Palavras para lembrar: Jules Renard

25 05 2021

Figura de mulher

Jurandir Ubirajara (Brasil, 1903 – 1972)

óleo sobre tela

“Poucos livros mudam uma vida. Quando eles mudam é para sempre.”

Jules Renard





Despedida, poesia de Maria Braga Horta

11 01 2021

À luz de lampião, 1890

Harriet Backler (Noruega 1845-1932)

óleo sobre tela, 55 x 66 cm

 

Despedida

 

Maria Braga Horta

 

Não levarei comigo nada meu

nem de ninguém.

Devolvo a todos o quinhão da vida

que viveram comigo e por mim

e os liberto

do ritual das flores no jazigo

que nada mais (depois) contém

que os vestígios de um corpo

que em verdade jamais me pertenceu.

 

 

Simples sombra (invisível) chegarei

diante do espelho

em que foi o meu tempo refletido

e inserido em gradações de forma e cores.

 

 

Do que era teu em mim –

separados os lados –

sepultarás o morto.

 

 

O vivo ficará perdido

nos teus olhos

procurando o infinito.

 

Em: Caminho de Estrelas, Maria Braga Horta, São Paulo,  Massao Ohno Editor: 1996, p. 122





Em casa: James Whistler

29 11 2020

Nota cor-de-rosa: a pequena novela, 1883

James Abbott McNeill Whistler (EUA,  1834 –  1903)

aquarela sobre papel

Freer Gallery, Smithsonian Institution, Washington DC





Imagem de leitura — Alfredo Rodriguez

3 11 2020

 

 

 

Alfredo_Rodriguez_A_FancIful_Voyage_With_Grandpa__0Uma viagem fantástica com vovô

Alfredo Rodríguez (México, 1954)

óleo sobre tela, 70 x 66 cm





Imagem de leitura: John Everett Millais

29 10 2020

A Passagem Norte-Oeste, 1874

Sir John Everett Millais, (GB,  1829-1896)

óleo sobre tela

Tate Gallery, Londres





Resenha: “A espiã vermelha” de Jennie Rooney

27 10 2020

O casal Zaitsev no interior de sua casa, 1955

Igor Radomano (Rússia, 1921-1992)

óleo sobre tela, 139 x 111 cm

Quando recebi de presente de Natal em 2019 este livro, não sabia que havia um  filme baseado na obra, estrelado por Judy Dench.  Pode ter sido muito bom se fez jus a obra de Jeannie Rooney, lançada no Brasil pela Record com tradução do inglês por Cláudia Mello Belhassof.  Pensei no início tratar-se de história de espionagem nos termos tradicionais, próxima às obras de Ian Fleming que  fizeram do agente 007 do MI5, um dos mais populares e sedutores personagens no mundo inteiro. Foi surpreendente realizar que esta espiã, personagem principal, não era figmento da imaginação de um escritor, mas obra de ficção baseada na biografia de verdadeira espiã que passou segredos importantes do governo britânico para as mãos dos russos.  Tão importante foram eles que ela foi considerada a agente da maior importância para a KGB.  A espiã vermelha, portanto é uma biografia ficcionalizada de Melita Norwood, a mulher que passou segredos de estado para as mãos do inimigo.

Ainda que a maioria dos leitores  considere este livro uma “trama envolvente sobre o amor e o significado da lealdade” como informa a orelha do livro, acredito que seja principalmente um longo ensaio, uma obra de apreciação sobre  traição.  Ou melhor, a constatação das infinitas maneiras em que uma pessoa pode ser traída ou trair.

A primeira consideração que me ocorreu foi a diferença  entre inglês e português  ao tratarmos de traição.  Em inglês para traição, há duas palavras distintas.  “Treason” que limita a traição a um ato de quebra de confiança nos interesses de estado e “Betrayal” cujo significado também é traição, mas abraça um maior número de situações de quebra de confiança, incluindo a traição amorosa. A espiã vermelha trata de ambos os significados.  Não só Joan Stanley (o nome de Melita Norwood  no livro) trai seu país, mas trai e é traída por amigos, familiares e parceiros amorosos.

