Imagem de leitura — Ilya Repin

29 01 2020

 

 

 

6f3a4de002c146a31580a3a1bfc22524Retrato de Vera Repina, esposa do pintor, lendo, 1882

Ilya Repin (Rússia,1844 -1930)

óleo sobre tela, 64 x 53cm.

 





Imagem de leitura — Nithya Swaminathan

27 01 2020

 

 

Nithya Swaminathan, Reading by the lake IV, ast, 25x25cmLendo à margem do lago IV

Nithya Swaminathan (Índia, contemporânea)

acrílica sobre tela, 25 x 25 cm

 





Para lembrar do que leu

25 01 2020

 

 

 

Chalme, Marc (França.1969-...) Le livre bleuO livro azul

Marc Chalmé (França, 1969)

óleo sobre tela

 

Um artigo interessante em Medium, de Emily Underwood, expõe o que ajuda a memória quando queremos nos lembrar do que lemos.

Não há novidades.  Mas fiquei surpresa de saber que ler na tela eletrônica não oferece vantagem na memorização do que lemos.  Ao contrário a tendência é passarmos os olhos sobre o texto.

O que nos faz memorizar é a leitura ativa:  tomar notas, fazer um desenho, uma linha do tempo, falar com um amigos sobre o que leu.  O que importa é fazer conexões mentais do lido com sua experiência de vida.   Conectar o que se lê com aquilo que já conhecemos.

O bom leitor vai além.  Vai além da emoções e da perspectiva sobre o que leu.  O objetivo  de ler não deve ser a memorização, mas a reflexão sobre o que se lê e a visão que se adquire com aquilo que foi lido.





Sou o que leio

22 01 2020

 

 

C. DE GENNARO, A leitura - Oleo sobre cartão - 29x19 cm - ACID Coleção do Professor e Dr. Luiz Fernando da Costa e SilvaA leitura

Caetano de Gennaro (Itália/Brasil, 1890 – 1979)

óleo sobre cartão, 19 x 29 cm

Coleção do Professor e Dr. Luiz Fernando da Costa e Silva

 

 

Sou o que leio

 

Ladyce West

 

Se você notar bem, se me olhar com cuidado, verá que ainda tenho um relógio de bolso que trouxe do País das Maravilhas, onde aprendi a tomar chá com a Rainha de Copas.  Além daquela Alice, fiquei amiga de outra, na fazenda do Boqueirão, que me contou histórias de Teresópolis  enquanto esperávamos por Mário voltar da Europa no Tronco do Ipê.

Alencar, na verdade, é responsável pela Aurélia que vive em mim, mulher desafiadora dos costumes da época que, em Senhora, me ensinou o que é vingança.  De Capitu não tenho nada, mas aprendi com Bentinho, a desconfiar.  Machado deu o nome ao meu cachorro, Quincas. Dancei minha primeira valsa ao lado de Carolina em Paquetá  e me apaixonei pelo Moço Loiro  como Honorina o fez.

Com Lobato aprendi a caçar sacis, visitei a lua, o país da gramática e saboreei os quitutes de Tia Nastácia.  Só não tenho o pó de pirlimpimpim porque Emília não me deixou trazer.

Acompanhando uma Condessa, chorei  calorosas lágrimas pelos Desastres de Sofia e Memórias de um burro; mais ou menos na mesma época em que descobri, nas  Cartas do Meu Moinho, que até um reverendo francês pode morrer de gula e que há tempestades de gafanhotos destruidores, no mundo.

Viajei com Simbad, dei a Volta ao mundo em oitenta dias, fui vinte-mil léguas ao fundo do mar.  Naufraguei e fiquei presa numa ilha com um cara chamado Sexta-feira,  mas também descobri um tesouro, na Ilha de Montecristo, que permitiu vingar-me de um crime contra mim. Fui um dos mosqueteiros da Gasconha e, com um pequeno príncipe, aprendi  “que sou responsável por aquilo que cativo.”

Fui, com mapa na mão, à procura de tesouros numa ilha guiada por Robert Louis Stevenson.  E me aventurei pelas selvas africanas à cata das Minas do Rei Salomão com H. Rider Haggard.

Conheci Numero Um, o filho de Charlie Chan com quem resolvi crimes no Havaí.  Já com Arsène Lupin, andei do outro lado da trilha, à maneira de Ivanhoé, roubando os ricos.  Fui princípe e pobre com Mark Twain e com ele também viajei através do tempo quando fui um Connecticut Yankee na corte do rei Arthur.

Tudo isso antes de completar treze anos.  Depois dos treze é outra história. Os livros ficaram mais complexos, assim como eu.  Como poderia ter tanta experiência com tão pouca idade?  Sabe, sou o que leio.

