Imagem de leitura — Porfiry Krylov

4 07 2023

Esposa do artista, Elena Kylova, na varanda em Gurzuf, 1954

Porfiry Krylov (Rússia, 1902-1990)

óleo sobre tela

Museu Porfiry Krylov, Tula, Rússia





Sublinhando…

27 06 2023

A leitora

Catherine Solier (França, 1958)

técnica mista sobre papel, 76 x 101 cm

 

 

Sempre que me falavam de meu avô, começavam dizendo que ele “não sabia ler nem escrever”, como se sua vida e sua personalidade não pudessem ser compreendidas sem essa informação básica.

 

Em: O lugar, Annie Ernaux, tradução Marília Garcia, São Paulo, Fósforo: 2021





Imagem de leitura — Federico Cortese

26 06 2023

Com intenção de leitura

Federico Cortese (Itália, 1971)

óleo sobre tela, 80 x 120 cm





Imagem de leitura — David Milne

19 06 2023

Cadeira de  balanço azul, 1914

David Milne (Canadá, 1882-1953)

óleo sobre tela,  50 x 50 cm

Art Gallery de Ontário





Sublinhando …

19 06 2023

Leitora

Hélène Beland (Canadá,  1949)

óleo sobre tela, 120 x 120 cm

 

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“Para quem se beneficia das indulgências da vida, a obrigação de rigor na consideração da beleza é inegociável. A língua, essa riqueza do homem, e seus usos, essa elaboração da comunidade social, são obras sagradas. Que evoluam com o tempo, se transformem, se esqueçam e renasçam, enquanto, por vezes, sua transgressão torna-se fonte de uma fecundidade maior, nada  muda o fato de que, para praticar com elas esse direito ao jogo e à mudança, é necessário, previamente, ter-lhe declarado plena submissão. Os eleitos da sociedade, esses que o destino isenta das servidões que são o quinhão do pobre, têm, portanto, a dupla missão de adorar e respeitar o esplendor da língua. Por último, que uma Sabine Pallière faça mau uso da pontuação é uma blasfêmia tanto mais grave na medida em que, ao mesmo tempo, poetas maravilhosos nascidos em barracos fedorentos ou em subúrbios que parecem lixões têm por ela essa sagrada reverência que é devida à Beleza.”

Em: A elegância do ouriço, Muriel Barbery, tradução de Rosa Freire d’Aguiar, São Paulo, Cia das Letras: 2008, p. 117

 

 


Nota:  Há poucos livros que releio.  Precisam ter conteúdo mais denso, ter agradado pelo prazer da escrita, ter ideias que possam ser pensadas, discutidas, conversadas.  Fiz neste mês que passou a terceira leitura de A elegância do ouriço e continua, para mim, excelente no contar de uma história e levantar questões por que passamos todos os dias sem nos deter.  Recomendo a leitura. 





A geada, texto de Érico Veríssimo

15 06 2023

Moça de Amarelo, 1936

Hilda Campofiorito (Brasil, 1901-1997)

óleo sobre tela,

Museu Nacional de Belas Artes, RJ

“Meio encolhido no seu pijama de pelúcia, com uma manta de lã enrolada no pescoço, era com um certo gosto de tropeiro que oferecia a cara à mordida gelada e úmida do ar do alvorecer. Era bom sentir no côncavo da mão e nos dedos o calor da cuia de chimarrão e mais saboroso ainda chupar a velha bomba que herdara do velho Xisto, reter na boca, meio queimando a língua, o mate escaldante e depois deixar o amargo descer devagarinho, faringe e esôfago abaixo, e ir aquecer-lhe o peito, como um poncho para uso interno. A geada branqueava os telhados. Galos cantavam em quintais próximos e distantes e, como sempre acontecia nessa hora, Tibério pensou nas incontáveis alvoradas de sua vida, na cidade e no campo, e por alguns instantes lhe passaram pela mente as imagens de seu pai, de seus irmãos e de outros amigos mortos que estavam sepultados lá em cima da coxilha e que não podiam mais ver a luz do dia. Essa era a única hora em que às vezes ele pensava na sua própria morte, principalmente agora que tinha entrado na casa dos sessenta.”

Em: Incidente em Antares, Érico Veríssimo, Cia das Letras: 2006, original publicado em 1970. Minha edição Kindle.





Imagem de leitura — Kevin Chadwick

14 06 2023

Mulher lendo no jardim

Kevin Chedwick (EUA, contemporâneo)

técnica mista sobre tela, 91 x 91 cm





Imagem de leitura — Melissa Hefferlin

12 06 2023

Hora do chá

Melissa Hefferlin (EUA, contemporânea)

óleo sobre tela, 149 x 99 cm

Coleção Particular





Curiosidade literária

12 06 2023

Betty

James Durden (Inglaterra,  1878-1964)

óleo sobre tela

Kenswick Museum & Art Gallery

 

No século XIX muitos cientistas se dedicaram ao estudo da frenologia para delinear características dos cérebros humanos. A intenção era determinar através da forma, do peso, das saliências, das características físicas de cada um,  se criminosos e gênios se diferenciavam substancialmente uns dos outros, através dessas medidas. 

Hoje a frenologia está totalmente desacreditada, mas, quando o escritor inglês William Makepeace Thackeray, faleceu em 1863, aos cinquenta e dois anos, seu cérebro foi retirado e investigado.

Afinal Thackeray era o grande romancista da era vitoriana,  autor de As memórias de Barry Lindon, História de Henry Esmond,  e da hoje clássica leitura obrigatória para uma bela educação literária Feira das Vaidades. Foram ao todo mais de 27 obras publicadas,  Era para todos os efeitos, um gênio.

Seu cérebro, não desapontou o público da época, foi confirmado ser mais pesado do que o normal, 1,658 quilos.   No entanto, quando comparado com outros cérebros de escritores famosos, por exemplo, do russo Turgenev, o romancista inglês perdia.  Turgenev  a 1, 984 quilos era definitivamente tamanho extra grande.  Outos cérebros de escritores pesados na balança surpreendem: o francês Anatole France pesou 1,020 quilos e Walt Whitman 1,247 quilos.  Talento definitivamente não corresponde ao tamanho do chapéu.

 

Fonte: Curiosities of Literature, John Sutherland, Skyhorse: 2011. [Kindle]

 





Sublinhando…

11 06 2023

Sem Título

Zoe Gaston (Irlanda, contemporânea)

 

 

Estava sob uma pilha de livros, embrulhada em panos de cortina carcomidos de traças, enfiada entre camadas de papelão. Ele a mantivera escondida durante toda a guerra. Era a primeira edição do Blaue Reiter Almanac, publicado em 1912, uma espécie de manifesto do grupo de artistas expressionistas de Munique e região nos poucos anos que antecederam a Primeira Guerra Mundial. Foram declarados “degenerados” pelo Partido Nacional-Socialista e seus quadros foram confiscados, vendidos, destruídos ou ocultados.

 

 

Em: Lições, Ian McEwan, tradução de Jorio Dauster, São Paulo, Companhia das Letras: 2022, [Kindle]