Depois voltei ao significado de traição do ponto de vista histórico.  É atribuído, sem qualquer documentação, a Winston Churchill a máxima “é o vencedor quem escreve a história”, ou “cabe ao vencedor escrever a história”. Questionar a traição de estado é não aceitar o rumo da história. Joan Stanley  é traidora porque a Grã Bretanha estava no grupo que venceu a Segunda Guerra Mundial.  O mesmo aconteceu aqui no Brasil, com Domingos Fernandes Calabar, traidor por apoiar a colonização holandesa, quando Portugal vencia os invasores no nordeste brasileiro.   Nos anos 70,  Chico Buarque de Hollanda e Ruy Guerra lançaram a peça, musicada:  Calabar: o elogio da traição (1973)  que pretende questionar esta traição.  Mas não se consegue contar a história pelo lado dos que perderam, pois qualquer situação mencionada de como  seria a realidade caso outros tivessem vencido,  não passa de fantasia, paisagens  imaginárias, idealizadas de uma história que nunca aconteceu.  E por mais que na biografia ficcional essa espiã inglesa pareça pretender o equilíbrio entre potências mundiais, suas ações são imperdoáveis por submeter o mundo inteiro à perigosa corrida nuclear. Só por essas considerações suscitadas pela leitura de  A espiã vermelha este livro já teria me satisfeito pelo saudável exercício filosófico que evoca.

Jennie Rooney

Bom notar que a narrativa em capítulos intercalados entre o presente e o passado é muito eficiente e mantém o interesse do leitor do início ao fim.  Descobrimos também ao longo do texto outras maneiras em que uma pessoa pode trair e ser traída. É um livro rico de observações, passagens que requerem do leitor atento, uma pausa para avaliar, desde “a nacionalidade é uma falsa distinção” [108] a “que coisa horrível envelhecer. Não tem certeza se recomendaria isso a alguém;” [182]. Este é um livro que questiona aquilo que tomamos como certo.  Levanta questões.  Tem sucesso fazendo isso, obliquamente.

Joan Stanley é uma personagem muito rica.  Repleta de dúvidas sobre si mesma acaba se revelando mais complexa do que se imaginaria no início. É uma cientista, uma raridade na época, mulher moderna até pelos dias de hoje.  Mas enquanto é intrépida para algumas coisas, também precisa da aprovação dos outros.  Recomendo a leitura.  Mesmo que não se saiba onde a ficção se desvia dos fatos desta recente história.  Recomendo.

NOTA: este blog não está associado a qualquer editora ou livraria, não recebe livros nem incentivos para a promoção de livros.





Imagem de leitura — Jules Emile Saintin

21 10 2020

 

 

Jules_Emile_Saintin_Junge_Frau_bei_der_LektüreJovem em meio a leitura, 1894

Jules Emile Saintin (França, 1829-1894)

óleo sobre madeira, 24 x 18 cm





Imagem de leitura — Frank Markham Shipworth

6 10 2020

 

 

Frank Markham ShipworthEmbelezando a irmã, 1886

Frank Markham Shipworth (GB, 1854-1929)

óleo sobre tela, 89 x 103 cm





Dona Felicidade, poesia de Raul Braga

29 09 2020

 

 

Gildásio Jardim Barbosa- do vale do Jequitinhonha - MG. Trabalho de pintura sobre tecidos estampados em tela. Que faz fusão dos personagens com as estampas -2Moça lendo na rede

Gildásio Jardim Barbosa (Brasil, contemporâneo)

[Vale do Jequitinhonha – MG]

pintura sobre tecidos estampados em tela.

 

Dona Felicidade

 

Raul Braga

 

Quão inconstante és tu, felicidade,

Irrefletida em não poder mais ser

Que a gente fica em tal ansiedade,

Com medo de perder-te, ou de não ter.

 

E vai a vida, assim em desprezar,

Gastos nos dias bons da mocidade,

Sem que nos venha nesse amanhecer

Um vislumbre, sequer, de claridade.

 

Insensato sou eu, quanto insensato,

Em querer esboçar uma quimera

Quando bem fácil eu tenho o teu retrato

Felicidade, em tudo és bem mulher:

 

— Tu vens chegando, quando não se espera,

E vais embora, quando não se quer.

 

Em: A lira na minha terra: poetas antigos e contemporâneos no Pará, Clóvis Meira, Belém: 1993, p. 332-3





Imagem de leitura — Anônimo

28 09 2020

 

 

 

genuesische-schule-des-17.-jahrhunderts-3376550São Jerônimo, século XVII

Escola Genovesa

óleo sobre tela, 64 x 52 cm