 

©Ladyce West, Rio de Janeiro, Janeiro de 2020

 





Treinando para ser escritor, texto de Paul Auster

21 01 2020

 

 

 

Merrie C. Ligon (EUA) O leitor, aquarela sobre papelO leitor

Merrie C. Ligon (EUA, contemporânea)

aquarela sobre papel

 

 

“Naqueles três anos como aluno do ensino médio nos subúrbios de Nova Jersey, Ferguson de dezesseis, dezessete e dezoito anos começou a escrever vinte e sete contos, terminou dezenove e passou não menos de uma hora por dia com o que chamava de seus cadernos de trabalho, que ia enchendo com diversos exercícios de escrita que inventava para si mesmo, a fim de manter a forma, afiar a pegada e tentar melhorar (como ele disse certa vez para Amy): descrições de objetos físicos, paisagens, céus no amanhecer, rostos humanos, animais, o efeito da luz na neve, o barulho da chuva no vidro, o cheiro de madeira queimada, a sensação de andar na neblina e ouvir o vento soprar entre os galhos das árvores; monólogos na voz de outras pessoas a fim de se transformar naquelas pessoas ou, pelo menos, tentar entendê-las melhor (o pai, a mãe, o padrasto, Amy, Noah, seus professores, seus colegas de colégio,o sr. e a sra Federman), mas também pessoas desconhecidas e mas distantes, como J. S. Bach, Franz Kafka, a garota do caixa do supermercado local, o cobrador da Companhia Ferroviária Erie Lackawanna, o mendigo barbado que lhe pediu um dólar na Grand Central Station; imitações de admirados, rigorosos, inimitáveis escritores do passado (pegue um paragrafo de Hawthorne, por exemplo, e componha algo baseado no seu modelo sintático, usando um verbo nos lugares onde ele usava um verbo, um substantivo nos lugares onde ele usava um substantivo, um adjetivo nos lugares onde ele usava um adjetivo — a fim de sentir o ritmo nos ossos, sentir como se forma a música); uma sequência curiosa de vinhetas geradas por trocadilhos, homonímias e deslocamento de uma letra: óleo/olho, luxo/luto, alma/lama; porto/morto e arroubos impetuosos de escrita automática, a fim de limpar o cérebro, toda vez que estiver se sentindo tolhido, como um jorro de escrita de quatro páginas inspirada pela palavra “nômade”, que começava assim: Não, eu não estou doido. Não estou nem zangado, mas me dê uma chance para desnortear você e num instante eu vou te deixar com os bolsos vazios. Também escreveu uma peça em um ato, que ele queimou de desgosto uma semana depois de terminar, e vinte e três poemas que estavam entre os mais nojentos que qualquer cidadão do Novo Mundo jamais viu e que ele rasgou depois de jurar para si mesmo que nunca mais ia escrever poemas. No geral, detestava o que escrevia.  No geral, achava que era burro e sem talento e que jamais conseguiria escrever nada, mesmo assim insistia, se esforçava a se dedicar àquilo todos os dias, apesar dos resultados muitas vezes decepcionantes, entendia que não haveria esperança para ele, a menos que persistisse, que para ser o escritor que almejava levaria anos, mais anos do que seu próprio corpo levaria para terminar de crescer, e toda vez que escrevia algo que parecia ligeiramente menos ruim do que o texto que tinha escrito antes, Ferguson achava que estava progredindo, ainda que o texto seguinte se revelasse uma abominação, pois a verdade era que ele não tinha opção, estava destinado a fazer aquilo ou então morrer, porque, apesar de seus esforços e de seu descontentamento com as coisas mortas que muitas vezes saíam dele, fazer aquilo lhe dava a sensação de estar vivo, mais do que qualquer outra coisa que já tinha feito na vida, e quando as palavras começavam a cantar em seus ouvidos e ele se sentava diante da escrivaninha e empunhava a caneta ou colocava os dedos nas teclas da máquina de escrever, sentia-se nu, nu e exposto ao vasto mundo que passava em disparada na sua frente, e nada dava uma sensação melhor do que isso, nada podia se equiparar à sensação de desaparecer de si mesmo e entrar no vasto mundo cantarolando, por dentro, as palavras que cantarolava, no interior de sua cabeça.”

 

Em: 4321, Paul Auster, tradução de Rubens Figueiredo, Cia das Letras: 2018, páginas 431-432

 

 





Palavras para lembrar: Imperador Juliano

18 01 2020

 

 

 

Agnolo Bronzino, Portrait of a Young Man with a Book. .Christie's Images Ltd 2012Retrato de jovem com livro

Agnolo Bronzino (Itália, 1503 – 1572)

[Il Bronzino]

óleo sobre madeira,  94 x 78 cm

 

 

“Uns gostam de cavalos, outros de animais selvagens: eu, desde a infância, fui tomado por um prodigioso desejo de comprar, de possuir livros.”

 

Imperador Juliano (330 – 363)





Imagem de leitura — Carmo Soá

16 01 2020

 

 

 

Carmo Soá - Apaixonada Por Manet Óleo s tela - 81 x 65 cm - 2010.Apaixonada por Manet, 2010

Carmo Soá (Brasil, 1962)

óleo sobre tela, 81 x 65 cm





Palavras para lembrar: Joseph Joubert

14 01 2020

 

 

 

9GMGHrSeuB17TzalhGxhLJQhZjZBQbjSRetrato de dama com livro junto a uma fonte, c. 1785

Antoine Vestier (França, 1740 – 1824)

óleo sobre tela, 130 x 98 cm

MASP — Museu de Arte de São Paulo, São Paulo

 

 

“O grande inconveniente dos novos livros é nos impedir de ler os antigos.”

 

Joseph Joubert

 

 





Imagem de leitura — Paul Gustav Fischer

13 01 2020

 

 

 

Paul Gustave Fischer (Denmark, 1860–1934)Lendo à janela

Paul Gustav Fischer (Dinamarca, 1860-1934)

óleo sobre tela





Imagem de leitura — Inna Shirokova

12 01 2020

 

 

 

Inna Shirokova _ paintings

Autorretrato com filho, 1972

Inna Alekseyevna Shirokova (Rússia, 1937)

óleo sobre tela