Sublinhando…

22 01 2025

Mulheres clássicas lendo próximo a templo, 1889

Henry Thomas Schafer (Inglaterra,1854-1915)

óleo sobre tela, 98 x 64 cm

 

 

“As nossas memórias nunca são verdadeiras ou absolutamente verdadeiras, são apenas uma interpretação. Existem outras, e ao longo dos anos vamos vendo o passado a uma luz diferente. As nossas memórias vão sendo vistas de diferentes perspectivas, conforme aquilo que aprendemos e conforme aquilo que sentimos no instante em que as relembramos.”

Em: Os livros que devoraram meu pai, Afonso Cruz, ed. Leya: 2019





Palavras para lembrar: Ruben Darío

22 01 2025

Retrato de Família, 1960-65

Georgette Chen (China- Singapura, 1906-1993)

óleo sobre tela

Museu de Arte de Singapura

 

 

“O livro é força, é poder, é alimento; tocha do pensamento e manancial do amor.”

 

Ruben Darío

(1867-1916)

 

 





Imagem de leitura: Otto Herschel

21 01 2025

Retrato de uma dama

Otto Herschel (Alemanha, 1871-1937)

óleo sobre tela,  78 x 61 cm





Cartas que me devolveste rasgadas, soneto de Alfredo de Barros

18 01 2025

Els Bleekrode lendo na cama,1936

Meijer Bleekrode (Holanda,1896-1943)

óleo sobre tela, 101 x 78 cm

 

 

Cartas que me devolveste rasgadas

 

Alfredo de Barros

 

Se é tudo quanto tens pra me dizer,

Fora melhor calar essa atitude.

Tinha mais graça e tinha mais virtude

Se m’o desses apenas a entender.

 

Se em teu amor por vezes eu não pude

O sentido dum gesto compreender,

— Propósitos de nunca responder

Têm um alcance que a ninguém ilude.

 

Tranquilamente, como sol que finda,

Morria o sonho sem olhar ainda

Para o rasto deixado antes de si. . .

 

Assim, talvez jamais acreditasse

Que só por ter beijado a tua face

Andei louco de amor atrás de ti.

 

 

Em: Versos de cinzas, Alfredo de Barros, Lourenço Marques {Maputo], 1946





Imagem de leitura: Reynaldo Fonseca

16 01 2025

Lição de casa, 2007

Reynaldo Fonseca (Brasil, 1925-2019)

óleo sobre tela, 81 x 100 cm

 

 

Reynaldo Fonseca é um dos pintores brasileiros de que mais gosto.  Gosto do silêncio em suas imagens,  da tradição clássica que todas suas obras respiram, podendo estar lado a lado com uma tela renascentista, por exemplo, sem estar diminuída, apesar de usar linguagem diversa.  Gosto também do mistério e do ocasional aceno ao surrealismo figurativo.  Seus quadros são atemporais, quase místicos. Eles aspiram a algo maior do que a própria imagem, do que a própria pintura. Sou parcial à sua obra. Sim, eu teria muitas de suas telas em casa, vivendo comigo. 





Palavras para lembrar: Joseph Epstein

13 01 2025

Meus pais

Auke Leistra, (Holanda, 1958)

acrílica, 52 x 39 cm

 

“Usamos os livros como espelhos, olhando dentro deles apenas para descobrirmos a nós mesmos.”

 

Joseph Epstein

(EUA, 1937)





Resenha: “Água fresca para as flores” de Valérie Perrin

12 01 2025

A leitura

Bernard Charoy (França, 1931-2024)

óleo sobre tela, 74 x 61cm

 

 

Meu grupo de leitura, Ao Pé da Letra, escolheu para leitura longa  — aquele livro que é votado no final de novembro para ser debatido no encontro de janeiro — Água fresca para as flores, de Valérie Perrin, traduzido por Carolina Selvatici [Intrínseca:2022]. Grande sucesso mundial.  Para mim, não funcionou muito bem.  Raramente resenho alguma coisa de que não gosto.  Talvez tenha havido falta de empatia pela história do jeito que foi contada.  No entanto, faço uma exceção hoje para algumas observações que se aplicam aqui e que podem ser levadas a outros casos.

A história se passa no finalzinho dos anos 90 e na primeira década do século XXI, na França.  Ela se concentra na vida cotidiana de Violette Toussaint, uma mulher que na abertura do livro beira os cinquenta anos.  Ela é zeladora do cemitério numa pequena cidade francesa. Teve infância difícil, órfã, mal sabe compreender um texto escrito. Jovem, casa-se com Philippe Toussaint.  Ele é um conquistador de mulheres, não gosta de trabalhar e vem de uma família com alguma aspiração social. Violette não se importa de trabalhar e manter esse bon-vivant em sua vida. Para seguir as peripécias deste casal, a autora entrelaça a vida deles com a de outro casal mais velho que conhecemos através de um diário deixado para trás, depois que ela morre.  Esse diário traz, por sua vez, outras tantas informações, relatos de aventuras, decisões acertadas ou não da pessoa que escreve, que são desnecessárias para a trama. Além disso, conhecemos, fora deste diário, na narrativa principal diversos outros personagens tangenciais que nada têm a ver com o eixo da trama. A narrativa não linear é usada para introduzir pormenores da vida destes coadjuvantes e contribui para inserir incerteza ao leitor na ordem dos acontecimentos.  Há um terceiro personagem importante: o cemitério.  Este é um jardim, calmo, cuidado pela protagonista, lugar de reflexões dos visitantes e dela, que serve de contraponto ao caos das vidas na cidade, fora dos portões que o resguardam. É um lugar mágico que também tem alguns personagens invulgares além dos onze gatos que o habitam. 

