Sublinhando…

8 06 2022

Leitura à beira-mar

Bea Gold (EUA, 1927)

gravura

“Chegamos à rua 69, viramos à esquina e avançamos para a entrada do auditório Hunter. As portas estão abertas. Dentro, duzentos ou trezentos judeus ouvem os depoimentos que comemoram sua história inenarrável. Esses depoimentos são a cola que os gruda. Rememoram e convencem. Curam e conectam. Permitem que as  pessoas encontrem seu próprio  sentido.”

Em: Afetos ferozes, Vivian Gorick, tradução de Heloísa Jahn, apresentação de Jonathan Lethem, São Paulo, Todavia: 2019, pp: 52 e 53





Imagem de leitura — Anita Rée

7 06 2022

Senhora lendo com gato, 1920

Anita Rée (Alemanha, 1885 – 1933)

aquarela, 29 x 23 cm





Leituras de 2022: A ordem do dia, Éric Vuillard, resenha

6 06 2022

Nunca bastante livros

Rita Curtis (EUA, contemporânea)

óleo sobre tela, 75 x 75 cm

Coleção Particular

Em 2017, A ordem do dia, de Éric Vuillard, ganhou o Goncourt, maior prêmio literário da França. Dois anos depois o livro foi publicado no Brasil, com tradução de Sandra M. Stroparo.  Neste meio tempo, houve alguma controvérsia sobre o conteúdo.  Pertencente à categoria de ficção histórica, muitos leitores se depararam com texto descrevendo momentos históricos da Segunda Guerra Mundial que traziam abertamente suposições e interpretações do autor, opiniões claramente elaboradas.  De maneira inteligente e tangencial Vuillard se concentra em participantes menores de eventos conhecidos, condicionando a narrativa a pequenos eventos, retratos de momentos, cenas, vinhetas do poder alemão até a anexação da Áustria ao domínio nazista em 1938. 

Discordo das críticas. Toda reconstrução histórica sofre viés interpretativo. Vuillard dá um passo além, talvez mais honesto, ao esclarecer suas opiniões, demonstrar seu desdém, sua revolta. Autores de ficção histórica frequentemente dão maior ou menor ênfase a acontecimentos de acordo com a interpretação do passado que seus dados apontam. Éric Vuillard escreveu um livro de ficção e tem todo direito de expor nessa narrativa suas ideias e conclusões. O resultado das vinhetas relatadas nesta prosa, com viés narrativo do autor, é o choque para esta leitora, pelo menos, da imensidão do financiamento econômico que permitiu o crescimento do nazismo, pelos grandes industriais da época, vinte-quatro ao todo, além do Secretário de Relações Exteriores da Grã Bretanha, Lord Halifax e o Chanceler da Áustria Kurt Schuschssnigg.

É evidente que o autor fez extensa pesquisa histórica. A narrativa através de encontros importantes para o sucesso econômico do fascismo surpreende. Minhas lembranças dos tempos de estudante no ensino médio, quando memorizava uma lista de datas, recitadas como tabuada, o rol de eventos que levam ao domínio dos fascistas na Alemanha foram inevitáveis; assim como foi indiscutível a paulatina, sistemática e penosa realização, nessa leitura, do progresso de domínio do território austríaco pelas tropas nazistas. Essa terra de Hitler ficou para sempre na memória de todos que se debruçaram sobre a história do século passado, como rapidamente caída na teia fascista. Mas, aqui, através das emoções do escritor, em sua revolta, ainda que consiga também achar o humor de alguns momentos, tudo parece novo. E chocante.

Éric Vuillard

Mais do que merecido o prêmio Goncourt.  Leitura importante para afiarmos a sensibilidade do  que e de como Hitler conseguiu tão rapidamente tanto poder.  Contrário à maioria dos livros sobre a Segunda Guerra Mundial, A ordem do dia, é um volume pequeno de meras cento e quarenta páginas.  Recomendo, principalmente àqueles que se interessam pelo perfil histórico do século passado.

 

NOTA: este blog não está associado a qualquer editora ou livraria, não recebe livros nem incentivos para a promoção de livros.





Curiosidade literária

6 06 2022

Tarde de leitura

Vincenzo Irolli (Itália, 1860-1942)

óleo sobre tela

O romance Os Miseráveis de Vítor Hugo, não foi popular só entre os parisienses do século XIX. Esse livro de muitas centenas de páginas foi o livro mais popular e lido entre os soldados americanos da Guerra Civil daquele país (1861-1865).





Curiosidade literária

30 05 2022

Moça lendo, 1938

Pablo Picasso (Espanha, 1881- 1973)

óleo sobre tela, 69 x 55 cm

Detroit Institute of the Arts

Agatha Christie se inspirava e anotava detalhes de seus livros de mistério, enquanto comia maçãs na banheira de casa.





Sublinhando…

25 05 2022

Jacqueline lendo

Albert André (França, 1869-1954)

óleo sobre tela

 

“… a paixão primeira não pela voz, mas pelos olhos fala.”

 

Olavo Bilac, Poema V, Via Láctea.

 

 





Curiosidade literária

23 05 2022

Garotos lendo, 2006

Sue Lynn Cotton (EUA, contemporânea)

O primeiro livro de ficção totalmente escrito numa máquina de escrever, foi As aventuras de Tom Sawyer, de Mark Twain, publicado em 1876.

Fonte:  Autobiografia,  Mark Twain, 1904.





Sublinhando…

17 05 2022

 Notícias da manhã, ou Peggy Bacon lendo

Alexander Brook (EUA, 1898-1980)

óleo sobre tela,  24 x 18 cm

 

“A ciência é muito mais do que a apreciação e a aplicação de sua linguagem técnica à explicação dos fenômenos naturais. A beleza da ciência está em seu poder de nos aproximar da Natureza.”

 

 

Marcelo Gleiser

 

Em: A dança do universo: dos mitos de criação ao Big Bang, Marcelo Gleiser, São  Paulo, Companhia das Letras: 2006, 10ª reimpressão, Companhia de Bolso, página 183.





Imagem de leitura — Hamish Constable Paterson

13 05 2022

The Duchess of Atholl, c. 1938

Hamish Constable Paterson (GB, 1890-1955)

óleo sobre tela

Perth & Kinross Council





Curiosidade literária

9 05 2022

Jovem lendo no sofá, 1920

Isaac Israels (Holanda, 1865-1934)

Vladimir Nabokov escrevia seus romances em fichas de arquivo, que organizava em caixas de sapatos. Desse modo podia mudar a ordem dos parágrafos sem ter que copiá-los.