nos informamos sobre a história, aprendemos sobre a realidade, não fantasias engenhosas, com frequência, tolas.  E quem acha que romances são mais coloridos que a história não usa sua fantasia imaginando como foram, por exemplo, César que amava Brutus como a um filho e foi apunhalado por ele; ou os astecas, que foram dizimados pelas doenças dos brancos antes mesmo de lutarem contra eles; as mulheres e crianças que foram pisoteadas na neve ou empurradas nas águas geladas, atravessando o rio Beresina, seguindo o exército de Napoleão. Tragédias e comédias, sorte e azar, amor e ódio, alegria e sofrimento — a história oferece tudo isso. Romances não conseguem nos oferecer nada mais.”

 

 

Em: A mulher na escada, Bernhard Schlink, tradução de Lya Luft, Rio de Janeiro, Record: 2018, pg 36.





Imagem de leitura — Pierre Lussier

30 04 2018

 

atnae-au-livre-ouvertAtnae com livro aberto

Pierre Lussier (Canadá, 1945)

www.pierrelussierpeintre.com

 





Lendo ficção, por Charles Van Doren

28 04 2018

 

 

David Brooke, (Inglaterra) Written-Word-made-Flesh_sA palavra escrita incorporada

David Brooke (GB, contemporâneo)

 

 

“Apaixonar-se pela heroína é somente uma das formas pelas quais o leitor pode, e deve, participar do livro que está lendo. Romance, conto, ou poema, por exemplo, um leitor pode , e deve, compartilhar os triunfos e os sucessos dos personagens. Em Tom Jones, por exemplo, não somente me apaixonei por Sophia Western, sua amada, mas também compartilhei as angústias de Tom e seus sucessos na conquista final, inclusive Sophia, devo dizer. No caso de Orgulho e Preconceito fico muito feliz que Elisabeth e Darcy fiquem juntos no final, compartilhei a felicidade deles. Eu posso compartilhar o prazer da vitória da justiça num romance,na realidade, um romance só é bom quando a justiça é feita corretamente. Uma das grandes coisas relativas à Odisseia, que por sinal é o primeiro exemplo de western, é que no final, os caras bons conseguem o que merecem, assim como os maus recebem seu castigo.”

 

 

Em: A arte da leitura, Mortimer J. Adler e Charles Van Doren, É Realizações Editora: 2017, página 74.





Imagem de leitura — Richard van Mensvoort

9 04 2018

 

Richard van Mensvoort, (Holanda, 1972) Summer 2, Olieverf op doek, 50x40 cmVerão 2

Richard van Mensvoort, (Holanda, 1972)

óleo sobre tela, 50×40 cm





Imagem de leitura — Manfred Neumann

28 02 2018

 

 

Manfred Neumann (alemanha, 1938)leitora, 1968, ost, 80 x 60.www.manfred-neumann-malerei.deLeitora, 1968

Manfred Neumann (Alemanha, 1938)

óleo sobre tela, 80 x 60 cm

www.manfred-neumann-malerei.de





Os livros mais lidos do mundo!

28 02 2018

 

 

HAROLD HARVEY (BRITISH, 1874-1941) Portrait of Stella Mary Burdett, ost, 51 x 40 cmRetrato de Stella Mary Burdett

Harold Harvey (GB, 1874 – 1941)

óleo sobre tela, 51 x 40 cm

 

 

É muito interessante perguntar ao Google quais são os 10 livros mais lidos no mundo.  Dependendo da língua que usamos para fazer a pergunta as respostas diferem um pouco.  Mas, é claro, há alguns pontos em comum.  O mais claro é a leitura da Bíblia, que aparece quase sempre em primeiro lugar.  (Estou falando aqui do mundo ocidental)

 

Em inglês

 

nº – 10 — O diário de Anne Frank, Anne Frank

nº – 9 — Pense e enriqueça, Napoleon Hill

nº – 8 — E o vento levou, Margaret Mitchel

nº – 7 — Saga do Crepúsculo, Stephenie Meyer

nº – 6 — O código Da Vinci, Dan Brown

nº – 5 — O alquimista, Paulo Coelho

nº – 4 — Senhor dos anéis, Tolkien

nº – 3 —  Harry Potter,  J. K. Rowling

nº – 2 — Citações do Chairman Mao, Mao Tse-Tung

nº – 1 — Bíblia

 

