“Anos mais tarde, tentando cumprir o sonho de poeta, escrevi Terraplanagem, um poema incompleto como os outros. Levei uma vida até descobrir que a incompletude terá sido o meu único dom poético.”
Em: Eliete: a vida normal, Dulce Maria Cardoso, Kindle Edition: 2022
Dan Brown, o escritor do best-seller O código da Vinci e de outros livros que também alcançaram um grande número de leitores no mundo inteiro, tem um sistema extravagante de exercícios físicos para se manter em forma. Começa a manhã por volta das quatro horas quando se exercita por uma hora. Às cinco da manhã começa a escrever. Para de escrever de hora em hora quando então, dedica-se a algumas séries de exercícios abdominais e alongamentos. Acredita que isso faça o sangue correr mais potente pelo corpo e pelo cérebro, ajudando-o na tarefa criativa.
“O convívio social tem o grande mérito de abrandar a idiotice do casal que não conversa, jamais descobre que não tem muitas afinidades. A companhia do outro tem o mesmo efeito da aposentadoria para as pessoas da classe média, ou seja, causa divórcio.”
Em: Esnobes, Julian Fellowes, tradução de Beatriz Horta, Rio de Janeiro, Fabrica 231: 2016, p.164.
“… um romance não é apenas um fenômeno linguístico. Na poesia, é difícil traduzir as palavras porque o que importa é o seu som, assim como seus significados deliberadamente múltiplos, e é a escolha das palavras que determina o conteúdo. Numa narrativa, temos a situação contrária: o universo que o autor construiu, os acontecimentos que neles ocorrem é que ditam o ritmo,, o estilo e até a escolha das palavras. A narrativa é governada pela regra latina, “Rem tene, verba sequentor” — “Prenda-se ao tema e as palavras virão” — ao passo que na poesia a formulação deve ser mudada para: “Prenda-se às palavras e o tema virá.”
Em: Confissões de um jovem romancista, Umberto Eco, tradução de Clóvis Marques, Rio de Janeiro, Record: 2018, p. 15
é ir a algum lugar sem precisar pegar um trem ou navio, desvendar mundos novos e incríveis. É viver uma vida que você não nasceu para viver e uma chance de ver algo colorido pela perspectiva de outra pessoa. É aprender sem ter que enfrentar as consequências dos fracassos, é aprender como ter sucesso da melhor maneira.”
Em: A última livraria de Londres de Madeline Martin, tradução de Simone Reisner, Kindle edition, 2022.
Escrita em números: é impressionante saber os limites autoimpostos por alguns escritores, para o mínimo de palavras produzidas por dia. Aqui vai uma amostra:
Ray Bradbury — escrevia 1.000 palavras por dia desde os 12 anos de idade
Raymond Chandler — não tinha um limite específico, mas sabe-se que escrevia 5.000 palavras por dia
Arthur Conan Doyle, William Golding, Norman Mailer — diziam escrever 3.000 palavras por dia
Ian Fleming escrevia 2.000 palavras/dia, 5 dias por semana, 6 meses, para cada livro de James Bond
Ernest Hemingway — considerava 500 palavras, bom trabalho diário
Stephen King — escrevia 2.000 palavras por dia mas não contava os advérbios
Jack London — escreveu 1.000 palavras por dia, todos os dias de sua vida
Anthony Trollope — escrevia 250 -palavras a cada 15 minutos, marcados no relógio
Thomas Wolfe — não parava até alcançar as 1.200 palavras diárias
EXCEÇÕES
James Joyce considerava duas frases perfeitas, um bom dia de trabalho
Dorothy Parker dizia que não podia escrever cinco palavras sem trocar sete
Emerentia, mãe de Santa Ana, avó de Jesus Cristo, sd,final do século XV,
DETALHE [Altar da árvore genealógica da Virgem Maria]
Jan Provost (Bélgica 1465-1529)
óleo sobre madeira
Raramente faço resenhas de livros em língua estrangeira, ainda que os leia, todos os dias. Conversando com amigos cheguei à conclusão de que para livros que não têm tradução no Brasil, não há jeito, temos que passar adiante a informação. E hoje, quem não lê em inglês? Este livro, não muito grande, li na versão eletrônica. É um apanhado sobre as mulheres que faziam parte das cortes de Henrique VIII e Francisco I, primos e reis que estavam em perpétua competição entre si. Francisco I também competia com Carlos V da Espanha. Essa época, início do século XVI, é complicada para estudar, batalhas entre esses três monarcas fazem parte importante da história do mundo ocidental, por ajudarem a moldar o que hoje entendemos como Europa. Em termos de literatura é interessante lembrar que a competição entre esses líderes é frequentemente mencionada. Por exemplo, a disputa entre Francisco I da França e Carlos V da Espanha é mencionada nas primeiras linhas de, No caminho de Swann, primeiro volume de Em busca do tempo perdido de Marcel Proust. Este é só um exemplo de como as referências históricas podem ser importantes mesmo para leituras modernas.