Há através dessas páginas também o escancarado desejo de prover o leitor com frases de efeito, passando por poéticas, na maioria inconsequentes, mas que aparentam profundidade.  Muitas delas dão nome aos capítulos do livro, mas podem estar também distribuídas através do texto. A mais popular delas, de acordo com a Amazon, até o dia de hoje, 1370 pessoas, marcaram a seguinte: “Temos que aprender a oferecer nossa ausência àqueles que não entenderam a importância da nossa presença.” E, segundo lugar, com 1062 pessoas ressaltando no texto: “Ninguém nunca diz que podemos morrer de tantas vezes que nos sentimos chegar ao nosso limite.”  Ou como as que marquei que iniciam capítulos: “O tempo aniquila a vida. O tempo aniquila a morte.“;  “Uma lembrança nunca morre, apenas adormece.”  Elas me lembraram frases feitas que encontramos em postagens das redes sociais como guias do bem viver e que muitas vezes, passam por poesia.

 

 

 

Há tempos imagino como seria bom termos editores, à moda antiga, ao estilo de Robert Gottlieb ou Maxwell Perkins conhecidos por darem forma, interferindo no texto, sugerindo mudanças para escritores que ficaram famosos.  Gottlieb foi editor de Joseph Heller, John Le Carré; enquanto Maxwell Perkins ficou famoso por sugerir mudanças em mais de um livro de Scott Fitzgerald, trabalhando também com Ernest Hemingway. Outros editores, contribuindo proativamente nos textos, tiveram sucesso em transformar alguns escritores em início de carreira, em clássicos.  Com o aumento de pessoas escrevendo e a diminuição de editoras publicando desconhecidos, tendência mundial hoje, há mais escritores autopublicando aqui e no resto do mundo.  Com isso surgiu a profissão do ‘leitor crítico’ que, por uma quantia previamente estipulada, procura melhorar os textos, mostrando falhas na  coerência ou plausibilidade, na estrutura ou demais problemas. Mas seus conselhos, sempre bons, se forem profissionais competentes, não têm a força daqueles que investidos monetariamente nas obras, querem o sucesso do que publicam.  Água fresca para as flores poderia ter-se beneficiado de um bom editor à moda antiga. Com uma escrita verborrágica, suas 480 páginas poderiam ser reduzidas a um pouco mais da metade.  Por que?  Porque há muita informação desnecessária.  Se alguém sai de férias, por exemplo, somos expostos à lista de todos os itens colocados nas malas de viagem; se acompanhamos o dia a dia no cemitério, somos expostos a aulas de jardinagem que não têm qualquer importância para a trama. Tudo isso para quê? Realismo? Ambientação? Para mim, perda de tempo.

 

Valérie Perrin

 

Água fresca para as flores parece ter sido escrito para a categoria jovem adulto.  Foi um grande sucesso na Europa, e pelo que consegui perceber por minhas companheiras no grupo, um livro agradável, de que gostaram, ainda que longo.  Nem todas essas leitoras dariam a nota baixa [duas estrelas de cinco] que dei. Sei que é um livro popular.  Afinal ganhou dois prêmios na França: Maison de la Presse, 2018 (um prêmio dedicado a jovens autores) e no ano seguinte, 2019, ganhou o Les Livres de Poche Reader’s Prize, que é dado pelos leitores. Então agradou muito.  Se você está querendo simplesmente passar o tempo, investir numa leitura inconsequente mas agradável, esse livro deve estar na medida.  Mas se você gostaria de uma leitura mais complexa, inesquecível, este não é o seu livro.

NOTA: este blog não está associado a qualquer editora ou livraria, não recebe livros nem incentivos para a promoção de livros.





Para o Ano Novo: Cântico XIII de Cecília Meireles

3 01 2025

Leitura matutina, 2010

Roberto Ploeg (Holanda,Brasil, 1955)

óleo sobre tela

 

Cântico XIII

 

Cecília Meireles

 

Renova-te.
Renasce em ti mesmo.
Multiplica os teus olhos, para verem mais.
Multiplica-se os teus braços para semeares tudo.
Destrói os olhos que tiverem visto.
Cria outros, para as visões novas.
Destrói os braços que tiverem semeado,
Para se esquecerem de colher.
Sê sempre o mesmo.
Sempre outro. Mas sempre alto.
Sempre longe.
E dentro de tudo.

 

Em: Cânticos, Cecília Meireles, São Paulo, Moderna: 1981





Imagem de leitura: Emma Fordyce MacRae

18 12 2024

A garota italiana

Emma Fordyce MacRae  (Áustria, EUA, 1887-1974)

óleo sobre tela,  91 x 81 cm





Imagem de leitura: Fanny Brügger

6 12 2024

Senhora lendo com Spaniel no colo

Fanny Brügger (Alemanha, 1880-1965)

óleo sobre tela, 38 x 48 cm