Em espanhol

 

nº – 10 — As mil e uma noites

nº – 9 — A metamorfose, Franz Kafka

nº – 8 — Senhor dos anéis, Tolkien

nº – 7 — O código Da Vinci, Dan Brown

nº – 6 — O alquimista, Paulo Coelho

nº – 5 — O diário de Anne Frank, Anne Frank

nº – 4 — O pequeno príncipe, Saint-Exupéry

nº – 3 —  Cem anos de solidão, Gabriel Garcia Marquez

nº – 2 — Don Quixote de la Mancha, Cervantes

nº – 1 — Bíblia

 

Em francês

 

nº – 10 — Alice nos país das maravilhas, C. S. Lewis

nº – 9 — O Sonho da Câmara Vermelha, Cao Xueqin

nº – 8 — O pequeno príncipe, Saint-Exupéry

nº – 7 —  O Senhor dos anéis, Tolkien

nº – 6 — Um conto de duas cidades, Charles Dickens

nº – 5 —  Harry Potter,  J. K. Rowling

nº – 4 — Don Quixote de la Mancha, Cervantes

nº – 3 — Citações do Chairman Mao, Mao Tse-Tung

nº – 2 — O Corão

nº – 1 — Bíblia

 

Em italiano

 

nº – 10 — O senhor dos anéis,  Tolkien

nº – 9 — O pequeno príncipe, Saint-Exupéry

nº – 8 — Cinquenta tons de cinza, E. L. James

nº – 7 —  O Sonho da Câmara Vermelha, Cao Xueqin

nº – 6 — Harry Potter e a pedra filosofal, J. K. Rowling

nº – 5 —  O caso dos dez negrinhos, Agatha Christie

nº – 4 — Hobbit, Tolkien

nº – 3 — O jovem Holden [Semeador de centeio], J. D. Salinger

nº – 2 — O alquimista, Paulo Coelho

nº – 1 — O código Da Vinci, Dan Brown

 

Na Alemanha

nº – 10 — O senhor dos anéis, Tolkien

nº – 9 — Escotismo para rapazes, Baden Powell

nº – 8 — Um conto de duas cidades, Charles Dickens

nº – 7 — Trechos selecionados, Mao Tse-tung

nº – 6 — Xinhua Zidian, dicionário do mandarim, Wei Jiangong

nº – 5 — Frases de Mao Tse-Tung, Mao Tse Tung

nº – 4 — Manifesto do partido comunista

nº – 3 — O Corão

nº – 2 — Citações do Chairman Mao, Mao Tse-Tung

nº – 1 — Bíblia

 

No Brasil

Não há uma listagem confiável.  Aqui a listagem é só de vendas. Cada livraria conta suas vendas.  Não há interlocução com bibliotecas para levar em conta livros emprestados, como acontece nos países de língua inglesa, francesa e alemã.  Talvez porque haja poucas bibliotecas.  Uma pena.  A lista que encontrei chega a dar dor… mas vejamos estes são os livros mais vendidos desde 2010.  Também não sei o quanto é válida.  Os editores não colaboram.  Estamos cheios de associações de editores, de intelectuais, etc, mas poucos abrem o jogo.  Temos uma tradição muito negativa de não divulgar dados.  Conhecimento é poder.  E quanto menor a área de poder, parece que mais arraigadas as pessoas ficam ao pouco que sabem. A conclusão é que religião vende.

Lista encontrada no Brasil.

 

nº – 10 — Kairós, Padre Marcelo

nº – 9 — Philia, Padre Marcelo

nº – 8 — O pequeno príncipe, Saint-Exupéry

nº – 7 — Jardim secreto, Johanna Basford

nº – 6 — Ansiedade, Augusto Cury 

nº – 5 — Cinquenta tons de cinza, E. L. James

nº – 4 — Ágape, Padre Marcelo

nº – 3 — A culpa é das estrelas, John Green

nº – 2 — Nada a perder 2, Edir Macedo

nº – 1 — Nada a perder 3, Edir Macedo





Palavras para lembrar — Christophe André

26 02 2018

 

 

715 Gabriel Picart (Espanha, 1962) ostMoça lendo

Gabriel Picart (Espanha, 1962)

óleo sobre tela

 

 

 

“Muitos estudos mostram que a leitura de obras de ficção aumenta a capacidade de empatia e de compreensão dos outros, comparada à leitura de não-ficção ou à ausência da leitura.”

 

 

Christophe André

 





Imagem de leitura — Brian James Dunlop

19 02 2018

 

 

 

Brian James DunlopNo âmago da biologia

Brian James Dunlop (Austrália, 1938 – 2009)

óleo sobre tela,  54 x 34 cm