Golden Age Ladies: women who shaped the courts of Henry VIII and Francis I, de Sylvia Barbara Soberton foca precisamente nas ações, no poder das mulheres que contribuíram para os governos, para as cortes desses reis. Trabalhando muitas vezes no aconselhamento, mas também nos tratados de paz entre eles. Essa visão histórica pelo lado feminino nem sempre foi abordada, e no entanto elas tinham poder, justamente por seus casamentos não serem feitos por sentimentos mas pelas fortunas que traziam para as cortes onde seriam esposas de reis e mães de futuros monarcas se tivessem sorte de produzirem herdeiros.
Este livro não trará novidades para o historiador,para o pesquisador, para quem pretende fazer um mestrado em história. Não é esse o seu objetivo. Bem pesquisado, com notas de rodapé (aqui no final do livro) que ajudam, caso o leitor queira pesquisar mais a fundo, este livro traz de forma compreensiva, direta, aspectos da vida no início do século XVI e a importância das mulheres nas cortes retratadas,para o leitor comum.
Não é um romance. Não é um livro de aventuras. Mas é um excelente apanhado sobre essa época, e as mulheres que dela fizeram parte. Acabamos nos familiarizando com Louise of Savoy, Marguerite d’Angoulême, Claude de France, Eleonora de Portugal, Françoise de Foix, Anne de Pisseleu, Catarina dei’Medici, Diane de Poitiers, estas todas da corte francesa. Assim como Maria Tudor, Catarina de Aragão, Ana Bolena, Jane Seymour, Ana de Clèves, Catherine Howrd, Catherine Parr e Bessie Blount (Elizabeth), da corte de Henrique VIII.
Sylvia Soberton
Se você já tem bastante conhecimento do período, se é um historiador especializado, talvez esse não seja um livro para você. Mas se gosta da época e quer entendê-la mais, sugiro que leia essa obra. Ela traz claridade sobre as ligações desses nobres, como se tivéssemos um mapa dos relacionamentos ou lista de quem é quem… Como gosto do período e sei da importância que teve para o desenvolvimento da Inglaterra e da França, achei esse livro muito bom. A meu ver cumpriu com o que prometeu.
NOTA: este blog não está associado a qualquer editora ou livraria, não recebe livros nem incentivos para a promoção de livros.
Honoré de Balzac deu a toda sua obra o nome de Comédia Humana. Sob esse título há praticamente a totalidade de sua escrita criativa, que se concentra nas histórias, aventuras e desgraças de uma extensa família francesa. Através dos anos, o número de seus personagens cresceu tanto que Balzac desenhou uma árvore genealógica pelas paredes de três cômodos em sua residência, para poder se lembrar das conexões familiares e datas de nascimento daquelas figuras que vieram de sua imaginação.